Mês: julho 2016



Preparados para a morte?

A cena não é inédita: ao redor do caixão, familiares choram a perda de um ente querido. Em meio aos abraços apertados dos que tentam consolar os familiares,  em meio ao clima de comoção, frases como “Seja forte”, “Vai passar”, “Agora ele(a) está descansando…”.

Estive hoje no velório da mãe de uma amiga querida e pensei em como desejamos estar preparados para a morte. Mas não estamos. Nunca estaremos.

Mesmo quando o calvário de uma doença dura anos, mesmo quando alguém já está com idade avançada, mesmo quando um avó ou avô sofreram em uma cama de hospital, é muito difícil exigir “sejamos fortes” no momento da morte de quem amamos.

Não precisamos ser fortes nessa hora de dor dilacerante. Isso não quer dizer que precisemos sair gritando pela rua, desesperados, culpando Deus.

Mas acho que todo mundo tem o direito ao sofrimento. Viver o luto e tudo que ele traz é até  importante para o processo de superação. Uma superação que pode durar dias, semanas, meses, anos. Cada um  administra a saudade de uma maneira muito singular.

Conviver com a ausência parece meio paradoxal, mas é isso que acontece quando quem amamos morre. É preciso se acostumar com as consequências dessa ausência. E isso dói… não dá para ser diferente.

Talvez fosse o caso de não pensarmos tanto em estar preparados para a morte das pessoas que amamos. Talvez fosse o caso de pensarmos mais em nos preparar para curtir a vida ao lado delas. Pelo menos assim, quando a morte chegar, teremos certeza de que valeu a pena.

 

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