Mês: dezembro 2014



Organize as gavetas. E o coração também.

pincel

Final de ano é época propícia para organizar.Para promover grandes limpezas. Para se entregar à teoria do desapego.

Hora de abrir armários e gavetas. De doar algumas coisas, de jogar fora outras tantas. A proximidade de ano novo parece que nos encoraja a encarar aquela faxina protelada por 11 meses.

Mas, muito mais importante que organizar gavetas, é organizar o pensamento. Muito mais importante que limpar armários é limpar o coração.

De que jeito?

Simples.

Olhando com sinceridade pra dentro dele e decidindo quem fica e quem sai.

Resolvendo, de uma vez por todas, quem realmente merece morar nesse espaço tão importante.

Porque iniciar o ano com a casa arrumada é ótimo.

Mas iniciá-lo com o coração em ordem é melhor ainda.

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Sobre mulheres e inveja

inveja

Não são todas que admitem, mas mulher é um ser naturalmente invejoso.

Calma, meninas. Este não é um texto machista. Nem feminista. Quem sabe realista.

Eu me incluo no grupo. Mas primeiro é preciso diferenciar os três tipos de inveja.

Quem dividiu esse sentimento em três grupos??? Eu.

A primeira inveja é aquela que a madrasta da Branca de Neve sentia. Embora ela tivesse uma autoestima nas nuvens, a ponto de ter coragem de encarar o espelho e perguntar se havia alguma mulher mais linda, um dia a rainha se assustou com a resposta. E ficou insegura.

Havia alguém a lhe roubar o título: Branca de Neve.

E então o que ela fez? Algum tratamento estético mais intenso? Não. Simplesmente pediu o coração da coitadinha a um guarda do palácio. Mas ele ficou com compaixão da princesa e desobedeceu às ordens da patroa. Aí vem aquela história de floresta, de cantoria com passarinhos, de ser empregada de sete anões e blá blá blá.

O fato é que a inveja da madrasta é a mesma da mulher que vê outra caminhando pelo shopping, linda de viver, e torce pra que ela tropece em público. Ou quem sabe olhe para a foto bonita da colega de trabalho do namorado/noivo/marido e espalhe pra todo mundo que ela é uma… uma… uma… bom, vocês sabem.

A segunda inveja é branda. Verdade. Não é nociva. Nem todo admite, mas a maioria sente. Eu sinto. Diversas vezes. Aconteceu há poucos dias, quando vi a foto de uma amiga no Face. E escrevi no comentário “Deus, me livre da inveja dessa cinturinha de pilão. Amém.”.

Se torço para que ela perca a cintura? Não. Apenas queria uma igual.

A mulher que sente inveja branda não deseja que a outra engorde, ou perca o emprego, ou queime os cabelos ao fazer a chapinha. Apenas deseja ser parecida. E isso faz parte da nossa natureza. Natureza feminina.

Mas a terceira… ah, essa talvez seja a mais perigosa. Por quê? Porque ela vem das pessoas – ou das mulheres, especificamente – que fingem nos admirar.

A inveja nociva vem da mulherada que escreve “linda” na foto da “amiga”, mas, por dentro, está dizendo “exibida”, “insuportável” e outros adjetivos mais fortes.

Ela enche a outra de elogios, mas torce ardentemente para que perca tudo o que tem. Ou todos.

É terrível.

Porque, ao contrário da madrasta, ela disfarça. Não quer o coração da concorrente (porque é assim que a invejosa classifica 90% das mulheres), mas alimenta o seu com esse sentimento.

E não pensem que escrevi este texto baseado em fatos recentes. Ele é apenas fruto da minha observação cotidiana.

É isso.

Agora vou lavar louça. Morrendo de inveja de quem tem uma funcionária que faça isso.

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Lembranças de Natal

Já escrevi sobre tantas lembranças aqui no blog que seria impossível deixar as recordações natalinas passarem em branco. Minha família e eu sempre vivemos de forma muito intensa esse clima. Primeiramente porque somos cristãos, mas também porque adoramos ficar juntos em momentos especiais.

É claro que, na nossa infância, essa festa tinha um sabor diferente. Os encontros familiares com avós, tios e primos eram esporádicos e esperávamos com ansiedade pelo mês de dezembro.

Durante muito tempo, a festa de Natal foi feita na casa dos meus avós maternos. Depois estabeleceu-se um rodízio entre a casa dos filhos. Lembro-me com riqueza de detalhes de cada ano, desde 1980. Recordo-me da casa onde foi feita a ceia, da roupa que usei, do presente mais especial que ganhei, do prato mais gostoso.

E os dias que antecediam o Natal também tinham uma certa “magia”. Atualmente não me motivo a ir ao centro nas noites de dezembro. Isso me lembra imediatamente congestionamento, flanelinhas, pessoas e suas sacolas “trombando” nas calçadas, enfim, o caos.

Na década de 80 era bem diferente. Minha memória visual foi despertada agora para as “lâmpadas coloridas” da Avenida Brasil. Naquela época não havia na cidade tanta decoração como hoje. Não me lembro de tantas casas e prédios iluminados.

E eram apenas as lâmpadas coloridas – dessas comuns, como as que temos em casa –  colocadas próximas às lojas e no canteiro central, que conferiam ao centro da cidade o clima natalino.

Os mais jovens talvez não me entendam, mas o dia de ir ao centro à noite era quase tão esperado quanto o dia de Natal. Meus pais já nos avisavam previamente e, por isso, ficávamos ansiosas, principalmente minha irmã mais velha e eu.

E não pensem que era por causa do consumismo. Imaginem… O dinheiro era “contadinho”. Mas o programa tinha um sabor especial. O destino principal? Lojas Americanas. Não havia nenhum shopping ainda. Nossa… Parece que estou viajando no tempo… Aquela música típica, aqueles enfeites todos que saltavam aos olhos…

Jantávamos antes de ir, afinal, não era prudente fazer esse tipo de passeio com o estômago vazio. Mas antes de voltar para casa sempre tinha aquele sorvetinho com gosto de infância. Em alguns anos, meus pais até puderam comprar um presente um pouco melhor, mas na maioria das vezes não.

Lembro-me de um Natal em que queria muito um urso de pelúcia. Eu devia ter uns 10 anos. Meus pais me deram, mas ele não era bem do jeito que eu queria. Na verdade era um primo pobre do urso com que eu sonhava. Quando abri o presente, disfarcei e disse que tinha adorado. Nunca tive coragem de dizer a verdade. Até hoje pelo menos.

Sabem por quê? Porque, mesmo criança, o que prevalecia no meu coração não era simplesmente o bem material. Meus pais sempre nos ensinaram que o dono da festa não era o Papai Noel. Aliás, aqui em casa, ele tem a mesma função que as renas ou uma vela, por exemplo. Ou seja: um mero enfeite.

Ah, são tantas lembranças…

Se puder, pare um pouquinho e faça como eu. Viaje ao seu tempo de criança,  recorde-se de como sua família vivia o clima de Natal.

E tente vivê-lo intensamente ainda hoje.

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