Mês: fevereiro 2014



Normal ou cesárea?

Confesso que a preguiça, talvez o pecado capital que mais acometa esta blogueira, está me impedindo de consultar o oráculo do Google para buscar informações precisas sobre o tema desta postagem. Portanto, o que vocês lerão a seguir está pautado apenas em minhas experiências. Não busquei dados estatísticos, tampouco científicos.

Decidi escrever porque há poucos dias, ao conversar com amigas, algumas delas ainda sem filhos, o assunto veio à tona: no momento da chegada do bebê a este mundão de meu Deus, qual a melhor opção: parto normal ou cesárea?

E o “fenômeno” se repete sempre que conto ser mãe de dois meninos que nasceram pela primeira opção. Algumas fazem cara de dor só de imaginar. Outras já  tratam de deixar claro “eu não quero isso pra mim!”. E não faltam as que, admiradas, dizem “corajosa, hein?”.

Sinceramente, não acho que foi coragem a responsável por eu ter optado pelos partos normais. Foi vontade mesmo. Aliás, foi também medo da cesárea. Eu tinha – e tenho ainda – muito receio de cirurgia, de anestesia e afins. No ano passado, por exemplo, quando precisei mandar minha vesícula desta para melhor, disse ao médico assim que entrei no centro cirúrgico: “doutor, não quero ver a luz”.

Tinha 25 anos quando meu primeiro filho nasceu.  No nascimento do segundo, 32. Meu marido e eu já contribuímos com a perpetuação da espécie e não pretendemos aumentar a família, mas, caso essa hipótese existisse, não teria dúvida de, mais uma vez, passar pela dor de lascar.

Sim, porque a dor é de lascar. Até havia a opção de uma anestesia para aliviar a sensação das contrações, mas preferi não arriscar. E se eu, por estar mais tranquila, não fizesse a força necessária para o bebê nascer? Preferi enfrentar tudo, como dizem por aí, “na raça”.

Mas, mesmo sendo uma dor dilacerante, catalogada como uma das piores a que um ser humano pode ser submetido fisicamente, não me arrependo. E indico a quem perguntar minha opinião.

Na primeira vez, quando o primogênito deu o ar da graça, foram 22 horas de contração. O caçula judiou menos de mim: foram “apenas” dez.

E vamos combinar que a cena não é bonita. Com exceção das novelas e filmes, na vida real é menos provável que alguém queira filmar um parto normal. Imaginem reunir a família para assistir à cena na sala? Deus me livre… Mas, mesmo assim,  esse milagre da natureza é intenso e, de alguma forma, tem a sua beleza própria.

Sentir meus filhos saindo das minhas entranhas – literalmente – foram duas sensações indescritíveis.

De alívio, por causa da dor que cessa instantaneamente, e de agradecimento, por constatar que eles estavam bem.

E a recuperação é algo incrível.  Poucas horas após o parto já caminhava pelo hospital e cuidar do bebê ficou bem mais fácil.

Só não me julgo melhor que as mulheres que fazem o parto cesariana. Algumas por medo, outras porque essa é a única opção segura para mãe e filho. E não faltam as que querem escolher o dia e o mês por algum motivo especial. Na maioria dos casos, o instinto maternal, mesmo nas mães de primeira viagem, faz com que a melhor escolha seja feita, sempre priorizando o bem-estar do bebê.

Minha única observação é com relação a alguns médicos que, por considerarem seus rendimentos em primeiro lugar, não estimulam suas gestantes a optar pelo parto normal.  E  atender com hora marcada também é uma baita conveniência para esses profissionais.

É isso.

O parto normal dói demais. Os meus, pelo menos, foram assim.

Mas a dor a gente esquece. Tanto que enfrenta novamente.

O que fica mesmo, na cabeça e no coração, é o momento mágico do nascimento.

 

 

 

 

 

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Wilson

Lançado em 2001, o filme Náufrago, protagonizado pelo brilhante Tom Hanks, traz em seu enredo um exemplo claro de quanto a comunicação é essencial ao ser humano.

Na história, Chuck Noland, depois de ser vítima de um acidente aéreo, consegue chegar a uma ilha deserta, no meio do Pacífico Sul, e vive nesse lugar por longos quatro anos. Para suportar todo esse tempo, além da procura incessante por água, comida e abrigo, o personagem sente a necessidade de se comunicar. Para isso, encontra em uma bola de vôlei, batizada de Wilson, a companhia ideal para fugir da solidão.

Em um primeiro momento, imaginar um homem dialogando com uma bola pode soar como prova de insanidade, mas, no contexto do filme, a estratégia do protagonista só confirma a tese de que a interação – mesmo que seja com um amigo imaginário – é necessária.

Por mais que haja dias em que não estejamos a fim de muita conversa, por mais que haja situações em que prefiramos ficar sozinhos a estar acompanhados, a relação com o outro é fundamental na construção da nossa história.

E as relações humanas, mesmo sendo difíceis, são fascinantes.

É esse fascínio que me inspira a escrever. Não tenho formação em psicologia, mas a alma humana e seus conflitos sempre me chamaram atenção. Sou uma mulher das palavras, que gosta de falar e escrever, mas também sou boa ouvinte. E as histórias que ouço, vindas de pessoas que, assim como eu, têm suas alegrias e tristezas nos relacionamentos, servem-me como matéria- prima para minhas reflexões.

Seja na família, no trabalho, na escola, na vizinhança ou em qualquer outro ambiente, viver e conviver exige esforço, paciência, afeto. As diferenças podem distanciar, as cobranças podem prevalecer, a tolerância pode ser artigo de luxo.

Nessas horas, quando as relações se tornam delicadas, é hora de decidir se construiremos pontes ou muros.  Eu já construí alguns muros na minha vida, até sem perceber, mas confesso que as pontes, justamente por serem mais desafiadoras, são mais convidativas.

Minhas reflexões  são apenas uma forma que encontrei para compartilhar com o mundo o que se passa em minha alma inquieta; uma alma que tem paixão pela vida, que tem paixão pela convivência com o outro.

É isto: as palavras são minhas companheiras no mundo virtual e no real. Elas me ajudam a dar mais sentido à minha trajetória. Cora Coralina dizia que “não podemos acrescentar mais dias à nossa vida, mas podemos acrescentar mais vida aos nossos dias”.

E eu quero muita vida nos meus dias.

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Desabafo

Penso que um dos motivos que impedem este país de evoluir é a “mania” que se tem de atacar a consequência, e não a causa dos problemas.

A escola pública não oferece condições de acesso ao ensino superior?
Que venham as cotas!

A meninada está transando com 11 anos?
Que venham as camisinhas!

Há quem não consiga prover o próprio sustento?
Que venham as bolsas!

Seria muito mais inteligente investir nas instituições públicas de ensino fundamental e médio. Mas se sabe de longa data que a manutenção da ignorância é um prato cheio para interesses eleitoreiros.

Seria muito mais sensato os adultos lutarem para que meninos e meninas de 11 ou 12 anos não iniciassem sua vida sexual tão precocemente. Mas é mais cômodo empunhar a bandeira da modernidade e dos “novos tempos”.

E com relação às bolsas, bom, só acho que esses programas ajudam a manter o pão deles de cada dia na mesa, mas, no fundo, mascaram uma triste realidade.

Aliás, medidas paliativas sempre servem para isso.

Reforçar o lindo mundo da imaginação.

 

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Como é que se escreve?

 

A pergunta que serve de título para esta postagem é muito comum nas aulas de redação. Alunos que manifestam falta de habilidade com a escrita normalmente relacionam essa dificuldade à grafia das palavras. Saber se um vocábulo é escrito com “s” ou “z” é importante, é claro, mas nem de longe representa o grande problema dessas aulas, afinal, quando a dúvida surge, uma simples consulta ao dicionário pode resolver a questão.

Escrever exige muito mais que preocupações ortográficas; qualquer processo comunicativo escrito requer atenção para a mensagem que se pretende passar. Ao colocarmos a caneta sobre o papel ou nossos dedos sobre o teclado, precisamos ter em mente qual o objetivo do texto que iremos escrever, o qual deverá obedecer aos princípios de coerência e coesão.

Isso não é simples; para os que veem prazer na escrita, o processo é naturalmente mais fácil. Entretanto, nem todos os alunos gostam de escrever; qual o problema? Eles não precisam gostar; precisam saber.

E como ensinar nossas crianças e adolescentes a escrever melhor? Essa é uma pergunta que ouço com frequência, vinda de colegas professores e também de pais, às vezes aflitos com a dificuldade dos pequenos com as palavras.

A escrita é um processo que culmina com um produto, que pode ser, por exemplo, a resposta de duas linhas da prova de Geografia ou o resumo do vestibular, com 15. Em sala de aula, por causa da quantidade de alunos, é praticamente impossível para o professor acompanhar individualmente esse processo; por isso, ao receber o produto em mãos, nem sempre ele conseguirá aferir as dificuldades que acompanharam os estudantes no momento da produção.

Então, já que nem sempre conseguiremos estar perto para auxiliá-los na construção do texto, é preciso que forneçamos não apenas a teoria necessária, mas também modelos que os ajudem a visualizar o que está sendo solicitado. As famosas – e famigeradas – “receitas” nunca servirão para melhorar as redações, mas modelos de produções bem feitas auxiliam ao apontar caminhos seguros.

Além da teoria e dos modelos, o estímulo ao processo da escrita também é muito importante. Lembro-me de que, aos 10 anos, quando cursava a 4ª. série, a professora solicitou uma redação cujo tema era o mar. E eu nunca havia ido à praia. Como uma criança pode se sentir estimulada a escrever sobre algo que nunca experimentou? Esse relato remonta aos anos 80, mas hoje, infelizmente, ainda há professores que apenas indicam um tema e pedem para os alunos escrever, ignorando que eles precisam ser provocados para isso.

E quando o assunto é a produção escrita, não faltam os que engrossam o coro da importância da leitura. Mas será que todas as pessoas que leem – em quantidade e em qualidade – escrevem bem? Não necessariamente. Um “devorador” de livros e revistas será alguém com vocabulário amplo, informação e opinião, mas isso não quer dizer que ele conseguirá organizar as ideias em um texto escrito.

Ler e escrever são processos cognitivos diferentes. A leitura é fundamental para o desenvolvimento de múltiplos aspectos e, sem ela,  a escrita fica empobrecida, mas sozinha não fará milagre. E também não há livro, curso ou professor que consigam ajudar um aluno a escrever melhor se ele não fizer sua parte e treinar.

Só se escreve bem escrevendo.

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