Ódio ideológico de Bolsonaro implode o “Mais Médico”

Em cinco anos de trabalho o programa Mais Médicos atendeu 113 milhões de pacientes em 3.600 municípios. Cerca de 88% dos profissionais admitidos no programa, que pode ser considerado revolucionário,eram de Cuba, onde se pratica uma das melhores e mais eficazes medicinas do mundo.

Agora, em protesto à ameaça feita pelo  presidente eleito de expulsar os médicos cubanos do Brasil,  o governo do país caribenho decidiu abandonar o programa, que possibilitou a presença de médicos em municípios que jamais tiveram um desses profissionais.

Tudo o que Bolsonaro diz sobre relações com outros países é que sua política externa não terá viés ideológico. No caso do Mais Médico o que houve não tem nada a ver com ideologia, mas sim com a  melhoria substancial no atendimento a populações dos mais pobres e longínquos municípios brasileiros.

Então, em nome da eliminação idiota de um viés ideológico que só a direita vê, milhões de pessoas pobres, inclusive mulheres e crianças , deixarão de ter a assistência médica que vinham tendo.

Confira a íntegra do documento enviado hoje pelo governo de Havana, comunicando o rompimento do acordo:

“O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante 55 anos têm guiado a cooperação médica cubana, participa desde seus começos, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, nessa altura presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir a atenção médica à maior quantidade da população brasileira, em correspondência com o princípio de cobertura sanitária universal promovido pela Organização Mundial da Saúde.

Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.

A participação cubana nele é levada a cabo por intermédio da Organização Pan-americana da Saúde e se tem caracterizado por ocupar vagas não cobertas por médicos brasileiros nem de outras nacionalidades.

Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113.359.000 pacientes, em mais de 3.600 municípios, conseguindo atender eles um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88 % de todos os médicos participantes no programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Baía, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 27 de setembro de 2016 o Ministério da Saúde Pública, em declaração oficial, informou próximo da data de vencimento do convênio e em meio dos acontecimentos relacionados com o golpe de estado legislativo-judicial contra a Presidenta Dilma Rousseff que Cuba “continuará participando no acordo com a Organização Pan-americana da Saúde para a implementação do Programa Mais Médicos, enquanto sejam mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais”, o que até o momento foi respeitado.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, fazendo referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-americana da Saúde e ao conveniado por ela com Cuba, ao pôr em dúvida a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa a revalidação do título e como única via a contratação individual.

As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis que não cumprem com as garantias acordadas desde o início do Programa, as quais foram ratificadas no ano 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-americana da Saúde e o Ministério da Saúde da República de Cuba. Estas condições inadmissíveis fazem com que seja impossível manter a presença de profissionais cubanos no Programa. Por conseguinte, perante esta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba decidiu interromper sua participação no Programa Mais Médicos e foi assim que informou a Diretora da Organização Pan-americana da Saúde e os líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa.

Não aceitamos que se ponham em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de seus familiares, prestam serviço atualmente em 67 países. Em 55 anos já foram cumpridas 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais participaram mais de 400 mil trabalhadores da saúde, que em não poucos casos cumpriram esta honrosa missão mais de uma vez. Destacam as façanhas de luta contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e o Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.

Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Igualmente, em Cuba formaram-se de maneira gratuita 35 mil 613 profissionais da saúde de 138 países, como expressão de nossa vocação solidária e internacionalista.

Em todo momento aos colaborados foi-lhes conservado seu postos de trabalho e o 100 por cento de seu ordenado em Cuba, com todas as garantias de trabalho e sociais, mesmo como os restantes trabalhadores do Sistema Nacional da Saúde.

A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo, demonstra que sim pode ser estruturado um programa de cooperação Sul-Sul sob o auspício da Organização Pan-americana da Saúde, para impulsionar suas metas em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas em cooperação triangular e a implementação da Agenda 2030 com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Os povos da Nossa América e os restantes do mundo bem sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.

O povo brasileiro, que fez com que o Programa Mais Médicos fosse uma conquista social, que desde o primeiro momento confiou nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, a sensibilidade e o profissionalismo com que foram atendidos, poderá compreender sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país”.

Havana, 14 de novembro de 2018.

 

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Petrobras vale menos 15%

O mercado financeiro ficou eufórico com a vitória de Jair Bolsonaro. Mal sabiam os pequenos investidores em ações da Petrobras que a companhia teria uma perda de R$ 59 bilhões nas duas primeiras semanas pós-resultado das urnas. É o que registra o site Informoney (braço da XP Investimentos). O risco Bolsonaro, que começou a ser constatado antes mesmo dele tomar posse, deixa o mercado com a pulga atrás da orelha.

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Congresso Nacional ajuda Bolsonaro a avançar sobre o FAT

De acordo com o artigo 239 da Constituição de 1988 recursos provenientes das contribuições  para PIS e PASEP devem ser destinados a programas que beneficiem o trabalhador, como seguro desemprego, abono social e cursos de qualificação profissional, promovidos inclusive por sindicatos obreiros. Outra parte deve ir para financiar programas de desenvolvimento econômico, via BNDES, com a finalidade de gerar empregos.

Ocorre que o FAT vem servindo pra muitas coisas menos para beneficiar o trabalhador. Parte substancial do  patrimônio superior a R$ 200 bilhões é alocado no BNDES, não para financiar a pequena e média empresa, como deveria ser , mas para financiar mega-empresários. Os desvios de finalidade vem comendo a grana pelas beiradas e ameaça deixar o trabalhador sem a proteção do fundo. Agora,  o Congresso Nacional vota projetos de lei que remaneja recursos da União. O FAT, por exemplo, levou um duro golpe esta tarde, com a aprovação de um PL que remaneja  meio bilhão de reais para o  Ministério da Justiça na gestão Sérgio Moro.

Já vinham fazendo estragos semelhantes com o dinheiro da seguridade social. Nas gestões Lula e Dilma o governo podia tirar até 20% , por meio de um mecanismo sacana chamada DRU. O percentual foi elevado para 30% no governo Temer. Essa tungagem, aliás , é tida como uma das responsáveis pelo déficit da previdência , agravado pelas dívidas gigantescas que grandes empresas têm para com o INSS.Mas você já sabe quem é que vai pagar a conta, não sabe? Isso mesmo, o trabalhador da ativa que  com a reforma  dificilmente conseguirá se aposentar antes de estar com um pé na cova.

 

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Massa crítica?Pra que massa crítica?

Na escola sem partido, prevista na “Lei da Mordaça”, pode acontecer de tudo. Segundo observa o senador Cristovam Buarque,  pode acontecer, por exemplo, que “ um aluno muçulmano vai filmar um professor que diga que Deus é brasileiro. Um cristão vai filmar um professor que diga que Deus é Alá. Gays vão filmar o professor que é contra a diversidade. Quem é contra os gays vai filmar o professor que defende a diversidade”.

Que escola é essa que querem criar no Brasil?  Acho que é uma escola de abestados, de alunos sem consciência crítica, que não questionam,  que não pensam e que por isso mesmo , são meros candidatos a dar consistência à massa…de manobra.

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Melhor nunca. E deu no que deu

Gostemos ou não do senador Cristovam Buarque, uma carta que ele mandou para a presidente Dilma em 2016 deveria servir de reflexão para a esquerda, sobretudo para o PT. O senador por Brasilia aconselhou: “A senhora já devia ter feito isso, mas nunca é tarde: vá ao Congresso e diga: “A partir de agora o meu partido é o Brasil, não é mais o PT”. Bolsonaro se apoderou dessa narrativa e chegou à presidência em 2018, coisa que nunca ninguém imaginou que pudesse acontecer.
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Governador do Maranhão dá um chega pra lá na Lei da Mordaça

Vem do Maranhão, onde um juiz aposentado chamado Flávio Dino dá uma verdadeira lição de liberdade,  a reação mais contundente à Lei da Mordaça que o presidente eleito quer aprovar no Congresso Nacional.

O governador reeleito com quase 70% dos votos editou decreto nesta segunda-feira, que garante escolas com liberdade e sem censura, conforme prevê o artigo 206 da Constituição Cidadã. Dino , que há quatro anos desbancou a família Sarney do poder estadual, é uma das referências democráticas que o eleitorado bafejou nas urnas este ano. Seu decreto surge como uma espécie de dique de contenção à onda nazi-fascista que toma conta do país.

Tudo fica mais claro após a fomentação , pelo presidente eleito, da indústria da delação a professores, que deverão ser filmados e denunciados por alunos quando esses acharem que os mestres estão tento comportamento suspeito em suas cátedras e que merecem,portanto, serem  mandados pra Cuba ou pra Venezuela. Se o Congresso Nacional aprovar a tal lei da mordaça, o país vai entrar na era da caça às bruxas.

Aliás, a caça às bruxas já começou com o ataque feito pelo presidente Bolsonaro em vídeo, a professores da Fundação João Pinheiro, em Minas. Esta fundação é  formadora de especialistas em administração pública e os ameaçados,  que  integram seu corpo docente,  são mestres e  doutores, alguns com doutorado e pós-doutorado em importantes instituições internacionais.

O professor  de história da Unicamp, Jorge Coli, adverte que de nada adianta tentar discutir com admiradores de Bolsonaro, “porque essa admiração é feita de crença cega e foge por inteiro da racionalidade. Tudo o que ele diz está certo. Ele não erra. Se pronunciar barbaridades sobe mulheres, gays e negros, somos nós que não entendemos bem, porque ele quis dizer outra coisa, de outro jeito. Se soltar um pum, dirão que é Chanel  número 5”.

 

 

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Moro leva sua primeira invertida

Na entrevista que concedeu ao Fantástico domingo, Sérgio Moro disse que será dele a última palavra sobre casos de corrupção no futuro governo. Enfim, ele é que decidiria quem fica e quem sai do governo, como se presidente fosse. Claro que Bolsonaro não gostou da brincadeira e tratou de começar um processo de esvaziamento do seu Posto Ipiranga-2 . De cara,  passou para o Posto Ipiranga-1, Paulo Guedes, o comando do  CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), até então  afeto à pasta que Moro ocupará a partir de janeiro.

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A Globo e o sequestro da verdade histórica

E a Globo sequestrou os reféns ( Da série Apontamentos de repórter) 

. Por José Maschio
O assalto seguido de sequestro ao Banco do Brasil, em 1988 na cidade de Goioerê (PR), era, até então, o mais longo assalto com reféns no país. Com o desfecho do caso, as atenções da mídia estavam voltadas para os relatos dos reféns.
No dia seguinte, natural que todos os jornais, emissoras de rádio e TVs procurassem os reféns para depoimentos no chamado rescaldo do caso. Havia, porém, um problema: os reféns haviam desaparecido. Não se encontrava ninguém na cidade. O caso era anormal para uma cidade pequena, onde todo mundo conhecia todo mundo.
E o batalhão de jornalistas organiza uma espécie de força-tarefa _esquecidas as concorrências entre os veículos_ para encontrar os reféns desaparecidos. Colegas que tinham horários (especialmente pessoal de TV e Rádio) apertados para a transmissão de notícias já se desesperavam. Sem reféns, como fazer o rescaldo do assalto?
E quando tudo parecia perdido, em um bar, um grupo de repórteres encontra o gerente do banco. Chateado com a situação, o gerente do Banco do Brasil dá o serviço. Os reféns haviam sido, todos, levados para uma chácara pelo pessoal da TV Globo. Para a gravação de um Globo Repórter.
O gerente fornece o endereço da chácara. Os jornalistas se reúnem e resolvem seguir em comboio até a referida chácara. Lá o pessoal da produção da Globo havia preparado um café da manhã para os reféns e autoridades.
A chegada do comboio incomoda a equipe da Globo, que não pode fazer nada para impedir entrada dos repórteres. A cena mais engraçada é a entrevista do então repórter global Domingos Meirelles com o prefeito de Goioerê.
A intenção da pauta, preparada antecipadamente, era mostrar Goioerê como uma típica cidade interiorana, onde cenas de violências fossem atípicas e, portanto, chocantes. E vai lá Meirelles a questionar o prefeito. Ele quer saber como foram aqueles dias de tensão em uma cidade pacata..
O prefeito, um nissei honesto, que conhecia a história do município, responde que não foi choque nenhum, pois Goioerê tinha histórias de muitas mortes … O repórter se desespera, insiste em gravar novamente e tenta orientar o prefeito a responder de acordo com o script planejado.
A insistência do prefeito em ser fiel à história arranca risos de colegas que acompanham as gravações. A gravação é suspensa. O que a equipe de produção do Globo Repórter não sabia, ou não queria enfocar, é que Goioerê havia sido palco, entre o final dos anos 50 até meados da década de 60 do século passado, de sangrentos conflitos agrários do Paraná. Em que muitos posseiros foram mortos na disputa com grileiros.
Depois de entrevistas feitas com autoridades e reféns, o comboio de jornalistas deixa a chácara e os entrevistados com a equipe da TV Globo. Quando o Globo Repórter foi ao ar, tudo que havia sido planejado na pauta estava lá. Goioerê era uma bucólica cidadezinha do interior paranaense sacudida pela violência do assalto com reféns. E o mais surpreendente: o prefeito nissei, com um riso constrangido, a falar exatamente o que a Globo queria: a violência era uma coisa inédita na vida do município

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Os dois “postos Ipiranga” do presidente

A gestão Bolsonaro terá como dois pilares de sustentação os “postos Ipiranga” Paulo Guedes e Sérgio Moro. O primeiro mandará na economia , estendendo seus tentáculos sobre áreas não tão afins quanto parecem, caso do trabalho.

O segundo “posto Ipiranga” é o ainda juiz Sérgio Moro, responsável pela proteção jurídica do governo, cuidando para que colegas do primeiro escalão  não escorreguem pela ladeira dos mal feitos. É aí que cabe a pergunta: como será o comportamento do segundo “posto Ipiranga” diante de denúncias  contra o primeiro, acusado  de obter vantagens econômicas em crimes de gestão temerária ou fraudulenta em fundos de pensão?

Pesa sobre Guedes também, o fato do Banco Bozano, do qual é sócio, estar sendo investigado pela Lava-Jato por envolvimento em esquemas criminosos de doleiros.

Moro conviverá com outros ministros acusados de mal feitos, mas um deles , o chefe da Casa Civil Onix Lorenzoni , envolvido em esquema de Caixa 2 , o juiz da Lava-Jato já perdoou.

Como se vê, será inevitável o super-ministro da Justiça e da Segurança se deparar com situações constrangedoras ao longo dos próximos quatro anos.

Não será nada fácil  para Moro, esperar tanto tempo por uma vaga no STF,  sem abalar sua imagem de  intransigente com a corrupção. Some-se à convivência com colegas de ministério não tão probos  quanto faria prever o discurso moralista do candidato Bolsonaro, o fato de que o combate a violência com mais violência deverá ser a tônica do próximo governo.

Estou curioso pra saber como agirá Sérgio Moro diante do uso de drones assassinos pelas forças de segurança que ele terá sob seu comando. A ordem, reproduzida pelo governador do Rio, que vai a Israel tratar do assunto em companhia de um dos filhos do presidente , é matar traficantes , “atirando na cabecinha”.

Adepto da tese de que “bandido bom é bandido preso” como  será  que o super-ministro da Justiça e da Segurança conviverá com o lema “bandido bom é bandido morto”?

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