Mês: junho 2014



Por que os casais se separam?

separação

Vou confessar: o título desta postagem é uma isca. Quer dizer, as relações conjugais são o tema desta reflexão, mas nem de longe serei pretensiosa o suficiente para responder a essa pergunta.

Mas, mesmo sem haver uma única resposta, é possível avaliar os motivos pelos quais homens e mulheres, depois de muito ou de pouco tempo, decidem colocar um ponto final no relacionamento.

Cada história afetiva é única e generalizações me dão urticária. Quem acompanha meu trabalho sabe disso. Afirmações como “toda mulher é assim” ou “todo homem se comporta dessa maneira” são típicas de quem tem preguiça de pensar. Mas, de alguma forma, há situações que se repetem, que são comuns a muitos.

E quando chega aos nossos ouvidos a notícia de que algum casal se separou, uma das frases clássicas é “não existem mais casamentos como antigamente, que duravam 50 anos ou mais!”.

Acredito mesmo que nossos pais, avós e bisavós protagonizaram – meus pais ainda protagonizam – lindas histórias de amor. De amor, de carinho, de respeito. Mas é preciso entender, por mais incômodo que seja, que muitos casamentos no passado chegaram às bodas de ouro por conveniência. Conveniência para o homem, que precisava manter à sua disposição uma companheira de forno, fogão e cama, e conveniência para a mulher, que se assustava com ideia de seguir a vida sozinha, ainda mais com filhos e sem formação profissional. Isso sem contar no “falatório” entre familiares e vizinhos. Tempos atrás, quantas meninas de 13 ou 14 anos foram “convocadas” a se casar sem ao menos nutrir algum sentimento pelo futuro marido?

Por isso, é sensato não atribuir o fracasso na relação a dois apenas às uniões da nossa geração. O fracasso não vem apenas sob a forma da separação. Vem sob a forma da infelicidade. Também houve no século passado quem não encontrou a felicidade ao viver sob o mesmo teto. A diferença é que muitos se conformaram em ser infelizes. Ou se acostumaram, talvez.

Mas é claro que hoje existe, em muitos casais que resolvem dividir o mesmo colchão, uma banalização do viver a dois. A história geralmente começa com uma atração física que inflama os corpos. Isso é muito natural. Sem química de pele, de cheiro, quase impossível querer estar perto.

Todavia o fogo que inflama os corpos também precisa inflamar as almas para a história ter chance de dar certo. Optar pelo casamento depois de poucos meses só por causa de um desejo carnal que aflora nos finais de semana é uma decisão imatura. Depois de algum tempo – pouco tempo, na verdade – a convivência abranda esse fogo. Ele continua existindo, mas se a pessoa está disponível 07 dias por semana, a adrenalina dos poucos encontros dá lugar à tranquilidade.

E há homens e mulheres que não estão preparados para isso. Idealizam uma vida a dois e, na primeira dificuldade – ou na segunda, pode ser -, querem logo terminar o que mal começou. Parecem estar brincando de casinha. “Assim eu não brinco mais”.

Muitos outros motivos podem levar um casal a decidir pelo fim. Uma decisão legítima, inclusive. Ficar com alguém por imposição religiosa, social ou familiar não torna nenhuma história mais digna. Pelo contrário.

Mente quem dá receitas certeiras para um casamento feliz. Sem esforço, paciência, dedicação e uma vontade grande de estar junto, não há milagre que resolva as crises conjugais. Mas existem formas de, mesmo com o passar do tempo, manter uma relação afetiva saudável, que valha a pena. Quem sabe uma delas seja buscar incansavelmente o equilíbrio.

Sentimentos não devem ser banalizados, tampouco polemizados. Encarar o parceiro como um bolo de chocolate ou como uma tábua de salvação. Afinal, exageros são prejudiciais em quaisquer relações.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja “por que os casais se separam?”. Quem sabe homens e mulheres devessem, antes de tomar a decisão, questionar a si mesmos por que resolveram estar juntos.

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Quando o coração esfriar…

dois

Quando o coração esfriar, quando a relação amornar, quando a pele não mais arrepiar… é hora de se lembrar.

Se lembrar do motivo do primeiro encantamento
Se lembrar do primeiro olhar, da expectativa do primeiro encontro.
Se lembrar do gosto do primeiro beijo, da sensação do primeiro contato dos corpos, ávidos um pelo outro

Se lembrar dos risos, das gargalhadas
Se lembrar dos planos, dos desejos comuns
Se lembrar das viagens feitas, dos presentes recebidos
Se lembrar das lágrimas de saudade

E principalmente: se lembrar da razão da escolha

Do porquê se decidiu estar junto

E então, se depois de tantas lembranças, o coração ainda esquentar, quem sabe ainda valha a pena acreditar.

Acreditar que a paixão – aquela que provoca o corpo, bagunça os pensamentos e agita a alma – tem data de validade.

Ela acaba. Mas a história não.

Porque ficou o amor…

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Palavras e redes sociais

redes

Muito mais que promover a interação entre as pessoas, as redes sociais servem, já há algum tempo, para as empresas divulgarem seus serviços e/ou produtos. E conquistar o cliente no mundo virtual é tão importante quanto conquistá-lo no real. Entretanto, para que essa estratégia não crie um efeito reverso, é importante que os profissionais responsáveis pelas redes sociais estejam atentos a detalhes que podem fazer a diferença.

Por mais que essas ferramentas tecnológicas imprimam certa informalidade às relações humanas, deve-se considerar que, no relacionamento com o cliente, as organizações precisam primar por uma linguagem correta, livre dos vícios do “internetês”, e por uma postura cordial e ética. Fotos que não tenham a ver com aquilo que a empresa oferece e brincadeiras e piadas têm que se restringir a perfis pessoais, jamais a profissionais.

E a divulgação não é a única utilidade de uma rede social no meio comercial; além da abrangência ilimitada, é possível aferir a opinião dos visitantes acerca da qualidade dos serviços e/ou produtos que a empresa oferece. Todavia, essa exposição pode gerar comentários bastante incisivos, vindos de clientes insatisfeitos. Nesse caso, é preciso considerar as críticas e respondê-las com polidez. Se sua opinião for ignorada ou caso seja tratado de forma desrespeitosa, certamente o cliente não fará mais visitas virtuais, tampouco reais.

Páginas no Facebook e no Twitter, por exemplo, devem ser alimentadas com frequência. Informações desatualizadas interferem na credibilidade da organização. O diálogo com o cliente precisa ser feito de forma clara e direta, mas isso não significa imaginar que a linguagem virtual possa ter marcas de desleixo com o idioma.
Um erro de grafia pode até não alterar a qualidade de um produto, mas macula a imagem de quem o produz; um texto confuso talvez não reflita no bom serviço oferecido por uma pessoa jurídica, mas pode afugentar o cliente.

O ideal é que o funcionário responsável por gerenciar as redes sociais da empresa tenha competência linguística para escrever de maneira simples e que esteja sempre atento às regras da língua portuguesa. Confiar no corretor dos programas de computador é um risco; nesses casos, a habilidade humana ainda se sobrepõe à máquina.

As redes sociais, mesmo sendo ferramentas do mundo virtual, existem para estabelecer vínculos no mundo real. Portanto, estreitar o canal de comunicação com o cliente, de maneira inteligente e agradável, pode trazer excelentes resultados para a organização. Diferentes dos computadores, seres humanos são sensíveis a afeto e respeito e saberão reconhecer – e diferenciar – as empresas que se preocupam com esses vínculos.

Segundo Platão, a palavra pode ser veneno, cosmético ou remédio. Saber usá-la nas redes sociais determinará a função que ela assumirá na comunicação de uma empresa com seu cliente.

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Bom senso também no mundo virtual

teclado

Em novembro de 2009, quando a Universidade Estadual de Maringá aplicou a primeira prova do Programa de Avaliação Seriada (PAS), uma das propostas de redação era a produção de um bilhete. As instruções foram as seguintes: um funcionário tenta falar com seu chefe por telefone para avisá-lo de que precisa sair durante o expediente. Como não consegue, resolve escrever um bilhete e deixar na mesa dele. Além de avisar o chefe sobre a saída, também precisa deixar claro que tentou entrar em contato por telefone e que voltará até o final da tarde para cumprir as tarefas.

Não há complicação nessa proposta. Entretanto, como os alunos tinham à época apenas 15 anos, muitos disseram ter feito bilhetes impregnados com forte carga de informalidade. Alguns confessaram ter escrito na saudação “Querido chefe”, possivelmente porque já imaginavam que o funcionário em breve iria pedir um aumento de salário. Outros colocaram o pronome de tratamento “você” em vez de “senhor”.

Na vida real, não são só os bilhetes que merecem esse cuidado, afinal, é até raro que alguém se valha deles. Nas empresas, os e-mails corporativos é que precisam ser vistos – e revistos – com atenção.

O internetês é o código vigente no meio cibernético. Entretanto, ao trocarmos mensagens eletrônicas com colegas de trabalho, sejam eles de funções subordinadas ou superiores a nós, esse código precisa ser deixado de lado.

Há quem defenda que essa linguagem existe para colaborar na comunicação, principalmente porque a torna mais rápida. Nos bate-papos entre amigos nas redes sociais pode até ser. Mas não há quem me convença de que escrever “axo”, em vez de “acho”, mudará minha rotina. Isso não é abreviação; é erro. E dos graves. Aliás, a atenção à norma padrão do idioma não é frescura, muito menos perda de tempo. Enviar uma mensagem com um “pra mim fazer” ou então com “chegarei atrazada” não tem nada a ver com linguagem virtual. Frases desse tipo denotam desleixo pela língua materna.

Dependendo da situação, formas como “vc” (você) e “hj” (hoje) podem até ser aceitas, mas é sempre bom ficar atento ao excesso de abreviações, as quais tornam o texto truncado e, alguns casos, quase impossível de ser lido.

Outro quesito importante nos e-mails corporativos é o grau de intimidade que se estabelece com o interlocutor. Mesmo que alguém aprecie um happy hour com seu colega de departamento ou até participe de almoços aos domingos na casa do patrão, não é apropriado encerrar mensagens com “Valeu, cara” ou “A gente se vê no domingo, falow?”. Como em tantas outras situações da nossa vida, bom senso é o termômetro ideal para percebermos se passamos do ponto.

Por fim, e não menos importante, é bom pensar duas vezes – ou mais – antes de enviar aos colegas de trabalho, principalmente para os endereços corporativos, aquela enxurrada de piadinhas e/ou mensagens que querem nos fazer chorar – de raiva, às vezes.

O saudoso jornalista Claudio Abramo dizia que “escrever bem é escrever com simplicidade”. E ele tinha razão. Mas essa simplicidade, no mundo real ou no virtual, refere-se à escolha da palavras e à clareza das ideias, e não ao descuido e à inadequação.

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