Baleia azul – O jogo que mata – O diálogo continua sendo a melhor saída

Mary Ellen Rosada

[email protected]

Um dos assuntos mais comentado e vivido nos últimos anos, e que tem gerado preocupação no mundo todo é o jogo virtual da “Baleia Azul”. Essa espécie de “gincana” disputada pelas redes sociais, com tarefas a serem cumpridas ao longo de 50 dias, propõe desafios nos quais participantes (geralmente crianças e adolescentes) acabam sendo influenciados por terceiros, por estarem mais disponíveis hoje, nas redes sociais.

Tudo começa de maneira “leve” – de início, são delegados desafios como assistir a filmes de terror, ouvir músicas psicodélicas e desenhar uma baleia azul em um papel. Com o passar dos dias, adolescentes chegam a ser desafiados a se pendurarem em lugares altos e se automutilarem, ou até tirarem a própria vida.

Antes da internet e das redes sociais, os principais influenciadores das crianças e adolescentes eram aqueles com os quais conviviam em casa, na escola e na vizinhança. Atualmente, não há fronteiras físicas para separá-los do restante do mundo, não basta controlar com quem o filho está saindo de casa, pois muitas vezes o perigo habita o meio virtual. Há diversos influenciadores, como bloggers, youtubers e snapchaters, transmitindo opiniões acerca de moda, atitude e comportamento. Em busca de serem aceitos, eles imitam os influenciadores, sejam bons ou maus exemplos. É importante procurar saber o que é acessado pelo filho, conversar sobre o tempo de uso e conteúdos adequados a cada faixa etária.

De acordo com a psicóloga Sabryna Valéria de Almeida Santos, a infância e a adolescência estão marcadas por uma sucessão de altos e baixos, pois, são períodos em que a personalidade está em formação, há insegurança em relação às mudanças corporais e pressão para ser aceito no grupo de amigos. Aqueles que destoam do grupo de alguma forma podem ser alvos de bullying, consequentemente, tendem a se isolar e estão mais suscetíveis a se deixarem levar pelas propostas destes jogos. A primeira vista, participar dos jogos provoca a sensação de pertencimento, mas, a longo prazo, se torna uma prisão de onde não podem escapar, uma vez que, os hackers ameaçam vazar informações confidenciais e ferir a família do jogador.

 

Já para as escolas, é papel fundamental desenvolverem atividades que proporcionem a reflexão crítica sobre esse problema, informando, e alertando crianças e jovens sobre a necessidade e os riscos dos desafios propostos pelo jogo “Baleia Azul”; levando em consideração um comportamento diferenciado, isolamento, e a importância de prevenir o bullying. Acionar os pais, manter diálogo, caso algum transtorno de comportamento seja percebido, é também de extrema importância.

Para os pais e responsáveis, não é preciso proibir o adolescente de ver filmes, usar internet, ou manter contato com outras pessoas, mas desde que sejam monitorados e, o fundamental, que se mantenha o diálogo sempre.

Devido grandes avanços na tecnologia, a vida é de grande vulnerabilidade. O jogo “Baleia Azul” tem o componente ‘desafio’. Adolescentes gostam de “desafiar autoridades”, concluir fases, romper limites. Precisamos nesse momento ficar atentos a todos e quaisquer movimentos. O diálogo continua sendo a melhor saída!

“As melhores formas de prevenção são o diálogo e o estreitamento dos laços com as crianças e os adolescentes. Cabe aos pais e professores dar o suporte necessário, acolher as necessidades apresentadas pelos jovens sem minimizar o sofrimento. Ao saberem que possuem espaço para desabafar, compartilhar experiências e fazer perguntas, é mais provável que peçam ajuda em um momento de dificuldade. Para que o espaço de diálogo seja construído, é essencial dedicar tempo de qualidade à criança e ao adolescente, participando das brincadeiras, ajudando com as tarefas, praticando esportes ou outras atividades que promovam a interação. Também é importante ficar atento aos sinais de alerta, como mudanças repentinas no comportamento ou na aparência física, isolamento, humor deprimido e uso de álcool e drogas”; conclui a psicóloga Sabryna Valéria de Almeida Santos.

Sabryna Valéria de Almeida Santos – Psicóloga

Sem categoria

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.