Fusão Embraer/Boeing é um mau negócio para o Brasil

O tema fusão Embraer/Boeing voltou ao noticiário nesta quinta-feira após divulgação de uma liminar da Justiça de São Paulo contra a venda de área comercial da empresa brasileira para a gigante norte-americana. Mas o rolo compressor pela formação da joint venture é tão poderoso que dificilmente a fusão, que muitos chamam de incorporação pura e simples, deixará de acontecer. É difícil imaginar que haverá alguma paridade entre as duas fabricantes de aeronaves, porque historicamente a Boing acabou engolindo todas as empresas menores do setor com as quais negociou fusão, inclusive uma gigante canadense que simplesmente foi incorporada (ou engolida no bom português) .

O que a propalada fusão da Embraer com a Boeing representaria para o Brasil não é assunto para leigos em economia como o blogueiro. Por isso, recorro a uma carta que o candidato a presidente Ciro Gomes enviou ao presidente da Embraer.S.A. no dia 13 de julho de 2018, pedindo suspensão das negociações até a definição das eleições presidenciais no Brasil.

A íntegra da carta é esta:

Ilmo, Sr.
Paulo Cesar de Souza e Silva
Presidente da Embraer S.A.

Prezado senhor,
Como pré-candidato à Presidência da República Federativa do Brasil pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) nas eleições do próximo dia 07 de outubro, sinto-me no dever de alertá-lo para a grave inconveniência do atual momento, a apenas 100 dias do pleito que irá escolher um novo Presidente, para a efitivação da anunciada compra da Embraer S.A. pela Boeing Inc.

Esta aquisição é hostil à segurança nacional brasileira em vários aspectos, uma vez que a divisão de Defesa e Segurança da Embraer, que hoje desenvolve projetos cruciais para o país, como o cargueiro militar KC-390, por exemplo, também dará suporte e fará a gestão, em conjunto com a Força Aérea Brasileira (FAB), do Acordo de Transferência Tecnológica dos caças suecos Gripen NG, o que vai permitir ao nosso país dominar a fabricação, a tecnologia de armamento e a engenharia de propulsão, abrindo assim uma nova era para a participação do Brasil no setor aeroespacial.

Ainda que a notícia da compra da Embraer pela Boeing diga que o Setor de Defesa e Segurança da Embraer não entrará no negócio, é sabido que a mutilação da empresa brasileira e a venda do seu setor de Aviação Comercial acabará com a sinergia e as vantagens comparativas necessárias para a impulsão do que restará da Embraer a novos patamares, como é a aspiração legítima e soberana do Brasil.

Assim sendo, venho, com o devido respeito, ponderar a Vs. Sa. que suspenda as negociações até a realização das eleições, de modo que o futuro Presidente, seja ele quem for, escolhido pela maioria dos brasileiros, tenha condições de inteirar-se dos detalhes desta operação e possa estabelecer um canal de diálogo, sendo o governo brasileiro detentor de uma Golden Share da Embraer, com a Boeing Inc.

E para dar a desejável transparência a este ato, de modo que fique conhecido do povo brasileiro o fato de que adverti o senhor, com respeito e ponderação, para a inconveniência de realizar uma transação desse porte na iminência de uma eleição presidencial, informo que divulgarei esta carta à sociedade brasileira.

Certo de que Vs. Sa. saberá reconhecer a pertinência e razoabilidade de minha argumentação, subscrevo-me, cordialmente,

Ciro Gomes
Pré-candidato do PDT
à Presidência da República Federativa do Brasil

PS: Carta com igual teor foi enviada ao presidente da Boeing INC, Mr. Dennis Mullenburg”.

 

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37,3 milhões sem carteira ganham metade do salário

Não é fake,  são números do IBGE que atestam a tragédia que foi a reforma trabalhista. O que está ruim pode piorar, porque a intenção do presidente eleito é aprofundar o presente de grego que Temer deu aos trabalhadores brasileiros.

                                       . Por Ricardo Kotscho,  no blog Balaio do Kotscho                       

         “É horrível ser patrão nesse país” (Jair Bolsonaro)

Bom mesmo, para o presidente eleito, é ser trabalhador sem carteira assinada, sem direitos, ganhando a metade dos empregados formais.

Para ele, que votou a favor da “reforma trabalhista” de Michel Temer, ainda foi pouco o que fizeram. Tem que arrochar mais os trabalhadores para deixar os patrões mais satisfeitos.

Temer prometeu que a sua reforma iria gerar novos empregos, mas aconteceu exatamente o contrário.

O que cresceu foi a informalidade, não o emprego, como mostram os novos dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira.

Em 2017, já eram 37,3 milhões os brasileiros trabalhando sem carteira assinada, 1,7 milhões a mais do que em 2016, o ano do golpe.

É a multidão que se vê vendendo churrasquinho e cachorro quente nas esquinas, os peões de obra sem direitos trabalhistas, os camelôs tomando conta das calçadas, as empregadas domésticas que viraram diaristas, os bóias-frias na agricultura.

O total de trabalhadores informais no ano passado já atingia 40,8% de toda a população ocupada que exerce algum tipo de atividade remunerada.

Entre a população de negros e pardos, o índice dos “sem-carteira” é ainda maior, chega a quase metade (46,9%).

Na agropecuária, o carro-chefe da economia nacional, a informalidade chega a 66,8% entre os homens e 75,5% das mulheres.

Carteira de trabalho, que agora querem pintar de verde-amarelo, virou coisa do passado.

Para os patrões, não tem coisa melhor: os “sem-carteira” recebem, em média, 48,5% do que é pago aos com carteira assinada.

Se estão achando que ainda é pouco para arrochar o salário dos trabalhadores, fica só faltando revogar a Lei Áurea.

Não falta muito.

Com a extinção do Ministério do Trabalho, fatiado em secretarias sob o comando de Sergio Moro e do Posto Ipiranga, e da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), se depender da poderosa bancada do agronegócio, onde a informalidade é maior, vai acabar a fiscalização do trabalho escravo.

Quem achar ruim vai ser chamado de “vermelho”, inimigo da pátria, pessimista que torce contra.

Para quem sempre viveu no bem-bom do serviço público, como militar ou deputado, sem precisar bater ponto, o importante é melhorar a vida dos patrões que apoiaram e bancaram suas campanhas.

A nova ordem não está para brincadeiras.

E agora não tem mais essa história de pedir impeachment, batendo panelas e cercando patos amarelos.

Derrubar Dilma foi brinquedo de criança, com um simples peteleco.

Quero ver agora derrubar os generais perfilados em torno do capitão presidente no Palácio do Planalto.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho foi prêmio Esso (espécie de Oscar da nossa  imprensa ) com a série de reportagens sobre mordomia no Estadão e faz parte do primeiro time do  jornalismo brasileiro. Há anos se dedica ao jornalismo de opinião, onde se destaca como um profissional competente e ético.

 

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Extinção do MT prejudica um lado das relações capital x trabalho. Adivinhe qual?

 

Relegar as relações de trabalho a um segundo plano é uma forma de dizer aos trabalhadores: pra que direitos se  o importante é o emprego ? Bolsonaro repete esse discurso desde o início da campanha, quando já dava sinais claros de que, uma vez eleito , atuaria em defesa do capital e jamais do trabalho.

A extinção do Ministério do Trabalho e Emprego diz tudo. É fato inegável de que a pasta tem passado  nos últimos anos por um processo de desvirtuamento tal, que  pouca relevância tem tido enquanto mediador das relações empregado/empregador. Tem sido o MT,inclusive , um dos ministérios mais envolvidos em casos de corrupção, como atesta o recente escândalo da vende de cartas sindicais.

Mas institucionalmente, trata-se de  uma das pastas mais importantes do governo, seja  qual for o presidente. Basta lembrar que é atribuição do Ministério do Trabalho classificar pequenas, médias e grandes empresas; fiscalizar o trabalho escravo e o trabalho infantil, que tem atingido proporções alarmantes em nosso país e  editar normas de monitoramento dos sistemas de prevenção a acidentes de trabalho, entre outras coisas.

E nunca é demais destacar que é de responsabilidade do Ministério do Trabalho a gestão dos recursos do FGTS e do FAT, que juntos, somam 792 bilhões de reais. É dinheiro usado para pagamento de abono salarial, seguro desemprego, PIS e também para investimentos em programas de moradia popular , caso do Minha Casa, Minha vida e projetos de infra-estrutura vitais para a qualidade de vida da população, como o saneamento básico.

Com a extinção, as atribuições do Ministério do Trabalho e Emprego serão  pulverizadas para outras pastas, devendo a mais importante, que é a administração desse quase trilhão de reais do FAT E FGTS cair nas mãos do super-ministro da fazenda Paulo Guedes. E que destinação será dada a essa dinheirama ? Podem apostar: o dinheiro será usado para pagamento de juros e de serviço da dívida. Não há garantia de que destinação mais nobre possa ser esperada pelo futuro governo, cujo chefe deixou mais uma vez explicitada esta semana a sua aversão ao trabalhador, quando declarou sem nenhum constrangimento, que “é horrível ser patrão”.

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Pesquisa da USP mostra que médicos recém-formados não querem trabalhar para pobre

Estudo da USP mostra que médicos brasileiros não querem trabalhar como médicos da família  e nem atuar no atendimento primário. Ou seja, querem tudo, menos clinicar para pobres. A pesquisa da Universidade de São Paulo foi abordada em extensa matéria da Folha de São Paulo, que destaca: “Apenas 3,7% dos graduados entre 2014 e 2015 aceitam  trabalhar na atenção básica”.

O próprio jornal lembra que “Médicos cubanos exerciam a medicina preventiva , visitando famílias, inclusive nos rincões mais pobres”. Com o rompimento do acordo provocado pelas bravatas do presidente eleito Jair Bolsonaro, o embuste veio à lume: médicos brasileiros se inscreveram rapidinho para preencher as vagas abertas, mas não querem atuar como generalistas, os chamados  clínicos gerais.

Segundo aponta a matéria da Folha “o Brasil é diferente de Cuba e de boa parte do mundo, porque aqui os médicos se formam já pensando em ser especialistas. Como a esmagadora maioria dos formados é originária de famílias brancas e ricas, dá pra imaginar agora que tipo de assistência terão daqui para a frente os mais de 20 milhões de brasileiros assistidos pelo Mais Médico nos últimos 5 anos.

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Bloco de oposição no Senado exclui o PT

Uma boa entrevista do senador eleito Cid Gomes (PDT-Ceará) agora de manhã na CBN. Ele falou basicamente sobre a formação de um bloco de oposição no Senado Federal, uma espécie de frente parlamentar que pense mais no país e menos nos partidos. Nesse bloco que já tem além do PDT,  a Rede, o PPS e o PRP, Cid  diz   que não cabe o PT,  “porque o PT continua  bastando-se a si mesmo e dando demonstração clara de que pretende fazer uma oposição radical ao presidente eleito. E pelo menos no início o presidente  merece crédito, visto que foi eleito pela maioria dos brasileiros que foram às urnas”.  Porém, e sempre tem um porém, Cid acha que os indícios  não são dos melhores. Isso porque  na formação do seu ministério Bolsonaro prenuncia um governo contraditório  no que diz respeito à condução da economia.  “Teoricamente, Bolsonaro tem uma formação patriótica, característica dos militares. Mas ele coloca para tomar conta do setor mais importante do governo um ministro oriundo da Escola de Chicago ,  cujas teorias econômicas estão em desuso no mundo”.

 

 

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Ciro organiza bloco de oposição sem o PT

Nasce nas redes sociais a União Progressista – Ciro 2022. O texto-base da página no face book é curto e grosso: “O objetivo do grupo é reunir uma oposição inteligente contra o governo de Bolsonaro. Com PT na jogada oBolsonaro tem razão de existir, sem o PT ele perde o rumo. Com o PDT na jogada, ele foge. Aqui todos da esquerda são bem vindos, desde os mais intransigentes ao mais centristas. O diálogo em torno de sugestões, coordenações e criticas construtivas são bem vindas”.

 

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Lula resiste à prisão domiciliar

Informa a colunista da Folha,  Mônica Bergamo,  que Lula rechaça a idéia da prisão domiciliar. Magoado e sentindo-se injustiçado tudo o que ele quer é ver sua sentença condenatória reformada pelos tribunais superiores – STJ e STF. A tese da reversão da pena para prisão domiciliar foi levantada em junho pelo advogado Sepúlveda Pertence (ex-ministro do Supremo), mas Lula vem resistindo ao benefício. Amanhã, a segunda turma do STF deve julgar um novo pedido de habeas corpus e tudo caminha para que os ministros mandem Lula pra casa, com tornozeleira eletrônica. Amigos e familiares do ex-presidente vêm insistindo para que  aceite, mas ele continua resiliente

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Síntese de uma escola sem partido

Como seria uma  escola sem partido ?  Seria, por dedução lógica,  uma escola com salas de aulas conflagradas, alunos de olho nos professores,  prontos para dedurar o mestre que  manifestar idéias contrárias aos valores éticos e morais da família brasileira com Deus pela liberdade.

A proposta garante o empoderamento dos que tem compulsão pela deduragem , deixando na linha de tiro o professor ou a professora que usar uma linguagem incompatível com a pregação da bancada evangélica na Câmara Federal.

Falar em concentração de renda  é sacrilégio, trabalhar temas que remetam à formação da cidadania é blasfêmia.  Que não ouse o mestre, a doutrinar nossos jovens com conceitos pedagógicos fundados no Método Paulo Freire,porque aí estará cometendo crime de lesapatriotismo.

Seja por meio da arte ou da ciência social, que os professores se comportem em sala, sabendo que na escola sem partido vale a máxima  do viver pela pátria e morrer sem razão. Nada de uma escola que estimule o debate, que ensine a pensar a partir do confronto de idéias.

Se a aula é de História, que tratem de decorar a data da chegada da Familia Real no Brasil; se é de Geografia, que tratem de ensinar  direitinho sobre as formações rochosas , mas ignorando ensinamentos marxistas sobre ocupação desordenada e criminosa do solo; que o professor de Português ensine  análise sintática mas não queira  impor sua cátedra com interpretação de textos avermelhados. Quer dar aula sobre a escravidão no Brasil, professor? Fique à vontade, mas  esqueça esse negócio de Navio Negreiros e capitães do mato.  Enaltecer   Zumbi dos Palmares e seu tio Ganga Zumba? Nem de brincadeira.

Dirão certamente,  que a escola sem partido é a redenção do ensino básico e médio no país, pois ela vai formar cidadãos competentes para o mercado de trabalho e comprometidos com a defesa intransigente dos valores morais e éticos da família tradicional.

A escola é lugar de aprender e não de apreender. Ouviram bem?

 

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