Mês: setembro 2013



Diário de um político corrupto


Safadolândia, 18 de setembro de 2013

Estimado, precioso e adorável Diário,

Você me conhece. Sabe que ando deveras ocupado e que, por isso, há tantos dias não o preencho com minhas indeléveis palavras.

Na verdade nem sei por que estou te dando tantas explicações… Creio ter esquecido que você não é um eleitor e que lhe agradar não vai me render nenhum tipo de benefício.

O final do ano ainda vai demorar um pouco, mas já penso no recesso parlamentar que, merecidamente, curtirei com minha família em um resort tropical. Ano que vem é de reeleição e será muito cansativo. Com tantas acusações pesando sobre a minha nobre pessoa, com tantas provas contra mim, com tantos escândalos envolvendo meu nome, não será fácil convencer o eleitorado de que eu mereço mais quatro anos.

Mas, para minha sorte e para sorte de todos os meus assessores, a maioria do povo brasileiro tem uma memória bem fraca e não é muito difícil persuadir a massa. Ainda mais quando a economia vai bem. Uma geladeira cheia, uma TV nova e um carro na garagem fazem milagres. Aí é só acrescentar palavras bonitas, material gráfico de qualidade, promessas absurdas, favores especiais, abraços e apertos de mão pelas ruas… Quer dizer, esse contato corpo a corpo não é tão simples… digamos que seja a parte podre da minha nobre profissão.

Perdi as contas de quanto álcool em gel eu gastei em 2010. A imprensa tem a mania de dizer que tenho as mãos sujas, mas acho que os jornalistas nunca viram de perto as mãos do povo. Credo!

Hoje trabalhei incansavelmente. Tive uma reunião de negócios importantíssima para o futuro … da minha conta bancária. Vou “colaborar” para que a empresa de um grande amigo ganhe uma licitação, mas foi difícil negociar minha influência. Depois de muita conversa, conseguimos chegar a um acordo bom para ambas as partes. Afinal, como já dizia o filósofo Corruptus Dinheristas, se ele ganha, eu ganho!

Além disso, fui convidado a trocar de partido, mas ainda estou em dúvida. O que o nobre diário acha? Atualmente faço parte do PPI (Partido dos Políticos Inescrupulosos), mas tenho recebido convites do PIP (Partido dos Interesses Pessoais). Penso que colocarei na balança todas as vantagens que levarei caso aceite a proposta e tomarei um decisão.

Hoje também minha mulher me entregou uma lista. Achei que fosse a lista de presentes de Natal, mas eram os nomes de todos os parentes que precisarei empregar no ano que vem. Nepotismo? Claro que não, amigo diário. É uma questão de confiança. Você confia em estranhos? Eu não.

Bem, agora vou dormir. O dia será cheio amanhã. Cheio de roubalheiras, cheio de propostas ilícitas, cheio de desvios de verba pública. Deitarei a cabeça no meu travesseiro de penas de ganso – pago com dinheiro do contribuinte – e terei o sono dos injustos.

E não se esqueça: se alguém instaurar uma CPI e chamá-lo para depôr, diga que não viu nada, não ouviu nada, não leu nada. Essas comissões normalmente são só para impressionar a opinião pública, mas é melhor não abusar da sorte. A menos que você não se importe de amanhecer com metade das suas folhas arrancadas.

Vote em mim! Ops, desculpe… é a força do hábito!

Cordialmente

Um político corrupto

OBS.: ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. SE VOCÊ SE LEMBROU DE ALGUÉM DE CARNE, OSSO, TERNO E GRAVATA, NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO.

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Vida “inteligente” na madrugada

Assisti ao “Altas Horas” na madrugada do último domingo e, por alguns minutos, dediquei meu precioso tempo (poderia estar dormindo ou namorando meu marido) a ver e ouvir a apresentadora (???) Sabrina Sato, uma das convidadas do programa.

Cheguei a algumas conclusões e, como normalmente faço, tornei-as públicas pelo Facebook. Um dia talvez quebre a cara por revelar (quase) tudo o que se passa dentro de mim, mas, por enquanto, vou seguindo meus impulsos de cronista.

Abaixo segue o que expus aos meus leitores por lá:

1) Queria entrar na televisão e roubar os sapatos dela.
2) As pernas da abençoada são irritantemente bonitas (não que isso seja uma novidade pra galera).
3) Ela não consegue formular uma frase com princípio, meio e fim.
4) Ela não consegue falar sem rir como se estivesse no circo do palhaço Carequinha.
5) Ela fala mal pra caramba, mas é descolada e faz um sucesso danado.
6) Ela não tem nenhum talento evidente, a não ser, é claro, ser gostosa e, por isso mesmo, ganha um dinheiro lascado com qualquer coisa que faça.
7) Talvez fosse o caso de eu começar a falar mal, colocar silicone, dar uma recauchutada na lataria e buscar meu lugar ao sol.
 Nem sei por que gastei minutos preciosos do meu domingão pra escrever isso.
9) Esqueçam essa reflexão patética.
10) Adeus.

Uma amiga disse que sentiu um “recalquezinho” no meu texto.

No dicionário a palavra “recalcada” refere-se a uma “pessoa que se sente ameaçada ou insegura e critica os supostos responsáveis por coisas erradas”.

Talvez “recalque” também tenha como sinônimo “inveja”. E sim. Eu fiquei com inveja. Principalmente dos sapatos e das pernas dela. E ter seu saldo bancário na minha conta não seria nada mal.

Mas é só.

A Sabrina Sato não é a responsável pelo fato de a maioria das pessoas reverenciar mulheres que não têm conteúdo, mas têm um belo par de peitos – e pernas – e um bunda bonita. Isso é comum em nosso país e acho que em outros também.

É comum, mas é triste.

Às portas dos 40, vivo um momento muito bom com relação a minha autoestima. Sinto-me mais disposta que aos 20, mais bonita que aos 25, mais madura que aos 30. Não condeno mulheres vaidosas, até porque sou também, tampouco as que usam o dinheiro que têm para dar um trato no visual. Se pudesse, colocaria silicone, faria clareamento dentário e teria o triplo de sapatos que tenho.

Mas sei que sou mais que a minha maquiagem, meus cabelos escovados, meu salto alto. Eu tenho muito a oferecer às pessoas com quem convivo, apesar de todas as minhas limitações.

A Sabrina Sato é  uma mulher esperta, empreendedora até, considerando a quantidade de produtos que anuncia. Mas vê-la falando meia dúzia de palavras sem conexão em um programa cujo slogan é “vida inteligente na madrugada” é de doer.

 

 

 

 

 

 

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Permita-se…

Permita-se dizer o que pensa, externar o que sente, revelar o que incomoda.

Permita-se morrer de rir ou de chorar, conforme o estado de espírito.

Permita-se estar bem em um dia e mal no outro, porque pessoas não têm os sentimentos controlados pelo calendário.

Permita-se pedir silêncio para a razão. Permita-se ouvir o coração.

Permita-se fazer nada ou fazer tudo.

Permita-se dormir até mais tarde sem culpa.

Permita-se olhar no espelho e se admirar. Permita-se escolher pessoas e situações que lhe agradem.

Permita-se ouvir a música de que gosta. Permita-se dançar mesmo quando o mundo quer ficar sentado.

Permita-se esquecer do passado e curtir o presente.

Permita-se viajar sem destino.

Permita-se abraçar sem motivo, beijar sem mandar aviso. Permita-se conectar seu corpo e sua alma a quem merece.

Permita-se ser feliz… permita-se viver..

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