Abrasco critica campanha paranaense de vacinação contra dengue e recomenda suspensão imediata

A Abrasco  – Associação Brasileira de Saúde Coletiva  está divulgando em seu site um alerta ao  Paraná com a recomendação  de que o governo interrompa imediatamente a campanha de vacinação contra a dengue. Isso porque estudos técnico-científicos mostram que a vacina Dengvaxia® deve ser ministrada apenas em indivíduos previamente infectados. Os considerados soronegativos (que nunca tiveram contato com o vírus da dengue)  não deveriam tomar a vacina.

Dia z a nota:

“A despeito da falta de definição das instâncias técnicas do Ministério da Saúde (MS), as altas autoridades da Secretaria de Saúde do Paraná (SES-PR) decidiram promover em setembro de 2016 uma campanha de vacinação em massa com a Dengvaxia®, repetida em março e em outubro de 2017. No total, a população-alvo das campanhas chegava a cerca de 500 mil pessoas e, neste momento, cerca de 300 mil já receberam ao menos uma dose da vacina.

Considerando as evidências nacionais e internacionais hoje disponíveis, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco – entende que se impõem as seguintes medidas:

  1. Que a campanha paranaense seja interrompida no ponto em que ora se encontra.
    2. Que o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS) não incorpore a vacina Dengvaxia® à sua cesta de produtos.
    3. Que o acompanhamento da população dos municípios do Paraná que participaram das campanhas seja realizado de forma rigorosa, com vistas a que cada caso suspeito de dengue seja devidamente notificado, em particular casos graves que resultem em internação hospitalar.

Além disso, a Abrasco considera indispensável que as autoridades de saúde federal e do Estado do Paraná esclareçam a população brasileira sobre as seguintes questões:

  1. Em que evidências as autoridades paranaenses se basearam para iniciar uma vacinação em massa de um produto cuja utilização não foi recomendada pelo Ministério da Saúde por falta de evidências técnicas que sustentassem a sua utilização nessa condição?
    2. O único país a incorporar a vacina para vacinação em massa realizada pelo sistema público foi Filipinas que, após tomar conhecimento do alerta da OMS, interrompeu a vacinação e está cogitando processar o fabricante. Quais medidas o governo do Paraná e o gestor federal do SUS pretendem adotar?
    3. Tendo a Anvisa recomendado a não-vacinação de indivíduos sem anticorpos circulantes, quais as medidas tomadas pelas autoridades paranaenses e qual a atitude da Anvisa no sentido de fazer cumprir a sua recomendação?
    4. Quais as medidas tomadas pelo Ministério da Saúde no sentido de desenvolver pesquisas capazes de esclarecer as lacunas de conhecimento sobre a vacina e tomar decisões sobre a sua utilização em campanhas de massa?

Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2018

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