Mês: março 2016



Orgulho de ser elite

elite

Escrever o que penso tem seu preço, mas, como posso pagar em 3x no cartão, tornarei público um sentimento que me invade a alma neste momento: tenho orgulho de ser elite.

Mas não a elite do dicionário, o qual traz, dentre outros significados, o termo “escória”. Não a elite que simboliza pessoas que se julgam superiores às outras por causa da conta bancária.

A elite que batalha do nascer ao pôr-do-sol para conquistar seu espaço. E não estou falando necessariamente de uma varanda gourmet.

Aliás, faz pouco tempo que descobri pertencer à elite. Me disseram “não concorda conosco? então você é da elite!”. Foi um salto e tanto. Uma baita ascensão.

Quando fiquei sabendo, em um ímpeto quase coloquei um anúncio no jornal contratando um motorista e uma governanta. Sei lá… sempre achei que a elite deveria ter um motorista e uma governanta.

Mas… querem saber? É bom ser da elite.

Porque sou de uma elite que trabalha, que paga rigorosamente seus impostos. Sou de uma elite que para na faixa de pedestre e que não joga lixo no chão.

Sou de uma elite que acorda às 5h30 e dorme ao badalar das 23h30. Uma elite que dá aula, escreve, corrige texto, lava, cozinha, faz bolo de chocolate, faxina e compras no supermercado.

Sou da elite sim. Por isso tenho casa própria, um carro e celular. Mas, pasmem vocês, nunca ganhei na loteria. Nem roubei. Nem me vendi.

Sou da elite que sua a camiseta. Ou o jaleco, no meu caso. Sou da elite cujos pais não puderam oferecer nada além da escola pública.

Talvez por ser da elite, eu pergunte a quem me passa um número de telefone “é da TIM?”. Ou então peça para a vendedora da loja parcelar a minha compra. Elite que se preza não paga à vista.

Eu sou elite. Elite branca. Mas se eu trabalhar menos posso ter mais tempo para pegar um solzinho e me transformar em elite bronzeada.

No fundo acho que quem critica a elite queria mesmo é ser como ela.

Como não consegue, melhor mandar pra fogueira.

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Nhenhenhém

fiona

Quem acompanha meu trabalho  – aqui pelo blog, pelo Facebook, pela coluna “Francamente” ou pelos meus livros – sabe que sou avessa às generalizações típicas das datas comemorativas.  E não seria diferente com as homenagens ao “dia da mulher”. 

Aos 42 anos, não tenho muita paciência para isso. Aliás, quem sabe por ser mãe só de meninos, o universo rosa não tem apelo comigo. Faço Muay Thai com luva azul e prefiro a Fiona à Cinderela, a qual acho uma sonsa (como assim deixar um sapato pra trás???).

Perdoe-me, meia dúzia de fãs, mas esta sou eu.

E não creio que 8 de março seja um dia para encher de mimos  todas as mulheres, sem exceção. É fato que muitas, anônimas ou famosas, merecem aplausos. E merecem pelo que fazem e pelo que são. Por cuidarem da sua própria vida e por zelarem pela vida das pessoas que amam. Mas não apenas por pertencerem à espécie feminina. Não concordo com a teoria “sou mulher, logo mereço ser parabenizada”.

Há exemplares que não fazem jus a todo esse “nhenhenhém” que envolve a data. Não merecem a flor oferecida pelo supermercado, nem as faixas rosas das lojas, tampouco as frases bonitas que circulam pelas redes sociais.

Há mulheres – e vocês sabem que isso é verdade – que não merecem respeito simplesmente porque não respeitam a si mesmas e porque não entenderam o valor da sua história. Abandonam a família, comportam-se como meros pedaços de carne, enganam, puxam o tapete da colega de trabalho, ignoram a dor do outro, roubam, matam.

Para elas, vaias, por favor, e não bombons, buquês e poemas do mestre Drummond.

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