Mês: janeiro 2014



Pessoas inteiras

 

Quem deseja encontrar alguém especial não precisa acreditar na teoria das metades.

Não gosto desta história de tampa e panela. Até porque me lembra panela de pressão. E isso pode sufocar.

Eu não sou metade. Nunca fui. Sou inteira. E tenho um homem inteiro.

Juntos somos mais felizes. Somos melhores. Mas nunca dependemos um do outro para ser o que somos.

E há pessoas que passam a vida procurando pela tal metade.

Acaso elas têm algum defeito de fabricação e vieram ao mundo faltando um pedaço?

Melhor é primeiro buscar a própria plenitude.

Ser pleno em si mesmo.

Aí sim.

Duas pessoas inteiras têm muito mais chance de ser felizes juntas que duas metades que se encaixam.

Afinal, amor não é um jogo de montar.

 

 

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Férias

Foto: Queridos, minhas postagens serão menos frequentes nos próximos 15 dias, ok? Os homens da minha vida (marido e filhos) e eu teremos nossos merecidos dias de sol e água fresca em terras catarinenses.

Mas passarei por aqui de vez em quando. Mesmo em férias, preciso escrever. Como ficar longe de uma das minhas paixões?

Espero que fiquem todos bem. 

Beijo!

Queridos, estarei ausente deste espaço virtual pelas próximas duas semanas.

Curtirei merecidos dias de sol e água fresca nas areias catarinenses, em companhia

dos homens da minha vida.

Talvez eu até me inspire a escrever alguma crônica sobre a temporada praiana, mas

minha prioridade será o mundo real. E tudo que ele pode me proporcionar.

Até a volta! Beijo!

 

 

 

 

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Mulher poderosa

Confesso minha culpa, minha tão grande culpa: já dancei “Show das Poderosas”, da Anita, com direito a tapinha no queixo e todo tipo de rebolado.  Preciso esclarecer que o público era composto por no máximo 15 pessoas – todas da minha árvore genealógica -,  mas o fato é que a reunião anual para celebração do Natal me deixou com coragem para esse mico. E eu nem bebo. Sou louca na sobriedade.

Toda mulher, vez ou outra, gosta de se sentir poderosa. Normalmente nos sentimos assim quando caprichamos na produção. Cabelos soltos, uma roupa que valorize nossas formas,  um belo sapato, uma maquiagem bacana. E, é claro, um olhar que paralise a multidão.

E ser poderosa desse jeito é quase um evento, com data e hora marcadas. No dia a dia, mesmo sendo vaidosas, não conseguimos manter a pose em todos os nossos afazeres diários.  Eu amo salto e batom vermelho, mas não os uso quando faço faxina no meu apartamento.

Mas será que uma mulher só fica “poderosa” depois de uma superprodução?

Acho que o nosso poder está nos cabelos, no corpo, na roupa, no sapato e no perfume, mas também na maneira como conduzimos a nossa vida.

Sinto-me poderosa quando dou conta de cuidar da minha casa, dos meus filhos e do meu marido.

Sinto-me poderosa quando escrevo para o blog, para a coluna e para a fanpage.

Sinto-me poderosa quando tenho atitudes que fazem bem às pessoas. Quando escuto o que querem contar ou falo o que precisam ouvir.

Sinto-me poderosa quando recebo um elogio do meu marido.

Sinto-me poderosa quando conto histórias para meu caçula, quando converso sobre namoro e sexo com meu primogênito, quando faço planos para nossa família.

Sinto-me poderosa pelas minhas conquistas pessoais e profissionais.

Sinto-me poderosa quando estou no tatame e no tablado.

Sinto-me poderosa, mesmo não tendo poderes.

Mas simplesmente por ser mulher…

 

 

 

 

 

 

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Sexo e chinelinho de pano

 

A geração dos quarentões, à qual orgulhosamente pertenço, deve se lembrar das danças de rostinho colado. A vontade de colar outras partes do corpo era grande – e até tentávamos – mas, ao contrário de hoje em dia, quando as pernas se enroscam e ninguém está interessado em colar o rosto, o romantismo tomava conta do clima entre os namorados.

Um cheirinho no pescoço era motivo para uma semana de suspiros. Principalmente para nós mulheres.

Mas não éramos tão inocentes assim. Havia uma “mão boba” de vez em quando, que de boba não tinha nada. Era bem esperta. Com os pais vigiando constantemente, qualquer oportunidade era usada para uns carinhos mais abusados.

Lembro-me com saudade dos beijos caprichados que troquei com meu marido no escurinho do cinema.  O lugar era um convite àquilo que na sala de casa não dava para fazer.

Entretanto, depois de anos de casamento, é muito natural não haja mais esse fogo todo. Não com a adrenalina de ser pego em flagrante.

Que casal com 25 anos de matrimônio se agarra loucamente na cozinha assim que percebe estar sozinho em casa?

Mas isso não significa um esfriamento no relação.  Quando a história vale a pena e há desejo, mesmo a rotina com filhos e contas a pagar pode ser suavizada por bons momentos entre quatro paredes.

Nenhuma mulher precisa fazer performance acrobática no pole dance para isso. Tampouco o marido deve providenciar uma fantasia de bombeiro e entrar em casa pela janela.

Mas é preciso estar bem para o outro, cuidar-se para o outro , perfumar-se para o outro. Talvez ouvir a dois uma música que traga boas recordações, depois de as crianças dormirem. Quem sabe uma mensagem no meio da tarde com um convite ousado.  Ou uma lingerie especial. Ou uma passada de mão no elevador.

Por que não?

Vamos combinar que não há tesão masculino que sobreviva àquele pijaminha de urso que já completa 10 anos ou àquele chinelinho de pano com jeito de pós-parto.

Do mesmo jeito fica difícil exigir que a mulher arda em desejo por um homem que vem beijá-la com mau hálito matinal ou use cueca furada.

Muitas coisas importam em um relacionamento conjugal saudável. E a qualidade da vida na horizontal conta bastante.

Bom mesmo é juntar a vontade das primeiras vezes com a experiência das últimas.

E ser mais feliz.

 

 

 

 

 

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A dor da perda

“Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”.

Sábias palavras de Shakespeare …

E talvez o maior mistério da nossa trajetória terrena seja entender a morte.

Entender, aceitar, conformar-se.  Conviver dia a dia com a ausência. Acreditar que quando as cortinas se fecham a história pode ainda continuar. Mas em outro palco.

A dor da perda é sempre dilacerante. Doenças, assaltos, acidentes de trânsito. Tantos motivos podem interromper a trajetória de quem amamos.

E aí é natural que brote no coração dos familiares e dos amigos o eterno questionamento: “por quê?”

“Por que Deus não ouviu nossas preces?”

“Por que Deus não fez um milagre?”

“Uma pessoa tão boa… por que partir tão cedo?”

“Um inocente morto de forma tão bárbara. Por quê?”

Não se pode julgar quem pense assim em meio ao sofrimento trazido pela morte.

Questionar é humano, aceitável. Mas blasfemar não.

Pelo menos não aos que dizem crer no poder divino.

Deus nos concede a possibilidade da escolha e, de fato,  muitas vezes algumas pessoas morrem em virtude delas. Entregam-se às drogas, são imprudentes ao volante, não cuidam da própria saúde.

Enfim, a frase “Deus quis assim” nem sempre é mais adequada no momento de consolar alguém no velório.

Mas, para algumas histórias, acredito mesmo nos propósitos do Todo-Poderoso.

Não acho que  melhoremos apenas ao sofrer, mas, de alguma forma, nossos calvários diários, em menor ou em maior intensidade, servem para nossa evolução espiritual.

E compreender o que Deus quer é muito para nossa humanidade. Nem mesmo a nossa fé é capaz de dar conta dessa missão. E Ele enxerga longe, ao contrário de nós, que somos míopes.

Como fazer então na hora da perda?

Chorar. O quanto puder. O quanto quiser.

Viver o luto. Não fugir da dor.

Como não sentir o peito rasgando ao perder para sempre quem se ama?

Como impedir as lágrimas ao imaginar a vida com essa lacuna?

Mas sofrer em Deus é diferente. Não é um conformismo tolo, uma resignação ingênua.

Não dou graças pelo sofrimento.

Mas dou graças mesmo em meio ao sofrimento.

E, no fim das contas, fé não se explica. Apenas se sente.

E não há vã filosofia que me faça perdê-la.

 

 

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Vida curta ou longa? Intensa…

” A vida é muito curta”. Será mesmo? Ela pode ser longa. Depende do ponto de vista.

No obituário, fico sabendo que alguém viveu 8 horas. O outro, 80 anos. Cronologicamente, o segundo teve uma vida longa.

A duração da nossa história é tão relativa.

Nunca iremos saber com antecedência dia, mês e ano em que as cortinas da nossa vida irão se fechar. E acho isso ótimo. Imaginem conviver com essa contagem regressiva dentro da gente… Deus me livre…

E, como o futuro não me pertence – se pertencesse talvez eu nem soubesse o que fazer com ele -, resta-me viver um dia de cada vez.

Não com rebeldia, estupidez e ignorando as consequências das minhas escolhas.

Mas com a consciência de que a vida, curta ou longa, pode ser intensa.

E é isso que mais importa: a intensidade dos nossos dias.

A intensidade com que amamos, aos outros e a nós mesmos.

A intensidade com que sabemos aproveitar as pequenas coisas e as grandes coisas.

Cora Coralina, com toda sua sabedoria peculiar, dizia não ser possível acrescentar mais dias à nossa vida, mas afirmava ser possível acrescentar mais vida aos nossos dias.

Que hoje – não amanhã, nem mês que vem – seja a oportunidade ideal para isso.

E que façamos um brinde à vida todos os dias.

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