Mês: maio 2015



Síndrome do balão de oxigênio

amor

Não acredito em amor à primeira vista.
Pode haver desejo à primeira vista. Tesão à primeira vista.
Mas amor? Ah, não… amor não vem no primeiro olhar.
Porque o amor é sentimento maduro, ao contrário da paixão, que é adolescente, quase insana.
Para os apaixonados, o futuro é um detalhe. O que importa mesmo é o presente. É estar junto o máximo de tempo possível.
Quem está apaixonado vive a “síndrome do balão de oxigênio”.
“Você é o ar que eu respiro”, diz ela, suspirando.
“Sem você eu não vivo”, responde ele, doce feito mel.
Mas quem ama sabe que o bom do amor é que ele não sufoca.
Não prende.
Pelo contrário. Amor é sentimento libertador.
Por isso é típico de pessoas sensatas, que não veem o outro como propriedade.
Mas, mesmo sendo equilibrado, o amor é intenso.
E é justamente essa intensidade que torna as relações duradouras.
Quem diz “eu te amo” depois de dois ou três abraços apertados e beijos demorados não sabe o que está fazendo.
Ou melhor: sabe sim. Está agindo impulsivamente. E o impulso é o responsável pelas relações efêmeras.
Aí, quando a história perde a graça, alguém diz “o amor acabou”.
Que nada…
Na verdade, ele nunca começou…

1 Comentário


Até quando?

ate_quando

Como a maioria dos cidadãos, estou indignada com o resultado trágico da manifestação dos servidores.

Mesmo a distância, mesmo pertencendo à rede particular, sempre manifestei meu apoio à classe. E minha arma não é um spray de pimenta. Minha não é uma bala de borracha. Minha arma não é uma bomba de gás lacrimogêneo.

Minha arma é a palavra. É com ela que me defendo. E ataco também.

O final decepcionante, no fundo, era esperado por todos nós. Não apenas a violência, mas a falta de vergonha na cara da maioria dos nobres deputados.

E só não sofremos mais porque a maior parte dos conchavos e das articulações ilícitas não vêm à tona. Mas dá pra imaginar.

Dá pra imaginar as conversas nos bastidores. As batidinhas nas costas durante os abraços. A frase “conto com você” dita em meio ao sorriso cínico. As gargalhadas durante os jantares caros.

Dá pra imaginar a troca de favores. A pressão para que o voto seja de acordo com a conveniência de quem manda mais. Algo como “quer garantir a ambulância? faça o que tem que ser feito.”.

Escrevi no Facebook que a preocupação deles com a sua integridade física é legítima. Afinal, quando já se perdeu a integridade moral, é de se compreender que o cuidado seja com o corpo.

E que se dane a população. Que se danem aquelas pessoas cujas mãos foram apertadas em cumprimentos durante o período eleitoral. Que se danem as escolas e os hospitais, também patrimônios públicos, mas que não precisam ser protegidos com unhas, dentes e sangue como a Assembleia.

Pelo ocorrido – e por tantas outras histórias de enojar – que ninguém me faz acreditar que o voto seja uma arma.

Só se for pra suicídio.

Sempre digo aos meus alunos pra evitarem terminar um texto opinativo com uma pergunta para a qual eles mesmos não tenham resposta.

Mas hoje vou infringir essa minha recomendação.

Até quando?

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