Mês: junho 2016



Estado civil: feliz

Exibida pela Rede Globo de maio de 1979 a dezembro de 1980,  a série Malu Mulher tornou-se um marco na televisão brasileira por abordar um tema delicado para a sociedade da época: a separação conjugal.

Interpretada pela brilhante Regina Duarte, a personagem Malu era uma mulher recém-separada que lutava para continuar sua trajetória. Com uma filha de 12 anos para criar, enfrentava uma série de dificuldades, não só financeiras, mas também emocionais, visto que se sentia culpada por deixar a garota sozinha quando saía para trabalhar.

Entretanto, mesmo com todas as pedras no caminho, a protagonista manteve a sua decisão de terminar o casamento de 13 anos, principalmente depois de descobrir a infidelidade do marido. O primeiro episódio, que relata toda essa situação, recebeu o título de Acabou-se o que era doce.

A frase é bem apropriada.Para quem quem tinha depositado todas as suas expectativas em um casamento “até que a morte os separe”, o divórcio veio mostrar que tudo não passara de uma doce ilusão.

Trinta anos atrás, a maioria das mulheres divorciadas era vista por onde passava como uma fracassada,como alguém que não havia desempenhado o seu papel de maneira a “segurar” o marido. Além dos olhares e julgamentos alheios, muitas delas tinham o seu emocional seriamente afetado quando constatavam que o “felizes para sempre” era uma promessa dos contos de fada que nem sempre correspondia à vida real.

E assumir em público o estado civil “divorciada” era quase um constrangimento. Da mesma maneira, nas décadas de 40 e 50, por exemplo,  a jovem que chegasse aos 20 anos ainda solteira recebia o carimbo de “encalhada”. Hoje, com tantas transformações pelas quais passou a nossa sociedade, mudou bastante a forma como as pessoas veem o estado civil de uma mulher.

Apesar de as relações efêmeras e meramente carnais serem frequentes, é pouco provável que um casal resolva juntar escovas de dente e afins já pensando na separação. Mas acontece. E como acontece. Nesses casos, mesmo com todo o sofrimento que o divórcio causa, a adultos e a crianças, a figura feminina já não precisa se preocupar com os olhares tortos na rua apenas porque se separou do marido.

Mulheres de 30 anos e solteiras não são cobradas por ainda não terem subido ao altar. Quer dizer, sempre haverá um espírito de porco que fará isso, mas será minoria. A dedicação à carreira profissional antes de se pensar em casamento e filhos é bastante natural.

O mais importante é que à mulher caiba o direito de escrever a sua história. Ela poderá ostentar o título de “Miss Independente”, com qualquer idade, sempre que escolher estar – ou não – com alguém. O mais importante é que a “solteirice” , o casamento ou a separação sejam escolhas maduras, feitas com sobriedade, e não no calor da hora. A viúva é a única a quem esse direito é ceifado. Do restante, nada melhor que inteligência e emoção na dose certa para que a melhor atitude seja tomada.

Preocupar-se demais com os rótulos sociais pode tirar da mulher o melhor estado civil que se pode ter: feliz.

 

 

6 Comentários