O que o setor do agronegócio não quis ouvir

“Paulo Guedes propõe acabar com o subsidio porque ele considera o subsídio uma distorção do sistema capitalista . Se ele fizer isso , destrói o agronegócio brasileiro. Ao destruir o agronegócio expõe um déficit  de transações correntes do Brasil com o estrangeiro em manufaturados, que faz a taxa de cambio navegar não pra 5 , mas  pra 10 reais. Isso quer dizer uma inflação de até 60% pra começar”.

. Ciro Gomes , numa sabatina na Globo News

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O PT deu e continua dando sopa pro azar

E num espasmo de sandice, Guilherme Boulos ainda fornece farta munição para o candidato da bala “metralhar a petesada”

Ao dizer, ainda que em tom de blague, que não invadiria a casa de Bolsonaro porque ela é improdutiva, dando a deixa para que sua claque gritasse “Bolsonaro preste atenção, sua casa vai virar ocupação” , Guilherme Boulos torna-se um importante cabo eleitoral do candidato da bala. Somando fatos como este à falta de um discurso mais afirmativo do candidato Fernando Haddad, eis que se consolida o cenário eleitoral que a direita mais almejava. Assim , Bolsonaro vai avançando na desarvorada trincheira inimiga, por onde passeia como Pelé e Garrincha passeavam pelas defesas gringas na Copa de 1958.

Impressiona a forma como Bolsonaro vem transformando mentiras em verdades, sem que o candidato do PT consiga se contrapor a elas. No máximo queixa- se das fak news, mas sem conseguir desarmar as minas que o adversário vai colocando meticulosamente em seu caminho. Haddad insiste na sua narrativa acadêmica e civilizada, quando civilidade é tudo o que parece não atrair a atenção de um eleitorado seduzido pelo discurso tosco e ameaçador.

Tudo piora quando se constata que a campanha do petista se isola no petismo, sem conseguir agregar , como seria natural, todo o campo progressista. A culpa dessa fragmentação é dos partidos e lideranças do espectro mais comprometido com o estado do bem estar social? É também, mas não só. Também , porque o momento é de formação de um dique de contenção ao avanço do nazifascismo no Brasil. Não só, porque o PT construiu esse isolamento lá atrás, na fase das articulações partidárias. Foi ali, de uma cela da Polícia Federal em Curitiba, que seu principal líder comandou, egoisticamente, o processo de construção de alianças para uma campanha que já se previa, de satanização da esquerda..

Agora, a coisa chegou num ponto que não há mais conserto, até pela exiguidade do tempo. Evitar a eleição de Bolsonaro, com um percentual de votos acima de todos os prognósticos, é tarefa quase impossível . Só um fato novo de extraordinária relevância seria capaz de promover uma reversão de expectativa.

Como fato novo não creio que surgirá, Bolsonaro segue em ascensão, relativizando suas manifestações de ódio e promessas de violência contra os adversários, que não são nada prosaicas, como prosaico quis ser Guilerme Boulos, no seu espasmo de sandice.

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Prenúncio de guerra religiosa e destruição da cultura afro

 

Lideranças que se julgam detentoras do monopólio da fé colocam raízes culturais brasileiras em risco

Um documentário sobre a batalha da fé que se trava principalmente nos morros de grandes cidades, caso específico de Belo Horizonte, é um tema sobre o qual a ciência social precisa se debruçar. São explícitos os conflitos religiosos em favelas, fruto principalmente da ocupação desenfreada desses espaços por evangélicos.

É visível o encolhimento das religiões de matriz africana, o que de certa forma tende a levar nosso país a liquidar suas principais raízes culturais. Dessa forma, o Brasil vai apagando aos poucos a sua identidade, já aleijada com o extermínio de populações indígenas , que o favorito nas pesquisas Jair Bolsonaro, quer liquidar de vez.

O que denuncia o documentário? Denuncia o desequilíbrio de forças  nos morros e favelas e o aumento assustador dos casos de intolerância religiosa. A campanha presidencial, principalmente agora no segundo turno, acirra a batalha da fé, estimulada de maneira irresponsável por lideranças religiosas , evangélicas principalmente. Parece clara a intenção de prepararem  uma espécie de cenário de guerra entre “os escolhidos” e os mundanos. Que são os outros.

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Deutschland über alles

               Frei Sérgio Antônio Görgen

Conheço um jovem negro, trabalhador, bem intencionado, manso no falar, sorridente, tranquilo na forma de conviver, educado e adepto de Bolsonaro.

Tentei entender o porquê. O motivo que me informou foi relacionado à violência, drogas, roubos e os bandidos soltos por aí sem ninguém fazer nada.

Procurei questionar se as propostas simplistas do candidato resolveriam o problema da violência. Percebi um bloqueio tipo “alguém tem que fazer alguma coisa”.

Em outro encontro com o bom rapaz tomei nas mãos uma propaganda do candidato do PSL. Lá estava escrito: “Brasil acima de Tudo.” “Deus acima de todos”.

Perguntei-lhe: “Você sabe qual era o lema de Hitler na Alemanha nazista?” Respondeu-me que não.

“Deutschland über alles.”

“O que quer dizer isto?” – perguntou-me.

“Alemanha acima de tudo”. Igual a este aqui: “Brasil acima de tudo”.

Pareceu-me ter ficado surpreso e confuso. Ainda disse-lhe que começa assim, com frases totalitárias que parecem simpáticas, e acabam em guerras entre irmãos.

Foram sempre conversas tranquilas e educadas.

E depois disto mais não conversamos.

Lembrei então de quando, anos atrás, estive na Alemanha e meu grande amigo Rolf Künnemann, então secretário executivo de FIAN ( entidade internacional que defende o direito humano à alimentação) me levou a dois lugares simbólicos.

Em Nuremberg, no estádio onde Hitler fazia suas concentrações militares, com o povo nas arquibancadas e do púlpito o ditador levantava o braço direito e gritava; e todos respondiam:

“Alemanha.”

“Acima de tudo.”

Num gesto inconsciente, no mesmo púlpito, levantei o braço. Em seguida, envergonhado, em oração, meditei: “também tenho um ditadorzinho dentro de mim, preciso cuspi-lo fora”.

Depois Rolf me levou à praça de uma cidade alemã. Lá estavam, no centro da praça, fotos da cidade destruída em 1945 após os bombardeios das tropas aliadas. Toda destruída. Andando pela cidade, a tinha visto reconstruída.

Não resisti a uma pergunta:

“Rolf, me explica uma coisa. Como é que um povo culto, estudado e inteligente como o povo alemão, pode embarcar num fanatismo desses?”

Disse-me que nasceu depois da Segunda Guerra e que fizera a mesma pergunta a seus pais. E a resposta que ouvira deles fora:

“Foi como se tivéssemos tido um sonho coletivo de sonâmbulos. Quando acordamos, tudo tinha acontecido”.

Há fascistas convictos e dirigentes e estes precisam ser derrotados.

Mas quantos são simples sonâmbulos que podemos acordar deste sonambulismo que atinge gente boa da sociedade brasileira?

(*) Frade Franciscano, Militante do MPA e autor do livro “Trincheiras da Resistência Camponesa”.

 

 

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A tentativa ridícula de ressurreição de um fantasma

O programa de Bolsonaro na televisão começou explorando o fantasma do comunismo, com ênfase no Foro de São Paulo . E o que foi o Foro de São Paulo senão um devaneio da esquerda latino-americana, de construir  um dique de contenção ao avanço imperialista no continente e ao neoliberalismo que todos sabem, é concentrador de rendas e excludente?

Mas o passar do tempo mostrou que foi mesmo um devaneio e que o sonho de tornar a Al uma poetencia socialista tornou-se anacrônico.  E , tão anacrônica quanto a ideia inicial é a campanha que Bolsonaro inicia no horário eleitoral , tentando ressuscitar  uma “guerra fria” tupiniquim, totalmente fora de moda , para não dizer ridícula.

 

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Sinal de alerta

À medida que o segundo turno caminha e Bolsonaro cresce nas pesquisas, mais a sua tropa de choque se assanha e se mostra violenta, quer nas ruas, quer nas redes sociais, quer nos pitacos que dá nos blogs. Confesso que está ficando meio assustador. Se Bolsonaro perde, o que é uma hipótese remotíssima, certamente a fúria será grande, porque não aceitarão a derrota. Se ganha, que é a hipótese mais provável, manifestarão violência talvez ainda maior, impulsionada pelo discurso do candidato, que é de sedimentação de uma cultura de ódio,  sem  precedente na nossa história republicana. Liberei agora de manhã vários comentários a postagens que fiz nesse blog. A maioria não deveria ser liberada, mas fiz isso para mostrar a que ponto está chegando a intolerância. Assim, externo  publicamente a minha preocupação com esse clima de vendeta, que só Deus sabe no que vai dar.

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