Reflexão sem dor, data vênia, grande Millôr

“Se o Lula entrar ele destrói completamente o ambiente do debate político sobre o futuro do país. Vai ser uma eleição marcada pelo ódio, pelas paixões”

Essa observação de Ciro Gomes, que não se entusiasma em ser candidato com Lula na disputa , embora diga que será caso o seu partido (PDT) decida,  merece uma reflexão profunda das lideranças partidárias  identificadas com as forças progressistas do país.

De fato, mesmo que venha a ser absolvido na segunda instância da condenação que  lhe foi imposta pelo juiz Sérgio Moro, Lula seria mais prudente  preservando a  popularidade que ainda tem e a sua biografia de grande brasileiro.

Sou levado a reconhecer que Ciro tem razão , ainda que eu me veja colocado na mira da patrulha ideológica petista. Uma candidatura de Lula em 2018 tende a acirrar tanto o confronto esquerda x direita, que o clima estará pesado e muito perigoso, sobretudo em São  Paulo e em algumas capitais do Nordeste.

Claro que o PT não dispõe de outro nome com potencial eleitoral mínimo para se colocar novamente como alternativa de poder.  Precisará se reinventar , fazendo com que suas bases se tornem  mais racionais e menos emocionais.  Como precisará se reinventar também, a agremiação partidária que  no final dos anos 80 se desgarrou do PMDB do Dr. Ulisses para dar vazão às aspirações sociais-democratas  de líderes como Mário Covas, Franco Montoro e o próprio Fernando Henrique Cardoso.

Hoje totalmente perdido, o PSDB se nivela ao que há de pior no espectro partidário do país,  cujo processo de degradação moral se acelerou a partir do momento em que seu candidato a presidente não aceitou a derrota de 2014. Sem perceber  que já estava nu, o “reizinho de Minas” liderou panelaços, pataiadas e deitou falação sobre uma ética que nunca teve.

O embate político-partidário de 2018  fatalmente tomará um rumo pior do que o de 2014, quando  o clima de  confrontação de dois discursos e não de dois projetos de nação esquentou pra valer. O provável cenário de uma disputa   polarizada entre PT , representando uma esquerda atabalhoada e o PSDB, liderando uma direita  inconseqüente e desqualificada,  pode frustrar a expectativa de um debate político mais profundo, que pelo menos coloque em xeque  esse neoliberalismo de pé quebrado ,  sem alma e sem vergonha.

Nem é o caso de se buscar nomes na esquerda  ou mesmo no centro, que tenham condições de pacificar o país após  a tisunami  provocada  pelo impeachment. Mas é sim,  o caso das forças que se julgam progressistas chamarem para si  a discussão de um projeto de  Brasil  e não de poder. Um projeto que se contraponha claramente , e sem meias palavras,  a esta  política neoliberal que está, de forma criminosa,  desmontando a rede de proteção social definida  pela Constituição Cidadã de 1988.

 

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