Mês: dezembro 2015



O jornal como artefato de esporte

Já imaginou participar de uma aula de esgrima dentro do espaço escolar? A professora Cintia Conte Torres que leciona na Escola Municipal Nilo Peçanha, em Marialva, cumpriu essa tarefa. Durante a aula de educação física ela desafiou os alunos a confeccionarem espadas com as páginas velhas do jornal e ainda ensinou a eles um esporte de combate.

“A proposta surgiu de uma pesquisa, na editoria de esportes do Diário, sobre quais estilos de lutas e artes marciais mais aparecem na mídia e quais têm maior destaque em nossa região. Em seguida, propus que vivenciassem de maneira lúdica esse estilo de luta ao produzir espadas de jornal. Desta forma reafirmei a importância da reciclagem e reaproveitamento de materiais, proporcionando economia de dinheiro e ajudando na preservação do meio ambiente”, enfatiza Cintia.

A estudante Lorena Alana Nabarrete destaca que o trabalho com jornal é muito importante, pois todos os dias depois de lidos, algumas pessoas o jogam fora acumulando quilos de lixo. “Na minha escola é diferente, nós o reutilizamos para fazer outros materiais na aula de educação física, por exemplo.”

Para iniciar o trabalho a professora separou exemplares do Diário, de dias diferentes, no intuito dos alunos pesquisarem quais notícias sobre lutas eram destaque, analisando as modalidades das artes marciais que tinham repercussão a nível nacional ou em nossa região. Cintia apresentou às crianças a história, as características e as regras básicas da esgrima, para somente depois disso, elas confeccionarem as espadas.

“Entreguei uma folha de jornal para cada estudante, com ela, eles fizeram um canudo bem fino e firme virando uma das pontas formando um pequeno aro para fazer a empunhadura”, conta.

Foto AbreDepois de cada aluno ter a sua espada, foram formadas duplas para a vivência de uma luta, assim como nos campeonatos. Para esta aula cada criança usou uma camiseta velha, para ficar evidente a marcação do ponto em que foi atingido pela espada – pois a marcação acontece quando a espada atinge o corpo do adversário – e para ficar mais real foi pintado com tinta a ponta da espada. Também foi colocado um jornal preso com fita crepe no peito de cada aluno para simular a roupa da esgrima.

Os estudantes se divertiram a aula toda e no final foi possível constatar quem foi mais ou menos atingido, de acordo com a situação dos jornais que foram colocados por cima das camisetas.

Cintia enfatiza que os resultados foram muito satisfatórios, pois com o trabalho de pesquisa os alunos adquiriram informações importantes referentes ao conteúdo estudado, analisando a repercussão do assunto na mídia impressa. E com a vivência prática, tiveram um aprendizado de forma dinâmica, divertida e eficaz. “O ensino não se restringiu ao conteúdo da grade curricular, as crianças perceberam que podemos reutilizar materiais que seriam jogados fora, na confecção de brinquedos e materiais alternativos com uso funcional”, enfatiza.

“Desde que iniciamos as atividades com o jornal na escola, os alunos tornaram-se mais críticos e melhoraram na leitura, pois desenvolveram o gosto por ela. Pelo fato de o impresso trazer vários gêneros textuais, aprimoraram conhecimentos e esse trabalho contribuiu ainda mais para auxiliá-los na Prova Brasil”, ressalta a coordenadora pedagógica, Luzia Aparecida Sacoman.

Após orientações sobre como utilizar seu brinquedo de maneira segura, sem machucar os colegas, os alunos quiseram levar a espada para casa para continuar a diversão, assim como jornais para confeccionarem outras para os irmãos e amigos.

Comente aqui


Fazendo horta

A Legião da Boa Vontade (LBV), em Maringá, desenvolve diversos projetos visando desenvolvimento integral das crianças que atende. Uma das ações é o plantio e cultivo de uma horta. O projeto busca integrar a criança ao meio ambiente e à alimentação de qualidade.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) enquanto 842 milhões de pessoas sofrem de fome crônica, muitas outras têm problemas com nutrição inadequada: cerca de 2 dos 7 bilhões de habitantes do planeta são afetados pela deficiência de micronutrientes. Sem contar com o desperdício: um terço dos alimentos produzidos do mundo não é aproveitado para consumo, indo parar no lixo.

E por que não produzir na própria instituição as hortaliças servidas às crianças e adolescentes? E ainda é possível fazer melhor! Envolver os atendidos nessa tarefa. E foi a partir desse desafio que a educadora Patrícia Pereira de Araújo realizou o projeto Horta Educacional.

Para a elaboração da proposta Patrícia considerou o aumento dos casos de obesidade infantil, assim como a alta incidência diabetes e os hábitos de alimentação inadequados. A horta educativa, foi utilizada como estratégia interdisciplinar de educação ambiental e alimentar, possibilitando a criação de hábitos saudáveis de alimentação.

Foto Submanchete“O cultivo de hortas escolares pode ser um valioso instrumento educativo. O contato com a terra no preparo dos canteiros e a descoberta de inúmeras formas de vida que existem e coexistem, o encanto com as sementes que brotam como mágica, a prática diária do cuidado – regar, transplantar, tirar matinhos, espantar formigas com o uso da borra de café ou plantio de coentro, o exercício da paciência e perseverança até que a natureza nos brinde com a transformação de pequenas sementes em verduras e legumes viçosos e coloridos. Estas vivências podem transformar pequenos espaços em cantos de muito encanto e aprendizado para todas as idades”, enfatiza a educadora.

Na metodologia do trabalho, Patrícia e os atendidos conheceram os diversos tipos de verduras, legumes e hortaliças, pesquisaram notícias no jornal O Diário sobre alimentos, e aprenderam a importância de fazer refeições saudáveis.

No momento de colocar a mão na massa, crianças e adolescentes prepararam a terra e os canteiros, separaram as mudas e sementes, fizeram o plantio e o cultivo para manter a horta saudável.

“Cada criança foi incentivada a levar uma garrafa pet, na qual foi plantado hortelã e manjericão. Na horta já temos: cebolinha, salsinha, quiabo, hortelã e manjericão”, conta a educadora.

O atendido Bruno de Jesus ressalta a empolgação em ajudar na construção da horta, ele diz que nossa vida depende do meio ambiente, e o meio ambiente depende de nós. A colega Ketlen Rueda acrescenta sobre a importância dos alimentos naturais, pois são saudáveis e nutritivos.

“É interessante ver que todos absorveram bem os conteúdos apresentados. A participação e o entusiasmo das crianças e adolescentes foi contagiante. Muito bom ver eles envolvidos em todas as etapas para a criação da horta, desde a seleção das espécies a serem cultivadas, o plantio das mudas e sementes, e os cuidados para manter o crescimento dos alimentos”, comemora Patrícia.

 

Comente aqui


É da Escola

Foto AbreHá anos trabalhando com exemplares do Diário do Norte do Paraná em sala de aula a professora Valéria Nunes, que leciona na Escola Municipal Alfredo Sofientini, em Astorga, decidiu que mais do que ler um jornal que chega à escola toda semana, era o momento dos estudantes criarem seu próprio impresso com fatos próximos à realidade em que vivem.

E foi assim que surgiu o “Jornal é da Escola”. Um informativo todo escrito, diagramado e editado pelos alunos do quinto ano e distribuído para os colegas. Mas antes do resultado final, muitas etapas foram realizadas.

De início a professora apresentou todas as partes que compõem um impresso, desde os gêneros textuais presentes até a separação dos cadernos de notícias. Essa aula é fundamental, pois orienta as crianças sobre tudo o que elas vão precisar criar quando chegar o momento de pensar no jornal da escola.

Em seguida a turma foi divida em grupos, no caso, em equipes de reportagem que se reuniram para a primeira reunião de pauta. Neste momento as crianças têm a oportunidade de viver a realidade diária dos jornalistas. Elas são motivadas a debater sobre o que querem produzir, citar os fatos que merecem destaque, escolher qual a melhor forma de estruturar as páginas, entre tantos outros detalhes. E, assim, se sentirem parte do projeto idealizado pela professora.

“Trabalhar com a produção do jornal foi uma realização minha e esse sentimento foi repassado para toda a turma. Os estudantes vivenciaram, na prática, a rotina de uma redação, com isso conseguimos criar algo atual e produzido a partir da vivência deles”, destaca Valéria.

A aluna Tatiane Talita Machado conta que pensar e escrever um impresso foi uma experiência incrível. “Nosso material é educativo, interessante, divertido e ainda faz com que toda a escola fique por dentro das notícias escolares.”

Ana Lucia Burin é mãe de aluno e ressalta que a criação de um jornal fez com que as crianças se mostrassem responsáveis e comprometidas com a tarefa escolar, “essa proposta foi tão boa, que deveria ser repetida anualmente.”

Como resultado final Valéria ressalta que mais do que páginas impressas, foi constatado o poder de criação, cooperação e dedicação que há dentro de cada criança. “Também percebi um grande enriquecimento de vocabulário e melhora na produção textual.”

 

 

NOTÍCIA

Confira a nota escrita pelas alunas repórteres Gabriely, Heloysa, Maria Eduarda e Nathália, que foi publicada no “Jornal é da Escola”.

 

PROJETO DE LEITURA: UMA TURMA MALUQUINHA

O projeto tem o objetivo de incentivar os alunos na leitura prazerosa através das obras de Ziraldo, visando melhorar o desempenho na leitura e escrita. O projeto também promove atividades em educação musical, artes, dramatização, entre outras. Os alunos estão bastante motivados e participativos. Segundo a professora Valéria Nunes o encerramento será em novembro e em grande estilo. Esse projeto de leitura está sendo desenvolvido com as demais turmas da escola, porém com o estudo de autores literários diferentes.

Comente aqui


Encerrar para começar bem

g_161754826

Por Luiz de Carvalho

Cerca de 260 professores de 110 instituições de ensino de 15 cidades do noroeste paranaense participaram, no último dia 24, no auditório da PUC, da cerimônia que marcou o encerramento de mais um ano do Programa Educacional O Diário na Escola, desenvolvido pelo jornal O Diário, e puderam acompanhar uma palestra sobre a chegada da Neurociência à sala de aula, conversar com escritoras a ganhar lembranças do Programa.

A festa de encerramento é uma tradição de O Diário na Escola e fecha uma série de atividades desenvolvidas durante o ano, como os encontros de formação que acontecem bimestralmente e as atividades, com a utilização das matérias publicadas no jornal, realizadas em sala de aula pelos professores.

O evento de encerramento é uma forma de reconhecimento do trabalho das escolas e dos professores, que são nossos parceiros, e homenageá-los pelas iniciativas criativas de utilização das matérias de O Diário como instrumento de aprendizado”, diz a coordenadora do Programa, jornalista Loiva Lopes.

Mais de 20 professores que tiveram suas atividades publicadas no jornal ao longo do ano, realizadas com base na leitura de notícias, foram homenageados e receberam como lembrança a edição do livro comemorativo dos 40 anos de O Diário do Norte do Paraná e flores. Também foram sorteados passaportes para fins de semana no Ody Park Aquático, camisetas, livros, vale-pizza e outros brindes.

Este foi o primeiro ano que participei do Programa e considero que foi uma experiência muito enriquecedora”, disse a professora da Educação Especial, na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) Nairde Freitas Palioto. “Com o trabalho que realizamos com as matérias do jornal, sentimos que muitos alunos começaram a se interessar por assuntos que antes não chamavam a atenção, muitos estão lendo espontaneamente e houve uma melhora considerável na oralidade”, explica a professora, que recebeu elogios de várias mães de alunos pelos resultados alcançados.

As escritoras Vera Margutti, Maria Cristina Vieira e Angela Ramalho falaram de suas criações, lembrando que seus livros, geralmente com personagens lúdicos, já vêm sendo utilizados em sala de aula com bons resultados.

 

A Neurociência chega à escola

A aplicação da Neurociência nas atividades de sala de aula para entender de forma abrangente o desenvolvimento do cérebro da criança e ajudá-la a organizar o conhecimento e as informações que recebe no dia a dia foi tema de debate na solenidade que marcou o encerramento, neste ano, do programa O Diário na Escola.

g_183221711O tema “Neurociência na Escola – o que fazer se não sou neurocientista?” foi desenvolvido pela psicóloga Cristiana Bolfer, especialista em Psicopedagogia, mestre e doutora em Neurologia e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) para Crianças e Adolescentes, além de especialista em Neuropsicologia.

As explicações sobre como a emoção interfere no processo de retenção de informação prenderam a atenção dos cerca de 260 professores que assistiram a palestra em dois períodos, a ponto de vários deles procurarem a palestrante até durante o intervalo para tirar dúvidas e falar de observações que fazem em sala de aula.

Até alguns anos atrás, apenas tínhamos intuição de como o cérebro da criança funcionava no processo de aprendizado, mas a Neurociência nos trouxe precisão e tornou-se um importante aliado dos professores”, diz Bolfer. “Na verdade, o que fazemos é apresentar e dar nome àquilo que o professor intuitivamente já sabe e agora pode usar para conhecer melhor a forma de pensar da criança e interferir, por meio de atividades, no pensamento do aluno, de acordo com cada faixa etária”.

Durante a palestra, Cristiana Bolfer sugeriu algumas atividades que os professores podem realizar em sala como exercício para o cérebro das crianças. Segundo ela, a Neurociência ajuda o professor dar à criança motivação para aprender, desenvolver a atenção, formar de maneira mais efetiva a memória ao dar a nova informação associada a um conhecimento prévio. “O cérebro é o órgão mais incrível do ser humano e o professor precisa estar atento a isto para estimular da maneira correta o cérebro da criança para organizar o conhecimento, principalmente nos tempos atuais, em que as informações chegam em um volume muito grande e em grande velocidade”.

Comente aqui