INVERNO INTERNO

 

A nevasca que se instala na soleira,

bem se assemelha ao que sinto.

Há inverno no coração mal cicatrizado,

saudades gritando pelas frestas:
quente por fora e fria por dentro.

Ouço ecos diferentes do que as paredes

de nossa alcova outrora presenciaram.
A loucura é fiel companheira,
nos momentos que clamo companhia.

Afinal como viver daquelas ilusões,

no contraste do pragmatismo velado?

Se daquele cego êxtase que vivemos,

restaram apenas alguns sonhos,

prefiro condená-los  à lareira,

destruindo o que abrasava em lava.

Penso.
Escrevo.
Apago.
Sonho e reescrevo só no pensamento,

tudo já foi dito anteriormente,

minhas palavras também anoiteceram,

desistidas de esperar que voltasse.
Alguns me chamam de guerreira,

hoje seria um ótimo dia para se desistir!

Culpariam a tempestade de neve,

ou a lareira acesa e descuidada.

Não imaginariam que eu me lancei,

entremeada às Cartas de Evita em chamas,

indo ao encontro do soldadinho
que sorrindo me acenava.

Flor Bela, não Eu
(livro no prelo)

 

prosa poetica
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