Mês: março 2014



Sumida

Passei muito tempo longe deste espaço. Aliás, as últimas semanas foram diferentes em minha rotina. Depois de ter sido escolhida pelo Aedes Aegypit, muita coisa mudou. A dengue não afetou apenas o meu corpo. Afetou meu espírito também. Já retornei ao tablado e às atividades domésticas, mas ainda estou longe do meu pique habitual.

E sei que preciso ter paciência. Muita paciência. Confesso estar meio entristecida com isso, mas  preciso entender que cada pessoa tem uma maneira peculiar de reagir aos efeitos da doença. Os piores sintomas duram sete dias, mas a indisposição e a apatia continuam por um tempo.

Por isso, quero pedir a compreensão dos que acompanham este blog.

Para compensar de alguma forma minha ausência, deixo por aqui alguns pequenos textos que postei recentemente postei na minha fanpage. Em breve voltarei a escrever com a mesma frequência de antes do mosquito. E com a mesma paixão. Acreditem.

 

Saudade e vontade não são apenas palavras que rimam.

Saudade e vontade se completam. Se fundem… até se confundem.
Sim, porque se há saudade é porque há vontade.

Vontade de estar perto…
Vontade de olhar nos olhos…
Vontade de sentir o cheiro…
Vontade de tocar a pele…
Vontade de ouvir a voz…

Vontade de matar a saudade…
E afogá-la num mar de beijos..

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Posso te dar um conselho? Procure um sapo em vez de um príncipe.

E, ao beijá-lo, deseje ardentemente que não se transforme.

Príncipes são muito previsíveis. Ficam andando a cavalo pela floresta, doidinhos pra encontrar uma mulher que esteja esperando por eles e que não lhes dê muito trabalho.

Porque… vamos combinar? As princesas são fáceis de ser conquistadas.

Uma bitoca e… pronto! Já se entregam.

Acho que príncipes são uns desocupados, isso sim.

Então prefira o sapo. Goste do sapo. Envolva-se com o sapo.

Pode ser que, ao contrário do que sempre te contaram, a aventura seja muito melhor com ele.

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Permito-me chorar de vez em quando. Entristecer. Desanimar.

Permito-me sofrer.

Dou permissão às lágrimas. Aceito que meu coração padece de um mal que não é físico.

Permito-me assumir minha fragilidade. 

Dou carta branca para minhas fraquezas.

Não sinto vergonha em esconder o sorriso. Em guardá-lo para o futuro quando o presente não me dá motivos para mostrá-lo.

Sou humana. Imperfeita.

De vez em quando… só de vez em quando… dobro-me. Caio. Me canso.

Não preciso manter a imagem de pessoa inabalável.

Mas tenho fé. Mesmo na tribulação.

E é justamente por saber que sou criatura e que há um Criador que me permito ser quem sou.

Porque sou mais que lágrimas, mesmo quando elas insistem em rolar…

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Não é bom achar que o amor é feito de metades.

Amor é sentimento de gente plena.

Que não se acha tampa.
Nem panela.

Amor não é pedaço. 

É inteiro…

 

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Esta tal felicidade

feliz
O que não faltam por aí são promessas de felicidade.Bulas de remédio para emagrecer prometem felicidade.
Discursos políticos prometem felicidade.
Apaixonados prometem felicidade.
Promessa de felicidade é até slogan de loja de móveis.E acho que, no fim das contas, essa tal felicidade nem existe.

Pelo menos não do jeito que é “vendida”.

Promessa de felicidade plena, sem retoques, nesta trajetória terrena? Sei não… Confio mais em propaganda de xampu e em previsão meteorológica.

Mas creio em momentos felizes. Esses sim são concretos. A gente sente. Vê. Escuta.

E, muitas vezes, depende de nós a quantidade desses momentos. E se serão meramente passageiros ou se durarão um tantinho a mais.

Porque… vamos combinar? O ser humano gosta de complicar as coisas. De polemizar. De fazer a bendita tempestade no copo d’água. De inventar problema onde ele nem existe.

E, por causa disso, deixa o possibilidade dos momentos felizes se esvair pelo ralo.

Eu fico feliz quando chego à casa dos meus pais. Quando sento à mesa com meus familiares e jogamos conversa fora.

Fico feliz quando como pastel na feira com meu marido e com meus filhos, jeito simples, barato e agradável de começar uma manhã de sábado.

Fico feliz quando saio da sala de aula com a certeza de contribuí para que meus alunos escrevam melhor.

Fico feliz quando ouço alguém dizer que se curou. Que um bebê nasceu saudável. Que uma mulher teve a notícia da gravidez.

Fico feliz quando olho os números da balança. Aos 40, decidi que quem manda no meu estômago sou eu.

Fico feliz quando faço elogios. E quando recebo, é claro.

Fico feliz quando recebo mensagens de leitores que, mesmo sem me conhecer pessoalmente, manifestam carinho por mim.

Fico feliz com uma manhã de sol. Adoro senti-lo dourando minha pele. E fico feliz com uma manhã nublada. Adoro o climinha aconchegante que ela proporciona.

Fico feliz quando, depois de alguma discussão tola, faço as pazes com meu marido. É sempre bom me (re)encontrar em seus braços.

Fico feliz quando conto histórias para o meu caçula e quando ouço histórias do meu primogênito.

Fico feliz quando faço meu cafezinho pela manhã. Quando vou para o tatame. Quando celebro datas especiais com pessoas especiais.

Tanta coisa me faz feliz…

Já que felicidade, como insistem em vender, não existe, que saibamos aproveitar os momentos.

E agradecer por eles.

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Individualismo e individualidade

A conceituação não é minha. É o próprio dicionário que afirma: “individualismo” é “tendência a avaliar apenas os valores e interesses individuais”. Já “individualidade” tem significado diferente: “conjunto de atributos que diferencia os indivíduos; identidade”. 

Recorri ao “pai dos espertos” porque ao defender a tese de que os casais precisam manter a individualidade nas relações, às vezes sou mal interpretada. Há quem ache que defendo o individualismo.

Ser individualista – no namoro, no casamento – é pensar apenas no próprio umbigo. É ignorar os anseios alheios. O homem individualista não se preocupa com as vontades da parceira. A mulher individualista não se preocupa em agradar ao companheiro. Pelo contrário. Os individualistas pensam apenas em si mesmos, em detrimento aos sentimentos do outro.

E isso é mesmo perigoso. Os relacionamentos vão minando por causa de pessoas com essa característica.  Difícil quem suporte por muito tempo alguém com esse espírito de “eu sou o centro do seu universo”.

Mas manter a individualidade nas relações é bem diferente. E é saudável. Necessário, inclusive. Pelo menos para mim.

Um homem e uma mulher que fizeram a escolha de estar juntos – sob o mesmo teto e sobre o mesmo colchão –  naturalmente escreverão um enredo em comum. Essa é uma decisão madura e pressupõe que, vez ou outra, um precisa ceder para que as coisas deem certo.

Mas ceder não quer dizer se anular. Mesmo na história a dois é possível preservar as características individuais. Há sonhos e planos que são do casal, mas cada um pode também ter suas próprias vontades.

Quando isso acontece, ambos saem ganhando. A convivência fica mais leve. Sem cobranças. Não há tentativas de “sufocamento”.

Com maturidade e equilíbrio, é possível manter nossa identidade. Mesmo quando caminhamos a dois.

 

 

 

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