Preconceito é tema de debate escolar

A costa oeste africana e o litoral brasileiro, um dia, já estiveram conectados. Há 200 milhões de anos, os dois territórios começaram a se separar e assumiram as atuais posições afastados milhares de quilômetros pelo Oceano Atlântico. As tradições, a cultura e a trajetória dos descendentes dos africanos escravizados compõem um objeto de estudo importante para todas as crianças e os jovens, negros ou não.

O tráfico negreiro e a escravidão determinaram o presente do nosso país. A população vinda do continente africano criou aqui raízes, família, cultura e história. Hoje, 53% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013.

Com o objetivo de valorizar a cultura afro brasileira, na última semana a professora Adriana de Araujo Xavier Pelizer que leciona na Escola Municipal Messias Barbosa Ferreira, em Floresta, desenvolveu um série de atividades aproveitando a data em comemoração ao Dia da Consciência Negra.

IMG_0937“Os estudantes ainda conhecem pouco sobre essa cultura e é importante discutirmos o valor dos negros para a história brasileira. Aliado ao material didático utilizei a reportagem do Diário com a manchete ‘Mentes que se abrem devagar’ para complementar o trabalho de ensino-aprendizagem sobre o tema”, destaca Adriana.

A matéria do impresso apresenta informações sobre o avanço da situação do negro no Brasil, a exemplo das oportunidades de emprego, mas também cita casos de preconceito, infelizmente ainda existentes. Com dados sobre a origem da data comemorativa, quem foi Zumbi dos Palmares e o perfil da população negra brasileira, o conteúdo contribuiu para a aula da professora.

Depois do estudo da História e da leitura do jornal, a turma realizou um debate sobre o preconceito. “Diariamente vemos nos noticiários casos de racismo, algo muito triste. Pois a cultura afro contribuiu imensamente para a construção do nosso país”, ressalta o aluno Bryan Franklyn Furlan Trentin.

Para que toda a escola refletisse sobre o tema, Adriana e seus alunos produziram cartazes que foram espalhados pelos murais da instituição. A estudante Polliany Cristiny Monteiro comenta que muitos aspectos de nossa cultura, como a capoeira, tiveram origem nos povos africanos. “Devemos gratidão e respeito a eles”, diz.

O aluno João Victor Alves da Silva deixa uma mensagem “Zumbi dos Palmares foi um líder que lutou contra a opressão dos negros africanos. Em nosso dia-a-dia pequenas ações podem contribuir para acabar com o preconceito. Afinal, a cor da pele não tem nenhuma relevância, o que realmente merece valor é o sentimento que carregamos dentro do coração”, conclui.

A professora da turma ficou surpresa com o alto nível do debate em sala. “As crianças estão muito mais seguras para falar. A leitura do jornal, semanalmente, tornou os estudantes mais críticos e argumentativos, fatores importantes para uma aula rica em conteúdo e aprendizado”, conta Adriana.

Foto Abre

 

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