Elis, vítima da ditadura e da patrulha…

A Ditadura Militar marcou um período sombrio que jamais deve ser esquecido. Não porque deva ficar na lembrança dos brasileiros, mas porque se for apagada, como querem alguns, pode abrir espaço para a sua volta, como é o que muitos estão querendo hoje.

Vendo os três capítulos do especial Elis, na Globo, acabei percebendo também que a patrulha ideológica promoveu alguns estragos, inclusive em reputações de pessoas públicas. Wilson Simonal, que nunca foi engajado, ficou para a história como dedo duro, acusação jamais provada. Eu não sabia, mas a Elis Regina também teve sua carreira marcada pela patrulha.

Temendo por sua própria vida e pela segurança dos seus filhos, ela acabou indo cantar na abertura de uma olimpíada do Exército. Levou paulada de todo lado, principalmente do genial Henfil, que não a perdoava pelo fato dela cantar “para aqueles filhos da puta que prenderam e torturaram meu irmão e tantos outros brasileiros que questionam o regime”.
Elis tentou se desculpar de todo jeito, mas nenhum argumento convencia a esquerda, neste caso representada pelo cartunista.

A reconciliação só veio quando Elis gravou o Bêbado e o Equilibrista, do Aldir Blanc e do João Bosco, numa interpretação magistral e sobretudo, emocionante. ..” meu Brasil/Que sonha com a volta do irmão do Henfil/
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete/
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarices no solo do Brasil… ”

Foi a partir daí que Elis resolveu chutar o balde, romper com os interesses comerciais das gravadoras e passou a ter problemas com o homem que ela amava . Cesar Camargo Mariano não aguentou a pressão e foi embora. Elis teve um terceiro companheiro (o primeiro havia sido o mulherengo Ronaldo Bôscoli, pai do seu primeiro filho) mas o romance foi interrompido pela depressão. E, depressiva, Elis passou a misturar comprimidos com Whisky, em coquetéis que se tornaram letais.

Isso é história, mas o especial valeu como resgate de uma realidade pouco conhecida sobre a vida de uma das maiores intérpretes da música popular brasileira e claro, através dela, o resgate de um naco de uma história que não pode cair no esquecimento.

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3 comentários sobre “Elis, vítima da ditadura e da patrulha…

  1. Silva 12 de janeiro de 2019 11:46

    Elis, a maior cantora brasileira de todos os tempos era de esquerda, defendia as causas nobres e sociais, uma verdadeira cristã, já o Simonal, um grande cantor mas com carater duvidoso defendia os sanguinário militares que torturavam a matavam, e estes bisnetos dos militares sanguinário da ditadura militar que escureceu o Brasil que estão no poder hoje para matar o povo pobre brasileiro e entregar nossas riquezas aos EUA.

  2. nelson aida 12 de janeiro de 2019 13:23

    Prezado Messias Mendes, ontem, dia 11/01/19 por volta da 16 horas, recebi a sempre aguardada visita do amigo Noel Guima em minha loja e como de costume a pauta girou em torno de assuntos voltados à política e citei seu comentário sobre a exibição do seriado “Elis” do dia 09/01 e lhe disse sobre dados sobre as duas apresentações em Maringá. Também abordamos a respeito de perseguição dos militares por ela cantar compositores que se colocavam contra poder de excessão instalado em 1964 e toda consequência gerado no plano familiar, comercial e pessoal da nossa maior interprete. A muito não víamos uma realização sobretudo histórica, onde pudemos conhecer um outro lado da “nossa” pimentinha, impossível admitir que após sucessos como em Paris, ela vivesse dramas pessoais terríveis que passavam ao largo do público, como foi mostrado no último capítulo. Dito isso, comentei com o Noel sobre a quase certeza de voce voltar a comentar sobre o seriado e eis que na manhã de sábado já deparo com sua publicação, e é bom saber temos o que escrever ou ler, e o nosso universo não se restrinja a sertanejão ou funks, mas que temos belas e inspiradoras histórias que não devem cair no esquecimento Obrigado por suas esclarecedoras publicações e os votos de um ano improvávelmente próspero.Abraços.

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