Improbo e ridículo

O diretório nacional do PMDB, que é presidido por Romero Jucá, notificou hoje o  senador Roberto Requião sobre  a decisão do conselho de ética  de expulsá-lo do partido. A alegação é ridícula:  “O senador  age em desconformidade com as teses e os princípios do partido”.

Que teses, que princípios, cara pálida? E que moral tem Romero Jucá, citado na Lava-Jato , para expulsar um senador, só porque este ousa discordar da relação promíscua que o PMDB mantém com o presidente ilegítimo Michel Temer?

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A culpa é de quem apanhou

Pela sentença da juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonese, da 5ª Vara da  Fazenda Pública de Curitiba, o governador Beto Richa não tem  culpa no  massacre de 29 de abril de 2015 no Centro Cívico. Os culpados são os  servidores que levaram bombas e cacetadas . Toda a ação foi autorizada pelo governador , que ao confiscar a poupança previdenciária de 300 mil servidores  provocou revolta do funcionalismo, principalmente dos professores , a categoria profissional mais consciente e organizada dentro do quadro próprio do Estado.

Beto Richa  foi declarado inocente e com ele o ex-secretário da Segurança Pública e atual  deputado, Fernando Francischini, o ex-comandante da Polícia Militar, César Kogut e os oficiais da PM, Hudson Leôncio Teixeira e Nerino Mariano de Brito. Em sua decisão a juíza  afirma que “não poderia se esperar outra conduta dos policiais que não podiam permitir a ocupação do Legislativo, por mais relevantes que fossem as reivindicações expostas pelos manifestantes. As agressões foram iniciadas pelos próprios manifestantes. Havia caminhão de som incitando a população”.

O blogueiro Ismael Moraes lembra, a propósito que “a maioria absoluta dos manifestantes de 29 de abril de 2015 era formada por educadores, cuja categoria é nitidamente composta por mulheres. O diabo é que há vídeos comprovando justamente o contrário, ou seja, o caminhão de som pedia para que a PM parasse de jogar bombas. Por outro lado, diante do massacre, o Palácio Iguaçu comemorava o ataque a manifestantes”.

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Diferenças fundamentais

Em artigo na revista Piauí, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Hadadd definiu com incrível precisão, a diferença entre o governo de Fernando Henrique e de Lula:

“A diferença é que FHC e Lula definiram estratégias distintas para alcançar o mesmo objetivo. O tucano dava mais ênfase ao capital estrangeiro e ao mercado externo. O petista priorizou o capital nacional e o mercado interno. Esses pontos de vista distintos determinaram políticas públicas muito discrepantes. Distribuir renda, por exemplo, pode representar uma ameaça, num caso, ou uma necessidade, no outro. Desnacionalizar as empresas pode ser uma exigência para o primeiro e um atentado ao desenvolvimento nacional para o segundo. E assim por diante.

Essas opções se refletem, às vezes, no alcance das políticas públicas. Um caso paradigmático é o Plano Nacional de Educação (PNE) de 2001. Aprovado pelo Congresso Nacional, o plano previa a universalização, em seis anos, do primeiro programa federal de transferência de renda. FHC vetou o dispositivo, alegando falta de fonte orçamentária. Lula percebeu que com ação semelhante poderia acabar com a fome na mesma medida em que dinamizava o mercado interno. Outros aspectos do PNE foram observados por Lula, que expandiu como nunca o acesso à educação superior, profissional e infantil das famílias de baixa renda. Transformou-se no “barão da ralé”.

No plano externo, Lula concebia a internacionalização da economia a partir do capital nacional. Toda a política externa de seu governo teve essa premissa: abrir mercados para as empresas brasileiras, agronegócio e construção pesada à frente, como vetores de um movimento mais amplo. As visitas que o ex-presidente fez a quase todos os países da África e do Oriente Médio, o desejo de fortalecer o Mercosul e a Unasul, o papel desempenhado pelo G20, a articulação dos Brics, todo o esforço da diplomacia Lula caminhava nessa direção. Ele realmente desejava que as empresas brasileiras crescessem e se internacionalizassem, imaginando que o Brasil também poderia engendrar, ainda que em escala menor, seus keiretsus e chaebols, os grandes conglomerados empresariais de Japão e Coreia, países de desenvolvimento tardio.

Fernando Henrique fazia uma outra leitura do papel que o Brasil poderia reivindicar no cenário internacional. Usando terminologia dos anos 60, eu diria que ele considerava que o país não tinha pernas para exercer uma posição de tipo subimperialista. O destino nos reservava um papel de tipo subcapitalista. O “príncipe da sociologia” nunca confiou na capacidade da burguesia nacional de empreender em escala internacional. Ao contrário, sempre a considerou limitada e condenada à submissão, cabendo ao país – mais com a ajuda do capital estrangeiro do que com a do capital nacional, estatal ou privado – promover o mero acoplamento à ordem internacional, deixando às nossas geográficas vantagens comparativas a função de nos situar numa posição mais favorável. O “entreguismo” de que foi acusado era apenas a tradução de sua visão sobre a baixa pretensão das nossas classes dirigentes.

 

 

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A dialética do ovo

Os ovos, mesmo quando se espatifam na testa, não doem. Mas são mais humilhantes do que pedradas. A prática de protestar com “bólidos brancos voadores” vem de longe. Vem, por exemplo do século XVI, quando o público do teatro renascentista se valia do ovo choco para protestar contra poderosos que pensavam e agiam com práticas da Idade Média. Aliás, já na Idade Média, ladrões de objetos de pouca importância, que hoje chamaríamos de “ladrões de galinha”eram sentenciados também com ovadas e tomatadas.

Ovada em políticos brasileiros não é novidade, principalmente em comícios. Como o que aconteceu tempos atrás em Mato Grosso, quanto choveu ovos num palanque em que discursava o governador Sival Barbosa e o prefeito de Várzea Grande, Wallace Guimarães.

No caso da chuva de ovos registrada por ocasião do casamento da deputada Maria Vitória, ficou claro que o principal motivo foi a revolta popular contra a ostentação, quando se sabe que a família construiu sua solidez financeira na vida pública. No caso de João Dória, recebido com chuva de ovos em Salvador, fica claro que ele é o típico caso da colheita de tempestade por quem semeia vento.

Sendo assim, porque o espanto e a condenação aos protestos populares? Os dois fatos devem, isto sim, é servir de exemplo para quem, como os Barros e o almofadinha João Dória Júnior, ainda não compreenderam, que ostentação e futilidades são incompatíveis com a atividade político-partidária. Mais do que isso: a democracia permite tudo, mas pune quem dela faz chacota.

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Nada de semântico nisso

A ´´reengenharia“ das palavras.
Os neoliberais e sua linguagem rebuscada:
Era funcionário, virou colaborador (com menos direitos, claro)
Era administrador público, virou gestor de cidades (para os amigos, claro)
E agora nazi-fascista está a ser chamado de supremacista.
E tem povinho que se afirma popular e progressista a aderir, sem pestanejar e pensar, a palavra. Vamos muito mal em nosso processo civilizatório.

. José Maschio (jornalista)

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Betinho, o grande


Eu tinha me emocionado esta semana vendo um documentário sobre a vida de Nelson Mandela no canal CURTA!. Hoje vi um sobre a história do Betinho, na Globo News. Que figura humana extraordinária era o irmão do Henfil, citado na música o Bêbado e o Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, interpretada magisterialmente por Elis Regina.

Betinho esteve 8 anos exilado,a maior parte do tempo no Canadá. Voltou ao Brasil assim que passou a vigorar o decreto da anistia, assinado pelo general Figueiredo, o último presidente-militar dos pós-64. Ao chegar, se espantou com as estatísticas da fome e passou a trabalhar em programas de combate a fome e à miséria. Criou um instituto para tratar do assunto e junto com outros intelectuais de esquerda, foi à luta, começando por uma grande campanha nacional de doação de alimentos. Ele rejeitava o rótulo de caridade, aquilo era solidariedade e um ponto de partida para o grande debate nacional sobre os graves problemas sociais do país.

A campanha foi o embrião do programa Fome Zero encampado pelo presidente Lula já no início do seu primeiro governo e que originou o Bolsa Família. Betinho chegou a ser indicado para o Prêmio Nobel da Paz. Morreu cedo com o vírus da Aids, que pegou numa transfusão de sangue (era hemofílico). Mesmo debilitado, ele foi até o fim da vida lutando contra a miséria no Brasil e participando ativamente dos movimentos pela restauração e consolidação da democracia em nosso país.

Betinho era o cara. Está na galeria dos grandes brasileiros, junto com Darcy Ribeiro, Dom Hélder Câmara , Milton Santos, Chico Xavier , Zilda Arns, Irmã Dulce e tantos outros. Apesar de todas as nossas mazelas, é animador saber que somos de um país que produziu tanta gente boa e devotada à defesa da democracia e da justiça social.

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Nem sempre palavrão é baixaria

SE ASSIM É QUE LHE PARECE, ENTÃO VIVA O PALAVRÃO!

O palavrão revela, invariavelmente, o baixo nível de quem o profere, certo? Errado. Depende muito do contexto em que é colocado, o palavrão pode até ser chic, dar um certo glamour à expressão do pensamento. Quem haverá de dizer que não é chic um palavrão na boca de um dos maiores professores de linguística do país?

Refiro-me a Pasquale Cipro Neto, que segundo Rodrigo Casarin, do Blog Página Cinco (UOL), soltou esta durante palestra em Salvador: “O Brasil não mudou PORRA nenhuma, a coisa continua feia como há 80 anos, quando Jorge Amado publicou ‘Capitães de Areia”.

Pasquale lembra que no livro ,” Jorge retrata garotos pobres de Salvador que vivem na rua e praticam atos ilícitos para sobreviver ou se divertir, mas também precisam lidar com seus sonhos, inquietudes, desejos e frustrações”.

O quadro continua o mesmo, é apenas mais grave, mais gigantesco (e dantesco) , consideradas as devidas proporções que a miséria tomou no Brasil de lá para cá. É triste a constatação do professor Pasquale, que está coberto de razão: a elite brasileira continua perversa, e portanto, estúpida , cretina e cada vez mais hipócrita. É mesmo uma porra!

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Reforma política abre caminho para o crime organizado

Novo sistema político favorecerá determinadas organizações

 

. Por Janio de Freitas (Folha de S.Paulo)

Marcola e Fernandinho Beira-Mar estão convidados a se tornarem próceres políticos. Com comando em todos os Estados onde suas organizações são bem-sucedidas. E com expressivas bancadas sob sua orientação na Câmara.

Não como convite, já como entrega, os evangélicos recebem as condições para compor, também na Câmara, a bancada mais poderosa como número de votos unificados. A mais propensa força a definir votações, portanto.

Essas duas inovações da “reforma política”, que melhor se chamaria reforma eleitoral, já contam com a aprovação preliminar na Câmara e têm explicação simples. Na regra há tempos adotada para compor a Câmara, o voto no candidato é contado também para o partido ou coligação de partidos.

Esses votos transferidos definem o tamanho da bancada partidária. Pela fórmula aprovada na Comissão Especial de Reforma Política, já em 2018 os eleitos serão simplesmente os mais votados. Os “puxadores de votos”, tipo Tiririca, que dão aos partidos totais capazes de eleger vários candidatos, deixariam de produzir esse efeito.

Apesar disso, o novo sistema inovará para pior. Interpretado, em geral, como facilitador de reeleição das cúpulas partidárias, mais do que isso, facilitará a intervenção eleitoral de determinadas organizações. Imagine-se Marcola e Fernandinho Beira-Mar mandando seu pessoal nos Estados concentrar-se em um ou alguns candidatos.

Tanto para dar os votos da própria organização, como para votos induzidos nas comunidades sob seu controle. Nem precisam fazer os mais votados: bastará que seus candidatos sejam bem votados, para estar assegurada forte bancada na Câmara. E nas Assembleias e Câmaras Municipais.

As correntes evangélicas, que já praticam o voto orientado, precisarão só de melhor entendimento, quanto a candidatos em comum, para formarem na Câmara bancada ainda mais numerosa que a existente. Não é preciso arriscar estimativas do que bancadas assim eleitas podem representar em questões problemáticas, como vários preconceitos, liberdade de pensamento e de expressão, revisões de legislação criminal, porte de arma, Judiciário, tantas mais.

No mesmo sentido de “reforma” está a aprovação, também preliminar, do limite de dez anos como ministro do Supremo e demais tribunais superiores. Eis uma questão controversa e sisuda.

A atual vitaliciedade é, a um só tempo, necessária e excessiva. O processo de escolha de novos ministros sujeita os tribunais superiores à eventualidade de nomeações impróprias, que a sabatina preguiçosa e interesseira do Senado não evita. O próprio decorrer da função está exposto a transfigurações que, se valiosas pela experiência e o maior saber, também podem mostrar-se muito prejudiciais.

Nestes tempos transtornados temos exemplos quase diários. Mas a vitaliciedade oferece condições inigualáveis para o exercício da liberdade de julgar, se há caráter com que fazê-lo acima de tudo.

Essa é outra reforma para pior. E não menos perigosa do que a anterior. Exige tempo e debate.

BRASILEIRINHAS

– O denunciado Michel Temer foi excluído do inquérito sobre formação de quadrilha no PMDB porque já figura em outro que o submete à mesma suspeita. Não foi isentado pelo STF, como pareceu.

– Há um setor com vida no Brasil inerte. É o de músicos, cantores e atores, que reagem à entrega da Rádio Roquette Pinto a uma turma do PMDB cabralino, ocupante da Secretaria de Cultura em troca de um voto pró-acordo de Pezão com Henrique Meirelles, por dinheiro para o Rio. Foram oito anos desenvolvendo uma programação baseada em inteligência, bom gosto, criatividade e cultura brasileira. Um manifesto, evento de solidariedade à ex-diretora Eliana Caruso e próximos atos rompem a convivência pacífica de artistas e intelectuais com Pezão, diferenciado de Cabral.

 

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