Mês: agosto 2014



Sentindo-me órfã

deriva

A corrida eleitoral já começa a mostrar que nós, brasileiros, estamos praticamente órfãos.

Não que eu precise de uma pai ou de uma mãe, que os meus são ótimos, mas, como cidadã, sinto-me abandonada. À deriva.

E os debates estão ratificando minha tese.

Os candidatos – da situação e da oposição – mostram despreparados em muitos aspectos. Mesmo os que estão no poder há anos.

Falta-lhes comunicação. Eu, sinceramente, não vejo algum que transmita a mensagem de forma coerente e convincente. Se fossem meus alunos, já estariam de recuperação.

Mas o que mais me entristece e me deixa com esse sentimento de abandono é vê-los preocupados mais em denegrir a imagem do outro que em apresentar propostas que possam, de alguma forma, melhorar a vida de quem paga os impostos e não pede nada além do óbvio.

E político é um ser que praticamente vive do passado.

Ou fala sem parar do que fez de bom (nem que tenha sido há 20 anos) ou do que o adversário fez de ruim (nem que tenha sido há 20 anos).

É claro que o currículo de um candidato é fator determinante para escolhermos um nome, mas eu quero mais que o passado.

Eu quero verbos no futuro. Eu quero um futuro.

Mas acho difícil que essa situação se reverta.

No fundo, a maioria se assemelha a coiotes ávidos por entrar no galinheiro.

E a notícia trágica é que somos as galinhas.

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Dor que não se mede…

menino

Olho para a foto deste menino abraçado ao caixão do pai e não consigo pensar em nada além da dor imensurável que ocupa seu frágil coração.

Não quero nem saber das teorias da conspiração. Desprezo as piadas de mau gosto em torno do acontecimento. Neste momento, pouco me importa o cenário político pós-tragédia.

Só consigo imaginar o sofrimento dele e o de seus irmãos, os quais vivem a pior situação a que somos submetidos nesta trajetória terrena: a perda eterna de quem amamos.

No caso das crianças, a compaixão é ainda maior, afinal, o coração infantil não consegue compreender certas coisas.

Pra falar a verdade, às vezes nem o nosso…

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Quando rir não é o melhor remédio

Em sala de aula, normalmente sou uma professora que conta até 11 antes de perder a paciência, mas se há algo que me tira do sério e me faz descer do salto – e do tablado – é quando um aluno ironiza a dor alheia.

Isso acontece, por exemplo, quando levo imagens para estimular a turma a escrever. Se mostro a foto de um morador de rua, de um nordestino que sofre com a seca ou de um etíope esquálido por causa da falta de comida, sempre há os engraçadinhos que inventam alguma piada sobre a situação.

E eu não admito que alguém se divirta com o sofrimento das pessoas; não na minha presença, pelo menos.

Pensei nesse tema porque, há poucos dias, discutindo sobre isso com os adolescentes, a frase dita por um deles mexeu comigo: “Rir dos outros faz parte da natureza humana, professora”.

Aí me lembrei da célebre cena dos finais de domingo, quando as famílias se reúnem para assistir a cenas de pessoas se machucando. Depois das quedas, dos “encontros” com o poste e dos escorregões que terminam com uma coluna no chão, gargalhadas ilustram o que meu aluno argumentou: rir dos outros faz parte da natureza humana. Continue lendo

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Fonético e Anacoluto estudante

Nada como uma ORTOGRAFIA após a outra…

Vou parafrasear meu colega de trabalho, o nobre professor Girafales: não sei por que causa, razão, motivo ou circunstância os alunos insistem em rotular a gramática da Língua Portuguesa como algo difícil.  Eles são tão HIPERBÓLICOS. Você é assim? Não me venha com IRONIA, ok?

Tudo bem que as regras não sejam muito fáceis, mas uns e outros por aí são DITONGOS demais e não se esforçam em aprender. Só se preocupam com os ENCONTROS VOCÁLICOS dos finais de semana. Não sabem fazer uma SEPARAÇÃO SILÁBICA entre a hora de estudar e a hora de passear. O VERBO PRINCIPAL e o VERBO AUXILIAR, por exemplo, não perdem uma ELIPSE no sábado à noite.

E é claro que  marcar um encontro com a primeira OXÍTONA que dê mole na balada é mais convidativo que FLEXIONAR O SUBSTANTIVO. Ainda mais quando ela tem belas FORMAS NOMINAIS e mostra a SÍLABA TÔNICA logo de cara. Continue lendo

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Meu pai não é um herói

Meu pai não é um herói. Ele não tem superpoderes, nem é invencível. Não usa capa, armadura, tampouco tem uma espada ou um martelo mágico.  Meu pai não voa, não atravessa paredes, não dispara raios cósmicos. Ele não faz parte da Liga da Justiça e nunca foi convidado para fazer parte dos Vingadores.

Meu pai não é um herói, mas também não é um vilão.

Meu pai é simplesmente… humano. É é justamente por isso que o admiro e  o respeito.

Não é a perfeição que fascina, até porque ela não existe. O que é encanta é ver  um homem com fragilidades, imperfeições e limitações assumir sua missão. Em meio à sua humanidade, ele fez a coisa mais importante que um pai deve fazer: amou suas filhas. E ama ainda. Intensamente.

As lutas que a vida lhe ofereceu foram muito mais difíceis que qualquer duelo com algum arqui-inimigo. Mas nunca desistiu.

Ao lado da nossa mãe, passou-nos os conceitos de uma vida íntegra. Dele herdamos a nossa fé, nosso maior tesouro, e com ele aprendemos que, por mais que o mundo pregue o contrário, vale a pena ser do bem.

E penso que esta seja a maior missão paterna: a transmissão de valores. Valores que valem a pena e que duram para sempre.

Pai de verdade não é aquele que contribuiu com  o material genético necessário a uma concepção, tampouco o que considera uma pensão a melhor coisa que pode fazer pelo seu filho.

Pai não é quem apenas cria. Pai é quem educa, dá exemplo, corrige, instrui, ama. E ninguém precisa de um uniforme especial ou máscara para isso.

Eu não preciso de heróis. Nunca precisei.

Só preciso de um homem como meu pai.

 

 

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