Mês: junho 2013



Eu “me acho”

 

“Esta mulher se acha”.

Querem saber? Eu me acho mesmo…

Às vezes me acho bonita; às vezes, estranha.

Às vezes me acho elegante; às vezes, esquisita.

Às vezes me acho legal; às vezes, insuportável.

Às vezes me acho inteligente; às vezes, tola.

Às vezes me acho generosa; às vezes, egoísta.

Às vezes me acho determinada; às vezes, desanimada.

Às vezes me acho otimista; às vezes, pessimista.

Às vezes me acho sincera; às vezes, mentirosa.

Às vezes eu me acho… às vezes eu me perco…

A única certeza: estou sempre procurando.

Procurando ser feliz…

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Carta aberta a um político corrupto

Maringá, 22 de junho de 2013

Excelentíssimo Senhor Político Corrupto

Permita-me invadir sua caixa de correspondência; estava um pouco em dúvida se deveria fazer isso, afinal, sou uma cidadã educada, mas me lembrei das inúmeras vezes em que seus cabos eleitorais lotaram a minha caixinha com seus “santinhos” e julguei que também estava no direito de encher a sua paciência.

Sei que V.Exa. é um homem ocupado; ocupado com seus interesses, com seus golpes, com seus esquemas, com suas fraudes, enfim, um homem que usa seu tempo e o nosso dinheiro para cumprir sua missão.  Entretanto, peço que dê um pouco da sua atenção a esta sua eleitora, a mesma a quem suplicou por votos na última eleição.

Ao contrário do senhor e dos seus pares, que costumam ser prolixos em seus discursos, irei direto ao ponto: gostaria de lhe pedir para, por alguns minutos, imaginar-se no lugar de um cidadão brasileiro comum, alguém que apenas deseja viver em país com menos gente da sua laia.

Imagine-se, senhor político corrupto, na fila de um posto de saúde, às cinco da manhã, esperando por um atendimento que talvez nem aconteça; imagine-se, caro político (bem caro mesmo!), vivendo – ou sobrevivendo? – com R$ 678,00 mensais; imagine seu filho estudando em uma escola sem professores, sem carteiras, sem dignidade; imagine sua esposa sendo assaltada em um bairro onde não há policiamento por falta de viaturas; imagine, imagine, imagine…

Não sei da sua origem, senhor. Não sei se já nasceu em berço esplêndido ou se nasceu pobre, puxou o tapete de meio mundo e venceu na vida vendendo até a mãe.

O que eu sei, como brasileira, é que esse slogan de que o Brasil é um país de todos é uma grande mentira.  O que sei, caro político corrupto, é que uma geladeira mais cheia ou uma TV de plasma na minha sala não lhe conferem o direito de meter a mão nos cofres públicos.

Tenho consciência – o senhor já ouviu falar de “consciência”? – de que a responsabilidade por muitas das suas falcatruas é minha, afinal, votei na sua “nobre” pessoa. Por um momento, iludi-me de que Vossa Excelência de fato tinha bons propósitos. Fui uma idiota e reconheço que mereço 100 chibatadas.

Como não quero tomar seu tempo na mesma proporção em que o senhor toma o meu dinheiro, terminarei esta carta com um último pedido: à noite, depois que voltar daquelas festas regadas à bebida, mulheres e sabe-se lá mais o quê, e for repousar sua cabeça grande no seu travesseiro de penas de ganso, tente pensar um pouquinho em tudo o que o senhor faz.

Quer dizer… tente pensar em tudo aquilo que o senhor não faz… mas deveria fazer.

Um grande puxão de orelha desta cidadã que não tem mais o que fazer na vida.

Lu Oliveira

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A menina que queria beijar a lua

 

Quando nasceu, foi motivo de festa na família. A primeira filha, a primeira neta, o primeiro bebê a preencher aquela humilde casa, construída pelo próprio pai, com suas próprias mãos calejadas pelo serviço do campo.

Casa simples, de tijolos amarelados e portas e janelas marrons. Ficava no alto da colina, circundada por frondosas árvores, longe das luzes da cidade. Não havia moldura enfeitando a casinha, mas o cenário lembrava um quadro.

E lá cresceu a menininha. A menininha de cabelos louros e olhos brilhantes. Era raro ver seus pés calçados. Pra lá e pra cá, com seus gritinhos agudos, corria descalça por entre as árvores, com um sorriso largo no rosto, desfrutando de uma liberdade que adulto algum podia entender.

Ela era livre. E feliz. E conversava com a lua. Todas as noites. Com as estrelas também, mas principalmente com a lua, que, aos poucos, tornou-se  sua melhor amiga.

Melhor amiga e confidente. Contava pra ela tudo que lotava seu coraçãozinho infantil. Gostava do colo da mãe, do ombro do pai, do cheiro da avó, mas bom mesmo era conversar com a lua. Elas se entendiam muito bem.

Todos os dias, quando a amiga aparecia e enfeitava o céu com sua luz, a menininha procurava seu cantinho preferido no grande gramado e, feliz da vida, conversava com a lua. Às vezes passavam-se horas e a mãe precisava chamá-la para entrar, tão entretida que ficava na conversa.

Nenhum adulto entendia exatamente o que a menininha estava fazendo. Só ela, na sua inocência de criança, sabia que era muito bom conversar com a lua.

Mas ela queria mais. Queria tocar sua amiga, dar-lhe um caloroso abraço, sussurrar-lhe aos ouvidos o quanto aquela amizade era importante.

“Mamãe, eu queria dar um beijo na lua”.

A mãe mal escutou, tão envolvida nas tarefas da casa. O pai achou graça.

Adultos e sua mania de não entender as crianças.

“Eu queria tanto dar um beijo na lua”.

Em uma fria noite de inverno, quando a família estava reunida contando histórias em volta da fogueira, a menininha decidiu que iria beijar a lua.

Olhou para cima, contemplou a amiga e pôs seu plano em prática. Com seu corpinho magro e ágil, subiu na árvore mais alta e de lá, num salto, alcançou o telhado da casinha simples.

O ruído das telhas foi inaudível aos adultos que riam dos casos e causos contados pelos mais velhos.

E os pezinhos descalços da menininha foram ao ponto mais alto daquele telhado. Ela estava, finalmente, perto da sua amiga. E não pensou duas vezes antes de jogar os braços para abraçá-la e lhe dar um beijo.

De repente, um barulho arrepiou os adultos e as risadas deram lugar a gritos de horror.

O corpinho frágil, os pezinhos descalços. A menininha estava no chão. Os olhos brilhantes fechados para sempre.

Mas ela havia beijado a lua. E, finalmente, tinha ido morar ao lado da sua grande amiga.

 

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A disseminação dos politicamente chatos

Estava há tempos ensaiando para escrever sobre o tema, mas a notícia que li na semana passada, sobre nova polêmica envolvendo o Enem, me fez ter vontade de concretizar a ideia.

Aliás, antes de explicar o fato, quero manifestar minha opinião sobre essa história de polêmica. Não sei se isso acontece também em outros países, mas, no Brasil pelo menos, essa palavra tem sido banalizada. Para mim, um assunto polêmico é aquele que divide opiniões e provoca debates acalorados. Acalorados e inteligentes. Por aqui,  tornou-se sinônimo de “discussão por causa de uma bobagem”, dessas que levam nada a lugar algum.

Pois bem.

A “polêmica” em questão refere-se ao questionário aplicado pelo Ministério da Educação aos candidatos da prova. Para aferir o nível sócio-econômico, inclusive para fins de isenção da taxa de inscrição, há dezenas de perguntas e, dentre elas, uma cujo enunciado é “Você tem em sua residência:”

Abaixo, uma lista que inclui utensílios domésticos, como aspirador de pó, por exemplo, e a expressão “empregada mensalista”.

Pronto. Instalou-se a danada da “polêmica”.

A Federação das Domésticas definiu a questão como “discriminatória”. O ministro Aloizio Mercadante, no afã de mostrar serviço, já tratou de pedir desculpas e garantiu que o questionário será modificado no ano que vem, “em respeito aos trabalhadores da categoria”.

Desconfio que esse povo já está com a vida ganha, sem ter mais com o que se preocupar.

Então se eu disser “tenho uma empregada mensalista em casa” serei processada por discriminação? Ora, o enunciado era bem claro. Não vi comparação entre a máquina de lavar e a profissional, tampouco uma atitude discriminatória.

Mas os politicamente chatos sempre veem.

Essa mania de qualquer coisa que se diga ou se escreva se tornar marca de preconceito está beirando o exagero.  É muito brado retumbante pelos direitos de certos grupos e pouco empenho no cumprimento dos deveres.

Não suporto rótulos. Só abro exceção para os produtos das prateleiras dos supermercados. É só. Já escrevi sobre o tema. Parece que, de maneira geral, as pessoas têm uma obsessão por grupos e afins. E os mesmos que empunham a espada para ser respeitados às vezes nem sabem ao certo o que estão querendo. É o tal efeito manada.

Querem saber?

Na minha singela opinião, existem brancos e negros honestos, brancos e negros desonestos. Há heterossexuais e homossexuais de boa índole e há heterossexuais e homossexuais que não valem o feijão que comem. Há homens e mulheres dignos e há homens e mulheres sem escrúpulos. Há jovens e idosos que merecem respeito e há  jovens e idosos que merecem desprezo. Há pobres e ricos de bom caráter e há pobres e ricos canalhas. Há deficientes físicos esforçados e há deficientes físicos folgados. Patrões e empregados confiáveis  e patrões e empregados corruptos. Há professores que merecem aplausos e professores que merecem vaias. Há adolescentes inocentes e há adolescentes culpados. Há políticos e cidadãos que cumprem seus deveres e há políticos e cidadãos que só querem se dar bem.

Generalizações são irritantes e o processo de vitimização social é uma praga. É tanta campanha, manifestação e processos  por danos morais que muitos estão assumindo mesmo seu lado vítima. E daí, salve-se quem puder. Ou salve-se quem aguentar essa chatice toda sem dizer o que pensa.

Não é o meu caso, graças a Deus, que já contratei advogado para me defender de quem, eventualmente, resolva me processar depois deste texto.

 

 

 

 

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