Mês: novembro 2014



Desabafo de um diploma


QUERIDO, EXTROVERTIDO, COMUNICATIVO E FELIZ ALUNO,

Olá! Você não me conhece, mas eu o conheço muito bem e o desafio a ler estas linhas até o final (principalmente aqueles que não fizeram isso durante o ano com os textos de Português) para saber um pouco sobre mim.

Eu sou o “primo pobre” do diploma. Sabe como é, imagine só: hoje, um dia de festa, de agitação, e você recebendo um documento em suas lindas mãozinhas. É claro que a probabilidade de ele ir parar no lixo era muito grande (ou então se transformar em um origami, uma bolinha de papel, um avião ou coisas do gênero).

Então, para disfarçar e cumprir o protocolo de entregar algum papel para que possamos tirar uma foto sua sorrindo, eu entro em ação.

Não pense que minha tarefa seja fácil, não! Ficar todo enrolado, ser tocado por estas mãos que sabe-se Deus se estão mesmo limpas… credo!!! Mas ganho bem para isso e, como não tenho outra função na vida, já me acostumei.

Os mais sensíveis possivelmente me guardarão para o resto da vida; talvez dobrado em algum livro, talvez estrategicamente depositado no fundo de uma gaveta… Haverá também os que nem ao menos me lerão: são os alunos que se recusam terminantemente a ler qualquer coisa que ultrapasse três linhas. E, como não podia deixar de ser, alguém vai achar tudo isso uma grande bobagem, amassar-me (é um caso de ênclise, hein?) e jogar na cara do primeiro que passar em sua frente.

Mas tudo bem. O importante é que estou cumprindo meu papel (literalmente!!!) de fazer de conta que sou meu primo diploma e encher esta folha com palavras.

Também preciso desejar alguma coisa boa para você, congratulá-lo pela conquista dos seus objetivos, por ter chegado até aqui, blá, blá, blá, blá, blá…

Por isso, PARABÉNS! Não vou dizer que esta data se repita por muitos e muitos anos, porque você não vai se formar novamente no 9o. ano (ou no ensino médio??? não me informaram direito….) A não ser que tenha gostado tanto que queira fazê-lo outra vez.

E, como a folha está quase chegando ao fim (graças a Deus!!!), espero que em 2015 você estude mais, converse menos, faça mais tarefas, faça menos bolinhas de papel, vá mais à biblioteca, vá menos ao banheiro etc etc etc.

Ufa… Acho que está bom. Se leu até o final, estrelinha pra você! Se não leu, no Natal sua família inteira vai lhe dar livros de presente.

Um grande beijo deste papel que muito lhe quer bem. (se quiser mais informações sobre mim, acesse: (www.primopobredodiploma.com.br)

Primo Pobre do Diploma

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Menos cliques, mais toques

escravo

Lutemos por um mundo em que as pessoas prefiram o toque ao clique

Por um mundo em que elas enviem menos mensagens e sussurrem mais “eu te amo” ao ouvido de quem amam

Por um mundo em que as pessoas compartilhem mais pão e menos vídeos

Por um mundo tão harmonioso quanto as fotos postadas

Lutemos por um mundo que use a tecnologia

Mas que não se deixe usar por ela.

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A joaninha e eu

joaninha

Aconteceu hoje, quando fui ao supermercado. Enquanto ajudava a caixa a embalar minhas compras, eu a vi.

Vi a joaninha.

Desfilava sua fragilidade em meio às sacolas plásticas.Imaginei que, se não tomasse uma atitude, ela seria esmagada por um litro de leite ou pela caixa de ovos.

Então ofereci delicadamente meu dedo como ponte. Ponte que a salvaria da morte.

A funcionária do supermercado nem percebeu meu gesto. Estava compenetrada demais nos códigos de barras dos produtos.

Mas eu me esqueci das compras. E só pensava na joaninha.

O simpático inseto, com suas cores vibrantes, passeava pela minha mão, mas parecia ter pressa. Acaso tinha algum compromisso?

Houve um momento em que a joaninha caiu e começou a dar seus passinhos ágeis pelo chão. Prevendo uma tragédia, salvei-a novamente.

Mas o que fazer com uma joaninha em um supermercado?

Não pensei duas vezes.

Fui até a sessão de flores e repousei minha amiguinha nas pétalas de um crisântemo.

E tive a impressão de que ela gostou. Pétalas de flores combinam mais com uma joaninha que sacolas plásticas.

Despedi-me, desejei-lhe sorte e fui embora.

Feliz por ter dado uma nova chance a uma frágil vida…

Obs.: texto baseado em fatos. Prova de que, quando a gente quer, é possível ver poesia até na hora de fazer compras.

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