Patrimônio histórico à mesa

Para a Unesco, comidas típicas são reconhecidas pela comunidade como parte de sua identidade cultural. Em Maringá, cachorro-quente prensado acaba de se tornar o lanche típico da cidade

Redação O Diário

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HUMM. O famoso e delicioso cachorro-quente prensado: agora, o lanche típico da cidade – Foto: JC Fragoso

Os pratos típicos de cada região contam histórias do povo que vive ali, dos frutos da terra e dos costumes natos do lugar ou trazidos com a imigração. Para preservar essas receitas e ingredientes para as próximas gerações a Gastronomia popular teve algumas preparações incluídas no patrimônio cultural imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Você sabe o que isso quer dizer? Significa que a comida típica é reconhecida pela comunidade como parte de sua identidade cultural.

Maringá acaba de escolher o dogão como prato típico do município, mas não é qualquer receita de pão com salsicha, é o cachorro quente prensado com salsicha cozida com tomate no pão preparado com uma receita guardada a sete chaves e molhos especiais. A escolha oficial aconteceu no dia 21 de junho com a aprovação pela Câmara de Vereadores. A aprovação não foi unânime, foram cinco votos contra e uma abstenção, mas venceu a maioria e o projeto de lei do vereador Belino Bravin (PP) foi aprovado com nove votos favoráveis.

Apesar da polêmica se o dogão representa ou não o município, não é a primeira vez que um lanche é escolhido como comida típica. O sanduíche Bauru (SP) e o empadão de Goiás (GO), por exemplo estão perto de serem incluídos como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Essas receitas estarão no mesmo patamar de relevância que o acarajé, o queijo de Minas, a cajuína do Piauí, entre outros.

 

Para entender por que o dogão de Maringá é tão especial, o melhor jeito é experimentar. Enquanto isso é interessante ler a série de reportagens publicadas entre junho e julho desse ano no Diário. Uma delas, assinada pelo jornalista Alexandre Gaioto, revela até onde chega o “dogão maringaense” com a receita original:

“A 26,7 km da Esplanada dos Ministérios, os moradores de Brasília se refestelam com um cachorrão à maringaense. Em São Paulo, a 4 km da Avenida Paulista, paulistanos se fartam com dogões batizados de Praça do Peladão, Expoingá e Estádio Willie Davids. A duas quadras do mar, turistas e catarinenses há cinco anos se regalam com prensados maringaenses. Em Astorga, Mandaguaçu, Floresta e Iguaraçu também é possível encontrar, pelas calçadas, lanches que se gabam de reproduzir o famoso cachorrão de Maringá.

A maioria desses lugares é administrada por maringaenses que encomendam pães especiais, produzidos em duas fábricas daqui e uma de Sarandi. Esses três fornecedores, segundo empresários do ramo, chegam a servir uma média de cinco mil pães por dia cada fábrica, abastecendo os carrinhos de hot dog dentro e fora de Maringá”. (Matéria publicada em 9 de julho de 2017)

Em geral as comunidades fazem festas para saborear os pratos típicos de cada localidade. A Festa Nacional do Chope Escuro, a Münchenfest, de Ponta Grossa, acontece em dezembro e é a maior festa do Paraná. Ainda é cedo para dizer se a Maringá vai ter uma “Festa típica do Dogão Prensado”, mas na região não faltam oportunidades para provar receitas locais:

Festa da Leitoa Desossada à Pururuca– Paraíso do Norte

Festa da Leitoa Mateira– Mamborê

Festa do Boi no Rolete– Altônia, Engenheiro Beltrão, Marechal Cândido Rondon, Planalto, Ribeirão Claro, Santa Fé e Santa Terezinha de Itaipu

Festa do Carneiro no Buraco– Campo Mourão (A segunda festa mais importante do Paraná)

Festa do Costelão– Luiziana, Maripá, Palotina e Santa Helena.

Festa do Costelão ao Fogo-de-Chão– Paranavaí

Festa do Frango– Bom Sucesso, Cafelândia, Novo Itacolomi, Toledo e Umuarama

Festa do Porco na Lata – Mandaguaçu e Santo Inácio

Festa do Porco no Rolete– Cidade Gaúcha, Mandaguaçu, Sertaneja e Toledo

 

 

 

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