Não é bem assim, mas é quase

Uma informação na matéria de capa de O Diário de hoje, que mostra resultado da pesquisa DataFolha, leva o leitor a questionar se os números já não garantem Richa com intenção de voto suficiente para vencer no primeiro turno. A informação está no quarto parágrafo da matéria e diz:
“Se forem considerados apenas os votos válidos, de acordo com os números da pesquisa do Datafolha, Richa vence a eleição no primeiro turno, com 51,7% dos votos”.
É quase isso, mas a informação é imprecisa.
Para chegar aos 51,7%, o cálculo leva em conta que aos 6% que dizem ter intenção de anular o voto ou de votar em branco se somarão os 9% daqueles que se dizem indecisos. E essa não é uma premissa válida. Indeciso é indeciso. É aquele que ainda não sabe em quem vai votar.
É diferente da abstenção. Esta mostra aqueles que não vão votar. E dentre os que manifestam sua intenção de voto, há muitos que não comparecem na urna para votar. Esse é um importante elemento que mostra desvios de pesquisa. Aqueles que levam quem está atrás nos apontamentos dizer que pesquisa não tem valor. Tem.
Se considerarmos a abstenção dos últimos pleitos, que esteve sempre acima dos 15%, e tomando por base o que ocorreu em 2010, quando foi de 16,45%, e repetirmos o número para esta eleição, Beto faria 52%; Requião, 35% e Gleisi 11%. Suficientes para Beto vencer no primeiro turno.
Antes que os tucanos deixem as ruas, onde estão pedindo votos para ir comemorar, os problemas:
Primeiro: com margem de erro de 3%, a eleição continua no limite extremo da margem. Beto, no cenário menos favorável, teria 49% e a soma dos demais, 51%.
Segundo: a premissa de que a intenção de votos permanece inalterada ante a abstenção não é válida. É possível que dentre aqueles que não compareçam para votar esteja um contingente grande de votos pró Beto.
Em resumo: a eleição acaba quando termina, segundo o “filósofo” Vicente Mateus. Até lá, muito trabalho.

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Continua o mesmo

O resultado do Datafolha que mostra Beto Richa com 44% das intenções de voto contra 28% de Requião e 10% de Gleisi reforçam aquilo que o blog já escreveu sobre a corrida ao Palácio do Iguaçu: Beto Richa está no limite de vencer no primeiro turno. Agora, no limite extremo. A margem de 3% sugere que há um risco ainda de termos segundo turno. Risco que vai ficando cada dia menor em função do tipo de campanha de Requião vem fazendo e a incapacidade de Gleisi em sustentar os próprios índices.

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Adversário de Beto é o segundo turno

Com os números do Ibope aparentemente contrariando os do DataFolha, muita gente questiona qual instituto está errado. Bem, possivelmente, nenhum. Já escrevi diversas vezes sobre o assunto, mas toda a vez que aparece um resultado o pessoal cobra. Vamos lá:
As pesquisas não podem ser lidas pelo seu valor de face. Mas por aquilo o que indicam. E, no Paraná, o que indicam é uma indefinição em relação ao segundo turno.
Os números do DataFolha, muito comemorados pelos requianistas, são agora reforçados pelos do Ibope sugerindo a mesma coisa: Beto Richa lidera o certame e está no limite de vencer no primeiro turno.Seu adversário, portanto, é a possibilidade ou não de um segundo turno.
Na pesquisa DataFolha, Beto tinha 39%, Requião 33% e Gleisi 11%. Com uma margem de 3%, tanto podia ser 42% a 29% pró Beto em relação a Requião como um empate em 36% entre os dois. Furor de REquião. Porém, o Ibope mede que Beto soma 43% e Requião 26%. Que podem ser 40% contra 29%. E Gleisi, que podia ter entre 8% e 14% no DataFolha, aparece com 14% no Ibope. Ânimo para uns, desespero para outros e tentativas recíprocas de desqualificar os institutos.
Porém, o que os números mostram é sempre o empate técnico de Beto com a soma dos concorrentes. No DataFolha 44% dos demais contra 39% de Beto e no Ibope, e 43% para Beto e 38% para os demais. Novamente empate técnico.
A diferença dos números? desvio de amostra. Coisa natural em pesquisa. Se um candidato aparece numa faixa da amostragem muito forte, pode desequilibrar o restante da medição. E Requião está bem em Curitiba. O quanto, os números indicam que suficiente para deixar em suspenso a realização do segundo turno. Só isso. O resto é torcida.

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Tudo do zero

A morte de Eduardo Campos colapsou a campanha eleitoral de 2014. É como se tudo começasse do zero. Campos foi o governador que retomou Pernambuco para o centro do debate político e o fez com competência e muita aceitação popular. E sua morte, em plena campanha eleitoral muda tudo. Claro que seu partido não vai comentar, agora, as possibilidades. Mas quem tem na chapa o nome de Marina Silva não está, necessariamente, desprotegido. É bom não esquecer que grandes tragédias precedem grandes mudanças.

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Gleisi garante que isenção de importação não cai

Por meio de nota, a senadora Gleisi Hoffmann (PT), que está em campanha ao Governo do Paraná, garante que a cota de isenção para produtos importados que entram no País por meio terrestre não sofrerá o corte anunciado pela portaria assinada pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda. Segundo a nota da candidata, a Portaria 307 do Ministério da Fazenda que reduzia de US$ 300 para US$ 150 a cota de compras no Paraguai será suspensa. “Esta medida não vai entrar em vigência. Era, na realidade, uma regulamentação sobre free shops e não deveria tratar da cota. A redução será suspensa e vamos voltar à cota de US$ 300”, disse a senadora por meio de nota.
Se Gleisi, que é senadora, sabe mais do executivo que o ministro, ainda não se sabe. Mas que a coisa mostra um enorme desencontro no governo e sua base, disso não há dúvida.

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Acabou a mamata

Portaria assinada pelo ministro Guido Mantega reduz, de US$ 300 para US$ 150 o limite de isenção para compras no Paraguai. Uma punhalada mortal nas economias de Foz do Iguaçu e, na nossa região, de Guaíra. Transforma numa penada os compristas em contrabandistas.

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João Ubaldo, adeus

Getúlio, personagem central de Sargento Getúlio, obra que lançou João Ubaldo Ribeiro (foto) ao píncaro dos grandes romancistas brasileiros, é um homem bruto que pouco compreende as transformações que o mundo a sua volta sofre. E se resigna a cumprir aquilo que entende ser sua missão, mesmo que o preço por sua decisão seja a própria morte. Para Getúlio, policial da volante sertaneja dos anos cinquenta, a violência é seu dia-a-dia. É movido por uma moral própria, alicerçada no heroísmo que remonta à Ilíada de Homero. Getúlio é Aquiles, a quem a honra e a glória justificam a morte em juventude. A bela morte, que para os gregos antigos era a passagem ao estado de glória que perduraria por toda a duração dos tempos vindouros.
Aquiles se diz sujeito de dois destinos que lhe foram oferecidos desde o nascimento. E um exclui o outro. A glória em morte ou a vida mansa e destinada ao esquecimento. Aquiles escolhe a glória. Mesmo que isso lhe custe a vida em pleno apogeu de sua virilidade. Getúlio, incapaz de compreender o mundo em transformação – um mundo feudal da política coronelista do sertão baiano – escolhe a glória de cumprir sua missão. Levar seu prisioneiro até Sergipe, mesmo que o prisioneiro não tenha mais qualquer importância. Ou a missão não tenha mais sentido.
Getúlio é homem de honras. Cumpre seu destino. Mesmo que ele seja enfrentar a própria polícia de quem é parte, para entregar o prisioneiro ao delegado que não o quer. Morre assim.
João Ubaldo é homem de glória, mas ao contrário da tese de seu romance, não precisou morrer cedo para que a glória lhe chegasse. E chegasse em vida. Por sua qualidade de romancista herdou uma das poucas cadeiras da Academia Brasileira de Letras conquistadas por mérito.
Nos deixa aos 73 anos na plenitude de sua criação. Além de Sargento Getúlio, deixa obras-primas como O Sorriso do Lagarto e Viva o Povo Brasileiro. Vai fazer falta.

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Como ficaram as chapas para deputados

A sopa de letrinhas está servida. São essas as chapas para deputado com pedido de registro no TRE-PR.
Para deputado federal, solteiros vão:
PMDB
PRTB
PSL
PCB
PRP
PSTU
Coligações:
PV/PLL
PT/PDT/PRB/PTN/PCdoB
PSDB/DEM/PR/PSC/PTdoB/PP/SD/PSD/PPS
PTB/PSDC/PHS/PMN/PEN/PROS

Para deputado estadual, ficou assim:
Solteiros:
SD
PTN
PSOL
PMDB
PSTU
PSD
PRTB
PTB
PSL
PPS
PCB
PTC
PRP
Coligações:
PP/PMN
PSDB/DEM/PSB/PROS/PHS
PT/PDT/PCDOb/PRB
PSDC/PEN
PSC/PR/PTdoB

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A fatura já vem

A inevitável associação do resultado vexatório da Seleção Brasileira na última terça-feira e o desempenho eleitoral da presidente Dilma já se espalha pelos analistas políticos, palpiteiros e apaixonados (por futebol e política) Brasil afora. Até o Financial Times arriscou seu pitaco.
Sim, a humilhação das semi terá reflexos no humor do torcedor que também é eleitor. O quanto, nos próximos dias as pesquisas mostrarão. Que Dilma não tem qualquer culpa pelo resultado em campo, isso é óbvio. Mas que o desastre reflete diretamente nela, também. Principalmente depois de tentar, por conta e risco, se associar da boa aprovação que a Copa vinha tendo do torcedor/eleitor. Vinha tendo, ressalte-se.
A curiosidade da hora é descobrir quem vai dar o primeiro tapa de gato. Se os tucanos de Aécio ou os socialistas verdes de Campos. Depois, saber quem vai herdar o mau-humor dos descontentes.

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De saída

Acabo de entregar ao prefeito Roberto Pupin uma carta na qual lhe peço que me libere para deixar o seu governo. O pedido, que espero seja atendido, ocorre por conta da iminente candidatura de meu único irmão à reitoria da UEM. Nesta disputa, que promete ser dura, meu irmão irá precisar muito de minha ajuda. E não posso me furtar a dar-lhe todo o suporte e toda a contribuição possível. Na condição de secretário do município, isso seria severamente comprometido.
O prefeito recebeu contrariado minhas explicações. Não era o que ele esperava no momento. Principalmente porque, quando do convite que me fez, eu havia me comprometido a ir com ele até o final do governo. Porém, com uma ressalva, que não houvesse ao longo do caminho uma necessidade familiar. Que é o caso.
Pupin, com grande homem que é, e mais, um homem de família, sabe como essas coisas pesam.
Ao final da nossa conversa, demonstrou compreender minhas razões e, mesmo aborrecido pelo meu desejo de sair agora, disse que irá me liberar do compromisso.
Agradeço muito ao prefeito.
Pela oportunidade, pela confiança e pela amizade que continua inabalada. Mesmo quando as coisas não ocorrem exatamente do jeito que se desejava.
Continuamos juntos, como ele mesmo gosta de dizer “junto e misturado”. Mas, agora, comigo fora da administração.

Aqui a íntegra da carta entregue ao prefeito.

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O maior

Pinga Fogo foi o maior comunicador que já passou por Maringá. Dotado de uma capacidade ímpar de compreender as angústias e desejos do seu público, conseguiu construir uma linguagem eficiente para falar diretamente ao coração do seu espectador e ouvinte. Por décadas seguidas, foi a maior audiência do sistema Bandeirantes de Televisão, em todas as suas praças. Do nível de Abelardo Barbosa e Silvio Santos, não seguiu carreira nacional por opção. Amava sua Jandaia e não conseguia se afastar dali. É uma escola que poucos se dignaram traduzir e muitos menos a com ela aprender. Estes, preferiram o outro caminho, o de tentar desconstruir sua figura.

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O cartão que facilita a vida do cidadão

O Portal da Saúde maringaense (aqui), lançado pelo prefeito Roberto Pupin com a presença do ministro Arthur Chioro, traz uma inovação importante para o cidadão. Navegando pelo portal, o usuário pode acessar o Cartão Saúde informando login e senha e, a partir daí, ter acesso a todo o histórico de atendimentos na rede SUS. Lá é possível obter a via da carteira de vacinação, que as pessoas sempre perdem e esquecem ser um documento pessoal da importância da carteira de identidade, e os exames realizados. Serve, também, para que o médico acesse o prontuário do paciente e, com isso, sabia a medicação de que faz uso. É um avanço formidável na vida do usuário e uma ferramenta de comunicação que impressionou os técnicos do DataSus e do próprio Ministério da Saúde.
Chegar a esse ponto não foi fácil. Exigiu um enorme esforço da administração, especialmente da Secretaria de Saúde com quem a Secretaria de Comunicação trabalhou para apreentar o portal da maneira como está. Claro que a militância mercenária dos blogs da oposição não consegue ver mérito nisso. Afinal, depende de muito trabalho, coisa que esse pessoal desconhece o que seja.

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Uma lágrima pelo grande mestre

Morreu Luciano do valle. Nos vimos pela última vez na convenção dos jornalistas da Band há dois anos em Brasília e ele confessou se recurerar de um AVC sofrido um ano antes. Por conta do acidente, teve dificuldades em seguir com as narrações pela emissora. Esquecia nomes, faltava vocabulário em momentos tensos da pArtida.
A crítica voraz nao perdoou. Chamaram-no de ultrapassado. Nao sabiam do detalhe e de sua luta em recuperar a fluência verbal. Resistiu e seguiu com o mister que fez dele um mito. Os espectadores mais jovens nao têm a dimensão do quanto Luciano foi grande. Na profissão e em caráter. Herdou na Globo o posto de número um na narração de José Geraldo de Almeida e lá reinou até ser substituído por um jovem de voz bonita que fazia a Formula Um pela Bandeirantes, chamado Galvão Bueno. Trocou de posto para ser o dono do Esporte na Band, de onde numca mais saiu. Foi o responsável por mudar a marca da emissora, cujas cores eram vermelho e preto e, por sua sugestão, viraram verde e amarelo. Dele aprendi o gosto pela Narração e foi o espelho em quem sempre me inspirei.
Na última vez que nos vimos, falamos de momentos históricos que ele guardava de memória. Coisas impressionantes como o público pagante de uma partida de vôlei do Brasil contra a União Soviética no Maracanã’ trinta anos depois de acontecido: “cento e dezoito mil e oitenta e três pagantes”. Só quem é completamente apaixonado pelo que faz guarda um dado desses de memória. Perguntei sobre quem via como seu sucessor na TV. Não apontou um nome, mas elogiou muito um rapaz que passou aqui por Maringa: Ulisses Costa.
Vai mestre, descansa sua voz e se junta outros craques, como Armando Nogueira e Nelson Rodrigues para narrar partidas memoráveis com Sócrates, Djalma Santos, Garrincha e tantos outros imortais.

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