Nós e o dinheiro

escrava

Eu tenho muita dificuldade de lidar com generalizações. Aliás, a única generalização que aceito sem questionar é “toda proparoxítona é acentuada”. Fora esse exemplo, inquieto-me com frases que usam “sempre” e “nunca”, por exemplo. Ou “todo”, “tudo” e “ninguém”.

Além disso, também me incomodo com opiniões extremadas, com afirmações inflamadas de quem não reflete antes de externar o que pensa. E nesta época do ano, quando o espírito natalino se mistura -e se confunde – com o espírito consumista, vêm à tona as discussões em torno do consumo e, consequentemente, do dinheiro.

Uns defendem a tese de que ele não traz felicidade. Aí surge o coro dos engraçadinhos que retruca “mas manda buscar”. Outros sustentam o ponto de vista de que o dinheiro é o grande responsável pelas mazelas sociais e pelos problemas de relacionamento. “Viu o que aconteceu com aquela família na hora de dividir a herança?”.

Por outro lado, alguém responde que sem dinheiro a gente não é nada, que todo esse blá blá blá se esvai quando as contas chegam e o saldo ado banco está no vermelho. Penso que seja necessário usar o bom senso para avaliar essa questão, afinal, o dinheiro e a falta dele fazem parte do nosso dia a dia.

Dinheiro é bom sim. Ele é bem-vindo, principalmente quando resultado de uma atividade lícita. Não que ganhar na loteria não seja bom, mas é prazeroso poder desfrutar dos benefícios financeiros que o trabalho traz. E o nosso trabalho não é só um “ganha pão”. A gente quer outras coisas além de pão. E isso pode incluir uma viagem para um lugar bem bacana.

Todos temos o direito de querer ter mais dinheiro amanhã do que temos hoje. Não há nenhum pecado nisso. Eu sou ambiciosa, nesse sentido. Mas não sou gananciosa. E o perigo está em se confundir ambição com ganância.

O ambicioso deseja ter uma vida melhor. Planeja um dia ter uma casa maior, ter um carro mais moderno, renovar o guarda-roupa. Ele traça metas e estabelece estratégias para conseguir fazer o que deseja. Mas o ambicioso quer sempre mais. Não se satisfaz. E pior: quer só pra ele. Não compartilha. Se precisar, vende a mãe para ter algum lucro.

Há uma frase ótima do Millôr Fernandes que resume bem essa reflexão: “o importante é ter sem que o ter te tenha”.
Bingo, Millôr!

Não há problema se usarmos o dinheiro. O risco é deixar que ele nos use. Por isso, um tantinho de sensatez faz tão bem quanto alguns zeros à direita na nossa conta bancária.

O dinheiro não tem vida própria. Usá-lo – bem ou mal – é uma escolha nossa.

2 comentários sobre “Nós e o dinheiro

  1. RICARTE REGGIO 8 de dezembro de 2015 14:04

    faltou um S …… “o importante é ter (S)em que o ter te tenha”.Abraços Lu Oliveira ….. e parabéns por seus comentários ( e também de José Pedriali, Fernanda Rossi,Diniz Neto, Francês,Julio Bahr,Edson Lima e Regiani) que eu acompanho com muito gosto aqui de São Paulo.Grande abraço…..

  2. Igor Pinto Dias 9 de setembro de 2016 13:35

    O dinheiro deve ser tratado como o amor, deve ser dado de uma forma natural e recebido de igual forma. Deve circular de uma forma espontanea pelo mundo e quem foge muito deste paradoxo nunca conseguirá enriquecer. Não se apegue. Viva. Isso também é uma forma de ser rico 😉

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