Mês: novembro 2013



O valor do tempo

 

 

O que é possível fazer em 3 minutos? A resposta mais óbvia seria “um miojo!”, mas “uma consulta pelo SUS” também é uma boa opção.

Três minutos de atraso para quem combinou de se encontrar em uma sorveteria no domingo à tarde não significam nada; mas se um professor atrasa 3 minutos para chegar à aula, uma sala com 50 adolescentes pode se tornar o caos.

Em 3 minutos, um eleitor passa pelos mesários, vai ate à urna, cumpre seu papel de cidadão e vai embora, feliz da vida por ter participado da tal festa da democracia; em 3 minutos, um político mal intencionado e bem preparado para conseguir seus objetivos escusos faz um discurso emocionado em frente às câmeras, tão convincente que até os mais incrédulos verterão lágrimas, emocionados com tamanha bondade em um único homem.

Pois é… o tempo é mesmo muito relativo.

Um pedido de casamento pode demorar 5 anos para acontecer; um matrimônio pode durar muito menos. Vinte segundos de  distração no trânsito podem causar uma fatalidade; vinte segundos em um jogo de basquete decidem quem ficará com o ouro.

Para quem espera por um e-mail importante, 10 minutos parecem não passar; para que acorda e vira do lado para mais uma sonequinha, 10 minutos passam voando.

Alguém pode esperar por um grande amor por 10 anos; alguém pode perder um grande amor em muito menos tempo. No obituário, vemos nomes de quem viveu 80 anos e de quem viveu 8 horas.

Milésimos de segundos separam, na Fórmula I, o primeiro do segundo colocado; em pouquíssimo tempo também a euforia de quem espera pelo resultado do vestibular pode se transformar em pânico ao não encontrar seu nome na lista.

Em minutos uma vida pode ser feita; em minutos, dezenas podem se perder.

É assim; o relógio faz sua dança e nós, reféns que somos, dançamos conforme a música. Às vezes temos tempo de sobra e nem sabemos direito o que fazer com ele; às vezes gostaríamos de ter pelo menos 30 horas em cada dia.

E que valor damos ao nosso tempo?

Nessa busca desenfreada por cumprir com nossos compromissos familiares, sociais e profissionais, somos engolidos pela engrenagem que impulsiona os ponteiros.

Um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano. Não importa quanto duram nossos momentos; o mais importante é o valor que damos a eles.

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Somos divas

 

 

 

Algum tempo atrás, uma propaganda de sabonete trouxe o slogan “somos todas divas” como forma de chamar a atenção do público feminino. Apesar de o comercial ser estrelado por atrizes lindas e famosas, o objetivo da peça publicitária era mostrar ser possível todas as mulheres serem divas. Principalmente por usar o produto, é claro.

Uma das definições do dicionário para esse substantivo é “mulher que se destaca pela sua beleza e talento”. Entretanto, a palavra se banalizou um pouco e mesmo aquelas cujo talento se esgota em um belo par de peitos e um bunda avantajada recebem o título.

Mas, deixando de lado esses exemplares, é possível listar em ordem alfabética todas as divas que podem nos servir de inspiração. Mulheres que cuidam da sua aparência e também da sua alma. Mulheres que querem se sentir bonitas por dentro e por fora.

E não é só o mundo artístico que tem divas. Elas também estão por aqui, no mundo dos reles mortais.

A beleza de uma diva não se refere ao padrão – cruel, às vezes – estabelecido pela sociedade. Uma mulher bonita é aquela que está de bem com o espelho e que recebe elogios por onde passa, sem que, para isso, necessariamente precise estar em trajes sumários.

Ela tem aroma especial, um jeito de andar insinuante (não vulgar), um olhar marcante, uma maneira de falar adequada às situações, uma postura elegante. A diva que está nas casas e nas ruas acorda cedo para levar os filhos para a escola, mas não se esquece da maquiagem, aquela que tem a sua cara e a deixa bem.

A diva que não está no tapete vermelho trabalha e fica cansada no fim do dia, mas, mesmo assim, reúne forças para uma atividade física que seja boa para o seu corpo e lhe dê prazer.

A diva que nunca esteve em um comercial da TV ri e chora, fica feliz e frustrada, ama e sente raiva. Ela não precisa fazer uma performance acrobática de pole dance para impressionar o parceiro, mas sabe como seduzi-lo entre quatro paredes.

Uma diva de verdade pensa na família e em si mesma. Encontra tempo para os outros e também desfruta da própria companhia.

No fim das contas, acho que a propaganda tem mesmo razão.

Todos somos divas.

Ou, pelo menos, podemos ser.

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Coisa de pele

 

Uma amiga foi conhecer pessoalmente um homem com quem estava interagindo apenas pela internet há alguns meses. A foto lhe agradou, o papo também. Nem chegaram a trocar telefones. Alguns amigos comuns no mundo real serviram para que ela confirmasse alguns dados e se sentisse mais segura para o encontro.

Então, depois de avisar o irmão mais velho sobre isso, seguiu para um bar movimentado, local onde haviam combinado de, finalmente, trocar não apenas palavras, mas também olhares.

E ele era mesmo o bonitão da foto. E tinha mesmo um bom papo.

Mas… não rolou.

“E por que não???”, perguntei, ansiosa pelo desfecho.

“Ah, Lu… sei lá… não teve uma química, sabe? O cheiro dele, a voz… o jeito de ele me olhar… tão estranho… não senti nada…”

Eu a compreendi e aprovei sua atitude de terminar o que mal havia começado.

“Pelo menos você tentou”, falei pra ela, tentando diminuir sua frustração.

Nenhum relacionamento tem certificado de garantia, mas a tal “coisa de pele” é um fato.

Muitas características importam no momento em que se escolhe estar ao lado de alguém e isso vale para o homem e para a mulher.

Mas… vamos combinar?

Se o cheiro não inebriar, se a pele não arrepiar, se o coração não palpitar… enfim, se o corpo não der sinais de que aquela pessoa mexe com a gente, as chances são pequenas.

Não sei se a minha amiga vai se animar tão cedo a investir em outro relacionamento virtual.

Disse a ela que, na dúvida, melhor investir em alguém do mundo real.

Assim fica mais fácil sentir se a química é mesmo verdadeira.

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Obrigada, Neymar!

Nunca pensei que fosse escrever isto, mas estou devendo um favor ao Neymar. Não tivesse o jogador escolhido a Espanha para morar e “bater uma bolinha”, a bela Bruna Marquezine não estaria sentindo tanta saudade. Sem esse sentimento lhe invadindo a alma, ela não teria escolhido um texto meu para expressar seu amor pelo craque.

Para quem não está entendendo,  explico: na última quinta-feira, dia 07, Marquezine enviou  para o namorado, pelo Instagram, meu poema “Saudade tem nome”.  Na postagem não aparece a autoria, mas pelo menos está com aspas.

Uma amiga, que segue a atriz pela rede social, reconheceu o texto e me contou.

Quando vi a foto dos dois agarradinhos e minha frase servindo de legenda, fiquei feliz por constatar que, de alguma forma, minhas palavras estão “navegando” por aí, mas o fato de saber que muitas pessoas estavam lendo o poema sem saber que era meu me deixou inquieta.

Mas, felizmente, vários sites fizeram matérias sobre o ocorrido e meu nome foi citado.

Bruna Marquezine usou a sua conta no Instagram, nesta quinta-feira (7), para se declarar mais uma vez para o namorado, Neymar. “Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa, é a ausência que incomoda. Saudade é prova de que valeu a pena”, escreveu a atriz, citando um trecho do poema de LU OLIVEIRA, “Saudade Tem Rosto”, em uma imagem em que o casal aparece juntinho se beijando. (…) ” – (site MSN Brasil)

Em janeiro deste ano, Ana Maria Braga usou o mesmo poema como mensagem de abertura do seu programa. A apresentadora não citou meu nome no ar,  mas ele consta no site do “Mais Você”.

Diante da repercussão da postagem da atriz, resolvi concretizar uma ideia que estava protelando: criei uma fanpage para registrar minhas frases, pensamentos e poemas. Como o mundo virtual é terra de ninguém, é sempre um risco que alguém se aproprie indevidamente das minhas ideias, que são meu maior patrimônio, mas penso que, com a página “Lu Oliveira – Escritora”, isso fique mais difícil.

Então  usarei este blog para textos mais extensos e esporádicos e a fanpage para as reflexões mais curtas e constantes. A coluna “Francamente”, publicada às quartas-feiras na edição impressa do jornal O Diário, continuará como forma de discussão dos temas ligados à educação e afins.

De um jeito ou de outro, ficarei feliz em ter a companhia daqueles que apreciam meu trabalho.

Aliás, sou imensamente grata a todos que me acompanham desde minha estreia aqui no “Escrever é preciso”, em setembro de 2010. Depois vieram meus dois livros, a coluna e, agora, a fanpage.

Obrigada, bonitinhos.

Obrigada, Neymar.

 

 

 

 

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Dolores e a tatuagem

Foi quase amor à primeira vista. Ou amor à primeira pegada, porque, naquela confusão da balada, era bem mais fácil pegar que ver.

E nem foi o perfume inebriante dela que o seduziu. O cheiro de bebida era tão forte que impedia qualquer possibilidade de outro aroma se sobressair. E nem foi a conversa dele que a encantou. A música era alta demais para qualquer tipo de diálogo.

Foi apenas uma baforada de cerveja na nuca, uma meia dúzia de palavras entrecortadas e … bingo! Mais um lindo casal ia pra cama terminar a noite em alto estilo.

Quer dizer, nem foi tão “alto” assim, porque o Aderbal (esse era o nome do galã), mesmo ébrio, sabia que estava meio quebrado. Escolheu um motel simplesinho, desses que fazem promoções-relâmpago para rapidinhas.

Mas ela nem se importou com o quarto modesto, de cheiro esquisito. Nem se incomodou em ouvir os gemidos do quarto ao lado Tinha encontrado o homem da sua vida. Com quase 30 anos, desanimada com a vida afetiva, frustrada com tantas histórias complicadas, olhava para ele e, mesmo bêbada, sabia que Aderbal seria o pai dos seus filhos.

Depois da noite intensa, encontraram-se mais quatro ou cinco vezes. Ela estava em férias e precisava partir. Juras de amor foram feitas – mais por ela que por ele, é verdade – e o casal combinou de que a pegação iria resistir à distância.

Dolores (esse era o nome da mocinha mais ou menos ingênua) mal cabia em si de felicidade. Aderbal não era propriamente bonito, mas não se enquadrava na categoria dos feios. E tinha uma pegada… ah, aquela pegada do Aderbal a deixava sem fôlego…

Conversavam por celular várias vezes por dia, trocavam mensagens calientes pelo Facebook. E então, depois de três semanas, combinaram que ele viria passar uns dias com ela.

Ansiosíssima, Dolores queria fazer uma surpresa para o amado. Fazia menos de um mês que estavam juntos, mas ela já achava que Aderbal era sua propriedade. Finalmente, um homem para chamar de “seu”.

Não pensou duas vezes. Procurou um estúdio de tatuagem e fez um pedido: um “A” bem grande. “Em que parte do corpo?”, perguntou o moço tatuado até nas bochechas.

“Abaixo do umbigo. Quer dizer, bem abaixo do umbigo… uma tatuagem bem íntima, sabe? É um presente para o meu namorado”.

Missão dada, missão cumprida.

Doeu bastante, mas só de imaginar a cara do Aderbal ela até esquecia o desconforto.

E o Aderbal chegou. Mas não trouxe na bagagem todo aquele fogo que o consumia na noite em que se conheceram ou nas outras noites em que fizeram loucuras.

Veio de ônibus e, ao encontrá-la na rodoviária, deu-lhe um beijo na testa. Ela quase teve um treco. Lembrou-se de quando o pai a deixava na escola, com 6 anos, e lhe dava um beijo na testa.

Mas relevou quando ele justificou o desânimo com o cansaço da viagem.

Dolores morava sozinha e tinha deixado o apartamento pronto para os dias que estavam por vir.

Aderbal acomodou-se, mas não parecia à vontade. Mesmo assim, depois de umas cervejas, foi pra cama com Dolores.

Ela fez questão de caprichar na lingerie e demorou pra tirar. Queria criar um clima para mostrar a tatuagem. Uma meia luz, uma musiquinha ao fundo e… um grito de horror.

“O que é isso????”

Aderbal não gostou nada do que viu. Achou feio, estranho. E quando ela disse que era uma “prova de amor” ficou ainda mais apavorado.

E não rolou nada naquela noite. E nem nas outras, até porque não teve outras.

Aderbal voltou para sua cidade no dia seguinte. Na verdade, fora encontrá-la mais por compaixão que por outro motivo. Como ela podia ter confundido uma mera pegação com um caso de amor?

Dolores não se conformava. Cada vez que olhava pra tatuagem tinha vontade de dar 100 chibatadas em si mesma. Ainda bem que não tinha contado pra ninguém sobre aquele “A” imenso perto da sua genitália.

Mas não se deu por vencida. Chorou por alguns dias assistindo a filmes românticos e tomando potes de sorvete e se sentiu renovada. O Aderbal que se danasse.

Voltou para as baladas, mas não parava de pensar no que falaria para o próximo ficante quando ele visse aquele “A” do tamanho do mundo.

Para evitar constrangimentos, a solução foi a mais óbvia possível: descartava todo homem cujo nome não se iniciasse com a primeira letra do alfabeto.

E foi assim que Dolores dispensou o Roberto, o Fernando, o Gustavo, o Luiz, o Marcelo.

Em um sábado à noite, enroscou-se na pista com um bonitão de olhos verdes, torcendo para que ele se chamasse Adriano, Augusto ou Alex.

“Aníbal”, ele sussurrou ao pé do seu ouvido.

Dolores fez uma cara de contentamento e continuou a se enroscar com o bonitão.

Quem não tem Aderbal, caça com Aníbal…

(P.S.: escrevi esta história baseada no relato de uma amiga. Por motivos óbvios, os nomes foram trocados. Inventei muita coisa, mas é verdade que, após apenas alguns encontros, ela tatuou o “A” perto das suas partes íntimas e depois levou um chute no traseiro).

 

 

 

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