Autor: Messias Mendes

 

Prenúncio de guerra religiosa e destruição da cultura afro

 

Lideranças que se julgam detentoras do monopólio da fé colocam raízes culturais brasileiras em risco

Um documentário sobre a batalha da fé que se trava principalmente nos morros de grandes cidades, caso específico de Belo Horizonte, é um tema sobre o qual a ciência social precisa se debruçar. São explícitos os conflitos religiosos em favelas, fruto principalmente da ocupação desenfreada desses espaços por evangélicos.

É visível o encolhimento das religiões de matriz africana, o que de certa forma tende a levar nosso país a liquidar suas principais raízes culturais. Dessa forma, o Brasil vai apagando aos poucos a sua identidade, já aleijada com o extermínio de populações indígenas , que o favorito nas pesquisas Jair Bolsonaro, quer liquidar de vez.

O que denuncia o documentário? Denuncia o desequilíbrio de forças  nos morros e favelas e o aumento assustador dos casos de intolerância religiosa. A campanha presidencial, principalmente agora no segundo turno, acirra a batalha da fé, estimulada de maneira irresponsável por lideranças religiosas , evangélicas principalmente. Parece clara a intenção de prepararem  uma espécie de cenário de guerra entre “os escolhidos” e os mundanos. Que são os outros.

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Deutschland über alles

               Frei Sérgio Antônio Görgen

Conheço um jovem negro, trabalhador, bem intencionado, manso no falar, sorridente, tranquilo na forma de conviver, educado e adepto de Bolsonaro.

Tentei entender o porquê. O motivo que me informou foi relacionado à violência, drogas, roubos e os bandidos soltos por aí sem ninguém fazer nada.

Procurei questionar se as propostas simplistas do candidato resolveriam o problema da violência. Percebi um bloqueio tipo “alguém tem que fazer alguma coisa”.

Em outro encontro com o bom rapaz tomei nas mãos uma propaganda do candidato do PSL. Lá estava escrito: “Brasil acima de Tudo.” “Deus acima de todos”.

Perguntei-lhe: “Você sabe qual era o lema de Hitler na Alemanha nazista?” Respondeu-me que não.

“Deutschland über alles.”

“O que quer dizer isto?” – perguntou-me.

“Alemanha acima de tudo”. Igual a este aqui: “Brasil acima de tudo”.

Pareceu-me ter ficado surpreso e confuso. Ainda disse-lhe que começa assim, com frases totalitárias que parecem simpáticas, e acabam em guerras entre irmãos.

Foram sempre conversas tranquilas e educadas.

E depois disto mais não conversamos.

Lembrei então de quando, anos atrás, estive na Alemanha e meu grande amigo Rolf Künnemann, então secretário executivo de FIAN ( entidade internacional que defende o direito humano à alimentação) me levou a dois lugares simbólicos.

Em Nuremberg, no estádio onde Hitler fazia suas concentrações militares, com o povo nas arquibancadas e do púlpito o ditador levantava o braço direito e gritava; e todos respondiam:

“Alemanha.”

“Acima de tudo.”

Num gesto inconsciente, no mesmo púlpito, levantei o braço. Em seguida, envergonhado, em oração, meditei: “também tenho um ditadorzinho dentro de mim, preciso cuspi-lo fora”.

Depois Rolf me levou à praça de uma cidade alemã. Lá estavam, no centro da praça, fotos da cidade destruída em 1945 após os bombardeios das tropas aliadas. Toda destruída. Andando pela cidade, a tinha visto reconstruída.

Não resisti a uma pergunta:

“Rolf, me explica uma coisa. Como é que um povo culto, estudado e inteligente como o povo alemão, pode embarcar num fanatismo desses?”

Disse-me que nasceu depois da Segunda Guerra e que fizera a mesma pergunta a seus pais. E a resposta que ouvira deles fora:

“Foi como se tivéssemos tido um sonho coletivo de sonâmbulos. Quando acordamos, tudo tinha acontecido”.

Há fascistas convictos e dirigentes e estes precisam ser derrotados.

Mas quantos são simples sonâmbulos que podemos acordar deste sonambulismo que atinge gente boa da sociedade brasileira?

(*) Frade Franciscano, Militante do MPA e autor do livro “Trincheiras da Resistência Camponesa”.

 

 

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A tentativa ridícula de ressurreição de um fantasma

O programa de Bolsonaro na televisão começou explorando o fantasma do comunismo, com ênfase no Foro de São Paulo . E o que foi o Foro de São Paulo senão um devaneio da esquerda latino-americana, de construir  um dique de contenção ao avanço imperialista no continente e ao neoliberalismo que todos sabem, é concentrador de rendas e excludente?

Mas o passar do tempo mostrou que foi mesmo um devaneio e que o sonho de tornar a Al uma poetencia socialista tornou-se anacrônico.  E , tão anacrônica quanto a ideia inicial é a campanha que Bolsonaro inicia no horário eleitoral , tentando ressuscitar  uma “guerra fria” tupiniquim, totalmente fora de moda , para não dizer ridícula.

 

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Sinal de alerta

À medida que o segundo turno caminha e Bolsonaro cresce nas pesquisas, mais a sua tropa de choque se assanha e se mostra violenta, quer nas ruas, quer nas redes sociais, quer nos pitacos que dá nos blogs. Confesso que está ficando meio assustador. Se Bolsonaro perde, o que é uma hipótese remotíssima, certamente a fúria será grande, porque não aceitarão a derrota. Se ganha, que é a hipótese mais provável, manifestarão violência talvez ainda maior, impulsionada pelo discurso do candidato, que é de sedimentação de uma cultura de ódio,  sem  precedente na nossa história republicana. Liberei agora de manhã vários comentários a postagens que fiz nesse blog. A maioria não deveria ser liberada, mas fiz isso para mostrar a que ponto está chegando a intolerância. Assim, externo  publicamente a minha preocupação com esse clima de vendeta, que só Deus sabe no que vai dar.

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“Morte aos negros, gays e lésbicas”

“Paredes de dois banheiros da unidade Tamandaré do cursinho Anglo, de São Paulo, foram danificadas com inscrições racistas e homofóbicas na tarde de quarta-feira (10). Uma foto foi tirada de um dos locais que trazia a seguinte frase: “Bolsomito 17. Morte aos negros, gays e lésbicas. Já está na hora desse povo morrer.”

De acordo com o cursinho, ontem foi realizado um concurso de bolsas e tinham muitos alunos de fora da instituição. O primeiro passo, segundo a instituição, será identificar se o suspeito é um aluno. Caso a pessoa que fez as inscrições seja matriculada no cursinho, a escola afirmou que irá tomar “todas as medidas legais cabíveis”.

Até a tarde desta quinta-feira (11), câmeras próximas aos banheiros eram avaliadas para tentar identificar quem foi o autor do crime. Por meio de nota, o Anglo se posicionou a respeito do episódio dizendo que “em meio às tensões que marcam a sociedade brasileira neste momento, surgiram pichações de caráter criminosamente preconceituoso em dois banheiros da unidade Tamandaré”.

De acordo com a declaração, “a atitude covarde e belicosa” causou “tristeza e indignação” ao Anglo. “Como educadores, não podemos parar por aqui e achar que esta nota esgotaria nossas responsabilidades em torno do tema. A democracia e a defesa dos direitos humanos exigem esfoorfos cnstantes de todos nós”.

A noticia saiu no portal Forum

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Quem é quem, quando o assunto é democracia

O histórico de Bolsonaro não pode ser comparado com o do PT nem com o de Haddad quando se trata de respeitar a democracia. Ao cobrir a disputa política, o jornalismo erra ao tratar desiguais de forma igual. Bolsonaro está em posição de maior fragilidade do ponto de vista das credenciais democráticas.

. Kennedy Alencar

PS: Também não há termos de comparação no que diz respeito ao preparo intelectual e ao curriculum vitae. Muito menos à capacidade de diálogo e ao jogo de cintura. Bolsonaro , conforme está em todos os jornais hoje, recebeu críticas até de Le Pen , a líder da extrema-direita francesa, que afirmou: ” Bolsonaro diz coisas desagradáveis que são intransponíveis na França”. E Donald Trump teria manifestado desconforto com as constantes vinculações que no Brasil se faz e Bolsonaro a seu nome.

Em tempo: o jornal O Globo noticiou hoje que Bolsonaro admite faltar a debates  mesmo que seja liberado pelos médicos.

 

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Um ligeiro laboratório, que me permite compreender um pouco o fenômeno Bolsonaro

Em uma fila de banco ainda há pouco, um senhor de meia idade discursava para explicar seu voto em Jair Bolsonaro: “Meu voto é contra o PT. Voto no Bolsonaro porque ele é antiPT. Se o adversário desse tal de Andrade fosse o capeta eu votaria no capeta”. Uma senhora evangélica entrou na conversa e deu razão parcial ao inflamado senhor: “Não , votar no capeta eu não votaria não.Mas se a disputa fosse entre o capeta e esse tal de Haddad eu anulava meu voto. O pastor disse esses dias num culto, que o PT é coisa do satanás”. Outro senhor, menos espalhafatoso disse que pensou em votar no Alckmin no  primeiro turno mas se decidiu pelo Bolsonaro depois da facada: “Tive a certeza que aquilo foi coisa do PT. Por isso mudei meu voto”.

A conversa seguiu e eu ali só ouvindo, porque a mim naquele momento interessava o laboratório, a compreensão do fenômeno Bolsonaro, que não resta mais nenhuma dúvida, será  o próximo presidente do Brasil. Fiquei um pouco injuriado e pensei em intervir, mas me calei, mesmo  diante do insulto que um cidadão dos seus 30 e poucos anos fez ao povo nordestino. Disse ele: “O Bolsonaro só não ganhou no primeiro turno por causa do Nordeste, que é um peso para o Brasil. Na Bahia, por exemplo, o Bolsonaro perdeu feio porque quando esteve lá prometeu criar 1 milhão de empregos no Estado. E vá falar em trabalho para aquele povo”.

Qualquer um que tentasse contra-argumentar naquele ambiente hostil estaria colocando a pele em risco. A mim, apesar de toda a indignação, restou o lado do laboratório a que me propus fazer naquele momento, como forma de compreender a tsunami em que se transformou o capitão da reserva. E também a certeza de que Ciro Gomes foi profético quando disse lá atrás, magoado com o emparedamento que lhe fez Lula e a alta cúpula petista: “Vamos ter clareza ,  Lula está brincando de Deus e convidando o país a bailar à beira do abismo”.

 

 

 

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