Mês: janeiro 2013



Outros quinhentos…

Esta postagem é a de número 500 deste espaço virtual. O “Escrever é preciso” nasceu no dia 10 de setembro de 2009 e tenho por este blog um imenso carinho.

Foi a partir dele que muitas transformações aconteceram em minha vida. O convite do jornal O Diário surgiu em um momento bastante difícil na minha carreira profissional. Contra minha vontade, estava com poucas aulas e com bastante tempo.

Então decidi que era o momento ideal para começar a investir neste que é o meu único talento: escrever.

Até o início do ano passado, era possível postar um texto por dia, inclusive aos sábados. E não fazia isso por obrigação, pelo contrário. Transformar em palavras os sentimentos que me inquietam é algo absolutamente prazeroso.

Mas, ao contrário do que ocorreu em 2009, quando uma escola não valorizou o meu trabalho, 2012 foi um ano especial, pois assumi as aulas de redação do Colégio Platão, uma instituição de ensino em que sou muito feliz como professora.

Com menos tempo, tornou-se impossível alimentar diariamente o blog. Além disso, precisei tomar uma decisão que me deixou até entristecida: não pude mais responder aos comentários dos leitores. E isso fez com que menos pessoas se motivassem a registrar por aqui suas opiniões. Uma pena, mas eu compreendo.

De qualquer forma, quero manifestar nesta quingentésima postagem minha gratidão ao jornal. Ser  blogueira  do odiario.com me abriu portas e me ajudou a concretizar os planos de lançar meus livros.

Ainda tenho muito a conquistar profissionalmente. Amo o tablado e não tenho planos de pendurar o jaleco, mas quero também me firmar na carreira de escritora.

O caminho é difícil, mas possível de ser trilhado. Deus me concedendo saúde, escreverei mais 500 textos…

Afinal, escrever é preciso…

 

 

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Saudade tem rosto, nome e sobrenome…

“Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa, é a ausência que incomoda. Saudade é prova de que valeu a pena”.

Publiquei este pequeno poema no Face há pouco mais de um mês. Desde então, a repercussão dessas simples palavras tem sido imensa no mundo virtual. Somando todas as reproduções que foram feitas em páginas de mensagens, já são quase 80.000 compartilhamentos. Na terça-feira da semana passada, dia 21, a apresentadora Ana Maria Braga abriu seu programa com o poema e o texto está, com os devidos créditos, no site do “Mais Você”.

E isso está acontecendo porque o sentimento é comum a todas as pessoas, de uma forma ou de outra. E hoje, 30 de janeiro, quando se comemora o “dia da saudade”, impossível não trazer o tema à tona novamente.

Há quem ache que saudade sempre lembra tristeza e que, por isso, não é mereça comemoração. Bom, então vamos trocar o “comemorar” por “celebrar”.

Recordar as pessoas que amamos e que já não estão mais entre nós é celebrar a vida. A morte nos separa fisicamente, mas não é, nem nunca será, a vitoriosa. Eu creio nisso.

Quando sentimos saudade é porque houve alguém que merece nossas lágrimas. Se a ausência incomoda, como escrevi no poema, é porque vivemos bons momentos ao seu lado. Por isso a saudade é celebração da vida. Da nossa história de vida.

E a gente sente saudade não só de quem “voltou pra casa”, mas também de que ainda está por aqui, neste plano terreno. Às vezes, por vontade própria ou não, pessoas deixam de ser companheiras de estrada. E aí vem a saudade.

Saudade dos tempos de infância e adolescência, saudade de uma viagem bacana que fizemos, saudade do cheiro gostosa da comida materna, saudade do abraço apertado paterno, saudade, saudade, saudade…

Que o dia de hoje, com ou sem lágrimas, seja motivo para festa em nossos corações. Que as lembranças sirvam para nos proporcionar momentos de emoção, não de tristeza.

 

 

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Nem só de filhos vive um casal

Concordo com quem defende a ideia de que um filho pode unir ainda mais um casal. Um, dois, três. Independentemente do tamanho da família, a perpetuação da espécie, quando desejada, permite que o homem e a mulher tornem o laço afetivo ainda mais forte.  Ver a criança como a continuação de uma bonita história  é natural. E saudável.

Entretanto, inquieta-me ver que, às vezes, muitos casais, ao assumir a paternidade e maternidade, focam sua vida exclusivamente na prole e se esquecem de que a relação conjugal também precisa de atenção.

Dizem que filhos pequenos dão trabalho e grandes, preocupação.  Acho que é verdade. Pai e mãe  sempre acabam se desdobrando em cuidados na infância dos pequenos e,  mais tarde, envolvem-se com os projetos – pessoais e profissionais – dos não mais tão pequenos assim.

Mas um casal cuja única expectativa na vida é criar com amor e competência seus filhos nem sempre percebe que está se esquecendo de manter acesa a chama do relacionamento. Não a chama da paixão, que essa vai se extinguindo naturalmente com o passar do tempo, mas a do amor, um sentimento forte, mas que precisa de cuidados também.

Há estatísticas que mostram um grande percentual de separações envolvendo homens e mulheres com 30 anos de casamento, por exemplo. Depois que o último filho deixa a família – para estudar ou se casar – um olha para o outro e não vê mais perspectiva na relação. O convivência perdeu a graça. E por quê? Porque,sem perceber, eles se dedicaram muito aos filhos e pouco a si mesmos.

Filhos só serão símbolo de união para um casal quando os pais entenderem que precisam cultivar a vida a dois, e não só a vida a três, a quatro, a cinco. Atitudes simples como programar uma viagem sem a criançada, por exemplo, pode ser uma boa opção. Nem sempre é fácil, mas com a ajuda de familiares e amigos é possível.

O marido precisa olhar para sua esposa primeiramente como mulher, depois como mãe. E o contrário também é verdadeiro.

Quando o casal entende que existe vida além do “planeta filho”, todo mundo sai ganhando.

 

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O fantasma da “outra”

Uma pesquisa recente, feita por um site de relacionamentos, mostrou que a maioria das mulheres consultadas prefere ter homens como seus chefes nos ambientes profissionais. Um amigo publicou esse resultado em sua página do Facebook e comentei que concordo com elas. Também prefiro me reportar a um homem que a uma mulher. Homens às vezes são esquisitos, mas é mais fácil lidar com eles.

Fujo das generalizações como fujo dos flanelinhas, mas me arrisco a afirmar que é mesmo mais difícil se relacionar com a espécie feminina em ambientes profissionais. Não apenas nas relações de subordinação, mas em qualquer situação. Mesmo com colegas de trabalho, o espírito de concorrência é muito mais acirrado.

E não falo da concorrência natural do mercado. Se estou em uma empresa e quero me destacar, é normal que eu use estratégias para mostrar a quem me lidera que tenho potencial.

Refiro-me à característica que a mulher tem de se sentir ameaçada pela “outra”, e não só no casamento. É quase um fantasma. Inveja e ciúme fazem com que a convivência às vezes se torne  insuportável. Além disso, ainda há o problema de se  polemizar pequenos entreveros do dia a dia. Já soube de empresas que precisaram dispensar funcionárias e contratar rapazes para substituí-las apenas com o intuito de diminuir a quantidade de fofocas. E é preciso admitir: nós sentimos muito mais prazer que os homens em comentar sobre a vida alheia.

Por essas e outras é que o resultado da pesquisa faz sentido. Uma mulher que assume um cargo de chefia, talvez até sem perceber, vê na subordinada uma perigosa concorrência. Se for insegura então… E aí, caso não tenha ética profissional, puxar o tapete para que a outra caia do salto é um passo.

A convivência é e sempre será exigente. Na família, na vizinhança, no trabalho. Mas a natureza feminina, mesmo sendo fascinante, é  delicada para as relações profissionais.

Principalmente para as que vivem assombradas com a concorrência.

 

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A síndrome da prateleira

Não tenho dados científicos para embasar minha teoria, mas posso afirmar que a síndrome da prateleira, vez ou outra, ataca-nos e nos faz  rotular pessoas e situações. Aliás, vez ou outra também, somos vítimas dela. Sempre há alguém que nos olha e deseja ardentemente nos rotular.

Os rótulos não são apenas prova do nosso julgamento precoce e leviano. Eles nos impedem de conviver com pessoas interessantes porque o preconceito nos afasta delas. E quando eu sou o alvo dos rótulos, a vontade que tenho é de gritar “não sou produto de prateleira!”.

Essa reflexão brotou ontem, quando li no Facebook o desabafo de uma amiga, uma mulher muito sensata, inclusive. Como não vai viajar nessas férias, uma vizinha olhou para ela  com um olhar de compaixão. É como se fosse impossível aproveitar esse período apenas ficando em casa, o que sabemos não ser verdade.

Minha colega descreveu no relato tudo que está fazendo agora e que normalmente não faz quando trabalha. São ações simples, como tomar sol ou dormir até tarde, mas que a fazem feliz.

Mas parece que existe um rótulo que diz “você só será feliz se…”. E aí vem a lista que as pessoas fazem para nós.

Está sozinha? Precisa namorar. Está namorando? Precisa casar. Casou? Precisa ter filhos. Tem um apenas? Precisa ter dois. No meu caso, em especial, há quem não se conforme em meu marido e eu não “tentarmos” uma menina. Somos absolutamente felizes com nossos pequenos e não sentimos necessidade, nem vontade, de ter uma menina. E pronto. E ponto.

Felicidade, ao contrário de bolo de chocolate, não tem receita. E querem saber? Eu nem acredito em felicidade. Não nesta vida terrena. Acredito em momentos felizes. Momentos felizes que podem ser fruto de grandes ou pequenos acontecimentos. O nascimento de um filho ou chegar em casa e tirar o sapato apertado. Conseguir uma promoção no trabalho ou tomar sol ouvindo música. Receber a notícia da cura de uma doença ou comer pastel na feira. Sei lá… cada um de nós sabe o que nos faz feliz.

E ninguém precisa de rótulo para isso.

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Minha alma inquieta

Devo confessar que a prosa me atrai mais que a poesia. Nunca fui uma mulher muito ligada a versos e rimas. Como leitora e como escritora, contos e crônicas sempre me chamaram mais atenção que poemas.

Mas, nos últimos dias, meu lado lírico tem dado o ar da graça e tenho publicado algumas reflexões mais poéticas no Facebook. Resolvi compartilhar por aqui também.

São apenas algumas gotas de sentimento, vindas desta mulher de alma inquieta…

Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa, é a ausência que incomoda. Saudade é a prova de que valeu a pena.

Eu quero uma vida com sabor. Quero uma vida intensa, que faça meu coração pulsar, minha pele corar, meus olhos brilharem. Eu quero uma história que deixe marcas, que arranque risos e lágrimas. Desejo ardentemente sentir o aroma que inebria as almas inquietas. Almejo uma trajetória que beire a insanidade, mas que saiba para aonde vai. Eu quero uma vida que valha a pena…

Sou divina e humana… sagrada e profana. Sou razão e emoção… realidade e ilusão. Sou forte e fraca… agradável e chata. Sou passado e presente… fria e quente. Sou silêncio e barulho… modéstia e orgulho. Sou dentro e fora… depois e agora. Sou indiferença e paixão… inverno e verão. Sou hoje e amanhã… louca e sã. Sou como sou… uma mulher que sempre amou…

Vem, amor, ficar comigo
Vem que o tempo é curto,
Mas a vontade é grande
Vem, amor, ficar comigo

Vem que esse corpo te quer,
Ele tem sede e fome de você
Vem matar esse desejo
Abrandar minha saudade

Vem encontrar a minha pele
Cola ela com a tua
Vem sentir o meu suor
Explorar os meus segredos

Não demora, meu amor
Porque o tempo é curto
Minha alma clama a tua presença
E a minha boca deseja a tua 

Vem, amor, ficar comigo…

 

 

 

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