Câmera na mão e… ideias!

Você já pensou sobre o tempo que desenhar, pintar e fazer colagens ocupam na rotina dos alunos? Tão valiosa quanto todas essas atividades, a fotografia é algo raramente trabalhado com as crianças. Quando é, em muitos casos, se resume à apreciação de imagens e ao estudo da técnica.

Os pequenos são capazes de serem autores das próprias imagens. Com um projeto bem estruturado é possível conseguir que eles não apenas saiam por aí clicando, mas refletirem a respeito do que estão fazendo. Prova disso são as crianças atendidas pela Legião da Boa Vontade (LBV), em Maringá, que participaram de uma oficina de fotografia. O objetivo da atividade foi mostrar a importância da imagem na comunicação e, principalmente, a capacidade de levar informação através de um único registro fotográfico.

DSC_0421Para ilustrar a oficina, os atendidos da LBV foram até a fonte da informação. Com exemplares do jornal O Diário do Norte do Paraná em mãos, cada uma escolheu uma foto que representasse uma mensagem imediata, sem a necessidade de ler a legenda que a acompanhava.

Com a foto escolhida, retratando os mais variados assuntos do cotidiano, as crianças apresentaram aos demais colegas a imagem e o que conseguiu absorver a partir do trabalho do fotógrafo. “A apresentação proporcionou comentários que geraram a participação dos demais atendidos. Desta forma, foi exposto como a presença da fotografia é importante na comunicação e a capacidade de chamar a atenção do leitor para determinado assunto, mesmo sem a leitura do texto”, destaca o assessor de imprensa da LBV, Paulo Araújo.

Depois da teoria discutida, as crianças receberam a missão de fotografar, em casa ou no bairro, alguma imagem que retratasse os problemas que a cidade enfrenta todos os anos em relação à dengue.

IMG_5873Seiji Gabriel, 10 anos, ficou entusiasmado com a ideia de ir à prática. “A gente pôde pegar a câmera e fotografar com bastante liberdade. Eu achei interessante registrar os problemas e mostrar isso em uma foto. Muita gente já morreu por causa da dengue e ainda tem outras nos hospitais. Através de uma imagem a gente pode contribuir para acabar com a doença e chamar a atenção daquelas pessoas que não fazem a sua parte.”

Richard Aleandro Locatelli, 10 anos, está entre os moradores da cidade que sofrem com a falta de cuidados nos quintais e que contraíram o vírus da dengue. “Eu e outras pessoas da minha família já pegamos dengue. Foi horrível.” Para Richard, o problema não está no mosquito e sim na falta de cuidados da população. “Não é a dengue que está vindo, mas as pessoas que estão ajudando a dengue a procriar ao jogar lixo em lugar impróprio.”

Alanis Boer dos Reis, 9 anos, saiu para fotografar e ficou impressionada com o que encontrou. “Imaginei que encontraria talvez papel de bala ou pequenos plásticos com água. Mas não vasilhas com poças. Isso é um perigo para a sociedade.” E conta como a oficina ajudou a ver a fotografia com um olhar mais crítico. “Registrei um pote com água para mostrar às pessoas que isso oferece risco à nossa saúde. Quem deixou aquele lixo não pensou que, além de estar se prejudicando, está também prejudicando aos que passam por ali.”

Em tempos de tecnologia, as fotografias podem se tornar um recurso didático de alta eficiência, principalmente através das modernidades que circulam pelas salas de aula, como os aparelhos celulares. Sendo assim, ao invés de proibir o uso dos aparelhos, porque não criar um projeto de trabalho que vise o aproveitamento de recursos tecnológicos, através das fotografias? Sem sombra de dúvida, essa atividade proporcionará grande entusiasmo nos alunos e, assim, aulas mais atrativas.

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Entrevista: professora escreve livro sobre a síndrome de Burnout

  1. SoraiaO DIÁRIO NA ESCOLA: De onde surgiu o interesse pela pesquisa sobre o mal-estar docente?

Soraia Nunes Marques: Grande parte deste trabalho teve origem na disciplina de Prática de Ensino, do curso de Pedagogia, durante a fase de estágio nas escolas. Durante as minhas observações um fato me chamou a atenção. Percebi em alguns professores certa apatia em relação ao fazer pedagógico. Entravam na sala de aula, aplicavam a atividade e se afastavam apressados, como se quisessem fugir dali. Este tipo de atitude me incomodou e me fez perguntar se a vida profissional que eu aspirava, seria “aquilo” que eu estava presenciando.

  1. A sua pesquisa resultou na produção de um livro. Quais os principais aspectos abordados na obra?

R: Na primeira seção é possível ver uma retomada histórica sobre o conceito de felicidade, desde a antiguidade até os dias atuais. No capítulo seguinte há uma discussão sobre o dia-a-dia do professor focalizando a síndrome de Burnout como expressão do mal-estar docente. Em seguida, comento sobre a relação entre a saúde do educador e suas emoções. Por último, procuro definir conceitos e propor ao docente a posse do conhecimento para que possa ter uma visão crítica e reflexiva de si mesmo e do mundo em que vive. Destacando que a alegria no trabalho não é dádiva dos céus, esta exige esforço, coragem e dedicação.

  1. Nas palestras que realizou sobre o tema de seu livro, como foi a participação dos professores?

R: Costumo questioná-los se são felizes, neste momento eles respondem que como pessoas, o são, mas como professores não têm condições de o serem. É como se fossem duas vidas e uma não tivesse conexão com a outra. Pessoas fragmentadas, numa sociedade dividida, profissionais que durante a formação aprenderam conteúdos incomunicáveis apresentados por professores especialistas. Estes fatores me inspiram a continuar meu trabalho, na esperança de que com educadores mais satisfeitos, menos frustrados e mais respeitados, sintam-se felizes.

  1. O que mais tem afligido os profissionais da educação atualmente?

R: Os métodos de ensino têm passado por sucessivas mudanças, tanto técnicas como estruturais. Muitos são os “pacotes” recebidos de cima, mas maiores ainda são as dúvidas dos docentes frente às chamadas “inovações”. Na cobrança para a utilização da nova proposta urgente, o que resta é ensinar do jeito que se entendeu, do jeito que der. O professor se depara também com a necessidade de desempenhar vários papéis, muitas vezes contraditórios, pois ao mesmo tempo em que se exige dele a estimulação da autonomia do aluno, pede-se que se acomode às regras do grupo e da instituição. Há pressões de todos os lados que podem suscitar efeitos colaterais, não anunciados nos contratos de trabalho.

  1. A indisciplina dos alunos pode ser responsável pelos vários casos de professores constatados com a síndrome de Burnout?

R: Com certeza. A falta de comportamento do estudante em sala de aula resulta em um educador sobrecarregado, exausto, estressado que acaba dando aulas cansativas e antiquadas, gerando alunos desmotivados, desinteressados e por consequência, ainda mais indisciplinados. A união desses fatores tem diminuído a capacidade de tolerância e o autocontrole do docente, e assim, surgem conflitos na relação professor-aluno. Com a falta de ordem cada vez mais presente na vida escolar, e os educadores não sabendo lidar com ela, assim como também não sabem lidar com o Burnout, o que resta é um problema universal.

  1. Como os educadores percebem que estão sofrendo de Burnout?

R: O diagnóstico da síndrome é muito difícil, pois ainda não se tem instrumentos válidos e postos à disposição da comunidade médica. Muitas vezes a pessoa pode ser acometida da doença e não apresentar os sintomas do Burnout. Parte dos professores são afastados do trabalho e os fatores geralmente alegados são o estresse e a depressão. Psiquiatras afirmam que hoje a doença já atinge de 30 a 40% da categoria. Muitos são os profissionais que estão adoecendo e ainda estamos longe de saber exatamente como lidar com isso.

  1. Ao seu ver, como deveria ser o “ensinar” dentro das escolas?

R: Ensinar é um ato criador, um ato crítico e não mecânico. A curiosidade do professor e dos alunos, em ação, se encontra na base do ensinar-aprender. Esta proposta requer incentivo por parte do educador, pois o convida a sair da visão limitada. Requer disposição para ser agente transformador de uma sociedade. Requer, também, que o professor realize este ensinar satisfatoriamente e não apenas reproduza o ensino por meio de conteúdos incomunicáveis.

  1. Qual a sua esperança para o futuro da educação no Brasil?

R: Somos sempre movidos pela esperança. Prefiro acreditar que a atual situação de desânimo e mal-estar docente não é o fim. Pelo contrário, é um recomeço, uma possibilidade de olhar por outro ângulo e enxergar saídas. Pensar em transformar uma realidade que avalio como injusta e perversa, e fazer com que esse pensamento ilumine a prática. Infelizmente, nos últimos tempos, a cultura parece algo abstrato e distante demais. Prova disso são os intermináveis cursos de capacitação, nos quais muitos professores vão apenas para assinar a lista de presença e cochilar nas cadeiras. Esta realidade precisa ser mudada, urgente.

 

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O mal-estar docente

Muitos educadores têm adoecido devido a fatores relacionados à profissão. Nas escolas é possível ver uma mistura de indisciplina, desmotivação e aulas cansativas. Diante desta realidade, a professora e escritora Soraia Nunes Marques sentiu a necessidade de buscar informações para tentar mudar essa situação. O final da pesquisa resultou na produção do livro “Formação de professores felizes: evitando a síndrome de Burnout”. Na obra a autora busca respostas, na própria pedagogia, para diminuir os efeitos dos problemas capazes de abalar a saúde do professor.

livro Soraia

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Copa do Mundo: aulas show de bola

Os apaixonados pelo esporte e aqueles que nem costumam torcer estão convivendo diariamente com o assunto, mesmo antes de se iniciarem os jogos entre 32 seleções. O tema está nas rodas de conversa, nos jornais e noticiários. Nas 12 cidades-sede espalhadas pelo país as obras de infraestrutura já mudam a paisagem e as lojas inundaram as vitrines de produtos verde e amarelo. Difícil, portanto, a escola ignorar o megaevento.

Foi pensando nisso que a equipe do Colégio Estadual Alberto Jackson Byington Júnior, de Maringá, iniciou uma verdadeira campanha rumo à conquista do hexa. “Perceber que somos uma corrente me inspirou nesse projeto de resgate ao espírito do mundial. Sabemos que parte dos brasileiros são loucos por futebol, e com essa iniciativa de decorar a escola e o estudo da Copa em diferentes disciplinas procurei mostrar aos outros professores e aos meus alunos que os jovens podem, e até devem, ser patriotas”, enfatiza Jordeleide Lima Leite que leciona a disciplina de Educação Física.

Vários educadores estão dedicados para celebrar o amor à pátria, mas o trabalho que se destacou por sua originalidade foi o da disciplina de Inglês, coordenado pela professora Juliane Edmara de Souza.

A partir do texto intitulado “Soccer”, escrito por Denilso de Lima – autor do blog Inglês na Ponta da Língua, Juliane apresentou aos estudantes como é a narração de uma partida de futebol quando se usa termos da língua estrangeira. Confira um trecho: “Os matches – jogos ou partidas – geralmente ocorrem nos weekends – finais de semana – ou Wednesdays – quartas­feiras.” A professora destaca que a leitura metade em português e metade em inglês facilitou a compreensão e despertou a curiosidade em saber mais sobre o idioma, principalmente no que se refere ao esporte.

O estudante Lucas Araújo conta que a produção lida na aula de inglês trouxe novo vocabulário de uma forma simples de ser entendida, e Kevin Oliveira completa “além da tradução nos ensinar uma língua diferente, ainda conheci termos utilizados durante as partidas de futebol.”

Foto AbreEscritores na Copa

Outro espaço que tem sido tomado pelos alunos do Colégio Byington, é a biblioteca. Priscilla Kelly Bressan e Graciana Fernandes Longo elaboraram uma prateleira de livros diferente. As bibliotecárias separaram obras somente de autores estrangeiros, cujo seus países irão participar da Copa do Mundo de 2014, e assim, foi criada a estante: ‘Escritores na Copa’. “O intuito desse cantinho é despertar no estudante um interesse a mais nesses países, em especial, por seus escritores”, ressalta Priscilla.

Com tantas novidades no espaço de leitura, os alunos se motivam a emprestar livros e ganham, como incentivo, um marca página personalizado com a imagem do Fuleco – brinde produzido pela bibliotecária Luzia de Fátima Palma Klokner.

“O projeto é muito bom porque desperta o interesse do aluno, que mesmo diante de todos os problemas e críticas que ele vê na televisão e outras mídias sobre a Copa, ainda se motiva a buscar novos conhecimentos”, conta a professora de Artes, Rozeli Bocca.

O estudante Rian André da Silva Pinto comenta está adorando as atividades. “Conheci sobre a cultura e até fatos curiosos dos países que estarão no Brasil para a disputa do campeonato. Descobri que esta é a segunda vez que a Copa do Mundo será realizada no aqui. Agora é começar a leitura dos livros e a da biografia dos autores, tenho certeza que será só diversão!”

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Criticidade na Copa

D­esde que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol, e com a proximidade do megaevento, tudo o que envolve o tema tem gerado divergência de opiniões. A realização do torneio exigiu investimento pesado em várias áreas, como transporte, infraestrutura e, principalmente, a construção de novas arenas esportivas nas 12 cidades-sede. Diante desse cenário as professoras Edilaine Varize Poletine, Juliana Alcantara André e Zuleide Ghizzo que lecionam aos quintos anos da Escola Municipal Padre Mateus Elias, de Doutor Camargo, realizam atividades que enfocam mais do que o amor pela seleção verde e amarela. Nas semanas que antecedem o campeonato, elas desenvolveram propostas de reflexão sobre os impactos da Copa, em diferentes áreas.

“Gosto muito de trabalhar temas polêmicos a partir das reportagens do jornal. Acredito que enriquece o conhecimento e o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos”, comenta Zuleide.

A professora Juliana conta que o impresso amplia o universo do estudante, e o forma leitor capaz de pensar e expressar opiniões. “Este trabalho, em específico, gerou um grande debate sobre assuntos referentes aos problemas do Brasil”, acrescenta.

As produções realizadas envolvem não só a cultura dos países participantes e os títulos ganhos pela seleção brasileira, mas também a reflexão das revoltas de algumas categorias trabalhistas contra a realização do mundial de futebol em nosso país, os gastos exorbitantes, e a falta de qualidade na saúde, educação, moradia, entre outros fatores que são considerados precários em nosso país.

“Aproveitei a estimativa publicada no Diário sobre os possíveis países para as quartas de final e pedi que as crianças entrevistassem algumas pessoas para saber quais seleções eles acreditam que podem chegar às semifinais. Após essa atividade, questionei os alunos a falarem a respeito do que gostariam que acontecesse nos dias dos jogos”, enfatiza a professora Edilaine.

O estudante João Vitor Scarpin comenta que o mais importante é o que vamos mostrar aos estrangeiros, e isso inclui a boa educação. A aluna Nayra Jeniffer completa, “os manifestos são importantes sim, mas não da forma com que estão acontecendo. Quebrar lojas e ônibus não vai resolver a situação, afinal, todos sabem que com violência não se consegue nada”.

“Em um país no qual a saúde e a educação ainda são deficitárias, é natural que surjam muitas opiniões contrárias à realização do evento. Em contra partida, nosso papel é torcer pela seleção brasileira”, enfatiza a coordenadora Maria de Fátima Bortolucci de Mello.

Edilaine finaliza expondo que o trabalho com o jornal sempre é bem vindo à sala de aula, pois enriquece na leitura e no desejo de estar bem informado sobre tudo aquilo que acontece na comunidade. “Algo que transforma a criança num ser crítico, consciente e conhecedor de seus direitos e deveres.”

ENTREVISTA. Alunas questionam a coordenadora Maria de Fátima, sobre quem ela acredita que chegará as semifinais da Copa do Mundo.

ENTREVISTA. Alunas questionam a coordenadora Maria de Fátima, sobre quem ela acredita que chegará as semifinais da Copa do Mundo.

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Quadrinhos na educação: uma nova forma de aprendizagem

Há tempos, se algum aluno levasse um gibi para a sala de aula era repreendido e proibido de ler qualquer coisa que não fosse o livro didático. Com o passar dos anos, as histórias em quadrinhos foram entendidas não apenas como uma leitura exclusiva para as crianças, mas sim como uma forma de entretenimento e aprendizagem, tendo como objetivo transmitir conhecimentos que podem atingir diversos públicos e faixas etárias.

Pensando nisso, a equipe do Diário na Escola realizou a formação “Humor no jornal: Histórias em quadrinhos” para os mais de 100 educadores dos quintos anos, da rede municipal de Maringá. Ministrado pelas professoras mestres, Adélli Bazza e Maísa Cardoso o encontro abordou a relação de humor e sociedade, conceitos sobre as HQs e exemplos de práticas pedagógicas.

O DIARIO NA ESCOLA_14“Este é um gênero com muitas linguagens, o que o torna complexo para produção, porém o que esperamos é que os alunos que já têm contato com a HQ em seu cotidiano leiam e interpretem os quadrinhos em princípio. Depois disso, aos poucos, vão adquirindo mais habilidades para a produção, inserindo elementos novos e mais criativos presentes nas HQs. Assim, ganha níveis de leitura, interpretação e produção acima da média, uma vez que está mobilizando vários recursos de linguagem e icônicos ao mesmo tempo”, destaca Maísa.

“A formação sobre esta temática chegou no momento certo, pois abordou o conteúdo que será aplicado em sala no próximo bimestre. Agora tenho novos subsídios para a produção com as crianças”, conta a professora Isalete Vallim Gaiotto.

A leitura de histórias em quadrinhos é um processo considerado complexo. É preciso decodificar textos, imagens, balões e onomatopeias. Além disso, induz à habilidade de concluir coisas que não estão escritas. Nas HQs, por exemplo, o leitor deduz a ação que é omitida entre um quadrinho e outro.

“Os quadrinhos apresentam um texto agradável para o aluno, seja enquanto leitor ou produtor do gênero, pela diversidade de linguagens de que se vale e por estimular o lado lúdico”, comenta Adélli. Um exemplo disso pode ser encontrado na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008 pelo Instituto Pró-Livro, na qual Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica, aparece em décimo lugar na lista dos escritores mais admirados pelos leitores, depois de Monteiro Lobato, Jorge Amado e Machado de Assis, por exemplo.

Durante o encontro de capacitação os participantes puderam observar que a sequência de imagens dos quadrinhos permite que a criança compreenda o sentido da história antes mesmo de aprender a ler. Ao fazer isso, ela organiza o pensamento, exercita a capacidade de observação e interpretação, e ainda desenvolve a criatividade.

Diz-se que um bom modo de estimular um hábito é enfatizando o seu lado prazeroso. No caso dos quadrinhos, os textos rápidos associados com imagens, elementos gráficos e a identificação com os personagens são alguns dos fatores que tornam a leitura agradável. Isso pode encorajá-las a ler textos cada vez mais complexos. Alguns pesquisadores defendem que os leitores de quadrinhos também acabam se interessando por outros gêneros de texto.

Ainda vale ressaltar que, para a formação de um leitor competente, capaz de usar a linguagem em diferentes contextos e situações, é preciso dar a ele acesso a variados tipos de leitura. Como explica Maísa, “cada gênero de texto desenvolve habilidades específicas, por isso é importante que a criança tenha disponível diferentes fontes de leitura, como jornal, livros, revistas e também, as HQs.”

Cultura e Entretenimento

DIARIONAESCOLADM5Histórias em quadrinhos podem transmitir um leque bem amplo de informações sobre contextos históricos, sociais ou políticos e ainda assim manter sua característica de entretenimento. Alguns exemplos bem conhecidos são: as aventuras de Asterix – que trazem divertidas referências sobre história antiga, as histórias de Tintim – ricas em indicações geográficas e as tirinhas da questionadora Mafalda – crítica a questões político-sociais da Argentina.

“As HQs costumam abordar temas controversos, sem causar constrangimentos. Por meio do humor trata-se de assuntos que assumem posicionamentos polêmicos, sem que as pessoas sejam punidas pelo que produzem”, ressalta Adélli.

Alguns gêneros se destinam a criação do humor e do riso, a exemplo das crônicas, charges, piadas, cartuns, tiras e textos de opinião com ironia (comuns nos jornais). Um fator determinante para a comédia, nesses casos, é a presença de algo que possibilite, ao menos, duas leituras. As adivinhas representam bem esta característica, a exemplo: ‘Qual o vento que os cachorros mais temem? Furacão’. Nessa questão a palavra furacão tem caráter ambivalente – duas interpretações -, pois permite que se leia furacão como um tipo de vento, ou ‘fura cão’ como algo que faz mal aos cachorros. “O humor está em todo lugar, logo, por que não na sala de aula? Sem falar que a diversão, o riso e a brincadeira, são próprias da criança”, completa, Maísa.

1 Comentário

Jornal ensina matemática

SAM_3670Os alunos do quinto ano da Escola Municipal Machado de Assis, de Sarandi, foram desafiados a uma atividade inusitada na disciplina de matemática. Com o objetivo de trabalhar a análise de gráficos, a professora Ângela Maria Scalabrini utilizou os dados de uma pesquisa publicada em O Diário como suporte de proposta didática.

A partir da manchete “Cesta básica recua 5,8% em um mês nas redes de Maringá”, Ângela preparou uma aula que foi além da interpretação textual. “Como de costume solicitei que cada estudante fizesse a leitura da notícia e em seguida conversamos sobre o assunto abordado. Até aí eles acharam que era apenas mais uma aula de leitura. A surpresa veio quando aliado ao texto começamos a desenvolver o estudo do gráfico – que complementava a matéria – observando o preço de cada produto citado.”

A professora explica que durante a atividade contou com a empolgação dos alunos que folhearam as páginas do jornal, recortaram a tabela e identificaram os itens matemáticos, como: número e numeral – que expressam quantidade – representações de porcentagem, dinheiro, entre outros.

Os estudantes ainda responderam a 13 questões de situação problema. A exemplo: Compare o valor do produto mais caro entre os supermercados e ache a diferença do preço entre eles; e escreva a variação da cesta básica em (%) entre os estabelecimentos pesquisados.

“Foi um trabalho longo, durou a aula toda, eu estava preocupada da atividade se tornar cansativa. Mas aconteceu justamente o contrário, as crianças adoraram aquele momento diferente de produção e até acharam que o tempo passou mais rápido naquele dia”, conta Ângela.

Além dos dados matemáticas, um box na mesma página chamou a atenção. O texto relatava que as cestas básicas compradas pelo Diário em parceria com a empresa que realizou a pesquisa de preços foram doadas para um abrigo de famílias carentes de Maringá. “Neste momento percebi que era possível extrair algo novo dos alunos, mais do que a matemática eu poderia trabalhar a conscientização com eles.”

Ângela finalizou a tarefa do dia propondo aos estudantes que escrevessem frases a respeito da iniciativa de empresas que ajudam o próximo. “Esta questão gerou interesse na produção e até debate sobre o assunto. Fiquei muito satisfeita com os resultados!”, comemora.

“A atitude de doar os mantimentos foi ótima. É um bom exemplo a ser seguido por nós e por outras empresas”, observa o aluno Vitor Nascimento.

A professora ressalta que o trabalho semanal com o impresso é de grande valia, pois muitas crianças abriram o jornal pela primeira vez em sala de aula. “Com o Programa O Diário na Escola os estudantes tem a oportunidade não só de manusear, mas também de realizar atividades nas quais estarão expandindo conhecimento e refletindo sobre notícias da sociedade em que estão inseridos.”

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Copa do Mundo contextualiza a magia do esporte às disciplinas

No corredor de entrada da Escola Municipal Alfredo Sofientini todos são recebidos por uma bandeira do Brasil que está revestindo o teto, um placar foi feito especialmente para anotar os resultados das partidas, e dentro de um quadro é possível admirar o modelo do uniforme que a seleção brasileira usou na Copa de 1974. “Estamos motivados e ansiosos pelos jogos, por isso adequamos a escola de uma forma em que todos se sintam ainda mais, brasileiros”, destaca a diretora Maria Ivanir Gonçalves Bertão.

Foto abre 02A partir da matéria divulgada na coluna do Diário na Escola, a respeito do Fuleco, a professora Sônia Gimenes iniciou os trabalhos que envolvem o campeonato. “Discutimos sobre o tatu-bola, o habitat natural da espécie, o por que ele foi escolhido como a mascote e também o significado do nome Fuleco. Foi uma aula diferente e bastante participativa. As crianças não pouparam dedicação e criatividade no momento de desenvolver as propostas solicitadas.”

“Já estou com todas as informações na ponta da língua. O primeiro jogo da Copa será entre Brasil e Croácia em São Paulo, e a disputa da final, no Rio de Janeiro. Entre as atrações do show de abertura teremos a cantora Cláudia Leitte. E as bolas dos jogos serão patrocinadas pela Adidas, todas com cores que representam a bandeira do Brasil”, conta, entusiasmado, o estudante, Kauã Menk.

Foto abre 03Valéria Nunes também é professora na Escola Sofientini e aproveitou as bandeiras que estão penduradas pela instituição para trabalhar geometria com seus alunos. “Desenvolvi atividades apresentando as figuras planas e os sólidos geométricos. Para tornar a produção mais divertida, enfeitamos a sala com camisetas, bolas e estrelas, todas feitas a partir de dobraduras. As bolas, por exemplo, foram criadas a partir de pequenos pentágonos e hexágonos, que juntos, se transformaram no maior símbolo do futebol. O que me surpreendeu nesta aula foi que em vez de ensinar, na verdade quem aprendeu, fui eu.”

JUNTOS, SOMOS UM TIME

O aluno Alisson Mateus Pereira dos Santos, do 5º ano “B” da Escola Sofientini, usou seu talento literário para escrever um poema na torcida pelo Brasil. Confira:

COPA

32 seleções

Diferentes nações

Em busca da taça

Independente da raça

O mundo inteiro

11 jogadores com o goleiro

Na TV ou no estádio

Na internet e no rádio

Quem será o campeão?

Haja coração!

Veterano ou juvenil

Esperando o hexa do Brasil.

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Escolas de Astorga no clima da Copa

Em junho, nenhum assunto no Brasil vai ser mais importante do que a tão aguardada Copa do Mundo. E não é para menos, estamos a caminho do hexa, título jamais alcançado por alguma seleção. Na escola, o evento costuma provocar uma alteração no comportamento da garotada e de muitos professores – ninguém consegue falar de outra coisa. Conscientes dessa “febre”, as equipes pedagógicas das instituições de ensino têm entrado no clima dos jogos decorando as salas de aula e preparado atividades sobre a temática. Algo que pode ser visto, por exemplo, nos ambientes escolares do município de Astorga.

Na Escola Municipal João Daniel Machado Benetti, está sendo desenvolvido o projeto Copa do Nosso Mundo. Diretoria, coordenação e professores estão engajados para mostrar aos alunos que o evento é mais do que futebol, é também uma oportunidade de mostrar aos estrangeiros as qualidades do nosso país. “Repassamos às crianças que devemos respeitar as seleções que estarão nos visitando e deixar claro que ter espírito esportivo é competir, participar, e não necessariamente vencer”, conta a professora Fátima dos Santos Herrera.

No cronograma de atividades propostas durante este período de festividades, os estudantes vão conhecer as culturas dos países envolvidos no campeonato mundial; a história de outras Copas; confecção de cartazes para torcida; bandeiras, bolas e uniformes produzidos com materiais recicláveis que pretendem despertar o interesse pelo aprendizado.

“Algo que nós temos discutido nas aulas é o tema ‘paz’, seja nos lugares onde as pessoas irão assistir aos jogos ou mesmo dentro do campo. E isso tem gerado bons resultados, inclusive, na convivência dentro da escola com sentimentos de coletividade e parceria uns com os outros, pois destacamos que mesmo o futebol sendo uma disputa, os jogadores trabalham em união na busca do melhor resultado”, ressalta a coordenadora Edilaine Piva.

Racismo, não

O estudante Hugo Amaral aconselha: “Como somos o país sede, temos que fazer a diferença! Em alguns campeonatos, a torcida comete bullying contra os jogadores, e, na maioria dos casos, por racismo. Isso é algo que não podemos deixar acontecer na nossa Copa.”

Maria Eduarda do Carmo, também aluna da Escola João Daniel, explica que durante as aulas sobre o evento mundial, tem aprendido assuntos novos. “Estudamos sobre a alimentação e o uso de drogas. Os jogadores para terem boa disposição precisam comer frutas e verduras diariamente, e aqueles que não quiserem ser punidos no exame antidoping não podem usar anabolizantes antes das partidas, aliás, o correto é nunca usar, pois isso é algo muito prejudicial à saúde.”

Fátima, a professora da turma, está realizada com o envolvimento das crianças. “Quando fui decorar a sala de aula pedi para que viessem no contraturno me ajudar. Não imaginei que teria grande participação, mas quando cheguei na escola fiquei surpresa. Estavam todos aqui, prontos a colaborar. Este comprometimento deles é que me motiva a buscar uma educação de qualidade, sempre!”, diz.

Foto abre 01

DISPOSIÇÃO. Estudantes da Escola João Daniel se reuniram no contraturno para decorar a sala de aula e entrar no clima de Copa

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O jornal impresso como recurso pedagógico

SAM_2759Alunos do quinto ano da Escola Municipal Messias Ferreira Barbosa, de Floresta, tiveram uma manhã diferente. Além da aula da professora Adriana Xavier também receberam a equipe do Diário na Escola para desenvolver atividades com o jornal impresso. “Nosso objetivo é compartilhar experiências e conhecer o público que atendemos. Estar perto de estudantes e professores integra as propostas do Programa. A cada visita, percebemos o quanto o jornal pode contribuir no trabalho pedagógico”, destaca a coordenadora do Diário na Escola, Loiva Lopes.

Entre os desafios das propostas aplicadas, os alunos vivenciaram na prática um pouco da rotina de um repórter. As crianças receberam um questionário com as perguntas que deveriam ser feitas ao entrevistado e, em seguida, buscaram um colega para realizar a dinâmica. “Gostei da experiência. Nunca tinha pensado em seguir carreira nesta área, mas percebi que é uma profissão que combina comigo. Agora estou ansiosa para chegar em casa e entrevistar meus pais”, conta a aluna Tayná Cristina Tavares.

Os estudantes foram informados sobre quais são as perguntas-chave para a produção da notícia: O quê? Quando? Onde? Como? Quem? Por quê? Conhecidas também como lide. A partir disso realizaram a leitura do Diário e identificaram dentro das matérias em qual parte do texto estavam as respostas para as questões acima.

“Esta foi a tarefa mais difícil. Percebi que preciso ler com mais atenção, porque depois que consegui encontrar o lide ficou mais simples entender a notícia”, comenta o aluno Bryan Furlan Franklin Trentini.

A professora ressalta que desde o início dos trabalhos com o jornal houve grande interesse por parte dos estudantes. “A oportunidade de conhecer algo novo os encantou, entre a turma toda apenas uma aluna recebe o jornal em casa. Com isso percebo vontade em desenvolver as propostas didáticas, e uma melhora nos resultados em sala devido à intimidade que estão criando com o material.”

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Alunos de Itambé já estão em ritmo de Copa

A menos de um mês do início do campeonato mundial, não se fala em outra coisa. E dentro da sala de aula não é diferente. Desde o início do ano letivo a professora Suelena Giraldelli Jaqueta, que leciona para os quintos anos da Escola Municipal Prof. Domingos Laudenir Vitorino, de Itambé, tem preparado atividades relacionadas à Copa do Mundo, afinal para a maioria das crianças esta é a primeira oportunidade de ver o Brasil, quem sabe, se consagrar campeão. Pois no ano em que o país conquistou o penta, elas ainda não tinham nascido.

“O trabalho sobre um evento tão grande, e ainda novo para alguns estudantes, desperta interesse, curiosidade e patriotismo nas crianças. Conciliado a isso tenho dois alunos que estão indo morar em Curitiba para jogar futebol profissional em um time infantil de lá. Os colegas de classe estão eufóricos com a notícia, então para evitar a conversa paralela percebi que o ideal seria incluir o assunto em minhas aulas”, destaca Suelena.

Dentre as propostas didáticas a professora tem aliado o futebol e os campeonatos com a interdisciplinaridade, desta forma consegue incluir algo novo em sala, sem deixar de cumprir o currículo escolar, “e o resultado têm sido ótimo”, afirma.

Na geografia, os alunos pesquisaram quais são os continentes dos países participantes da Copa de 2014 e o nome daqueles que foram sede dos jogos onde o Brasil ganhou cada um dos cinco títulos de campeão mundial.

Na matemática as crianças foram desafiadas a calcular quantos anos o nosso país ficou sem título entre uma vitória e outra, por exemplo, desde que se tornou pentacampeão em 2002 o Brasil está há 12 anos sem ganhar uma Copa.

Para que os alunos tivessem interesse pela história mundial, Suelena sugeriu que começassem a buscar informações sobre a evolução do futebol ao longo dos anos, comidas típicas dos países participantes, costumes dos povos e a origem das bandeiras.

Os substantivos também foram trabalhados, mas a partir dos nomes próprios dos continentes, países, times e jogadores. Os hinos e músicas temas de cada campeonato foram opções de atividades relacionadas à disciplina de língua portuguesa, além das propostas de interpretação textual.

A sala de informática da escola foi utilizada para o trabalho de pesquisa, “muitas crianças não tem acesso à internet em casa, então aproveitei os horários no laboratório para adiantar o que seria tarefa e assim, a partir da busca por informações, eles também aprendem como manusear os equipamentos”, conta Suelena.

A diretoria forneceu um caderno para que cada aluno produzisse o seu “livro” sobre as Copas do Mundo. A professora ressalta que todas as atividades estão sendo escritas neste caderno especial para que isso seja um arquivo que eles possam guardar por muitos anos, “e quem sabe, futuramente, completar com dados e novidades dos jogos de 2018.”

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

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A mascote da Copa

Foto Abre - FULECONada mais original para representar o Brasil como país sede do campeonato mundial, do que um animal nativo que para se proteger de predadores se enrola no próprio casco e vira uma bola, objeto protagonista nas Copas do Mundo.

O bicho que foi batizado de Fuleco é um tatu-bola com o corpo amarelo, bermuda verde, carapaça azul e camiseta branca formando as cores da bandeira do Brasil, o nome foi criado a partir da junção das palavras futebol e ecologia.

Com a intenção de divulgar informações sobre a espécie que tem tido sua população desfalcada devido à perda e a destruição do habitat natural, além da caça, que atualmente é a principal ameaça. A organização não governamental (ONG) Associação da Caatinga lançou, em 2011, uma campanha para que se tornasse a mascote da Copa do Mundo de 2014. A campanha atingiu o seu objetivo e o tatu-bola foi eleito em 2012, após receber 1,7 milhão de votos pela internet, somando 48% da preferência mundial.

As mascotes já são tradicionais neste tipo de evento. Criadas pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) na busca de chamar a atenção das crianças para o futebol, a preferência é que sejam representadas por personagens em formato de desenho animado.

Em todas as edições do campeonato a recomendação da Federação é que represente algo típico do país sede: um animal, uma planta ou uma cor, por exemplo. Com isso, seis das 13 já criadas são bichos, entre elas: dois leões, um leopardo, um galo, um cachorro e agora, um tatu-bola.

No entanto, as mascotes não são usadas apenas para promover o evento e alegrar a torcida nos estádios, também acabam se transformando em verdadeiras “celebridades” internacionais, comercializadas como objetos e personagem de campanhas publicitárias.

A primeira Oficial foi criada na edição da Copa sediada pela Inglaterra, em 1966 representada por Willie, um leão que vestia uma camisa com a bandeira britânica. Além de ser “viva”, ela apareceu em desenhos que foram usados para promover o torneio e foi tema de músicas.

Conhecendo a mascote

O tatu-bola, também chamado de tatu-apara, bola, bolinha, tranquinha ou tatu-bola-do-nordeste, é a menor e menos conhecida espécie de tatu do Brasil.

Encontrado na caatinga e no cerrado o animal já foi registrado em 12 estados brasileiros: Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Com aproximadamente 50 cm e 1,2 kg, o tatu-bola apresenta como uma de suas principais características a capacidade de se fechar na forma de uma bola ao se sentir ameaçado, o que protege as partes moles de seu corpo contra o ataque de predadores. Esse diferencial foi o que deu origem ao seu nome popular.

O tatu-bola possui hábitos noturnos e se alimenta principalmente de formigas e cupins, consumindo também grande quantidade de areia, cascas e raízes junto ao alimento.

PROTEÇÃO. Quando a espécie se sente ameaçada, se fecha como uma bola para proteger as partes moles do corpo dos ataques de predadores.

PROTEÇÃO. Quando a espécie se sente ameaçada, se fecha como uma bola para proteger as partes moles do corpo dos ataques de predadores.

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Leitura de O Diário motiva visita à sede da empresa

Todas as semanas os estudantes das instituições de ensino que são parceiras do Diário na Escola recebem o jornal para desenvolver atividades. Para muitos, estas aulas oferecem o primeiro contato com o impresso. Com a novidade em sala as crianças enchem as professores de perguntas. Esta aí uma ótima oportunidade para responder as curiosidades.

Monitorados por uma jornalista, a ideia principal é aproximar os alunos do dia-a-dia de quem faz o jornal impresso, em seus diferentes setores. Num primeiro momento os visitantes recebem informações gerais sobre o funcionamento do jornal e a rotina de trabalho de cada funcionário da redação – repórteres, fotógrafos, diagramadores e editores chefes. Os alunos podem, inclusive, circular pela redação e sentir um pouco da adrenalina de quem produz um jornal diário.

“Os alunos necessitam conhecer o jornal não só como meio de comunicação, mas também como empresa. Diariamente há uma força de trabalho empregada para a produção do impresso. Desta forma valorizam o material, e passam a ler os textos com mais atenção”, conta a professora da Escola Municipal Criança Esperança, em Sarandi, Maria Terezinha de Oliveira.

VISITA ARQUIVO RL3Há 40 anos no mercado, a empresa dispõe de uma sala de arquivo na qual ficam armazenados todos os exemplares que já foram impressos. Quem mostra aos visitantes a primeira edição do Diário – datada em 29 de junho de 1974 – é Rui da Costa Silva, funcionário desde 1982. “Recebo com alegria os estudantes que vêm conhecer nosso espaço. Observam com atenção, fazem perguntas e querem saber detalhes, alguns até inusitados. Procuro incentivar a leitura e transmitir o valor do material aqui arquivado.”

A professora Ione Dias Rodrigues relata que foi uma experiência interessante. “O Diário está fazendo e marcando a história da nossa região ao arquivar os exemplares de todas as edições. Com isso, proporciona aos visitantes a união do passado com o presente. Pude perceber que não só os lugares mudaram com o tempo, mas também o modo de vida das pessoas.”

Um dos momentos mais esperados é a circulação pelo parque gráfico. Barracão onde é possível ver de perto a rotativa de 39 metros de comprimento, seis metros de altura e 60 toneladas. Adquirida pela empresa em 2011, a máquina aumentou a capacidade de 15 para 35 mil impressões por hora.

image“Trabalho no Diário há 37 anos, sempre no setor de impressão. Começamos com uma máquina bem pequena e lenta. Somente em 1995 chegou a rotativa colorida, mas ainda assim tinha baixa velocidade. Hoje nosso equipamento é o mais moderno da região e eu tenho orgulho de ver como a empresa cresceu, mesmo aposentado continuo trabalhando porque isso me faz sentir vivo”, conta Dionizio de Almeida.

As bobinas de papel jornal deixam as crianças de “boca aberta”. Com cerca de 2.300 metros de papel e 380 quilos cada uma, as grandes pilhas aguçam a curiosidade dos visitantes. Dionízio comenta que o papel jornal vem da árvore Pinos, cultivada na região de Ponta Grossa, e ressalta que para a produção de cada bobina é necessário oito árvores. “As informações repassadas poderão ser trabalhadas de forma interdisciplinar em sala de aula. Em Ciências, por exemplo, explorando a preservação ambiental e o impacto que ocorre no meio ambiente com a derrubada dessas árvores. Na matemática, podemos calcular o tempo de crescimento da matéria prima e na Língua Portuguesa, a produção de texto”, expõe a professora Márcia Aparecida da Silva.

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HQ: narração de palavras e sequência de imagens

As atividades com as histórias em quadrinhos (HQ) em sala de aula são sempre muito bem recebidas por oferecer diversão e humor no aprendizado. Este gênero textual remete a discussões e promove a leitura e o desenvolvimento de um estudo que apresenta tanto a linguagem verbal, como a não verbal. E assim, estimula o aluno a interagir e dialogar com o texto que está sendo lido.

Pensando nisso a professora Cícera Aparecida Tassoli que leciona para o quinto ano da Escola Municipal Rocha Pombo, em Ourizona, optou por relacionar as notícias do jornal “O Diário” aos desenhos, balões e histórias criativas fazendo os alunos produzirem em um formato novo para eles, as HQs.

“Faço parte do Diário na Escola há alguns anos e já participei das capacitações oferecidas pelo Programa sobre as histórias em quadrinhos. Isso me ajudou na hora de montar a atividade, pois eu precisava trabalhar sobre a “dengue”, um problema que tem afetado o município, mas queria fazer algo diferente”, conta Cícera.

Primeiro a professora separou exemplares que continham matérias sobre a temática escolhida para a criação dos trabalhos. Em seguida os estudantes tiveram acesso aos jornais selecionados para que através da leitura das notícias eles pudessem retirar argumentos e construir o enredo das historinhas.

“Eu adoro ler gibis, e montar quadrinhos com personagens que eu mesma criei é muito legal! O texto é a parte mais difícil, principalmente porque esta é a minha primeira produção”, comenta a aluna do 5º ano “B”, Maria Clara Costa Calvo.

“Utilizamos as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica nos momentos de leitura em sala, pois são conhecidas pelo público infantil e oportunizam trabalhar diferentes conteúdos. Como os personagens também são crianças os alunos se identificam com eles e sentem prazer na hora de ler”, ressalva a coordenadora Izabel Cristina Pessutti.

Vale salientar que o estudo deste gênero facilita a discussão de assuntos que envolvam, por exemplo, problemas sociais. Pois as histórias em quadrinhos retratam estes temas em uma perspectiva pedagógica e dinâmica. “As crianças gostam da HQ e encaram a produção como um momento de lazer no qual podem usar a imaginação”, fala Cícera.

Autores apontam que os quadrinhos tem caráter lúdico e muitos os consideram uma forma de arte. Além de entreter, estes são significativos no processo de ensino-aprendizagem dos mais diversos conteúdos, como geografia, matemática, história, português e até idiomas estrangeiros. A professora ressalta que o lúdico é essencial na vida cotidiana do indivíduo, “devemos educar as crianças sempre proporcionando momentos de interação uma com as outras, e nessa proposta a HQ facilita o trabalho.”

HQ 001

CRIAÇÃO. Esta é a HQ desenvolvida pela aluna Maria Clara. No enredo, conselhos para os cidadãos que ainda não têm atitudes preventivas a proliferação do mosquito Aedes Aegypti.

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