Presidente aperta o play para uma nova onda de violência no campo

O Brasil está pelo menos com um século de atraso em relação à reforma agrária, que em vários países desenvolvidos já foi feita bem lá atrás. Nos Estados Unidos, por exemplo, a distribuição de terras e combate ao latifúndio começou logo após a guerra da cessação. Claro que lá não chegou a haver desapropriações de terras improdutivas em benefício de posseiros, ex-escravos ou arrendatários, mas houve uma profunda transformação na estrutura fundiária, inclusive com distribuição de terras após a derrota dos latifundiários sulistas.

O Japão fez sua reforma agrária pouco depois da II Guerra, quando os Estados Unidos, na condição de potência-ocupante, procurou quebrar a espinha dorsal dos senhores agrários, pilares do militarismo que levara o Japão a integrar o “eixo do mal”, formado também pela Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini.

A alta concentração de terra sempre foi motivo para muitos conflitos no campo em qualquer parte do mundo. Historicamente a maior produção de alimentos sempre se deu na pequena e média propriedade, a exemplo do que ocorrera no Japão pós II Guerra e na Coréia do Sul. Mas aqui, o uso da terra para especulação e exploração irracional de suas riquezas é que sempre impulsionou a ganância.

Na América Latina a concentração de terras agricultáveis nas mãos de grandes fazendeiros, levou à Revolução de 1910, a grande revolta social do Planeta que antecedeu a Revolução Russa de 1917. Muitos movimentos de insurreição à concentração da terra surgiram no continente latino-americano. Só o Brasil não caminhou nessa direção e ostenta hoje uma estrutura fundiária arcaica, para dizer o mínimo.

A concentração de terras no Brasil se dá não apenas pela via da compra-e-venda, mas também pelo processo de grilagem. Muitos pequenos proprietários perderam suas terras para o cano do revólver com o avanço da fronteira agrícola para o Sul e mais recentemente para o Norte.

Não faz mais sentido o Brasil ainda estar se debatendo com o tema reforma agrária em pleno século XXI. As tentativas de Jango nos anos 60 foram soterradas pelo golpe militar. Com a redemocratização, o tema foi retomado, e a reforma agrária voltou a andar no Brasil, mas a passos de tartaruga. Teve uma ligeira acelerada nos governos Lula, recuou um pouco no governo Dilma e vai parar de vez no governo Bolsonaro, cujo discurso de criminalização do MST é por demais conhecido.

Tudo se agrava agora, porque o novo presidente decidiu entregar a questão agrária ao Ministério da Agricultura, comandado pela bancada ruralista e pela UDR. Ou seja, o galinheiro foi entregue aos cuidados da raposa.

Hoje, Bolsonaro anunciou a interrupção de todos os processos de reforma agrária e também de demarcação de áreas quilombolas.

No frigir dos ovos, o que ele está fazendo é estimular o conflito no campo, com o recrudescimento da violência contra os trabalhadores sem terra e que ainda buscam a possibilidade de ter o seu quinhão para poder sobreviver. No lugar do quinhão, aí vem o canhão, cuspindo fogo e prenunciando um tempo de carnificina.

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14 comentários sobre “Presidente aperta o play para uma nova onda de violência no campo

  1. João Maria 8 de janeiro de 2019 23:02

    No Brasil não houve reforma agrária pois os últimos governos preferiram manter o povo como lacaios acreditando que seria feita algum dia.

  2. Thiago 9 de janeiro de 2019 6:10

    Bolsonaro destila ódio e ai a violência explode.

  3. Kaka 9 de janeiro de 2019 7:30

    CARAMBA!!! NÓS ÉRAMOS 22 HÁ 20 ANOS…SÃO TEMPOS DIFÍCEIS. O GENRO DO DELATOR DE LULA RECEBEU A PRESIDÊNCIA DA CAIXA E VAI ACABAR COM ELA. O QUEIRÓZ BAIXOU NO EINSTEIN. QUEM TÁ PAGANDO? O FILHO DO MOURAO RECEBEU UMA PROMOÇÃO. OS ÍNDIOS ESTÃO SENDO ASSASSINADOS. O FAUSTÃO ARREGOU E O BOZO NÃO É MAIS IDIOTA NEM IMBECIL. O FROTA FOI PROMOVIDO A DESTRUIDOR DA GLOBO. O TOFOLLI RESOLVEU DAR DINHEIRO PRA MINAS E A MULHER DO MORO NÃO QUER MAIS QUE FALEMOS MAL DO GOVERNO DO MARIDO DELA (O CARA É PRESIDENTE)?

  4. Hugo 9 de janeiro de 2019 16:28

    como se nunca tivessem ocorridos diversos confrontos entre fazendeiros e bandidos invasores…

    como se nunca tivesse ocorrido confronto entre a polícia e invasores quando a justiça determinou por diversas vezes a reintegração de posse…

    a partir de hj, qualquer ocorrencia envolvendo essas milicias se dizentes “sem terras” o blogueiro colocará a culpa no Bolsonaro, como se o presidente condenado que o blogueiro tanto defende não tivesse tido oportunidade de fazer completamente a reforma agrária usando metade do dinheiro que deu a paises comunistas mundo a fora…

    • Messias Mendes 10 de janeiro de 2019 19:07

      Meu Deus, quanta desinformação! Que festival de impropriedades! De qualquer forma, melhor a democracia e o seu direito de dar pitacos absurdos nesse blog, de que os tempos de escuridão que formaram mentes como esta.

      • Francisco 10 de janeiro de 2019 20:14

        Contra fatos não há argumentos… só choradeira de esquerda !

  5. Xhyko 9 de janeiro de 2019 22:12

    Que a violência no campo vira não tenho dúvidas nenhuma.

    • Fabricio 11 de janeiro de 2019 8:04

      Agora libera posse de arma e fazendeiro vai meter bala no grupo terrorista do Mst

      Acabou a mamata

      • Messias Mendes 11 de janeiro de 2019 10:38

        Bolsonaro e os bolsominions querem sangue pelo que se pode deduzir de manifestações como esta.

  6. Victor H dugo 11 de janeiro de 2019 9:32

    Chorem mais está divertido!!!

    • Messias Mendes 11 de janeiro de 2019 10:35

      E pelo jeito você não só aprova como vibra com os possíveis massacres de índios e sem terra. O nome disso é sadismo.

      • Francisco 11 de janeiro de 2019 11:29

        No governo PT os massacres de índios cresceram 180%

        Mas agora a culpa é do #Bolsonaro

        Baderneiros do MST ja confrontavam polícia e fazendeiros a tempos mas agora a culpa é toda do Bolsonaro…

        Os burrinhos adestrados estão zurrando cada dia mais alto

      • José Paulo 12 de janeiro de 2019 6:27

        Mania da esquerda de rotular tudo e a todos…

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