Lula e Dilma com conta na Suiça. Mas a conta estava em nome do próprio delator

Uma coisa que ficou mal explicada na cobertura espalhafatosa que o jornalismo da Globo fez por ocasião do estouro da boiada no curral da JBS, foi a conta com U$ 150 milhões de dólares para Lula e Dilma na Suíça. O principal telejornal da rede de televisão , que bateu recorde de audiência na quinta-feira, foi enfático ao noticiar que os dois ex-presidentes receberam dinheiro em contas no exterior. No dia seguinte,  Willian Bonner apareceu explicando que não era bem assim.

Na verdade, corrigia o JN, as contas atribuídas a Lula e Dilma estavam em nome do próprio Joesley, que na mesma gravação dizia imprimir os extratos para apresentar ao ex-ministro Guido Mantega, acrescentando que o PT havia zerado as contas em 2014. Ou seja, de acordo com explicação do dono da JBS, o dinheiro foi depositado em nome dele e ele repassava para o PT, via Mantega, que torrava os montantes gradativamente sacados  nas suas campanhas eleitorais.

É lícito isso? Claro que não. Se foi assim,  a tal conta entra no rosário enorme de crimes eleitorais, que devem ser punidos mediante provas concretas e robustas.  Mas a conotação dada pelos telejornais da semana passada foi de que Lula e Dilma teriam recebido vantagens pessoais nessa transação toda.  Num primeiro momento, isso serviria  para amortecer um pouco o impacto  das  denúncias sobre  Temer e o tucano Aécio Neves.  Como se viu depois, até pela correção feita na sexta-feira pelo próprio JN, o tiro saiu pela culatra.

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Seguro morreu de velho…

Segundo nota do Painel da Folha de S. Paulo, o empresário Joesley Batista que se mandou com a família para os Estados Unidos por medida de segurança,  não está mais em Nova York. Ele teria sido orientado por autoridades a não revelar seu paradeiro.  Os riscos de eliminação física, dele e de familiares, não pode ser desconsiderado. Wesley, que não chegou a ir tão fundo nas delações, continua no Brasil, mas do jeito que está a coisa, logo também vasa na massaroba.

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Diretas já? Há contrvérsia

Tenho lido e ouvido   opiniões divergentes  sobre esse clamor popular das “diretas já” que toma  conta das ruas. Sinceramente, ando com dúvida sobre a melhor  saída nesse momento para o Brasil, diante da inevitável queda do presidente Temer. Fico, então, com aqueles que não recomendam soluções apressadas, atropelando a Constituição num momento tão confuso como o atual. Dá o que  pensar  um presidente eleito diretamente para  cumprir pouco mais  de   12 meses de mandato e governando com um Congresso totalmente contaminado pelo germe da corrupção. Que solução ele poderia dar ao país em tão curto espaço de tempo, ainda mais comprometido com o projeto de governo defendido no palanque e certamente, de olho na renovação do seu mandato?

A Constituição prevê um pleito indireto. Falar nisso parece heresia, mas a prudência recomenda algumas ponderações sensatas para a compreensão  do momento histórico. Li e ouvi de juristas e até de algumas lideranças políticas ajuizadas, que o ideal seria  o Congresso, após ouvir instituições respeitáveis , como a OAB, ABI e CNBB, escolher alguém  acima de qualquer suspeita . Um brasileiro que consiga pacificar a nação e tenha credenciais para  agir como verdadeiro magistrado no processo eleitoral que se avizinha.

Difícil encontrar? Fácil não é, até porque não poderia ser um político tradicional, com máculas em sua biografia e que divida, ao invés de agregar as chamadas forças vivas da sociedade. Longe de se pensar numa saída militar, porque a experiência de 1964 deixou marcas profundas na vida do país, com seqüelas que só o tempo poderá curar.

Em primeiro lugar é preciso acreditar que a Constituição em vigor tem resposta para qualquer dúvida. Claro que a tese da eleição direta é muito simpática e  tentadora. Mas  uma eleição direta nesse cenário acirraria ainda mais o ódio que ainda divide o país, inviabilizando uma disputa justa e depois, a união da sociedade em torno do vencedor. Bem ou mal, temos um parlamento funcionando  dentro dos primados da democracia e um judiciário ativo,  cumprindo seu papel, a despeito dos deslizes éticos pontuais, de um ou de outro juiz.

O cuidado que o a sociedade precisa ter , é o da atenção total sobre quem vai eleger o ocupante do principal gabinete do Palácio do Planalto. Para isso,  ela conta com instituições respeitáveis, como as já citadas acima, e com parlamentares dignos dos mandatos recebidos, que são minoria, mas que  existem, existem.

O que não pode, e aí mora o perigo, seja o eleito para o mandato tampão por via direta ou indireta, é  ungir alguém que vá tocar para a frente projetos polêmicos como os das reformas trabalhista e previdenciária. Afinal, são projetos que tiram direitos  e esgarçam o tecido social, por meio de  relações  de trabalho extremamente desfavoráveis a quem não detém os meios de produção, mas  apenas a sua força de trabalho. Porque, imagine num cenário como este, de 13 milhões de desempregados e 9 milhões de trabalhadores na informalidade, que força terá o trabalhador empregado para negociar com seu patrão?

Aberrações como o negociado sobre o legislado não pode prosperar, como também não podem prosperar  monstros como a “aposentadoria pé na cova”  e a famigerada lei da terceirização , recém sancionada pelo presidente da república. O eleito para o mandato tampão , considerando que Temer não se sustentará no poder, deve ter o bom senso de adiar o debate das reformas ora em tramitação no Congresso Nacional. Isso  para que  uma Câmara e um Senado renovados pelas urnas  e um presidente ungido pelo voto popular , possam a partir de 2019, propor, discutir e aprovar um projeto de Estado e não um projeto de governo.

Quanto à travessia do mar revolto até lá, ela será possível sim, mas desde que as elites política e econômica do país tomem um chá muito forte de desconfiômetro  e tratem logo de abrir mão dos anéis, caso não queiram perder os dedos.

 

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Celebremos este momento rico da história do Brasil

A irmã de Aécio queria R$ 40 milhões para comprar um modesto apartamento no Rio; Eduardo Cunha, mesmo na prisão, pressionava para receber um restinho de R$ 5 milhões da propina combinada quando ele ainda era presidente da Câmara; Temer exigia mais não sei quantos milhões para financiar campanhas dele e seus aliados e mais recentemente, para não deixar  faltar o “alpiste” de alguns “passarinhos” que, mesmo na gaiola, vinham  ameaçando  implodir  o Palácio  Jaburu.

Os irmãos Batista da JBS deixaram os Odebrecht (Emilio e Marcelo) e Léo Pinheiro no chinelo em matéria de deleção. Foi  meio  bilhão de reais em propina para centenas de políticos. Joesley chegou a dizer  que mandou depositar  dinheiro grosso em contas de Dilma e Lula no exterior. Todos os citados negam veementemente ter recebido um centavo ilegal de qualquer empresário corruptor envolvido na Lava-Jato.

As declarações  de Wesley e  Joesley  , acrescidas de muita  lenha na fogueira , adicionada  pelo executivo da  holding J & S, Ricardo Saud, são estarrecedoras. A maioria dos relatos parece  irrefutável, principalmente  aquelas denúncias contidas em gravações feitas pelo próprio dono da Free Boi.

Dou graças a Deus por estar vivo, com saúde, lucidez e um bom nível de compreensão das coisas, para ver este momento rico da história brasileira. Ainda bem que a farmacologia está tão avançada, que um simples engov dá conta de conter a náusea,  até que eu consiga  acionar a chave do  meu analisômetro.

E porque falo em momento rico? Porque  nenhum país consegue sair do lodo se não se der conta de que está no lodo. Sem que a sociedade tome conhecimento da extensão da sujeira sempre varrida para debaixo do tapete, não há como  faxinar a casa, deixando-a livre dos odores que nunca desaparecem só com a retirada do bode que freqüentemente colocam e tiram da sala.

A História nos ensina que mudanças profundas  não acontecem da noite para o dia em sociedade nenhuma.  Ainda  mais se a mudança de que se precisa, for no campo dos usos e costumes. Quando ocorreu o impeachment de Collor, cheguei a pensar que o esquema PC Farias poderia significar um passo definitivo para a moralização da política brasileira. Com o tempo , compreendi que o filme era cinemaScope e que ainda haveria muito mais  tela pela frente.  Passados 25 anos, ainda estamos longe do the end.

O que está acontecendo agora é apenas uma etapa, talvez a mais significativa, do processo de depuração. Esse processo pode durar mais um , mais dois, mais dez, sabe-se lá quantos  anos ainda. Mas o país segue firme, com suas instituições aguentando os trancos e dando demonstrações cada vez mais claras  de que a nossa democracia , ainda tenra, voltou pra valer após o longo período de escuridão iniciado em 31 de março de 1964. Por mais que ela tenha sido golpeada, como foi por ocasião do impeachment da presidente Dilma,  a democracia brasileira  segue firme e forte. Boto fé que ela esteja realmente preparada  para os solavancos que ainda estão por vir. Viva o Brasil!

 

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“O que fizeram de você?”…

O deputado Rodrigo Rocha Loures sempre foi muito ligado ao senador Roberto Requião. Mas parece que depois que ele se tornou homem de confiança do presidente Michel Temes, a relação dos dois andava estremecida. Hoje, Requião  lamentou o envolvimento de Loures no esquema da JBS: “Rodrigo Rocha Loures, idealista, meu amigo. O que fizeram de você, Rodrigo Rocha Loures? Vejo tudo com indignação e muita tristeza”.

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Reflexão de uma madrugada de insônia

Michel Temer, Guido Mantega e Geraldo Alckmin foram apenas alguns figurões presentes ao casamento do empresário Joesley Batista com a apresentadora de TV  Ticiana Vilas Boas, em 2012. Claro, isso na prova nada, mas mostra quão próximos eram os donos da JBS ( Free Boi ) com o mais alto escalão da república.

Na política brasileira, predominada pelo patrimonialismo,  são claras as relações promíscuas de agentes públicos (nas três escalas de poder) com o grande empresariado, sobretudo aqueles setores  que dependem  de favores do governo para fazer crescer seus negócios. Como na república das bananas  “uma mão lava a outra”, o resultado é essa podridão toda que nos surpreende a cada dia.

Não se trata de punir João, José, Antônio, Pedro ou Paulo. A punição é necessária e fundamental, até para que se propague seu efeito pedagógico. Mas o combate a corrupção no Brasil vai muito além de uma Lava-Jato. Porque se essa operação pode redundar ainda na prisão de muitos figurões , o fato concreto é que  no frigir dos ovos pouco impacto ela terá sobre usos e costumes da política partidária .

Se não  servir para que a sociedade se mobilize em torno de uma constituinte  exclusiva e independente, que se dissolva após concluída a tarefa de elaborar uma nova Constituição, pouca contribuiçãoa Lava-Jato  trará para  a construção de um dique definitivo de contenção à  roubalheira do dinheiro público, aqui, lá ou acolá.

Que não se cometa a injustiça de desqualificar a atual Carta Magna, porque realmente ela é , pelo menos do ponto de vista do estado do bem estar  social, a melhor que o Brasil já teve. Porém a Constituição de 1988 está sendo desfigurada com tantas PECs e  desrespeito , justamente por parte de muitos que deveriam ser seus guardiões.

Não sou jurista e nem me atreveria  a tecer comentários técnicos a respeito  de uma constituinte exclusiva, mas na condição de  jornalista  e de,  brasileiro, profissão esperança, me dou o direito de defender essa tese.

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Deprimente

Ives Gandra Filho vem a ser o presidente do TST, a mais  alta corte da Justiça do Trabalho. É dele essa sandice: “Trabalhador pode se mutilar para receber indenização”. Então é assim: há trabalhador que resolve cortar um braço ou estrupiar uma perna para poder pegar uma graninha por fora. Isso  saindo da boca de uma autoridade pública de tão elevada importância, é de causar asco.

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Universidade privada demite professora por dar nota zero a alunos plagiadores

Uma professora do curso de direito de uma instituição de ensino  superior de Maringá zerou os trabalhos  de alguns  alunos que deram  Ctrlc/Ctrlv nos textos que deveriam escrever com palavras próprias. Mas a reprovação ao plágio custou caro à docente, que foi demitida sumariamente da universidade privada, após reclamação dos alunos “copia e cola”. A professora, claro, acionou a Justiça do Trabalho e obteve na primeira instância uma indenização (muito justa) de R$ 150 mil . A escola recorreu da sentença e no TRT conseguiu redução do valor para ridículos R$ 15 mil.

A questão financeira nem seria o lado mais grave dessa questão. O próprio juiz de primeiro grau mostrou-se inconformado com o comportamento da instituição, considerando o caso de extrema gravidade, na medida em que a instituição de ensino deposita nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Escreve o magistrado:

” Nem se vai aqui adentrar na questão financeira que move o mundo capitalista, capaz de barbaridades em nome do lucro, se bem que provada através do depoimento testemunhal. Mas esta-se a falar do fato de a autora ter sido punida, constrangida e humilhada simplesmente porque fez o que era seu maior dever: ensinar os alunos a serem probos. E o que é ainda mais grave: depositar nas mãos dos algozes o julgamento sobre o destino da sua própria vítima. Não bastasse isso, toda a sociedade se sente aviltada e ameaçada por essa atitude da demandada, na medida em que a entidade responsável por formar os profissionais com quem todos precisaremos contar no futuro, avaliza a corrupção e a desonestidade e pune o comportamento ético e justo. Pior ainda: num curso de Direito!”.

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Efeito reforma trabalhista

“Começou. Não, intensificou a sacanagem. Nossa amiga A. , formada em veterinária, e atendente de uma loja Pet, recebeu uma proposta monstruosa: redução de 30% de seu salário. Justificativa: o veterinário patrão ampliou a loja, a clínica e precisa diminuir o salário dos empregados”.

. Da professora da UEM, Mareta Bellini, no facebock

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Acredite se quiser

Presidente do TST disse que o trabalhador se fere de propósito para poder receber indenização. Não, não é uma piada. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho falou mesmo esse absurdo, durante  audiência no Senado, registrada pelo site Justificando. Yves Gandra Martins Filho é a mais alta autoridade na regulação do trabalho, é o presidente da mais alta corte da Justiça Trabalhista. E quando alguém com esse portfólio fala um absurdo desse tamanho é porque a segurança jurídica do país está mesmo sendo minada. Pior: é porque a insensibilidade e a absoluta falta de bom senso tomou conta até de quem deveria agir no sentido de garantir a rigorosa aplicação das leis.

Agora, imagine só: o Brasil é o quarto país do mundo onde mais morrem trabalhadores vitimados pela atividade profissional. A maioria dos acidentes de trabalho é provocada pela falta de equipamentos de proteção e até preparação dos próprios trabalhadores para que eles saibam como se proteger em atividades de risco. Aí vem uuma autoridade dessa dizer que a culpa de morrer ou se ferir no labor é da vítima? Meu Deus, aonde é que nós estamos?

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