Mês: novembro 2015



Nós e o dinheiro

escrava

Eu tenho muita dificuldade de lidar com generalizações. Aliás, a única generalização que aceito sem questionar é “toda proparoxítona é acentuada”. Fora esse exemplo, inquieto-me com frases que usam “sempre” e “nunca”, por exemplo. Ou “todo”, “tudo” e “ninguém”.

Além disso, também me incomodo com opiniões extremadas, com afirmações inflamadas de quem não reflete antes de externar o que pensa. E nesta época do ano, quando o espírito natalino se mistura -e se confunde – com o espírito consumista, vêm à tona as discussões em torno do consumo e, consequentemente, do dinheiro.

Uns defendem a tese de que ele não traz felicidade. Aí surge o coro dos engraçadinhos que retruca “mas manda buscar”. Outros sustentam o ponto de vista de que o dinheiro é o grande responsável pelas mazelas sociais e pelos problemas de relacionamento. “Viu o que aconteceu com aquela família na hora de dividir a herança?”.

Por outro lado, alguém responde que sem dinheiro a gente não é nada, que todo esse blá blá blá se esvai quando as contas chegam e o saldo ado banco está no vermelho. Penso que seja necessário usar o bom senso para avaliar essa questão, afinal, o dinheiro e a falta dele fazem parte do nosso dia a dia.

Dinheiro é bom sim. Ele é bem-vindo, principalmente quando resultado de uma atividade lícita. Não que ganhar na loteria não seja bom, mas é prazeroso poder desfrutar dos benefícios financeiros que o trabalho traz. E o nosso trabalho não é só um “ganha pão”. A gente quer outras coisas além de pão. E isso pode incluir uma viagem para um lugar bem bacana.

Todos temos o direito de querer ter mais dinheiro amanhã do que temos hoje. Não há nenhum pecado nisso. Eu sou ambiciosa, nesse sentido. Mas não sou gananciosa. E o perigo está em se confundir ambição com ganância.

O ambicioso deseja ter uma vida melhor. Planeja um dia ter uma casa maior, ter um carro mais moderno, renovar o guarda-roupa. Ele traça metas e estabelece estratégias para conseguir fazer o que deseja. Mas o ambicioso quer sempre mais. Não se satisfaz. E pior: quer só pra ele. Não compartilha. Se precisar, vende a mãe para ter algum lucro.

Há uma frase ótima do Millôr Fernandes que resume bem essa reflexão: “o importante é ter sem que o ter te tenha”.
Bingo, Millôr!

Não há problema se usarmos o dinheiro. O risco é deixar que ele nos use. Por isso, um tantinho de sensatez faz tão bem quanto alguns zeros à direita na nossa conta bancária.

O dinheiro não tem vida própria. Usá-lo – bem ou mal – é uma escolha nossa.

2 Comentários


Filosofia de Homer Simpson

insatisfação

Segundo o dicionário, “insatisfação” é “falta de contentamento, sensação de desagrado”.

Já para “satisfação” uma dos significados possíveis é “prazer que advém da realização do que se espera; alegria”.

Ou seja: é óbvio que, para ser mais feliz, a pessoa precisa estar satisfeita.

Não uma satisfação que queira dizer “está bom assim” e nos tire a capacidade de querer mais. Mas uma satisfação que nos deixe leves, que nos faça bem.

Satisfação com as relações afetivas, com a vida profissional, com o seu corpo. Só para citar alguns exemplos.

Entretanto, nem sempre isso depende só de nós.

Às vezes a insatisfação se instala porque forças maiores tomam conta da nossa história. E, por um tempo, precisamos aprender a viver insatisfeitos.

Mas isso preciso ter data para acabar. Senão a vida perde o sabor.

Se não estamos satisfeitos com a nossa vida profissional, é preciso planejar ações que nos levem para novos rumos. Reclamar dia e noite sem parar não resolve. É preciso agir.

Se não estamos satisfeitos com algum relacionamento – familiar ou social – é necessário avaliar o que vale a pena. E quem vale a pena. Insistir em relações desgastadas é um jogo perigoso de faz de conta.

Se queremos melhorar nosso corpo – por saúde, em primeiro lugar, mas também por autoestima – não adianta jogar a culpa na comida. Ou na falta de tempo para exercícios. Se existe vontade, existe atitude.

Porque uma vida cheia de insatisfações é feito areia movediça.

Ela nos suga aos poucos. E, quando percebemos, já estamos presos.

Presos na insatisfação.

Presos na reclamação.

Presos na preguiça da mudar…

1 Comentário