Quando a verdade apanha de cinta

MENTIRAS E MUITA DISTORÇÃO DA VERDADE PARA JUSTIFICAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA.

O governo vai jogar pesado no Congresso pela aprovação do seu projeto de reforma da previdência, depois do presidente Temer se sentir aliviado por escapar da degola e depois de ficar bem com o grande empresariado ao impor perdas irreparáveis aos trabalhadores com a aprovação da reforma trabalhista.

Agora mais do que nunca, o noticiário das grandes redes de tv, Globo à frente, é direcionado ao convencimento da sociedade de que se a previdência não for reformada já, futuramente o governo não terá dinheiro para pagar os aposentados.

Todos os dias os comentaristas econômicos dos jornais, rádio e TV enfatizam o déficit da previdência , que segundo dizem, chegará perto dos R$ 200 bilhões até dezembro.

Para compreender melhor essa armação ilimitada, tenho procurado ler e ouvir especialistas no assunto, que não rezam na cartilha do Palácio do Planalto. E que , com argumentos inquestionáveis, mostram que a realidade não é bem essa que a televisão anda apregoando o tempo todo.

Começa que o déficit divulgado é em parte por subestimação de receitas e superestimação de despesas. O problema das receitas relacionadas à Previdência é que o governo deixa de computar do lado da seguridade social, receitas que são essenciais para sustentar o tripé formado pela saúde, previdência e assistência social, como é o caso da Cofins, do PIS/Pasep e das loterias da Caixa.

Do lado ainda das receitas, o governo tem feito desonerações tributárias absurdas, para benefício de grandes devedores e que impactam negativamente na seguridade social. A estimativa é que só este ano a renúncia fiscal deve chegar perto dos R$ 200 bilhões, até mais do que o próprio déficit previsto para a previdência pelos defensores da reforma.

Se achar que isso é pouco, que tal lembrar do saque que o governo anda fazendo no orçamento da seguridade social em forma de desvinculação de receitas, via DRU? Ora, se a Previdência está quebrada, como pode o governo tirar tanto dinheiro de um setor quebrado? Só este ano, deve tungar mais de R$ 100 bilhões da seguridade social para tapar rombos do tesouro.
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Falta aos comentaristas econômicos da televisão, por exemplo, lembrarem que o país está em recessão e que a chamada PEC do teto retirou recursos dos investimentos em infraestrutura , reduzindo os níveis de emprego no país. Boa parte da arrecadação da previdência é oriunda da folha de pagamentos , comprometida com tanto desemprego.

Mas o governo e a mídia insistem em dizer que os problemas da previdência estão no crescimento acelerado do número de aposentados e pensionistas. Por isso, quer o governo inviabilizar a aposentadoria da maioria dos trabalhadores brasileiros, inclusive os trabalhadores rurais. Que indignidade!

Impressiona a falta de respeito ao papel social da informação dos comentaristas econômicos das redes nacionais de rádio e televisão. Ouvir a Miriam Leitão e o Sardenberg, por exemplo, defendendo reforma trabalhista e fazendo apologia ao projeto de reforma previdenciária do governo do TEMERoso é de pelar o sabugo. Mas eu me previno, sento na frente da TV para assistir aos telejornais com um engov na mão.

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