Extinção do MT prejudica um lado das relações capital x trabalho. Adivinhe qual?

 

Relegar as relações de trabalho a um segundo plano é uma forma de dizer aos trabalhadores: pra que direitos se  o importante é o emprego ? Bolsonaro repete esse discurso desde o início da campanha, quando já dava sinais claros de que, uma vez eleito , atuaria em defesa do capital e jamais do trabalho.

A extinção do Ministério do Trabalho e Emprego diz tudo. É fato inegável de que a pasta tem passado  nos últimos anos por um processo de desvirtuamento tal, que  pouca relevância tem tido enquanto mediador das relações empregado/empregador. Tem sido o MT,inclusive , um dos ministérios mais envolvidos em casos de corrupção, como atesta o recente escândalo da vende de cartas sindicais.

Mas institucionalmente, trata-se de  uma das pastas mais importantes do governo, seja  qual for o presidente. Basta lembrar que é atribuição do Ministério do Trabalho classificar pequenas, médias e grandes empresas; fiscalizar o trabalho escravo e o trabalho infantil, que tem atingido proporções alarmantes em nosso país e  editar normas de monitoramento dos sistemas de prevenção a acidentes de trabalho, entre outras coisas.

E nunca é demais destacar que é de responsabilidade do Ministério do Trabalho a gestão dos recursos do FGTS e do FAT, que juntos, somam 792 bilhões de reais. É dinheiro usado para pagamento de abono salarial, seguro desemprego, PIS e também para investimentos em programas de moradia popular , caso do Minha Casa, Minha vida e projetos de infra-estrutura vitais para a qualidade de vida da população, como o saneamento básico.

Com a extinção, as atribuições do Ministério do Trabalho e Emprego serão  pulverizadas para outras pastas, devendo a mais importante, que é a administração desse quase trilhão de reais do FAT E FGTS cair nas mãos do super-ministro da fazenda Paulo Guedes. E que destinação será dada a essa dinheirama ? Podem apostar: o dinheiro será usado para pagamento de juros e de serviço da dívida. Não há garantia de que destinação mais nobre possa ser esperada pelo futuro governo, cujo chefe deixou mais uma vez explicitada esta semana a sua aversão ao trabalhador, quando declarou sem nenhum constrangimento, que “é horrível ser patrão”.

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7 comentários sobre “Extinção do MT prejudica um lado das relações capital x trabalho. Adivinhe qual?

  1. Alaor 6 de dezembro de 2018 12:23

    Quais benefícios os MT conquistou para o trabalhador?

    • Messias Mendes 6 de dezembro de 2018 21:16

      Ah, não sabe? Pesquise a história do Ministério do Trabalho, o papel que sempre desenvolveu e as atribuições que ainda possui. Mas faça isso com isenção. Tente pelo menos.

  2. maso 6 de dezembro de 2018 19:01

    O Ministério do Trabalho, com suas verbas para aliciar sindicatos e tetas aos milhares paara os aspones esquerdistas . Quem vai perder. SINDICATOS ! E claro, a perda dos cabos eleitorais do PT, ajeitados nessas casas inúteis de sindicalismo.

    • Messias Mendes 6 de dezembro de 2018 21:08

      Você está por fora. Pego só o exemplo de Maringá, onde ultimamente eram os sindicatos que estavam ajudando a regional do MT, inclusive com equipamentos, caso de impressoras. Foram aos poucos desmontando a estrutura do MT (e nisso o PT também tem culpa no cartório), que a pasta vinha cumprindo precariamente a sua função. O que era preciso fazer, caso o presidente eleito quisesse realmente estabelecer um maior equilíbrio nas relações de trabalho? Era só fazer uma correção de rumos, criando mecanismos que impedissem a transformação da pasta em reduto de negociações politico-partidárias, como Temer tentou fazer.

  3. Domingos Aparecido 6 de dezembro de 2018 20:09

    ACORDA MESSIAS.
    Os tribunais vivem entupidos com mais de vinte milhões de ações trabalhistas ao ano. Nos EUA, para mil empregados precisa de dois para cuidar do RH, aqui no Brasil é 40. A burocracia atravanca o progresso. Com a reforma tributária que vem vindo aí, vai sobrar vagas e faltará gente para prenhe las.

    • Messias Mendes 6 de dezembro de 2018 21:04

      Querer comparar a realidade dos Estados Unidos com a nossa é o fim da picada. Achar que as relações de trabalho no Brasil guardam alguma semelhança com a americana é pacabá. A diferença fundamental das relações empregado/patrão do Brasil para as nações desenvolvidas, caso dos Estados Unidos e de países europeus, é que lá o empregador não dá calote em verbas rescisórias . No caso da Escócia, por exemplo, lá não tem Justiça do Trabalho, mas quando o empregador passa o empregado para trás , a possibilidade dele ir direto para a cadeia é grande.

    • João Luiz 7 de dezembro de 2018 2:14

      a burocracia e a falta de tecnologia, com a GED (gerenciamento eletrônico de documentos) por exemplo, facilitaria e muito.

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