Mês: maio 2013



Bom humor é tudo

Não sei se existe alguma  pesquisa sobre o tema,  mas acredito piamente que um dos ingredientes vitais à saúde dos relacionamentos seja o bom humor. Entre pais e filhos, professores e alunos, amigos, mas, principalmente,  nas relações afetivas. Quando um homem e uma mulher passam horas ao lado um do outro e não fazem uma brincadeira sequer, o sinal vermelho começa a acender.

No início da história, é até mais comum que as gracinhas deem o tom. Não estou me referindo, é claro, à síndrome do Ary Toledo, que é aquela mania que alguns têm de contar piada o tempo todo. Essa característica chega a ser irritante. Mas a ironia fina e inteligente, a capacidade de achar graça em situações banais, de rir das próprias gafes, de encontrar um motivo para uma boa gargalhada, enfim, tudo isso pode contribuir para uma história a dois mais leve e até mais envolvente.

Entretanto, o tempo e a rotina podem sufocar esse espírito e tornar a relação pesada. E aí falta o humor para lidar com os pequenos entreveros do dia a dia. Comigo, pelo menos, esse termômetro serve muito bem. Quando percebo que meu marido e eu estamos há tempos sem rir juntos, seja de nós mesmos ou das coisas da vida, preocupo-me e tento reverter a situação.

E se o bom humor ajuda nos namoros e casamentos de longa data, essa característica também pode ser uma boa arma de sedução. O herói Homem de Ferro, interpretado pelo ator Robert Downey Jr., é um exemplo clássico. É claro que, no seu caso, ajuda o fato de ele ser riquíssimo e também um pedaço de bom caminho (na verdade, o bom caminho inteiro), mas sua ironia torna o personagem ainda mais atraente.

Uma pessoa mal humorada ou que não entenda a ironia alheia normalmente não é boa companhia. Pode ser linda fisicamente, mas a convivência logo revela alguém com quem não tem muita graça estar. Literalmente.

A sabedoria popular diz que rir é o melhor remédio. Faz sentido. Principalmente se o riso for a dois.

 

2 Comentários


Expoingá: um momento “déjà vu”

Ir à Expoingá é viver um momento “déjà vu” (ou “dejavu”??? o oráculo do Google não soube me precisar como se escreve).

A sensação “já vi isso tudo” é impactante. Já vi, já ouvi, já senti (nesse último caso, o cheiro de bacon e estrume de boi).

Mas tudo bem. Valeu pela alegria do meu caçula, que ainda vê nas duas voltinhas do Minhocão um momento mágico.

E, como já previra, um show de botas de faroeste combinadas com shorts minúsculos, daqueles próprios para se usar na orla de Camboriú. Tudo bem também. Mas preciso dizer que ver meninas de 12, 13 anos se vestindo como mulheres de 25 – e maquiadas como o palhaço Carequinha – é um pouco incômodo pra mim.

Só fiquei chateada porque não vi o ônibus da Viação Garcia e o stand da Polícia Militar e isso fez com que eu perdesse a aposta que fiz com meu marido. Ou será que nos perdemos em meio às jaquetas de couro e aos guardanapos e não vimos direito?

Falando no maridão, meu primogênito e ele me dão nos nervos de tanto que querem ver carros e motos. Puxa… precisam olhar um a um e ainda por cima me chamam para contemplar também. Eu os acho bonitos. E só. Se ainda fossem sapatos…

No parque de diversões, às vezes me sinto em filme americano de sessão da tarde, principalmente quando vejo o carrossel e aquelas barraquinhas em que as pessoas têm que acertar alguma coisa pra ganhar algum prêmio. Geralmente ninguém acerta nada, mas tudo bem também.

Quando meus homens foram ver os porcos, preferi me sentar e esperá-los. Coloquei meu sapato mais confortável e com menos centímetros de salto, mas, depois de 3 horas de caminhada, meus pés clamavam por um stand de massagem. Eu nem acho que os porcos sejam criaturas feias, pelo contrário. São até simpáticos. Mas prefiro vê-los assados, de preferência com um limãozinho.

Também rolou um momento inveja no meu passeio. Desde minha tenra infância, sonho com um balão de gás, daqueles que têm formas e cores diferentes. Meu pai nunca pôde comprar e, como meu marido nunca me ofereceu, sempre tive vergonha de pedir. Fiquei com vontade de roubar o de uma criança que estava na fila, perto de mim, mas achei que esse tipo de escândalo não agregaria à minha carreira literária.

Por fim, mas não menos importante, o momento da saída. Quase abordei um policial e lhe avisei de que, na entrada, ninguém havia me revistado, talvez porque eu não tenha cara de bandida. Se tivesse levado um 38 na minha Victor Hugo do Paraguai, teria entrado tranquilamente.

Foi isso. Um passeio absurdamente previsível, mas, na companhia de quem amamos, sempre vale a pena.

P.S.: não vi maçã do amor … ufa…

14 Comentários


Sofrimento e iogurte

Já passei por algumas dores físicas intensas na minha vida. Tive cólicas renais, cólicas vesiculares (que recentemente fizeram minha vesícula partir desta para melhor) e dois partos normais. Mas nunca enfrentei grandes problemas de saúde, nem mesmo com pessoas mais próximas, como meu marido e meus filhos.

Com relação à morte de familiares especiais, a lista também é pequena: avós, alguns tios, já com certa idade, e meus sogros. Acho que essas perdas, por mais dolorosas que tenham sido, ainda não me fizeram experimentar o amargo sabor da saudade.

De alguma forma, por mais obstáculos pelos quais tenha passado, principalmente na minha vida profissional e financeira, sei que não tenho o direito de reclamar do meu fardo. Surgem probleminhas aqui, outros acolá, mas nada que fuja aos percalços comuns desta trajetória terrena.

Mas é claro que a minha humanidade me faz às vezes esquecer isso e o festival de lamentações entra em cena.

Todos têm direito ao seu momento de dor. Há situações em que a nossa força cede espaço para a nossa fragilidade é aí é muito natural que a tristeza tome conta de nós.

Mas isso precisa ser a exceção, não a regra.

Afinal, pelo que – ou por quem – vale a pena sofrer nesta vida?

Faz poucos dias vi no Face uma página criada apenas para compartilhar notícias sobre a batalha de uma criança contra o câncer. O garoto deve ter uns 10 ou 11 anos, no máximo, e sua mãe encontrou na rede social uma forma de pedir orações e minimizar sua dor.

Quando li os relatos dela, pensei “isso sim é sofrimento”.

Na verdade, por mais que se reclame de falta de dinheiro, da promoção no trabalho que não acontece, da viagem de férias tantas vezes adiada, do namorado ou marido que foi embora com outra, do filho que não sai da internet ou do preço da carne, só duas situações na vida podem justificar um sofrimento desmedido: doenças graves e morte.

Qualquer outra coisa, por mais difícil que seja, ainda é passível de solução.

Temos direito ao sofrimento, mesmo quando estamos com a saúde em dia e quando não perdemos para sempre quem amamos. Mas esse sofrimento tem que ser como iogurte: ter data de validade. Um dia, precisa ter fim.

Não se pode banalizar a dor alheia, tampouco a nossa. Mas também não podemos potencializá-la. A vida é relativamente simples até. Nós é que somos essencialmente complicados.

Ver uma mãe lutando com seu filho no combate ao câncer é um tapa na cara quando me apanho reclamando dos dias quentes ou da roupa que gostaria de comprar e não posso.

Ver a dor de quem nunca mais poderá abraçar ou beijar a pessoa que amava serve para eu me envergonhar quando fico chateada por não ir ao show do meu artista preferido.

É isso.

Viver é preciso; sofrer, nem sempre.

 

 

 

 

Comente aqui


Eu prefiro a guilhotina

Da série “Ninguém perguntou, mas se eu não contar fico doida”:

Hoje meu marido e eu fomos ao Fórum Eleitoral de Maringá para fazer nosso recadastramento. Agendamos pela internet para 11h15 e fomos atendidos antes desse horário. Menos de 15 minutos depois já havíamos cumprido o “ritual”.

Bom, o que me deixou com o coração inquieto – só pra variar – foi a extrema eficiência do processo. Não sei se é daquele jeito em todos os dias e horários, mas o fato é que chamou nossa atenção a quantidade de pessoas envolvidas e a organização.

Não que tenha achado ruim, pelo contrário. Achei ótimo. Mas, enquanto a jovem simpática preenchia meus dados, disse que gostaria de ver toda aquela organização e rapidez no atendimento de um posto de saúde, por exemplo.

Ela sorriu e concordou.

É impressionante… se for de interesse dos políticos, todo empenho é pouco. E o que pode ser mais valioso para eles que o nosso voto?

Acho que, se fosse preciso, eles mandariam até nos buscar em casa para fazer o bendito recadastramento. Quem sabe até inventassem um “disk-título” ou algo parecido. Contanto que não perdessem a única possibilidade que têm de se manter no poder.

É isso. Precisava desabafar.

E antes que alguém venha com aquela história de “festa da democracia” e blá blá blá, devo confessar que sou meio cética quanto ao poder do voto. Não jogo o meu na privada – pelo menos não conscientemente -, mas não consigo ver nele a tal arma que pode mudar radicalmente o triste cenário que assola o Brasil.

Arma por arma, gostaria de usar a guilhotina contra os políticos corruptos. Seria mais eficaz.

7 Comentários


A difícil missão de sepultar os vivos

Agora que minha cirurgia para retirada da vesícula já passou vou confessar: estava morrendo de medo de ver a luz. Aliás, esta foi a última frase que disse no centro cirúrgico, antes de a anestesia geral fazer efeito: “doutor, eu não quero ver a luz”.

Apesar de ser uma mulher de fé, os riscos, comuns a qualquer intervenção cirúrgica, deixaram-me bastante preocupada, principalmente por ser minha primeira vez. Meus partos normais foram difíceis, mas ainda prefiro ter filhos a retirar pedras da vesícula.

E por mais que alguns corajosos bradem não ter medo da morte, falar – ou escrever – sobre o tema já é motivo para muitos ficarem mal. Ela existe, é certo. É inevitável, é fato. Mas dá pra mudar o rumo da prosa?

Claro. Até porque esta postagem não tem o objetivo de falar sobre a nossa partida, mas sim sobre a nossa permanência nesta trajetória terrena. Temos medo de morrer, temos medo da hora em que precisaremos sepultar quem amamos. Sentimentos absurdamente humanos. Mas é uma baita necessidade ter coragem de sepultar os vivos que já não querem mais fazer parte da nossa história.

Quem me conhece, ou pelo menos leu meu segundo livro, sabe que sou uma mulher que gosta de pontes. Sempre que possível, prefiro construí-las a construir muros. Entretanto, tenho consciência de que, às vezes, haverá pessoas que não desejarão estar na minha vida. Para elas, um muro – alto, inclusive – será bem conveniente.

Quando pessoas com quem convivemos e com quem construímos uma história decidem livremente sair de cena, é hora de virar a página. Deixar as lembranças no álbum de recordações e colocá-lo no fundo da gaveta. Fechá-la e  jogar a chave fora. O processo é doloroso, mas só trará consequências boas, mesmo que em longo prazo.

Não conseguiremos continuar caminhando enquanto fantasmas estiverem presos aos nossos pés. E eles não estão presos porque querem. Pelo contrário. Pode ser que nós mesmos estejamos aprisionando ao nosso lado o espectro de quem já partiu faz tempo. Mesmo sem morrer.

Sei que estou sendo muito metafórica, mas quem vive situação assim vai me entender. Nos relacionamentos afetivos, sejam eles quais forem, é preciso que os envolvidos estejam na relação de corpo, alma, coração e mente. Se dizem por aí que quando um não quer dois não brigam, quando um não quer dois também não amam.

Nem sempre é a morte a responsável pelas separações. Às vezes é a própria vida que se encarrega de fazer isso. Quando acontecer, mesmo que seja em meio às lágrimas, precisamos sepultar quem só faz parte do passado.

A missão é difícil, mas os próximos capítulos farão valer a pena.

4 Comentários