Mês: janeiro 2016



Jornal + Matemática = Resultado

JOGO RÁPIDO

Questionamos as professores Solange D’Antonio e Luciana Lacanallo sobre como aliar o jornal com o livro didático e o que elas irão abordar nas oficinas oferecidas este ano aos participantes do Diário na Escola. Confira:

 

Como os professores podem unir os conteúdos do impresso com o livro didático?

Foto SolangeSOLANGE: Para que essa união aconteça é preciso planejamento e estudos por parte do professor que deve ser um leitor constante de sua prática. Se em meu planejamento, por exemplo, quero explorar a leitura de gráficos e tabelas, analisarei o que existe no livro didático para a apresentação desse conteúdo e complementarei aquela informação com dados apresentados no jornal, a fim de fazer com que o aluno reflita e perceba a constituição de um gráfico e de uma tabela, suas características e sua relevância no dia a dia, ou iniciarei minha aula com dados selecionados nos jornais, para que o aluno compreenda e diferencie tais conceitos, pela observação e o levantamento de hipóteses e então aproveitarei o que o livro didático apresenta a esse respeito para complementar o aprendizado.

 

Você tem uma dinâmica de ensino diferente que envolve a participação de estudantes da graduação durante as oficinas que ministra. Como esse trabalho será realizado os professores do Programa?

foto LucianaLUCIANA: Na Universidade tentamos aproximar nossos estudos com a escola e com os futuros professores, em especial os acadêmicos de Pedagogia. Assim, temos uma dinâmica de trabalho que integra acadêmicos, professores já formados da educação básica e professores universitários em um mesmo movimento de aprendizagem. Os participantes entram em atividade de organização do ensino. Esse trabalho é desenvolvido no Grupo de Pesquisa e Ensino “Trabalho Educativo e Escolarização”, no subprojeto da Oficina Pedagógica de Matemática (OPM). O desenvolvimento dos trabalhos na OPM busca estudar, refletir sobre as práticas de ensino de matemática e a partir daí elaboramos situações desencadeadoras de aprendizagem para serem desenvolvidas na sala de aula, como meio para direcionar a atenção de alunos e professores em direção à apropriação dos conceitos matemáticos, de modo lúdico e instigante, visto que acreditamos que o aprender matemática é para todos. Por isso, envolvemos os participantes nesse movimento, eles atuam como agentes formativos interagindo conosco, com o conteúdo em si e com os professores que participam.

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Jornal ensina matemática

A matemática, de maneira explícita ou implícita, está presente em quase tudo na nossa vida e é a partir dela que o homem pode ampliar seu conhecimento e por consequência contribuir para o desenvolvimento da sociedade. As mídias impressas são uma fonte rica de informações e coleta de dados que possibilitam ao estudante a oportunidade de analisar, discutir, apropriar-se de conceitos e formular suas próprias ideias.

Os jornais abordam os mais diversos assuntos e podem reproduzi-los nas mais diferentes linguagens, como gráficos e tabelas relacionando os conteúdos matemáticos com suas aplicações, contribuindo para que os conteúdos explorados em sala de aula adquiram significado.

Foto AbreAnalisando a importância que a matemática tem não só no currículo escolar, como também na vida do aluno em formação, a equipe do Diário na Escola ofertará em 2016 cursos de capacitação aos professores participantes do Programa sobre como trabalhar esta disciplina, a partir dos conteúdos publicados no jornal. Para ministrar as oficinas foram convidadas as professoras mestres, Luciana Lacanallo e Solange D’Antonio.

“No estudo da matemática é preciso contextualizá-la, extrair da vida o que o aluno conhece do conteúdo, para que ele reconheça sua importância e demonstre o que já tem de bagagem a respeito da disciplina, e assim, a partir desse marco, os professores possam fazer com que esse conhecimento cotidiano se torne um conhecimento científico. Por exemplo, ao trabalhar o metro cúbico presente nas contas de água, podemos a partir da quantidade gasta por família construir com os estudantes a representação do metro cúbico e fazer com que reflitam que o número 10 m³ significa muita água, relação que não fazem, pois olham apenas para a quantidade numérica e não para a medida. São em situações como essa que fazemos a matemática ter valor e se tornar significativa para quem aprende”, enfatiza Solange.

A professora da Escola Municipal São Jorge, em São Jorge do Ivaí, Fátima Romualdo conta que o estudo da matemática utilizando o impresso como suporte teve ótimos resultados. “Em um dos dias em que recebemos o Diário, junto com o exemplar veio um folheto informativo do Shopping China com os valores dos produtos todos em dólares. Para estimular os alunos a realizarem operações matemáticas, solicitei que nos indicadores do Diário eles encontrassem o valor da moeda, e fizessem a conversão dos preços em dólar para saber qual seria o valor da mercadoria em reais.”

A aluna de São Jorge, Jéssica Bicudo destaca que foram momentos de aprendizado e diversão, “não imaginava que a matemática poderia ser tão legal.” A colega Débora Anastácio completa, “aprender sem perceber que se está em uma atividade, torna tudo mais interessante.”

“O jornal é um recurso didático riquíssimo para o professor. Muitas vezes o vemos sendo usado para a construção de gráficos já que no jornal é comum o trabalho com dados estatísticos, mas o impresso é muito mais que isso. Números, formas, grandezas, medidas são conteúdos presentes desde a estruturação em cadernos de notícias, até os quadrinhos, tudo pode ser conteúdo matemático, visto que o controle das diferentes quantidades, espaço e grandezas são inerentes às ações humanas noticiadas nos jornais diariamente”, ressalta Luciana.

Solange comenta que ao observarmos e analisarmos as notícias, as pesquisas, os anúncios, as propagandas, encontramos muito a ensinar em todas as disciplinas, em especial na matemática. “É claro que utilizar esse instrumento não é apenas pegar o jornal daquele dia e levá-lo a sala de aula. Ensinar a partir do impresso é analisar em várias publicações o que existe, por exemplo, de situações relacionadas à porcentagem e poder através das notícias promover uma discussão que leve o aluno a perceber tal conceito e sua importância na vida das pessoas e a partir dai ofertar o conhecimento cotidiano em escolar.”

Luciana expõe que a matemática é uma linguagem composta por diferentes signos e conceitos, os quais constituem em instrumentos simbólicos. “Aprender essa disciplina não é apenas resolver contas, decorar fórmulas e procedimentos, é ler e interpretar dados, fatos e com o jornal temos um recurso excelente em mãos.”

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Notícia de corte desperta atenção de crianças

Nas escolas municipais de Sarandi os estudantes de quarto e quinto ano têm acesso à leitura do jornal O Diário, semanalmente. Isso tem contribuído para o desenvolvimento da escrita, como também para a formação de um cidadão mais crítico. Mesmo ainda pequenas, as crianças já conhecem assuntos de interesse social e debatem sobre o que tem sido notícia na mídia.

A manchete “Relator vai cortar R$10bi do Bolsa Família”, publicada no Diário, causou euforia nos estudantes da Escola Municipal Yoshio Hayashi. A professora da turma, Salete Batista Eduardo destaca que boa parte dos alunos são cadastrados no programa que faz repasses mensais de recursos para famílias de baixa renda, por isso a matéria despertou tamanha atenção.

IMG_20151021_154256No início da aula, a professora distribuiu os exemplares do Diário para a turma e explicou que cada página do jornal é uma editoria e que ele é dividido em cadernos. Ao reconhecerem a capa do impresso, já viram a manchete sobre o corte do programa e iniciaram as conversas de indignação na classe.

“Nesse momento expliquei que aquele era apenas o texto chamada da notícia e os orientei a procurarem a matéria completa na página indicada. Para, assim, entenderem o fato na íntegra”, conta Salete.

Cada criança fez uma leitura silenciosa da notícia para tirarem suas próprias conclusões e, na sequência, foi aberto um debate para explanarem o que tinham adquirido de informações e se concordavam ou não com o que estava escrito no impresso.

A professora relata que precisou mediar as discussões, pois é um assunto próximo da realidade em que vivem, então todos queriam participar da aula. Sentindo que as crianças estavam cheias de argumentos e com o desejo de exporem isso, Salete propôs aos alunos que escrevessem um texto opinativo sobre a notícia em estudo. “É uma turma que tem dificuldades no aprendizado e alguns até vivem em situação de vulnerabilidade. Quando mencionei que as boas produções seriam enviadas ao jornal, percebi que se dedicaram ainda mais.”

A aluna Raquel Farias Silva comenta que gostou muito da experiência da atividade realizada, e acrescenta que é contra o corte do Bolsa Família, pois em muitas casas é a partir desse programa que vem o sustento.

“A notícia de um assunto que é de grande valia na rotina de vida das crianças fez com que elas se tornassem bem mais produtivas do que em outros momentos em que estudamos o Diário. Ao final da aula, consegui o objetivo de repassar o conteúdo programado e ainda mais feliz por ter visto o bom desenvolvimento dos estudantes”, comemora Salete.

 

Foto AbreOPINIÃO

Confira alguns comentários escritos pelos alunos sobre a notícia lida no Diário:

 

“Eu achei muito feia a atitude do relator, porque tem pessoas que precisam muito do Bolsa Família. Em plena crise, não podiam tirar dinheiro do povo.” (Ana Julia Souza Desordi)

 

“Não deveria diminuir nem um real do Bolsa Família. Tem muita gente que precisa desse dinheiro. Na minha opinião, não é justo.” (Victor Gabriel do Nascimento)

 

“Achei a notícia muito triste, porque tem pessoas que sobrevivem desse dinheiro. Com o programa dá para pagar conta de água, luz, comprar comida. Sem ele, as pessoas podem passar fome.” (Raquel Farias da Silva)

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A tecnologia a favor do ensino

A internet já faz parte da nossa rotina de vida, seja no trabalho ou nos contatos pessoais. Devido a esse contexto, mais do que saber usar o computador em sala de aula, o professor precisa estar capacitado para auxiliar e orientar os alunos. O desafio é saber como usar os novos recursos tecnológicos a favor do ensino. Lutar contra a presença deles não é mais visto como uma opção. Para falar sobre esse assunto, convidamos a jornalista e especialista em tecnologias na aprendizagem, Talita Moretto. Em nosso bate-papo ela fala como o uso da mídia online pode ser proveitoso no estudo interativo de conteúdos, tornando-os atraentes e fazendo com que o estudante adote uma postura mais participativa.

1. O DIÁRIO NA ESCOLA: A partir da sua experiência profissional, quais as maiores dificuldades você tem observado que os professores encontram quando o assunto é o uso da tecnologia em sala de aula?

Talita MorettoTALITA: Algumas dificuldades são diferentes dependendo da rede de ensino, da instituição (equipe gestora) e da abertura do professor. Se conversarmos com professores da rede pública, a falta de estrutura, de equipamentos e, principalmente, conexão à internet são dificuldades apontadas pela maioria. Estas dificuldades, embora existam, são menores na rede particular.

No entanto, o problema maior é que mesmo quando a escola está equipada, não existe preparo dos professores. O que falta, na minha visão, não é apenas estrutura ou formação é, principalmente, apoio da equipe pedagógica da escola, suportada pelos gestores da educação, para “tranquilizar” os professores a respeito do uso de tecnologia. E esse apoio deve começar no planejamento pedagógico e chegar até a reconfiguração da sala de aula. É necessário um esforço conjunto para estruturar salas de aula e formar professores que estejam preparados para as inovações proporcionadas pela tecnologia.

Daí você me pergunta: todos os alunos irão utilizar adequadamente se a tecnologia fizer parte do planejamento? É claro que não. Mas me diga se existe uma turma perfeita, onde todos os alunos fazem o que o professor pede, respeitam a aula e o espaço? Estamos falando de pessoas, de jovens em formação, com perfis diferentes. A perfeição nunca existirá, com ou sem tecnologia.

2. De que forma o educador pode incluir a internet no planejamento pedagógico? Seja na preparação da aula ou mesmo em uma atividade prática com os estudantes no ambiente educacional informatizado.

Existem inúmeras formas. Hoje, devido à facilidade de conexão à internet e acesso barato aos dispositivos eletrônicos, inevitavelmente, o aluno irá utilizar a internet nos trabalhos escolares. É isso que o professor precisa compreender: que a sociedade proporciona essa situação e o aluno não está fora dela.

O professor pode usar internet o tempo todo na preparação de suas aulas. A web é uma fonte de pesquisa riquíssima, onde estão disponíveis inúmeros recursos educativos digitais, ferramentas, aplicativos, e-books que deixam a aula mais atrativa. Por que não aproveitar este material que, em sua maioria, é gratuito?

Quando usar a internet na escola (ou sugerir seu uso em tarefas de casa), o professor deve atuar como orientador. Primeiro, deve mapear os sites que os alunos devem consultar para encontrar as informações desejadas, e também deixar que os próprios alunos façam suas contribuições indicando outros sites que eles conheçam. E, claro, checar se a fonte é confiável, junto com os alunos. Só então levá-los ao laboratório de informática, colocá-los em duplas ou trios (isto é muito importante, pois pedir que os alunos façam a atividade sozinho é como bloquear a construção de conhecimento) e conduzir o desenvolvimento da pesquisa/atividade. Pode até mesmo utilizar atividades online, criar uma webquest ou propor um game. Existem muitos sites educativos especializados em cada disciplina escolar, que podem ser bem aproveitados na educação. Mas é preciso navegar na web para conhecer todo o potencial que ela oferece.

 3. Após a inclusão da web em sua rotina de trabalho, que resultados o professor poderá constatar no desenvolvimento escolar dos alunos?

Isso depende. Não existe uma receita que, se seguida, resultará em um único resultado. O que podemos garantir é que o professor, fazendo o uso da internet junto com os alunos, terá condições de conhecer como o aluno utiliza a internet com propósito pessoal e, a partir disso, ter mais ferramentas para organizar suas aulas de modo que todos fiquem interessados pelo conteúdo e pela disciplina, poderá orientar melhor as pesquisas online, estará apto para indicar sites seguros e com informações confiáveis, conseguirá abordar com mais facilidade temas como, segurança online e direitos autorais, etc. Trata-se de adequar-se ao perfil do aluno, da mesma forma que uma loja de roupas adequa seu “produto” aos gostos do cliente e de acordo com a moda atual. É falar a mesma “língua”, ou melhor, deixar o diálogo fluir com mais naturalidade.

oficina Talita4. Em muitos casos os estudantes têm maior habilidade do que o educador em acessar os programas do computador ou mesmo páginas da internet. Como esse fator pode ser utilizado para contribuir com as atividades em sala?

Deve ser aproveitado em sua totalidade. O aluno torna-se parceiro do professor. Não há motivos para ficar receoso porque o aluno sabe mais sobre determinado recurso do que você. O papel do professor continua imprescindível em sala de aula, e se ele estiver preparado para aceitar o apoio dos alunos, todos tendem a crescer. Isso evita ter que passar um conteúdo que o aluno já sabe, ou perder horas tentando entender uma ferramenta que o aluno domina e que ele mesmo pode ensinar aos colegas a utilizar. Envolvendo o aluno, dessa maneira, nas atividades, não haverá dispersão; é dar a ele autonomia e sentimento de pertencimento ao ambiente escolar. O aluno terá compromisso consigo mesmo, com os colegas, com o professor e com o aprendizado. Isso funciona!

5. Como o professor pode orientar crianças e adolescentes para fazer o “bom” uso da web? Pois, na maioria das vezes, a tecnologia é usada por eles somente para o acesso às redes sociais ou aplicativos de bate-papo.

Os alunos usam o que conhecem, o que aprenderam a usar, o que veem outros (adultos) usando, o que veem na televisão. Se ninguém mostrar a eles outras formas, como saberão que existem? Então, não adianta criticar esse uso, criticar que aluno só sabe usar redes sociais e etc. sem conversar com ele a respeito. O jovem ainda está em formação, é preciso mostrar como utilizar para o ensino, para os estudos. A maioria dos familiares não fará isso porque nem eles sabem, e se o professor se negar a fazer, não adianta criticar a conduta do jovem.

6. Parte dos educadores que atuam nos espaços escolares não foram preparados na graduação para usar a tecnologia que temos no mercado hoje, em suas aulas. Que dicas repassaria para esse tipo de profissional que precisa se adequar a uma nova realidade?

Se analisarmos um professor que está há mais de oito anos em sala de aula, com certeza, não foi preparado. Até mesmo hoje eu conheço poucos cursos que inovam, de forma significativa, a ementa e inserem essa parte no currículo. O único caminho para os professores é a formação continuada, fazer cursos de aperfeiçoamento e, principalmente, ter interesse e vontade de se aprimorar. Essa formação nem sempre virá dos órgãos públicos. Então, como qualquer outro profissional (médico, contador, farmacêutico, cozinheiro) é necessário buscar seu aperfeiçoamento, e pode começar em casa mesmo, tendo interesse em explorar os recursos tecnológicos, conhecê-los. Não existe outra forma. O que falta, para muitas pessoas, é aceitar que a inovação é constante, não há como prever e nem culpar alguém por isso. A internet não é ruim, a tecnologia não é ruim, o que pode torná-la ruim é o uso inadequado. Então, é melhor aprender como usar e tirar benefício disso.

 

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