Estado civil: feliz

Exibida pela Rede Globo de maio de 1979 a dezembro de 1980,  a série Malu Mulher tornou-se um marco na televisão brasileira por abordar um tema delicado para a sociedade da época: a separação conjugal.

Interpretada pela brilhante Regina Duarte, a personagem Malu era uma mulher recém-separada que lutava para continuar sua trajetória. Com uma filha de 12 anos para criar, enfrentava uma série de dificuldades, não só financeiras, mas também emocionais, visto que se sentia culpada por deixar a garota sozinha quando saía para trabalhar.

Entretanto, mesmo com todas as pedras no caminho, a protagonista manteve a sua decisão de terminar o casamento de 13 anos, principalmente depois de descobrir a infidelidade do marido. O primeiro episódio, que relata toda essa situação, recebeu o título de Acabou-se o que era doce.

A frase é bem apropriada.Para quem quem tinha depositado todas as suas expectativas em um casamento “até que a morte os separe”, o divórcio veio mostrar que tudo não passara de uma doce ilusão.

Trinta anos atrás, a maioria das mulheres divorciadas era vista por onde passava como uma fracassada,como alguém que não havia desempenhado o seu papel de maneira a “segurar” o marido. Além dos olhares e julgamentos alheios, muitas delas tinham o seu emocional seriamente afetado quando constatavam que o “felizes para sempre” era uma promessa dos contos de fada que nem sempre correspondia à vida real.

E assumir em público o estado civil “divorciada” era quase um constrangimento. Da mesma maneira, nas décadas de 40 e 50, por exemplo,  a jovem que chegasse aos 20 anos ainda solteira recebia o carimbo de “encalhada”. Hoje, com tantas transformações pelas quais passou a nossa sociedade, mudou bastante a forma como as pessoas veem o estado civil de uma mulher.

Apesar de as relações efêmeras e meramente carnais serem frequentes, é pouco provável que um casal resolva juntar escovas de dente e afins já pensando na separação. Mas acontece. E como acontece. Nesses casos, mesmo com todo o sofrimento que o divórcio causa, a adultos e a crianças, a figura feminina já não precisa se preocupar com os olhares tortos na rua apenas porque se separou do marido.

Mulheres de 30 anos e solteiras não são cobradas por ainda não terem subido ao altar. Quer dizer, sempre haverá um espírito de porco que fará isso, mas será minoria. A dedicação à carreira profissional antes de se pensar em casamento e filhos é bastante natural.

O mais importante é que à mulher caiba o direito de escrever a sua história. Ela poderá ostentar o título de “Miss Independente”, com qualquer idade, sempre que escolher estar – ou não – com alguém. O mais importante é que a “solteirice” , o casamento ou a separação sejam escolhas maduras, feitas com sobriedade, e não no calor da hora. A viúva é a única a quem esse direito é ceifado. Do restante, nada melhor que inteligência e emoção na dose certa para que a melhor atitude seja tomada.

Preocupar-se demais com os rótulos sociais pode tirar da mulher o melhor estado civil que se pode ter: feliz.

 

 

6 comentários sobre “Estado civil: feliz

  1. maso 9 de setembro de 2012 06:00

    Lu
    Fala se muito da mulher, pouco do homem.
    Que bom que a mulher se emancipou, ganha seu dinheiro, e pode cuidar de sua vida sozinha.
    Digo as minhas filhas: Preparem se para a vida, estudem, trabalhem, não dependam de homem. Não sejam um peso para ninguém!

  2. Maykon Johny 9 de setembro de 2012 13:10

    A diferença entre as afinidades ortodoxas e as afinidades líquidas é praticamente a mesma existente entre o emprego público e o emprego privado.

    No emprego público, a estabilidade proporciona uma sensação de segura tão letárgica e tão paralisante que o zelo pela manutenção de um trabalho feito com amor e comprometimento se torna quase desnecessário. Afinal, “somente a morte irá nos separar”.

    No emprego privado, por sua vez, o medo de se tornar dispensável e a obrigação de convencer diariamente (diariamente!) o patrão de que você faz muita falta para a empresa, se torna uma sombra atormentadora e propulsora de toda sorte de neuroses. Afinal, “quem não dá assistência, abre concorrência”, ou ainda, “a fila anda, meu bem”.

    Mas o que, então, elas têm em comum? A preocupação exclusiva com o “eu” e a total ausência do amor ao outro.

  3. Thaise Roth 10 de setembro de 2012 18:21

    Para mim é muito complicado essa visão de pensar na carreira profissional antes de casar e ter filhos! Sempre que ouço as pessoas dizerem, parece que ter filhos e casar é um PESO!

    Outro dia, eu e meu marido chegamos a essa conclusão. Diante de tantos comentários: “Isso mesmo aproveite para curtir a casa e um ao outro, enquanto vocês ainda não tem filhos!”. Como se nossa vida fosse acabar depois disso e não se completar!

    Realmente se colocar os filhos em primeiro lugar, em vez da família, além deles serem um problema futuramente, acaba mesmo o casal, consequentemente, toda a família!

    Também acho que fala-se pouco sobre o que os homens sentem e acham de toda essa situação. Pelo que vejo homem assume a família e a vida profissional AO MESMO TEMPO!

    Entendo perfeitamente que exista o período natural de dedicação que só a mulher pode fazer, gravidez, parto e amamentação. Mas do resto, tem como dar conta JUNTOS! Conheço uns 3 homens que cuidam dos filhos sozinhos e dão de 10 a zero em muita família com pai e mãe em casa. E muitas mães solteiras que deixam muito a desejar!

    Acho que esse papo de diferenças entre homens e mulher, mulher isso, homem aquilo, ás vezes, enche o saco! Nada pode ser generalizado nesse mundo em que vivemos.

    Assisti um filme nacional esse fim de semana para lá de interessante, recomendo: “E aí, comeu?!.

    Mostra a visão do homens sobre a vida e como eles se sentem em relação as diversas situações do dia dia. ADOREIIII!

  4. AGNALDO 15 de setembro de 2012 00:27

    OI, NOSSA, AGORA FICOU DIFICIL, ONDE EU ACOMPANHO VC, PELOS LIVROS, PELA TELEVISÃO, PELO BLOG, PELO JORNAL…RSRSRSRSRSRS! UM GANDE ABRAÇO,BOM FINAL DE SEMANA!

    P.S.: A NUTELLA ESTÁ GUARDADA.

  5. Adrianopdu 16 de setembro de 2012 13:25

    Ainda bem que os tempos mudaram rssss, só que as coisas evoluíram demais, e ainda hoje é difícil de aceitar algumas premissas básicas, mas é a vida e temos que aceitar as coisas do jeito que ela é, mas nao é obrigação achar que é normal, é simplesmente aceitar porque as coisas hoje são assim. Parabéns as mulheres que evoluíram e hoje são independente, agora o resto não considero evolução, considero a deixa pra la…..

  6. FABY 17 de setembro de 2012 11:05

    Oiii Prô!!!
    Adorei esse texto, como sempre adoro oq vc escreve. Era exatamente oq eu precisava “ouvir”. Nada melhor do q ter como estado civil: feliz
    Beijos

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