Mês: agosto 2015



Sobre axilas peludas

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Não me lembro do meu primeiro sutiã, mas me lembro da primeira vez em que usei uma lâmina para depilar minhas pernas. Eu deveria ter uns 12 anos e, mesmo sem ter a vaidade que a maioria das meninas dessa idade têm hoje, fiquei feliz em deixar de ter pernas cabeludas. Com o passar do tempo, também aprendi a usar esse método para deixar minhas axilas lisinhas. E sempre me senti bem assim.

Trouxe essa lembrança à tona porque há pouco dias fiz um comentário no Facebook acerca desse tema. Uma postagem dizia que famosas estavam indo contra a moda e deixando suas axilas peludas. Escrevi que me depilo por higiene, não por moda.

Mas há quem defenda a tese de que a depilação feminina – seja de qualquer parte do corpo – é uma demonstração de submissão, como se estivéssemos tendo uma obediência canina a alguma imposição masculina.

Eu sinceramente penso que haja um certo exagero nesse tipo de observação. Ou pelo menos alguma generalização. Já manifestei várias vezes que não sou feminista. Sou apenas feminina. Não sou daquelas que queimam sutiã em praça pública. Pelo contrário. Acho essa peça uma das grandes invenções da humanidade e sou grata a quem o criou. Seria a primeira a pegar um extintor para salvá-lo.

Gracinhas à parte, reconheço a luta das que, de diversas maneiras, tentam reverter a imagem feminina que a mulher tem na sociedade, principalmente aquela que é reforçada pelo discurso machista. Não sou poucas as vezes em que os homens usam e abusam do seu instinto de macho alfa.

Mas às vezes me incomodo com posturas extremistas.

A vaidade, por exemplo, é condenada por alguns grupos feministas. Eu sou vaidosa, mas não sou fútil. Cuido da embalagem, mas tenho conteúdo. Se passo batom vermelho, não é porque me rendo à indústria de cosméticos. É porque me sinto mais bonita com ele. Se faço questão de estar com as unhas feitas e o cabelo escovado, não é porque eu seja escrava de padrões. É simplesmente porque me sinto bem assim.

Escolhi me casar. Escolhi ter filhos. Escolhi ter dupla jornada (há dias que até tripla). Não fiz isso por nenhuma imposição social ou religiosa. Não sou a provedora da minha casa e nem pretendo ser. Acho ótimo que meu marido dê conta das despesas e eu apenas colabore. Não tenho a mínima pretensão de estarmos equiparados nesse sentido. Aliás, os papéis são bem definidos por aqui e não me sinto dominada por causa disso.

Minha luta – como mulher – é pelo direito à escolha.

Cada uma de nós deve ter o maravilhoso poder da escolha. Do cumprimento do cabelo ao estado civil. Do destino da viagem de férias à opção da maternidade.

Eu escolhi depilar minhas axilas. Quem escolheu o contrário que seja feliz.

Mas, por favor, não venha me dizer que isso me torna submissa.

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Pessoas necessárias

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Há pessoas que são necessárias.
Necessárias pra sermos mais felizes.

Não que precisemos delas pra viver.
Assim, feito oxigênio.

Conseguimos respirar na sua ausência.
Mas é mais difícil. O peito dói.

Pessoas necessárias nos fazem rir.
E sorrir.

E, caso choremos, estão por perto.

Pra enxugar as lágrimas.
Pra explicar o motivo delas.

Ou quem sabe pra nos dizer que elas
não têm motivo.

Pessoas necessárias nos fazem bem.
Sua simples presença nos encoraja.

Não dizem o que queremos ouvir.
Mas o que precisamos.

Pessoas necessárias têm a palavra certa,
na hora certa. E sabem falar.

E ouvir.

Pessoas necessárias nem sempre têm
o mesmo sangue da gente.

Às vezes são aquelas que conhecemos
durante o caminho. E que tornam a caminhada
mais amena. Mais alegre.

Pessoas necessárias são assim.

Necessárias.

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