Negociado sobre o legislado. Mas quem vai negociar pelo trabalhador se a reforma trabalhista confiscou o balão de oxigênio dos sindicato?

44% da riqueza nacional  está nas mãos de 1% dos brasileiros. Como é possível um novo debate sobre distribuição de renda num país que só concentra? O quadro tende a se agravar com a reforma trabalhista que prevê redução drástica da massa salarial, ao mesmo tempo em que os trabalhadores estarão cada vez mais instáveis nos seus empregos.

Quantas categorias profissionais terão sindicatos fortes para lutar por seus direitos e celebrar convenções coletivas minimamente razoáveis? A reforma sobrepõe o negociado sobre o legislado, ao mesmo tempo em que tira dos sindicatos suas fontes   de custeio. Digo fontes, porque a nova legislação aumenta o respaldo às famigeradas cartas de oposição à taxa negocial,  instituídas  por uma súmula do TST.

Há que se reconhecer a existência de sindicatos inoperantes, que não representam trabalhador nenhum, apenas servem para seus dirigentes se locupletarem. Mas combater essa anomalia tirando os instrumentos de arrecadação de sindicatos que cumprem ao pé da letra o seu papel, é matar a vaca para acabar com o carrapato.

Está mais do que claro que o objetivo da reforma trabalhista , ao acabar com o imposto sindical , não é moralizar o setor, mas fragilizar a representação classista, a obreira evidentemente. Assim, com a prevalência do negociado sobre o legislado, o patronato fica com segurança jurídica para reduzir salários, piorar as condições de trabalho em suas empresas, e por aí vai.

Tudo ficará a critério do espírito humanitário do empregador. Quantas categorias conseguirão manter uma relação de equilíbrio com o patronato? As que não forem representadas por sindicatos fortes, se é que ainda restará sindicato forte,  estarão tão firmes quanto palanque em banhado. Ainda mais diante  do estouro da sucumbência no lombo do empregado , que fica definitivamente impedido de bater às portas da Justiça do Trabalho quando sentir-se lesado em seus direitos.

O argumento de que  era preciso dar um basta na  fábrica de ações trabalhistas é desprezível, não só pela sua inconsistência, mas pela constatação óbvia de que metade delas referem-se a verbas rescisórias não pagas. E lembrando o que  relatou  o procurador geral trabalho Ronaldo Fleury, em entrevista a um grande jornal de São Paulo, o país com o menor número de demandas trabalhistas na justiça é a Escócia, “mas lá, empregador que deixa de pagar direitos trabalhistas vai  para a cadeia”. Simples assim.

 

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2 comentários sobre “Negociado sobre o legislado. Mas quem vai negociar pelo trabalhador se a reforma trabalhista confiscou o balão de oxigênio dos sindicato?

  1. maso 15 de novembro de 2017 8:34

    E com essa classe politica cafajeste ai, nada vai mudar. Agora pegaram mais 3 ladroes do PMDB la no Rio. O patrimonio do larapio, deputado estadual do PMDB aumentou 6.638% em 20 anos. E interessante como aparece a vocacao comercial dessa gente que se elege na politica. 99% vira uns ronaldinhos pra fazer negocio e ganhar dinheiro.
    Inda bem que e so la pro lado do Rio de Janeiro que a corrupcao e o enriquecimento por dinheiro publico acontece. Aqui no Parana so temos beatos na politica e no servico publico em geral. Eu ponho a mao da minha sogra no fogo por qualquer politico daqui.

    • Luiz 15 de novembro de 2017 13:51

      Kkkkkkkkkkkk, muito boa, vai queimar a mão da veia kkkkkkkkkk

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