Filosofia de Homer Simpson

insatisfação

Segundo o dicionário, “insatisfação” é “falta de contentamento, sensação de desagrado”.

Já para “satisfação” uma dos significados possíveis é “prazer que advém da realização do que se espera; alegria”.

Ou seja: é óbvio que, para ser mais feliz, a pessoa precisa estar satisfeita.

Não uma satisfação que queira dizer “está bom assim” e nos tire a capacidade de querer mais. Mas uma satisfação que nos deixe leves, que nos faça bem.

Satisfação com as relações afetivas, com a vida profissional, com o seu corpo. Só para citar alguns exemplos.

Entretanto, nem sempre isso depende só de nós.

Às vezes a insatisfação se instala porque forças maiores tomam conta da nossa história. E, por um tempo, precisamos aprender a viver insatisfeitos.

Mas isso preciso ter data para acabar. Senão a vida perde o sabor.

Se não estamos satisfeitos com a nossa vida profissional, é preciso planejar ações que nos levem para novos rumos. Reclamar dia e noite sem parar não resolve. É preciso agir.

Se não estamos satisfeitos com algum relacionamento – familiar ou social – é necessário avaliar o que vale a pena. E quem vale a pena. Insistir em relações desgastadas é um jogo perigoso de faz de conta.

Se queremos melhorar nosso corpo – por saúde, em primeiro lugar, mas também por autoestima – não adianta jogar a culpa na comida. Ou na falta de tempo para exercícios. Se existe vontade, existe atitude.

Porque uma vida cheia de insatisfações é feito areia movediça.

Ela nos suga aos poucos. E, quando percebemos, já estamos presos.

Presos na insatisfação.

Presos na reclamação.

Presos na preguiça da mudar…

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Eu, cliente

cliente

Em qualquer empresa, pequena, média ou grande, os colaboradores deveriam ser sempre treinados quanto à sua postura profissional.

E isso vale para qualquer função.

Ontem, em um posto de combustíveis, a moça do caixa fazia o meu atendimento e falava ao telefone ao mesmo tempo. E o aparelho não tocou durante o atendimento. Ela tomou a iniciativa da ligação. Dependendo da frase, não sabia se era para mim ou para quem estava do outro lado da linha.

Pode parecer bobagem, mas não é. Eu gosto de atenção. Mesmo que seja por 2 ou 3 minutos.

Mas não foi só isso.

Ao desligar, dirigiu-se a um colega e disse “olha só o que aquele retardado fez”. E mostrou um documento a ele. Pelo que entendi, o “retardado” era outro colaborador.

Fazer críticas a um colega de trabalho na presença do cliente, ainda mais com esse tipo de vocabulário, é de uma falta de bom senso gritante.

Trabalho com comunicação corporativa no Instituto Voz e constantemente abordo o tema com as turmas.

Às vezes vejo empresas investindo de mais em estrutura física e de menos no material humano.

E eu prefiro um bom atendimento a um lugar bonito e confortável.

Porque, ao contrário dos móveis e do ar-condicionado, a experiência de ter sido bem atendida eu levo comigo.

E passo adiante.

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Prepare o verão para o seu corpo

beleza

“Prepare seu corpo para o verão”. Não, obrigada. Não vou preparar meu corpo para o verão. Ele é que venha preparado para o meu corpo.

Preparado para minhas celulites. Preparado para minhas estrias. Preparado para meu culote.

Prepara-se, verão.

Você vai encontrar flacidez e varicoses.

Prepare-se, verão.

Você vai encontrar uma mulher que não corresponde aos padrões estéticos estabelecidos pelas passarelas e pelas capas de revista.

Prepare-se, verão.

Prepare-se para uma mulher que se exercita, que se policia com a alimentação, mas, que, mesmo assim, não poderia estar na propaganda de cerveja.

Que bom.

Porque sou uma mulher que se curte, mesmo sem pertencer a esses benditos padrões.

É claro que às vezes a gente se irrita quando a roupa que está tão linda na vitrine não passa na coxa.
É claro que às vezes a gente sente inveja daquela famosa que tem um corpo cheio de curvas.

Mas a maioria das mulheres são assim… reais… e são realmente bonitas. Principalmente quando elas se sentem bonitas.

Por isso, verão, prepare-se mesmo. Você vai me ver de biquíni na praia.

E é bom estar preparado.

Porque eu vou arrasar na areia…

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Sobre axilas peludas

peludas

Não me lembro do meu primeiro sutiã, mas me lembro da primeira vez em que usei uma lâmina para depilar minhas pernas. Eu deveria ter uns 12 anos e, mesmo sem ter a vaidade que a maioria das meninas dessa idade têm hoje, fiquei feliz em deixar de ter pernas cabeludas. Com o passar do tempo, também aprendi a usar esse método para deixar minhas axilas lisinhas. E sempre me senti bem assim.

Trouxe essa lembrança à tona porque há pouco dias fiz um comentário no Facebook acerca desse tema. Uma postagem dizia que famosas estavam indo contra a moda e deixando suas axilas peludas. Escrevi que me depilo por higiene, não por moda.

Mas há quem defenda a tese de que a depilação feminina – seja de qualquer parte do corpo – é uma demonstração de submissão, como se estivéssemos tendo uma obediência canina a alguma imposição masculina.

Eu sinceramente penso que haja um certo exagero nesse tipo de observação. Ou pelo menos alguma generalização. Já manifestei várias vezes que não sou feminista. Sou apenas feminina. Não sou daquelas que queimam sutiã em praça pública. Pelo contrário. Acho essa peça uma das grandes invenções da humanidade e sou grata a quem o criou. Seria a primeira a pegar um extintor para salvá-lo.

Gracinhas à parte, reconheço a luta das que, de diversas maneiras, tentam reverter a imagem feminina que a mulher tem na sociedade, principalmente aquela que é reforçada pelo discurso machista. Não sou poucas as vezes em que os homens usam e abusam do seu instinto de macho alfa.

Mas às vezes me incomodo com posturas extremistas.

A vaidade, por exemplo, é condenada por alguns grupos feministas. Eu sou vaidosa, mas não sou fútil. Cuido da embalagem, mas tenho conteúdo. Se passo batom vermelho, não é porque me rendo à indústria de cosméticos. É porque me sinto mais bonita com ele. Se faço questão de estar com as unhas feitas e o cabelo escovado, não é porque eu seja escrava de padrões. É simplesmente porque me sinto bem assim.

Escolhi me casar. Escolhi ter filhos. Escolhi ter dupla jornada (há dias que até tripla). Não fiz isso por nenhuma imposição social ou religiosa. Não sou a provedora da minha casa e nem pretendo ser. Acho ótimo que meu marido dê conta das despesas e eu apenas colabore. Não tenho a mínima pretensão de estarmos equiparados nesse sentido. Aliás, os papéis são bem definidos por aqui e não me sinto dominada por causa disso.

Minha luta – como mulher – é pelo direito à escolha.

Cada uma de nós deve ter o maravilhoso poder da escolha. Do cumprimento do cabelo ao estado civil. Do destino da viagem de férias à opção da maternidade.

Eu escolhi depilar minhas axilas. Quem escolheu o contrário que seja feliz.

Mas, por favor, não venha me dizer que isso me torna submissa.

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Pessoas necessárias

necessárias

Há pessoas que são necessárias.
Necessárias pra sermos mais felizes.

Não que precisemos delas pra viver.
Assim, feito oxigênio.

Conseguimos respirar na sua ausência.
Mas é mais difícil. O peito dói.

Pessoas necessárias nos fazem rir.
E sorrir.

E, caso choremos, estão por perto.

Pra enxugar as lágrimas.
Pra explicar o motivo delas.

Ou quem sabe pra nos dizer que elas
não têm motivo.

Pessoas necessárias nos fazem bem.
Sua simples presença nos encoraja.

Não dizem o que queremos ouvir.
Mas o que precisamos.

Pessoas necessárias têm a palavra certa,
na hora certa. E sabem falar.

E ouvir.

Pessoas necessárias nem sempre têm
o mesmo sangue da gente.

Às vezes são aquelas que conhecemos
durante o caminho. E que tornam a caminhada
mais amena. Mais alegre.

Pessoas necessárias são assim.

Necessárias.

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O homem do avesso

homem

Mais um dia. Mais um dia como tantos outros. Ao som do despertador, abriu os olhos, assustado. Não, não estava atrasado. Mas era aquele barulho. Aquele barulho não era apenas o prenúncio de que de novo faria as mesmas coisas, viria as mesmas pessoas, andaria pelos mesmos lugares. Aquele barulho era a prova de que a sua vida era comum demais, previsível demais. E isso o assustava. Assustava aquele homem de grande porte, de voz imponente, mas de vida vazia.

Depois do banho, vestiu-se como de costume. Ao se olhar no espelho, percebeu que havia colocado a camiseta do avesso. Não fez o gesto automático de tirá-la e vesti-la corretamente. Começo a observar melhor as marcas que identificavam o avesso. E gostou. E decidiu. Daquele dia em diante, seria um homem do avesso.

No elevador, a senhora de rosto fechado apenas fixou os olhos na roupa, mas não disse nada. No trabalho, os amigos riram dele. Na fila do banco, percebeu os olhares oblíquos, mas que reparavam nas marcas do seu avesso. E gostou. E decidiu. Seria mesmo um homem do avesso.

Então abandonou seu lado direito. Enterrou-o e colocou uma placa com os dizeres “Aqui jaz meu lado direito”. E por que raios o avesso não era direito? Ele era muito direito sim. Era o lado certo para ele. Era bom viver do avesso.

Continuava se importando com as pessoas que amava. Continuava buscando o melhor caminho para sua vida. Continuava pensando antes de fazer suas escolhas.

Mas não era mais o lado direito que comandava sua vida. Aliás, ele nem mais existia. Era o avesso que mandava. Era bom ser um homem do avesso.

Sentiu-se mais livre ao não sofrer com as cobranças alheias. Sentiu-se melhor por não se cobrar para corresponder às expectativas dos outros. Sentiu-se mais leve por andar na rua de outra maneira. Ele andava do avesso. E assim, sendo do avesso, começou a ser feliz.

Nem todos entenderam seu jeito avesso. Muitos só tinham explorado o lado direito a vida toda e qualquer um que fosse do avesso era quase um perigo. Mas era um preço que estava decidido a pagar.

O som do despertador continuava o mesmo. Mas já era mais o prenúncio de um dia previsível. Pessoas do avesso não têm dias previsíveis. Pessoas do avesso escrevem a sua história.

E o homem do avesso estava escrevendo a sua.

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Prefira sapos a príncipes

sapos

Prefira sapos a príncipes.

Acredite: os contos de fadas só
atrasam sua vida. Não à toa a gente
conta para as crianças dormirem.

Eles dão sono mesmo.

Sapos podem ser infinitamente
mais interessantes.

Príncipes são previsíveis.

Insossos.

E, é claro, procuram por princesas.

De preferência bem dóceis e bobinhas.

Daquelas que se derretem só com uma
bitoca e um convite pra andar a cavalo
pela floresta.

É isso.

Se você encontrar um príncipe, evite-o.

Se encontrar um sapo, vá em frente.

E, ao beijá-lo, não espere pela transformação.

Curta o sapo.

Vai valer a pena…

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“Por que Deus me abandonou”?

balanço

Não são poucas as vezes em que, mesmo não admitindo, questionamos Deus.

Se Ele é tão poderoso, por que não atende aos nossos pedidos? Por que não age em nossa vida da maneira pela qual tanto clamamos?

E eu acho que, por conhecer tão bem a nossa fragilidade, a nossa humanidade, Deus releva esse tipo de questionamento.

Ele é Poderoso sim. É Onipotente e Onipresente. Mas nos concedeu o livre arbítrio. Concedeu-nos o divino – e humano – direito à escolha.

E escolhas têm consequências. Sabemos disso. Mas nos esquecemos disso.

Então, quando a vida toma rumos estranhos, quando essas consequências batem à porta, brota em nossos corações um sentimento de revolta. Um sensação de que fomos enganados.

“Por que Deus me abandonou?”.

Mas Ele não abandona. Aliás, está conosco desde quando éramos apenas um projeto no Seu coração de Pai.

Dizem – e eu acredito – que a porta do coração só tem maçaneta pelo lado de dentro.

Deus, mesmo com todo o Seu poder, não arromba essa porta. Não invade. Às vezes Ele até bate, faz um “toc toc”.

E às vezes não.

Há momentos em que fica quietinho, à espera de que abramos a porta e digamos “seja bem-vindo”.

É isso.

Antes de questionar é bom refletir. E sentir. E crer.

Porque Deus é fiel.

Nós é que nem sempre somos…

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Síndrome do balão de oxigênio

amor

Não acredito em amor à primeira vista.
Pode haver desejo à primeira vista. Tesão à primeira vista.
Mas amor? Ah, não… amor não vem no primeiro olhar.
Porque o amor é sentimento maduro, ao contrário da paixão, que é adolescente, quase insana.
Para os apaixonados, o futuro é um detalhe. O que importa mesmo é o presente. É estar junto o máximo de tempo possível.
Quem está apaixonado vive a “síndrome do balão de oxigênio”.
“Você é o ar que eu respiro”, diz ela, suspirando.
“Sem você eu não vivo”, responde ele, doce feito mel.
Mas quem ama sabe que o bom do amor é que ele não sufoca.
Não prende.
Pelo contrário. Amor é sentimento libertador.
Por isso é típico de pessoas sensatas, que não veem o outro como propriedade.
Mas, mesmo sendo equilibrado, o amor é intenso.
E é justamente essa intensidade que torna as relações duradouras.
Quem diz “eu te amo” depois de dois ou três abraços apertados e beijos demorados não sabe o que está fazendo.
Ou melhor: sabe sim. Está agindo impulsivamente. E o impulso é o responsável pelas relações efêmeras.
Aí, quando a história perde a graça, alguém diz “o amor acabou”.
Que nada…
Na verdade, ele nunca começou…

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Até quando?

ate_quando

Como a maioria dos cidadãos, estou indignada com o resultado trágico da manifestação dos servidores.

Mesmo a distância, mesmo pertencendo à rede particular, sempre manifestei meu apoio à classe. E minha arma não é um spray de pimenta. Minha não é uma bala de borracha. Minha arma não é uma bomba de gás lacrimogêneo.

Minha arma é a palavra. É com ela que me defendo. E ataco também.

O final decepcionante, no fundo, era esperado por todos nós. Não apenas a violência, mas a falta de vergonha na cara da maioria dos nobres deputados.

E só não sofremos mais porque a maior parte dos conchavos e das articulações ilícitas não vêm à tona. Mas dá pra imaginar.

Dá pra imaginar as conversas nos bastidores. As batidinhas nas costas durante os abraços. A frase “conto com você” dita em meio ao sorriso cínico. As gargalhadas durante os jantares caros.

Dá pra imaginar a troca de favores. A pressão para que o voto seja de acordo com a conveniência de quem manda mais. Algo como “quer garantir a ambulância? faça o que tem que ser feito.”.

Escrevi no Facebook que a preocupação deles com a sua integridade física é legítima. Afinal, quando já se perdeu a integridade moral, é de se compreender que o cuidado seja com o corpo.

E que se dane a população. Que se danem aquelas pessoas cujas mãos foram apertadas em cumprimentos durante o período eleitoral. Que se danem as escolas e os hospitais, também patrimônios públicos, mas que não precisam ser protegidos com unhas, dentes e sangue como a Assembleia.

Pelo ocorrido – e por tantas outras histórias de enojar – que ninguém me faz acreditar que o voto seja uma arma.

Só se for pra suicídio.

Sempre digo aos meus alunos pra evitarem terminar um texto opinativo com uma pergunta para a qual eles mesmos não tenham resposta.

Mas hoje vou infringir essa minha recomendação.

Até quando?

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