Mês: maio 2014



Escolas de Astorga no clima da Copa

Em junho, nenhum assunto no Brasil vai ser mais importante do que a tão aguardada Copa do Mundo. E não é para menos, estamos a caminho do hexa, título jamais alcançado por alguma seleção. Na escola, o evento costuma provocar uma alteração no comportamento da garotada e de muitos professores – ninguém consegue falar de outra coisa. Conscientes dessa “febre”, as equipes pedagógicas das instituições de ensino têm entrado no clima dos jogos decorando as salas de aula e preparado atividades sobre a temática. Algo que pode ser visto, por exemplo, nos ambientes escolares do município de Astorga.

Na Escola Municipal João Daniel Machado Benetti, está sendo desenvolvido o projeto Copa do Nosso Mundo. Diretoria, coordenação e professores estão engajados para mostrar aos alunos que o evento é mais do que futebol, é também uma oportunidade de mostrar aos estrangeiros as qualidades do nosso país. “Repassamos às crianças que devemos respeitar as seleções que estarão nos visitando e deixar claro que ter espírito esportivo é competir, participar, e não necessariamente vencer”, conta a professora Fátima dos Santos Herrera.

No cronograma de atividades propostas durante este período de festividades, os estudantes vão conhecer as culturas dos países envolvidos no campeonato mundial; a história de outras Copas; confecção de cartazes para torcida; bandeiras, bolas e uniformes produzidos com materiais recicláveis que pretendem despertar o interesse pelo aprendizado.

“Algo que nós temos discutido nas aulas é o tema ‘paz’, seja nos lugares onde as pessoas irão assistir aos jogos ou mesmo dentro do campo. E isso tem gerado bons resultados, inclusive, na convivência dentro da escola com sentimentos de coletividade e parceria uns com os outros, pois destacamos que mesmo o futebol sendo uma disputa, os jogadores trabalham em união na busca do melhor resultado”, ressalta a coordenadora Edilaine Piva.

Racismo, não

O estudante Hugo Amaral aconselha: “Como somos o país sede, temos que fazer a diferença! Em alguns campeonatos, a torcida comete bullying contra os jogadores, e, na maioria dos casos, por racismo. Isso é algo que não podemos deixar acontecer na nossa Copa.”

Maria Eduarda do Carmo, também aluna da Escola João Daniel, explica que durante as aulas sobre o evento mundial, tem aprendido assuntos novos. “Estudamos sobre a alimentação e o uso de drogas. Os jogadores para terem boa disposição precisam comer frutas e verduras diariamente, e aqueles que não quiserem ser punidos no exame antidoping não podem usar anabolizantes antes das partidas, aliás, o correto é nunca usar, pois isso é algo muito prejudicial à saúde.”

Fátima, a professora da turma, está realizada com o envolvimento das crianças. “Quando fui decorar a sala de aula pedi para que viessem no contraturno me ajudar. Não imaginei que teria grande participação, mas quando cheguei na escola fiquei surpresa. Estavam todos aqui, prontos a colaborar. Este comprometimento deles é que me motiva a buscar uma educação de qualidade, sempre!”, diz.

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DISPOSIÇÃO. Estudantes da Escola João Daniel se reuniram no contraturno para decorar a sala de aula e entrar no clima de Copa

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O jornal impresso como recurso pedagógico

SAM_2759Alunos do quinto ano da Escola Municipal Messias Ferreira Barbosa, de Floresta, tiveram uma manhã diferente. Além da aula da professora Adriana Xavier também receberam a equipe do Diário na Escola para desenvolver atividades com o jornal impresso. “Nosso objetivo é compartilhar experiências e conhecer o público que atendemos. Estar perto de estudantes e professores integra as propostas do Programa. A cada visita, percebemos o quanto o jornal pode contribuir no trabalho pedagógico”, destaca a coordenadora do Diário na Escola, Loiva Lopes.

Entre os desafios das propostas aplicadas, os alunos vivenciaram na prática um pouco da rotina de um repórter. As crianças receberam um questionário com as perguntas que deveriam ser feitas ao entrevistado e, em seguida, buscaram um colega para realizar a dinâmica. “Gostei da experiência. Nunca tinha pensado em seguir carreira nesta área, mas percebi que é uma profissão que combina comigo. Agora estou ansiosa para chegar em casa e entrevistar meus pais”, conta a aluna Tayná Cristina Tavares.

Os estudantes foram informados sobre quais são as perguntas-chave para a produção da notícia: O quê? Quando? Onde? Como? Quem? Por quê? Conhecidas também como lide. A partir disso realizaram a leitura do Diário e identificaram dentro das matérias em qual parte do texto estavam as respostas para as questões acima.

“Esta foi a tarefa mais difícil. Percebi que preciso ler com mais atenção, porque depois que consegui encontrar o lide ficou mais simples entender a notícia”, comenta o aluno Bryan Furlan Franklin Trentini.

A professora ressalta que desde o início dos trabalhos com o jornal houve grande interesse por parte dos estudantes. “A oportunidade de conhecer algo novo os encantou, entre a turma toda apenas uma aluna recebe o jornal em casa. Com isso percebo vontade em desenvolver as propostas didáticas, e uma melhora nos resultados em sala devido à intimidade que estão criando com o material.”

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Alunos de Itambé já estão em ritmo de Copa

A menos de um mês do início do campeonato mundial, não se fala em outra coisa. E dentro da sala de aula não é diferente. Desde o início do ano letivo a professora Suelena Giraldelli Jaqueta, que leciona para os quintos anos da Escola Municipal Prof. Domingos Laudenir Vitorino, de Itambé, tem preparado atividades relacionadas à Copa do Mundo, afinal para a maioria das crianças esta é a primeira oportunidade de ver o Brasil, quem sabe, se consagrar campeão. Pois no ano em que o país conquistou o penta, elas ainda não tinham nascido.

“O trabalho sobre um evento tão grande, e ainda novo para alguns estudantes, desperta interesse, curiosidade e patriotismo nas crianças. Conciliado a isso tenho dois alunos que estão indo morar em Curitiba para jogar futebol profissional em um time infantil de lá. Os colegas de classe estão eufóricos com a notícia, então para evitar a conversa paralela percebi que o ideal seria incluir o assunto em minhas aulas”, destaca Suelena.

Dentre as propostas didáticas a professora tem aliado o futebol e os campeonatos com a interdisciplinaridade, desta forma consegue incluir algo novo em sala, sem deixar de cumprir o currículo escolar, “e o resultado têm sido ótimo”, afirma.

Na geografia, os alunos pesquisaram quais são os continentes dos países participantes da Copa de 2014 e o nome daqueles que foram sede dos jogos onde o Brasil ganhou cada um dos cinco títulos de campeão mundial.

Na matemática as crianças foram desafiadas a calcular quantos anos o nosso país ficou sem título entre uma vitória e outra, por exemplo, desde que se tornou pentacampeão em 2002 o Brasil está há 12 anos sem ganhar uma Copa.

Para que os alunos tivessem interesse pela história mundial, Suelena sugeriu que começassem a buscar informações sobre a evolução do futebol ao longo dos anos, comidas típicas dos países participantes, costumes dos povos e a origem das bandeiras.

Os substantivos também foram trabalhados, mas a partir dos nomes próprios dos continentes, países, times e jogadores. Os hinos e músicas temas de cada campeonato foram opções de atividades relacionadas à disciplina de língua portuguesa, além das propostas de interpretação textual.

A sala de informática da escola foi utilizada para o trabalho de pesquisa, “muitas crianças não tem acesso à internet em casa, então aproveitei os horários no laboratório para adiantar o que seria tarefa e assim, a partir da busca por informações, eles também aprendem como manusear os equipamentos”, conta Suelena.

A diretoria forneceu um caderno para que cada aluno produzisse o seu “livro” sobre as Copas do Mundo. A professora ressalta que todas as atividades estão sendo escritas neste caderno especial para que isso seja um arquivo que eles possam guardar por muitos anos, “e quem sabe, futuramente, completar com dados e novidades dos jogos de 2018.”

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

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A mascote da Copa

Foto Abre - FULECONada mais original para representar o Brasil como país sede do campeonato mundial, do que um animal nativo que para se proteger de predadores se enrola no próprio casco e vira uma bola, objeto protagonista nas Copas do Mundo.

O bicho que foi batizado de Fuleco é um tatu-bola com o corpo amarelo, bermuda verde, carapaça azul e camiseta branca formando as cores da bandeira do Brasil, o nome foi criado a partir da junção das palavras futebol e ecologia.

Com a intenção de divulgar informações sobre a espécie que tem tido sua população desfalcada devido à perda e a destruição do habitat natural, além da caça, que atualmente é a principal ameaça. A organização não governamental (ONG) Associação da Caatinga lançou, em 2011, uma campanha para que se tornasse a mascote da Copa do Mundo de 2014. A campanha atingiu o seu objetivo e o tatu-bola foi eleito em 2012, após receber 1,7 milhão de votos pela internet, somando 48% da preferência mundial.

As mascotes já são tradicionais neste tipo de evento. Criadas pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) na busca de chamar a atenção das crianças para o futebol, a preferência é que sejam representadas por personagens em formato de desenho animado.

Em todas as edições do campeonato a recomendação da Federação é que represente algo típico do país sede: um animal, uma planta ou uma cor, por exemplo. Com isso, seis das 13 já criadas são bichos, entre elas: dois leões, um leopardo, um galo, um cachorro e agora, um tatu-bola.

No entanto, as mascotes não são usadas apenas para promover o evento e alegrar a torcida nos estádios, também acabam se transformando em verdadeiras “celebridades” internacionais, comercializadas como objetos e personagem de campanhas publicitárias.

A primeira Oficial foi criada na edição da Copa sediada pela Inglaterra, em 1966 representada por Willie, um leão que vestia uma camisa com a bandeira britânica. Além de ser “viva”, ela apareceu em desenhos que foram usados para promover o torneio e foi tema de músicas.

Conhecendo a mascote

O tatu-bola, também chamado de tatu-apara, bola, bolinha, tranquinha ou tatu-bola-do-nordeste, é a menor e menos conhecida espécie de tatu do Brasil.

Encontrado na caatinga e no cerrado o animal já foi registrado em 12 estados brasileiros: Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Com aproximadamente 50 cm e 1,2 kg, o tatu-bola apresenta como uma de suas principais características a capacidade de se fechar na forma de uma bola ao se sentir ameaçado, o que protege as partes moles de seu corpo contra o ataque de predadores. Esse diferencial foi o que deu origem ao seu nome popular.

O tatu-bola possui hábitos noturnos e se alimenta principalmente de formigas e cupins, consumindo também grande quantidade de areia, cascas e raízes junto ao alimento.

PROTEÇÃO. Quando a espécie se sente ameaçada, se fecha como uma bola para proteger as partes moles do corpo dos ataques de predadores.

PROTEÇÃO. Quando a espécie se sente ameaçada, se fecha como uma bola para proteger as partes moles do corpo dos ataques de predadores.

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Leitura de O Diário motiva visita à sede da empresa

Todas as semanas os estudantes das instituições de ensino que são parceiras do Diário na Escola recebem o jornal para desenvolver atividades. Para muitos, estas aulas oferecem o primeiro contato com o impresso. Com a novidade em sala as crianças enchem as professores de perguntas. Esta aí uma ótima oportunidade para responder as curiosidades.

Monitorados por uma jornalista, a ideia principal é aproximar os alunos do dia-a-dia de quem faz o jornal impresso, em seus diferentes setores. Num primeiro momento os visitantes recebem informações gerais sobre o funcionamento do jornal e a rotina de trabalho de cada funcionário da redação – repórteres, fotógrafos, diagramadores e editores chefes. Os alunos podem, inclusive, circular pela redação e sentir um pouco da adrenalina de quem produz um jornal diário.

“Os alunos necessitam conhecer o jornal não só como meio de comunicação, mas também como empresa. Diariamente há uma força de trabalho empregada para a produção do impresso. Desta forma valorizam o material, e passam a ler os textos com mais atenção”, conta a professora da Escola Municipal Criança Esperança, em Sarandi, Maria Terezinha de Oliveira.

VISITA ARQUIVO RL3Há 40 anos no mercado, a empresa dispõe de uma sala de arquivo na qual ficam armazenados todos os exemplares que já foram impressos. Quem mostra aos visitantes a primeira edição do Diário – datada em 29 de junho de 1974 – é Rui da Costa Silva, funcionário desde 1982. “Recebo com alegria os estudantes que vêm conhecer nosso espaço. Observam com atenção, fazem perguntas e querem saber detalhes, alguns até inusitados. Procuro incentivar a leitura e transmitir o valor do material aqui arquivado.”

A professora Ione Dias Rodrigues relata que foi uma experiência interessante. “O Diário está fazendo e marcando a história da nossa região ao arquivar os exemplares de todas as edições. Com isso, proporciona aos visitantes a união do passado com o presente. Pude perceber que não só os lugares mudaram com o tempo, mas também o modo de vida das pessoas.”

Um dos momentos mais esperados é a circulação pelo parque gráfico. Barracão onde é possível ver de perto a rotativa de 39 metros de comprimento, seis metros de altura e 60 toneladas. Adquirida pela empresa em 2011, a máquina aumentou a capacidade de 15 para 35 mil impressões por hora.

image“Trabalho no Diário há 37 anos, sempre no setor de impressão. Começamos com uma máquina bem pequena e lenta. Somente em 1995 chegou a rotativa colorida, mas ainda assim tinha baixa velocidade. Hoje nosso equipamento é o mais moderno da região e eu tenho orgulho de ver como a empresa cresceu, mesmo aposentado continuo trabalhando porque isso me faz sentir vivo”, conta Dionizio de Almeida.

As bobinas de papel jornal deixam as crianças de “boca aberta”. Com cerca de 2.300 metros de papel e 380 quilos cada uma, as grandes pilhas aguçam a curiosidade dos visitantes. Dionízio comenta que o papel jornal vem da árvore Pinos, cultivada na região de Ponta Grossa, e ressalta que para a produção de cada bobina é necessário oito árvores. “As informações repassadas poderão ser trabalhadas de forma interdisciplinar em sala de aula. Em Ciências, por exemplo, explorando a preservação ambiental e o impacto que ocorre no meio ambiente com a derrubada dessas árvores. Na matemática, podemos calcular o tempo de crescimento da matéria prima e na Língua Portuguesa, a produção de texto”, expõe a professora Márcia Aparecida da Silva.

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HQ: narração de palavras e sequência de imagens

As atividades com as histórias em quadrinhos (HQ) em sala de aula são sempre muito bem recebidas por oferecer diversão e humor no aprendizado. Este gênero textual remete a discussões e promove a leitura e o desenvolvimento de um estudo que apresenta tanto a linguagem verbal, como a não verbal. E assim, estimula o aluno a interagir e dialogar com o texto que está sendo lido.

Pensando nisso a professora Cícera Aparecida Tassoli que leciona para o quinto ano da Escola Municipal Rocha Pombo, em Ourizona, optou por relacionar as notícias do jornal “O Diário” aos desenhos, balões e histórias criativas fazendo os alunos produzirem em um formato novo para eles, as HQs.

“Faço parte do Diário na Escola há alguns anos e já participei das capacitações oferecidas pelo Programa sobre as histórias em quadrinhos. Isso me ajudou na hora de montar a atividade, pois eu precisava trabalhar sobre a “dengue”, um problema que tem afetado o município, mas queria fazer algo diferente”, conta Cícera.

Primeiro a professora separou exemplares que continham matérias sobre a temática escolhida para a criação dos trabalhos. Em seguida os estudantes tiveram acesso aos jornais selecionados para que através da leitura das notícias eles pudessem retirar argumentos e construir o enredo das historinhas.

“Eu adoro ler gibis, e montar quadrinhos com personagens que eu mesma criei é muito legal! O texto é a parte mais difícil, principalmente porque esta é a minha primeira produção”, comenta a aluna do 5º ano “B”, Maria Clara Costa Calvo.

“Utilizamos as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica nos momentos de leitura em sala, pois são conhecidas pelo público infantil e oportunizam trabalhar diferentes conteúdos. Como os personagens também são crianças os alunos se identificam com eles e sentem prazer na hora de ler”, ressalva a coordenadora Izabel Cristina Pessutti.

Vale salientar que o estudo deste gênero facilita a discussão de assuntos que envolvam, por exemplo, problemas sociais. Pois as histórias em quadrinhos retratam estes temas em uma perspectiva pedagógica e dinâmica. “As crianças gostam da HQ e encaram a produção como um momento de lazer no qual podem usar a imaginação”, fala Cícera.

Autores apontam que os quadrinhos tem caráter lúdico e muitos os consideram uma forma de arte. Além de entreter, estes são significativos no processo de ensino-aprendizagem dos mais diversos conteúdos, como geografia, matemática, história, português e até idiomas estrangeiros. A professora ressalta que o lúdico é essencial na vida cotidiana do indivíduo, “devemos educar as crianças sempre proporcionando momentos de interação uma com as outras, e nessa proposta a HQ facilita o trabalho.”

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CRIAÇÃO. Esta é a HQ desenvolvida pela aluna Maria Clara. No enredo, conselhos para os cidadãos que ainda não têm atitudes preventivas a proliferação do mosquito Aedes Aegypti.

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Jornal na sala de aula: leitura e assunto novo todo dia

Em tempos de interatividade, fazer com que as crianças se interessem pela leitura de jornais não é tarefa das mais fáceis, mas certamente é fundamental para formar leitores habituais e cidadãos bem informados. Trazendo textos com características diferentes das apresentadas nos livros didáticos – além de fotografias e recursos gráficos -, o impresso é uma fonte para adquirir informação sobre o mundo atual, servindo também como fonte secundária para pesquisa. As fontes  primárias são pessoas que foram protagonistas ou testemunhas do fatos, além de documentos de época.

O DIARIO NA ESCOLA_13Os profissionais da educação dos municípios da região de Maringá, que são parceiros do Programa O Diário na Escola, tiveram a oportunidade de participar do encontro pedagógico: “Estrutura do jornal – trabalhando com o impresso em sala de aula”. Ministrado pela coordenadora do Diário na Escola, a jornalista e especialista em educomunicação Loiva Lopes, a formação teve por objetivo auxiliar professores e alunos nas atividades desenvolvidas com exemplares do Diário. “O uso do jornal acrescenta ao currículo escolar, pois permite o contato com diversos gêneros textuais. Esse material também ajuda a criança a se situar diante do volume de notícias recebidas diariamente. O estudante precisa se sentir atraído pela educação, e os programas educacionais favorecem este trabalho que busca uma nova proposta pedagógica”, destaca Loiva.

No encontro, os participantes receberam uma apostila técnica com definições dos elementos encontrados no jornal impresso, como títulos, chamadas, reportagens, artigos, “lead” (abertura da notícia), que são produzidos a partir de uma pauta definida em reunião de editores. A função e a rotina de cada profissional da redação também foram devidamente definidos. “Apesar de já ter conhecimento da estrutura do jornal, esta apostila bem explicadinha facilitará e contribuirá muito para minha prática”, ressalta Amélia Horita, professora em Marialva.

Outro material fornecido pelo Diário na Escola e que visa facilitar o trabalho do educador é o caderno com mais de vinte sugestões de atividades que proporcionam aulas dinâmicas e relacionadas a temas atuais. “Desde o ano passado faço parte do Diário na Escola, mas não conhecia de forma correta a estrutura do jornal. Agora, o que ouvi na formação servirá de ponto de partida para a realização das práticas propostas. As sugestões oferecidas vão me ajudar a desenvolver aulas com qualidade”, afirma a educadora de Itambé Susany Lucca.

Para alguns professores, este é o primeiro ano trabalhando com o impresso em sala de aula. “É importante conhecer as experiências positivas que o material proporcionou em outras escolas. O encontro ofereceu ideias que, com certeza, farão a diferença no processo de planejamento didático. Só tenho a agradecer pela oportunidade”, conta a professora da rede estadual de Paiçandu Josilene Corona. Outro fator destacado pela educadora Elaine Espajari faz referência à opinião dos estudantes sobre assuntos de cunho social. “Agora que sei como trabalhar com o jornal, vou conseguir com que os alunos absorvam as informações e ainda desenvolvam aspectos críticos sobre os temas discutidos.”

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O que você quer ser quando crescer?

Na última quinta-feira comemorou-se o Dia do Trabalho, mais do que um feriado nacional é uma data para refletir. Afinal, se você ainda é uma criança, que profissão gostaria de seguir no futuro? Já parou para pensar? Quando pequenos já nos arriscamos a decidir o que queremos ser quando crescer: bailarina, jogador de futebol, cantor ou outras profissões de destaque. Embora essas opções pareçam ser definitivas, o amadurecimento faz perceber que as fantasias da infância podem não nos levar a lugar algum.

Possivelmente aquela com o desejo de ser bailarina não contava com a rotina de dedicação integral e cansativa dos ensaios pelo qual elas têm de passar, mas sim no glamour das roupas e na possibilidade de ganhar dinheiro dançando. Ser jogador de futebol parece ser divertido aos olhos dos garotos, quer coisa melhor que ficar rico e famoso para “brincar” de jogar bola? E ser um cantor então? Aparecer na televisão, viver rodeado por uma multidão de fãs, fazer shows pelo mundo, é a fantasia de quase toda criança. Até que um dia chega o momento em que é preciso decidir, de fato, a carreira a seguir.

“Nem todos têm facilidade para uma escolha imediata. Para escolher a melhor profissão é preciso, antes de tudo, se conhecer melhor. Podemos ter várias carreiras em mente, mas o caminho certo, aquele que trará felicidade e sucesso profissional, só vem quando nos conhecemos. Faça previsões. Será que daqui a três ou trinta anos estarei feliz lidando com os assuntos da profissão que tanto me empolgam hoje?”, indaga a psicóloga Mariana Braga Nunes.

É importante que a carreira proporcione diversão. Pesquisas apontam que um profissional que trabalha de bem com a vida rende mais e se sente realizado. Em contrapartida, aqueles que embarcam em uma carreira somente pela possibilidade de crescimento social podem acabar frustrados e sem dinheiro por não se destacarem no mercado de trabalho. O ganha-pão tem que unir habilidade e sustento. De nada adianta sonhar com algo que não é possível ser transformado em atividade profissional.

A psicóloga destaca que o amadurecimento é o principal aliado na hora de definir a carreira. “É claro que as pessoas que convivem com você, principalmente a família, vão dar um palpite aqui, outro ali. Porém, o que faz a diferença é a sua capacidade de captar as sugestões construtivas e descartar as especulações.”

Muitos adolescentes na fase do vestibular se veem na difícil tarefa da decisão. Nestes casos Mariana aconselha o jovem a identificar as disciplinas escolares que mais têm afinidade e também perceber se gosta de trabalhar em grupo ou sozinho, em espaços calmos ou agitados. “Pensar no futuro local e condições e trabalho ajuda a afunilar o leque de possibilidades que você cogita.”

Lembre-se, preferências mudam com o tempo. Pode ser que você sempre tenha desejado uma profissão, mas em algum momento começa a pensar em outra. “Quando terminei o ensino médio não me sentia segura para uma escolha tão importante. A princípio fui incentivada pelos meus pais, que tinham comércio de vestuário, a cursar moda. E assim eu fiz, mas durante a faculdade percebi que não era realmente aquilo que eu queria”, afirma Janaina Sampaio de Castro que se formou em moda, mas em seguida decidiu cursar Engenharia Civil.

“Com o tempo eu fui percebendo que adorava analisar as casas, as fachadas, os telhados e as projeções. Eu precisava buscar uma profissão nova, relacionada à essa área. Nesta escolha minha mãe também me incentivou. Ela constroi casas para vender e para me motivar começou a pedir que eu comprasse todos os materiais. Até hoje essa é a parte que eu mais amo no meu dia, me dá frio na barriga conversar com os pedreiros e imaginar que logo sou eu coordenando as equipes”, revela Janaina que está cursando sua segunda faculdade e se mostra apaixonada pela nova profissão.

Larissa Vitória CarnevalliLarissa Vitória Carnevalli – aluna do 5º ano da Escola Municipal Messias Barbosa Ferreira, de Floresta.

“Eu gosto de ler, escrever e pesquisar. Gosto de todas as matérias, principalmente de Ciências. Por isso quero ser professora! Poder ensinar assim como a minha professora faz. Ela é paciente e explica de uma forma que todos nós conseguimos aprender.”

BrunoBruno Augusto Valério – aluno do 5º ano na Escola Municipal Vânia Maria Simão, de Atalaia.

“Eu quero estudar administração para trabalhar no comércio assim como meus pais. Não se ganha muito dinheiro, mais isso não é o mais importante, eu quero fazer o que gosto e ainda poder conversar com os clientes todos os dias.”

Rafaela Pupo LandesRafaela Puppo Landes – aluna do 5º ano da Escola Municipal Messias Barbosa Ferreira, de Floresta.

“Eu quero ser médica para ajudar a salvar a vida das pessoas. Sei que vou ter que estudar muito para isso acontecer, mas eu aprendi com meus pais e minha professora que o conhecimento é algo que ninguém tira da gente.”

 

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Executiva de TI produz trilogia com enredo eletrizante

Quem poderia imaginar que uma executiva de tecnologia da informação (TI), depois da rotina diária de trabalho, ainda chegaria em casa com inspiração para transformar uma paixão da infância em trabalho? Assim é a vida da escritora Ana Eduarda Chiarato Nicolozzi, que em horário comercial atua no setor de serviços em tecnologia, de uma multinacional paulista, mas fora do escritório mergulha em um universo fictício. E é através da escrita que propõe aos seus leitores uma viagem intelectual.

Desde criança Ana Eduarda já mostrava encanto pela literatura e contos clássicos. Através do contato com os livros teve a iniciativa de participar de seminários que aumentaram seu conhecimento e domínio quando o assunto é redação.

Ao passar dos anos, a autora começou a produzir conteúdos de cunho educacional, no formato de histórias em quadrinhos. Esses materiais foram direcionados ao público infantil, e abordavam temas relacionados ao esporte, à alimentação e à sustentabilidade.

Decidida a buscar voos mais altos e traçar uma carreira de sucesso na ficção, em 2011 Ana Eduarda lançou a trilogia “Enigma das Fronteiras”, material produzido em três volumes – “Céu, Terra e Inferno” – com um enredo eletrizante que provoca reflexões e emoções sobre criaturas que estão no imaginário popular. As obras também falam de batalhas entre seres do bem e do mal, e o amor entre um anjo e um ser humano. O que promete mexer com a crença e o imaginário dos leitores.

ANA EDUARDA

 

Convidada a uma entrevista para a coluna do Diário na Escola, Ana Eduarda nos contou sobre a paixão pela literatura, as formas de motivar as crianças a gostarem de ler e os desafios de quem se arrisca a publicar ideias e sentimentos, no papel.

 

O DIÁRIO NA ESCOLA: Executiva em tecnologia, de onde surgiu a interesse pela área literária?

ANA EDUARDA Livros sempre foram parte de minha vida. Desde pequena, amo ler. Minha lembrança mais remota – e deliciosa – foi quando ganhei uma coleção de livros infantis do meu pai, contos em geral, e depois de cansar de ler eu os colocava em formato de amarelinha, e pulava em cima deles. Por volta dos 16 anos, comecei a escrever as primeiras coisas, que eram as continuações de livros que eu adorava. Como não queria que as histórias acabassem, escrevia algumas continuações da forma que as imaginava.

A vida profissional na área de Tecnologia da Informação sempre caminhou junto com o mundo literário e essa minha paixão e sonho de escrever, uma servindo de apoio à outra. Aliás, a habilidade da comunicação escrita sempre me ajudou muito, também,  na minha ocupação atual. Por isso é que as considero complementares, partes de mim.

Qual a principal dificuldade que enfrentou ao escrever suas obras?

Inicialmente, é difícil escrever a primeira palavra, a primeira frase de um livro. É necessário relaxar e deixar as ideias fluírem, do jeito que aparecerem. Tem que se libertar das convenções, e deixar acontecer. Depois, é muito difícil saber a hora de parar de escrever, ou seja, terminar a história. É como deixar um filho livre e solto no mundo, vivendo por sua própria vontade. No livro, dá o desejo de continuar e continuar, revisar milhões de vezes e nunca mais largá-lo. Eu escrevi três finais para a trilogia. Somente no terceiro, fiquei um pouco mais satisfeita, mas mesmo assim, foi difícil colocar o “ponto final” final!

No Brasil, é possível sobreviver atuando unicamente como escritora?

As condições de incentivo e o próprio mercado de leitores são maiores nos países de economia mais madura, o que facilita bastante o lançamento de livros e ideias novas. Certamente, as pessoas estão mais prontas e mais ávidas para a leitura, fazendo girar melhor essa parte do negócio. De qualquer forma, estou apostando muito no futuro do Brasil, quero ajudar a fazer um país melhor, que incentive a cultura de uma forma geral. Os meus livros têm o objetivo de entreter as pessoas e, com isso, despertar a curiosidade para um mundo novo que se abre com as páginas. Novos leitores, mais cultura, mais educação. Um círculo virtuoso.

Você considera que em nosso país a profissão é desvalorizada?

Acho que poderíamos valorizar mais a arte e cultura em geral, sim. Já dancei ballet por muitos anos, e sei também como é difícil a vida de atores e dançarinos, é difícil encontrar um lugar ao sol. Precisamos de mais programas, de mais financiamento e mais espaço para a divulgação de todo tipo de obras.

Suas obras têm relação com suas experiências de vida?

Não, minhas obras são apenas ficção. Têm um pouco de mim, um pouco de alguns lugares que conheço, pois livros são parte de nós, mas tudo que está lá é parte da minha imaginação e inspiração.

Além de escritora você é mãe. Que iniciativas toma para motivar sua filha a gostar da leitura?

Não há nada melhor do que o nosso exemplo silencioso. Não adianta falar, conversar ou passar sermão. Filhos aprendem pela observação dos pais, da família e do ambiente, pelo que sentem, pelo que captam. Se queremos motivar nossos filhos à leitura, precisamos ler para eles, ler com eles, ler perto deles e mais ainda, nos divertir com a leitura. Lembro-me bem quanto estava lendo o livro “Marley e eu”. Dava tanta risada sozinha das coisas que lia, que minha filha ainda com cinco ou seis anos vinha se sentar ao meu lado para também poder “ler” a parte engraçada.

Mesmo para quem não tem condições de adquirir livros a toda hora, o hábito pode ser adquirido através de revistas e jornais, ao passear numa livraria ou biblioteca, manusear coisas emprestadas de clubes de leitura, e outras opções em que não precisamos gastar um centavo.

Como escritora, qual sua visão sobre a educação atual?

Ainda temos um abismo que separa a educação pública da privada, e isso não é bom. Embora tenhamos excelentes escolas públicas, estas ainda são consideradas uma exceção no País e precisamos melhorar muito os nossos programas e a abrangência da educação. Precisamos incentivar mais nossos professores, desde a remuneração até o seu próprio desenvolvimento, precisamos de mais laboratórios, mais salas, mais infraestrutura, mais tudo.  Não quero parecer pessimista, mas sim, quero ver mais, desejo mais para o Brasil, pois sabemos que é possível fazer melhor do que o que temos hoje. Existem crianças ainda sem uniforme e material escolar, e nós já estamos no final de abril. Fico triste ao saber que o número de leitores brasileiros diminui ano a ano, segundo as estatísticas, fico mais triste ainda ao ler que grande parte de nossa população é analfabeta funcional – aqueles que sabem algumas letras, mas não interpretam um texto. E pior ainda, temos uma boa parcela como analfabetos absolutos.

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