Privatização: a falácia da eficiência

“Privatizar é um dos caminhos para a eficiência de serviços que devem ser públicos mas o estado não dá conta”. Esse é um dos argumentos dos privatistas, daqueles que se puderem privatizam tudo – da coleta de lixo à saúde; da cobrança de tributos à educação. O colunista da BBC Brasil Tim Vickery desmistifica esse discurso chinfrim (e desonesto) , pegando como exemplo a saúde:
“Na Grã-Bretanha, gasta-se 9,1% do PIB com saúde. Nos Estados Unidos, são 17,1% e subindo. Mesmo assim, na semana passada, quando a minha mãe sofreu um pequeno derrame, fiquei bem feliz que ela é inglesa e não americana. Ela foi bem e rapidamente tratada no hospital, e a recuperação está sendo acompanhada por uma equipe de especialistas que visitam a sua casa – sem que ela desembolse um centavo por tudo isso.

Claro que nada vem de graça. Alguém tem que pagar. Mas, por enquanto (já que isso é uma outra história), o país goza de um sistema socializado, financiado principalmente mediante impostos e sem cobranças, ou com contas pequenas para remédios.
Nos Estados Unidos, entretanto, o sistema é fragmentado e particular, visando o lucro. Os rios de dinheiro gastos não vão fluindo para um resultado eficiente, a não ser pelos acionistas. A expectativa de vida na Grã-Bretanha é de 81 anos – e somente 78,9 nos Estados Unidos.

A ideia de que a iniciativa privada é sempre a melhor e mais eficaz é uma das grandes falácias da nossa época. Fica evidente, por exemplo, que o seu modelo de saúde é negativo para o povo dos Estados Unidos em resultados e, principalmente, em custos”.

Quem teve a oportunidade de pelo menos folhear o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior , se deu conta do mal que o governo Fernando Henrique fez ao Brasil, privatizando tudo o que podia. Entregou de mão beijada empresas como a Vale do Rio Doce, estatal que tinha a exclusividade na exploração , por exemplo, das jazidas de ouro do país. Sub avaliada, a Vale foi vendida por pouco mais de três bilhões de dólares, quando valia mais de 100 bilhões. E o pior: parte do dinheiro do grupo que adquiriu a companhia ainda obteve dinheiro do BNDES para pagar o negócio.

Então é assim: a empresa passou a gerar lucros enormes para a iniciativa privada , ao ponto do seu primeiro balancete semestral mostrar que os lucros dos primeiros seis meses praticamente pagaram a aquisição. Antes, já haviam feito o mesmo com a Companhia Siderúrgica Nacional, outro crime de lesa pátria.

Agora o governo Temer quer forçar a barra para os Estados privatizarem, vejam só, suas empresas de energia e de saneamento básico. E aqui no Paraná, onde por muito menos Jayme Lerner jogou a Sanepar nas mãos de uma empresa francesa, que teve seu peso gerencial reduzido com Requião, Beto Richa se assanha para retomar com força total o seu projeto de entrega da Sanepar e da Copel ao capital privado. É  duro engolir tanta falácia, né?

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Barros e o toma lá-dá-cá no Ministério da Saúde

Matéria da revista Isto É:

“Agora sabe-se por que o titular da Saúde, Ricardo Barros, alugou um prédio do brasiliense Paulo Octávio por R$ 31 milhões sem licitação: ele financiou a campanha de sua esposa Cida Borghetti

Enquanto um despacha no principal gabinete do Ministério da Saúde, o outro atua no mercado imobiliário e da construção civil em Brasília. Até agora, a única ligação conhecida entre esses dois personagens da política nacional limitava-se à filiação ao mesmo partido: o PP. Mas o ministro Ricardo Barros e o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octávio se unem por outros elos que podem explicar por que o ministro da Saúde preferiu fazer um contrato de R$ 31,2 milhões sem licitação para locação do prédio do empresário a fim de abrigar a nova sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em 2014 (e não em 2010 como informou a reportagem anteriormente), a Construtora e Incorporadora Squadro Ltda, de propriedade de Paulo Octávio, destinou recursos para a vitoriosa campanha da mulher do ministro da Saúde, Cida Borghetti (PP), vice na chapa encabeçada por Beto Richa (PSDB) ao governo do Paraná.

Além de engordar os cofres da campanha da mulher de Ricardo Barros, naquele ano, a Construtora e Incorporadora Squadro também colaborou com o polêmico irmão da vice-governadora do Paraná, cunhado de Ricardo Barros. De acordo com registros do TSE, a empresa doou à campanha de Juliano Borghetti (PP) tanto a deputado estadual em 2010, como ao cargo de vereador, em 2008.

Ali, o espúrio “toma lá, da cá” já estava em marcha. Como todos sabem que, no submundo da política, não há almoço grátis, o “da cá” ocorreu em dezembro do ano passado, quando o ministro da Saúde decidiu alugar um prédio inteiro de Paulo Octávio para alocar servidores da Anvisa e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O contrato de aluguel foi firmado via chamamento público e sem licitação. Participaram da concorrência as empresas Inovar Construções, J. Fleuma Consultoria Imobiliária, Consórcio Premium Venâncio 2000, Antonio Venâncio da Silva Empreendimentos e NJR Participações. O Ministério da Saúde alega que o preço apresentado pela empresa do ex-vice-governador do DF é compatível com o valor de mercado – uma resposta padrão para encobrir a conveniente relação entre Paulo Octávio e Ricardo Barros”.

 

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Teoria do domínio do fato traz insegurança jurídica, diz jurista, que afirma ter o STF condenado Dirceu sem provas

É claro que grande parte da sociedade aplaudiu e ainda aplaude a condenação de Zé Dirceu, principal envolvido no Mensalão. Mas vindo de quem vem a observação, a sentença que colocou o ex-líder  petista na cadeia , quase que  numa pena de prisão perpétua, é preocupante.  Segundo Monica  Bergamo, a mais lida colunista da Folha de S.Paulo, “o jurista Ives Gandra Martins, que  divergiu sempre e muito de  Zé Dirceu, sustenta que o mesmo  foi condenado sem provas”.

Dirceu foi condenado pelo STF com base no que se denominou “teoria do doomínio do fato”. A adoção dessa teoria traz, para Gandra uma insegurança jurídica monumental. “A partir de agora, mesmo um inocente pode ser condenado com base apenas em presunções e indícios”, observa, Ives Gandra, de 78 anos de idade e 56 de advocacia, com dezenas de livros publicados, inclusive em parceria com alguns ministro do STF.

O professor emérito da Universidade Machenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra diz que o julgamento do escândalo do mensalão tem dois lados: “Um deles é positivo: abre a expectativa de “um novo país” em que políticos corruptos seriam punidos.

O outro é ruim e perigoso pois a corte teria abandonado o princípio fundamental de que a dúvida deve sempre favorecer o réu”.

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Requião vem aí para incendiar a sucessão estadual

Roberto Requião lançou ontem a sua pré-candidatura a governador. Sua plataforma de campanha tem como eixo central a defesa da Sanepar e da Copel, que Beto Richa vem tentando privatizar  desde o seu primeiro mandato e cujo sonho pode se concretizar ainda, principalmente porque o governo Temer coloca a privatização de estatais de energia e saneamento básico como contrapartida na renegociação das dívidas dos Estados.

A gestão Beto/Cida tem sido um desastre para a economia do Paraná , principalmente no que diz respeito à relação do Estado com os servidores da educação. As tarifas públicas – de água a IPVA, explodiram nos últimos três anos e os escândalos de corrupção (vide operações Publicano e Quadro Nego) tomaram dimensões gigantescas, apesar da timidez com que a imprensa estadual trataram do assunto.

A presença de Requião na disputa esquenta o processo de sucessão no Paraná, onde deveremos ter, como candidatos de chegada, Osmar Dias e Ratinho Júnior (ou a união dos dois). Será uma campanha quente, recheada de intensos (e tensos) debates, tanto para governador quanto pra Senador, já que Beto Richa deverá tentar uma das duas vagas do Paraná no Senado.

Escrevam aí: 2018 será um ano de eleições muito apimentadas no país, tanto nas disputas regionais quanto na disputa nacional. Se a Justiça não barrá-lo, Lula volta a assustar a elite , que hoje o odeia apesar de ter sido muito beneficiada por ele durante seus 8 anos de Palácio do Planalto.

Quem será o grande adversário de Lula? O tucanato está em baixa nas pesquisas mas não está morto. Seja com Aécio ou com Alckmin, o PSDB deve polarizar novamente a disputa com o PT. O PMDB ,  o partido mais implicado atualmente na Lava-Jato continuará cumprindo papel secundário , mas sendo o fiel da balança, face ao seu gigantismo quantitativo.

Enfim, vai ser uma eleição no mínimo instigante, trazendo a expectativa de algo muito melhor do que o desastre que foi o segundo governo Dilma/Temer e  a tragédia que o país passou a viver após o impeachment , com as ações predatórias do sósia de Christopher Frank Carandini Lee.

 

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Melhor amigo coloca Temer no bico do urubu

Se alguém tinha dúvida do envolvimento direto de Michel Temer no propinoduto do Petrolão, acho que agora a dúvida não se justifica mais. Quem deu com a língua nos dentes foi um velho amigo do presidente, conforme matéria da (nesse caso, insuspeita) revista Veja.

O empresário José Yunes, começa por se auto-proclamar “mula” de Eliseu Padilha, que Ciro Gomes chama de “Eliseu Quadrilha”.  Chefe da  Casa Civil , ele alegou problemas de saúde e se afastou, certamente na tentativa de sair do foco.  Yunes confessou ter sido “mula” de Eliseu Padilha. “Mula”,  vamos lembrar, é uma expressão usada no tráfico e refere-se à pessoa que transporta droga no próprio corpo.

Yunes, que até bem pouco tempo foi  assessor especial do ilegítimo presidente  havia sido citado numa das delações premiadas da Lava-Jato e agora parece ter chegado ao ponto de não resistir mais às pressões que vinha sofrendo. Por isso, entregou de bandeja o segundo maior amigo de Michel Temer. Segundo matéria da Veja, Temer teria pedido pessoalmente a um dos operadores do esquema, R$ 11 milhões . E fez isso no Palácio Jaburu, residência oficial da vice-presidência da república, justamente no período em que já preparava a trama que redundaria  no impeachment da presidente Dilma Rousseff, de quem era vice e continuaria para a disputa da reeleição.

E o que teria levado José Yunes a dar com a língua nos dentes agora? Simples: a tentativa de limpar a sua própria barra. Nem a forte amizade com Temer justificava mais ele segurar o rojão e preservar Padilha, o grande articulador do mal feito. Essa denúncia, que está hoje em todos os jornais e telejornais, pode ter sinalizado o começo do fim da era Temer.

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Paim desafia senadores a apoiarem CPI da Previdência

O senador Paulo Paim (PT-RS) está coletando assinaturas para viabilizar uma CPI da previdência. Disse ele em discurso da tribuna do Senado: “ Vamos fazer a CPI da Previdência, vamos vasculhar a Previdência pra ver se ela realmente tem déficit. Eu tenho certeza que não tem, mas vamos criar o mecanismo que nos possibilite saber quem  está roubando o dinheiro da Previdência, vamos ver quem sonega. A gente sabe que quem não paga são os grandes grupos econômicos, porque do trabalhador descontam em folha, ele não escapa. Porque que o governo não usa essa mesma garra que está demonstrando contra os trabalhadores para combater os sonegadores da Previdência?”

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A “Lei das Gargalhadas” e a reforma da previdência

Num discurso esta semana no Senado, em que faz duras críticas ao entreguismo do governo Temer e ao desmonte do estado social brasileiro, o senador Roberto Requião buscou uma lei de 1885 para ironizar a reforma da previdência.

A lei é a 3.270, também conhecida como Lei dos Sexagenários , Lei Saraiva de Cotegipe ou ainda “Lei das Gargalhadas!”. Previa a liberdade dos escravos com mais de 60 anos. Gargalhadas porque o escravo vivia em média 30 anos, logo não haveria escravo vivo  para ganhar carta de  alforria,

Qualquer semelhança da “Lei das Gargalhadas ” com a Reforma da Previdência do governo Temer, portanto, é mera coincidência.

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Gazeta denuncia propaganda enganosa

“Governo Richa gasta mais do que arrecada em 2016 e fecha ano no vermelho”,  informa matéria do jornalista Euclides Lucas Garcia, na Gazeta do Povo. É praticamente um desmentido à propaganda oficial de que o Paraná soube sair da crise. Isso dá processo por propaganda enganosa. O efeito Sérgio Cabral continua sobrevoando, feito um fantasminha nada camarada, o Centro Cívico.

Fonte: Blog do Cícero Catani

 

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O JN , que queimava reputações, não conseguiu carbonizar Lula

Uma revista chamada Extra, que circulou pouco, fez uma reportagem de capa sobre o poderio da Rede Globo. Narciso  Kalili, que trabalhou no Panorama (também de curta duração) foi o editor da revista e no editorial escreveu: “Se no Jornal Nacional o Cid Moreira disser que grama faz bem à saúde, no dia seguinte os jardins do país inteiro estarão comprometidos”. Agora, o jornalista Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo )  lembra de uma conversa que teve com José Dirceu, quando este ainda estava no governo Lula: “Os políticos tem pavor de 30 segundos de exposição negativa no JN”.

O mesmo Nogueira observa, a partir da constatação do poder devastador que o Jornal Nacional tinha até pouco tempo, que a última pesquisa Data Folha para presidente mostra que esse poder se esvaziou. Willian Bonner já não ameaçaria mais os jardins e uma exposição negativa de um político no principal telejornal da Rede Globo não o queimaria tanto quanto supunha Dirceu. Talvez até pudesse sapecar  um falso  líder , como Collor, que a própria Globo fabricou e fez presidente da república.

A pesquisa  do Data Folha é emblemática , no sentido de que acende o sinal amarelo no terreiro dos Marinho: Lula lidera para a presidência em 2018, apesar de todo o massacre que tem sofrido do Jornal Nacional. Não foi massacre de 30 segundos, não, chegou a ser de 23 minutos num certo dia, segundo cronometragem feita pelo jornalista e escritor Fernando Moraes (A Ilha e Chatô).

Segundo Paulo Nogueira, “ao assassinato de reputação de Lula pela Globo se somou ainda o trabalho sujo de jornais e revistas como Veja, Época, Isto É, Folha, Estadão, Globo, para não falar de inumeráveis colunistas patronais. A plutocracia jogou bombas atômicas em Lula.  Era para Lula estar carbonizado”

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O Senado fará ministro do Supremo o questionável Moraes

Hélio Fernandes (Tribuna da Imprensa) sobre Alexandre Moraes:

“Alexandre não tem perfil de Ministro, seriedade de Ministro, competência de Ministro. Tenho que confessar com imensa tristeza: Renan Calheiros estava coberto de razão, quando comparou Moraes, então ministro da Justiça, a um “chefete de policia”. Foi falando por falar, desperdiçou o tempo geral, fingindo que “reforçaria o Supremo”, que era o homem certo para o cargo certo

As 16,20 comentou: “Havendo solução de confronto, deve se dar prioridade e preservar a harmonia do poderes”. Logo depois tratou do “perigo de uma crise institucional, que pode ser provocada pela falta de serenidade”. Não localizou o Poder onde estariam os mais exaltados.

Mas deixou entrever que ele é sempre um homem calmo, aberto ao dialogo e ao entendimento. “Esqueceu” da violência que a policia de São Paulo praticava contra estudantes que ocupavam escolas. Ou das arbitrariedades da “Força Tarefa”, no estranho “caso do hacker”.

Nos dois episódios, ele era o Secretario de Segurança, sabidamente pretendendo se candidatar a governador. Com impossibilidade total, era filiado ao PSDB. Sua vida sofreu a reviravolta que o país está assistindo. Foi Ministro da Justiça e indicado para o Supremo, filiado ao PSDB. Lógico, teve que se desfiliar”.

Depois da sabatina na CCJ, que esteve mais pra louvação, o indicado de Temer para a cadeira de Teori Zavaski no Supremo Tribunal Federal   será aprovado hoje pelo plenário do Senado.

 

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