alfabetização

Educadora apaixonada pela profissão fala de suas experiências

IMG_5100Professora há 20 anos, Angela Alves Martins Silva conta ao Programa sobre sua experiência de vida, os desafios da carreira e os momentos prazerosos da profissão. “É possível e necessário transformar pessoas, formar bons cidadãos e mudar a sociedade como um todo”, diz Angela, que é formada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), especialista em Neuropedagogia na Educação, e atualmente leciona na Escola Municipal Padre José de Anchieta, em Sarandi. “Cada dia há um obstáculo a ser superado, mas aliado a isso há também novas conquistas, o que torna a rotina muito gratificante.”

Para conseguir tantas vitórias, desde pequena, Angela batalhou muito. Filha do pedreiro, Manoel Alves Martins e da dona de casa, Geralda Alves Martins, a professora teve uma infância difícil ao lado de outros 15 irmãos. “Quando criança, nossa situação financeira foi muito pobre, mas a educação familiar era riquíssima. Meus pais me ensinaram valores que carrego comigo até hoje, e diariamente, tento repassar a mesma criação para meus dois filhos.”

Ela que sempre sonhou em seguir uma carreira profissional em que pudesse crescer e vencer na vida, passou toda a sua trajetória escolar em instituições públicas, muitas vezes, dividindo o material básico para uso em sala de aula, com os irmãos. “Eu acreditava que um dia aquela situação iria ser diferente”, fala.

Sabendo que para ter um futuro melhor precisaria cursar uma faculdade, Angela desanimou por diversas vezes, pois não tinha recursos financeiros para custear um curso preparatório para o vestibular da UEM ou a faculdade privada, mas mesmo assim nunca desistiu da vontade de conseguir realizar o próprio sonho, e o de seus pais, que ficariam contentes em ter um filho graduado.

“Quando pequena eu achava lindo ser professora, e até hoje me lembro da educadora Vera, que me alfabetizou. E foi assim que tracei meu futuro. Decidi ensinar, e assim, transformar a minha vida e quem sabe, fazer a diferença na vida de muitas crianças”, relata.

Depois de formada no antigo curso de Magistério, Angela passou em um concurso público em Sarandi e conseguiu sua primeira turma de alunos. Mas ainda havia mais uma batalha, o curso superior. “Com muita dedicação, consegui ser aprovada na UEM, nem acreditei quando vi meu nome na lista, era mais do que um obstáculo vencido, foi o momento em que realizei meu sonho”, comemora.

Como uma boa educadora, ela não parou mais de estudar, além da especialização, anualmente Angela participa de diversos cursos de capacitação oferecidos pela rede municipal de ensino, buscando, sempre, o aperfeiçoamento profissional. “Abraço as causas da educação com amor e valorizo cada pessoa envolvida no processo de ensinar. Meu maior prazer é constatar o aprendizado do aluno, perceber que de alguma forma eu estou contribuindo para um futuro melhor para aquela criança, assim como os meus professores da infância fizeram por mim.”

IMG_5085Por um tempo, a professora lecionou para a educação inclusiva. “Este período foi de muito aprendizado. Cada ser humano tem suas qualidades e seus limites, os quais a escola e os profissionais da educação devem estar preparados para receber esses alunos.”

Angela destaca que o sistema educacional passa por desafios, mas, ainda assim, não perdeu qualidade. “Os recursos tecnológicos estão cada vez mais presentes em sala de aula, algo que torna o processo de aprendizagem inovador, além dos projetos educacionais que somam ao currículo escolar a ser aplicado pelo educador. Acredito que com dedicação e amor pelo que se faz é possível oferecer um ensino voltado para as necessidades dos alunos e, com isso, transformar toda uma sociedade”, diz, esperançosa.

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Quadrinhos na educação: uma nova forma de aprendizagem

Há tempos, se algum aluno levasse um gibi para a sala de aula era repreendido e proibido de ler qualquer coisa que não fosse o livro didático. Com o passar dos anos, as histórias em quadrinhos foram entendidas não apenas como uma leitura exclusiva para as crianças, mas sim como uma forma de entretenimento e aprendizagem, tendo como objetivo transmitir conhecimentos que podem atingir diversos públicos e faixas etárias.

Pensando nisso, a equipe do Diário na Escola realizou a formação “Humor no jornal: Histórias em quadrinhos” para os mais de 100 educadores dos quintos anos, da rede municipal de Maringá. Ministrado pelas professoras mestres, Adélli Bazza e Maísa Cardoso o encontro abordou a relação de humor e sociedade, conceitos sobre as HQs e exemplos de práticas pedagógicas.

O DIARIO NA ESCOLA_14“Este é um gênero com muitas linguagens, o que o torna complexo para produção, porém o que esperamos é que os alunos que já têm contato com a HQ em seu cotidiano leiam e interpretem os quadrinhos em princípio. Depois disso, aos poucos, vão adquirindo mais habilidades para a produção, inserindo elementos novos e mais criativos presentes nas HQs. Assim, ganha níveis de leitura, interpretação e produção acima da média, uma vez que está mobilizando vários recursos de linguagem e icônicos ao mesmo tempo”, destaca Maísa.

“A formação sobre esta temática chegou no momento certo, pois abordou o conteúdo que será aplicado em sala no próximo bimestre. Agora tenho novos subsídios para a produção com as crianças”, conta a professora Isalete Vallim Gaiotto.

A leitura de histórias em quadrinhos é um processo considerado complexo. É preciso decodificar textos, imagens, balões e onomatopeias. Além disso, induz à habilidade de concluir coisas que não estão escritas. Nas HQs, por exemplo, o leitor deduz a ação que é omitida entre um quadrinho e outro.

“Os quadrinhos apresentam um texto agradável para o aluno, seja enquanto leitor ou produtor do gênero, pela diversidade de linguagens de que se vale e por estimular o lado lúdico”, comenta Adélli. Um exemplo disso pode ser encontrado na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008 pelo Instituto Pró-Livro, na qual Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica, aparece em décimo lugar na lista dos escritores mais admirados pelos leitores, depois de Monteiro Lobato, Jorge Amado e Machado de Assis, por exemplo.

Durante o encontro de capacitação os participantes puderam observar que a sequência de imagens dos quadrinhos permite que a criança compreenda o sentido da história antes mesmo de aprender a ler. Ao fazer isso, ela organiza o pensamento, exercita a capacidade de observação e interpretação, e ainda desenvolve a criatividade.

Diz-se que um bom modo de estimular um hábito é enfatizando o seu lado prazeroso. No caso dos quadrinhos, os textos rápidos associados com imagens, elementos gráficos e a identificação com os personagens são alguns dos fatores que tornam a leitura agradável. Isso pode encorajá-las a ler textos cada vez mais complexos. Alguns pesquisadores defendem que os leitores de quadrinhos também acabam se interessando por outros gêneros de texto.

Ainda vale ressaltar que, para a formação de um leitor competente, capaz de usar a linguagem em diferentes contextos e situações, é preciso dar a ele acesso a variados tipos de leitura. Como explica Maísa, “cada gênero de texto desenvolve habilidades específicas, por isso é importante que a criança tenha disponível diferentes fontes de leitura, como jornal, livros, revistas e também, as HQs.”

Cultura e Entretenimento

DIARIONAESCOLADM5Histórias em quadrinhos podem transmitir um leque bem amplo de informações sobre contextos históricos, sociais ou políticos e ainda assim manter sua característica de entretenimento. Alguns exemplos bem conhecidos são: as aventuras de Asterix – que trazem divertidas referências sobre história antiga, as histórias de Tintim – ricas em indicações geográficas e as tirinhas da questionadora Mafalda – crítica a questões político-sociais da Argentina.

“As HQs costumam abordar temas controversos, sem causar constrangimentos. Por meio do humor trata-se de assuntos que assumem posicionamentos polêmicos, sem que as pessoas sejam punidas pelo que produzem”, ressalta Adélli.

Alguns gêneros se destinam a criação do humor e do riso, a exemplo das crônicas, charges, piadas, cartuns, tiras e textos de opinião com ironia (comuns nos jornais). Um fator determinante para a comédia, nesses casos, é a presença de algo que possibilite, ao menos, duas leituras. As adivinhas representam bem esta característica, a exemplo: ‘Qual o vento que os cachorros mais temem? Furacão’. Nessa questão a palavra furacão tem caráter ambivalente – duas interpretações -, pois permite que se leia furacão como um tipo de vento, ou ‘fura cão’ como algo que faz mal aos cachorros. “O humor está em todo lugar, logo, por que não na sala de aula? Sem falar que a diversão, o riso e a brincadeira, são próprias da criança”, completa, Maísa.

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Impresso desenvolve senso crítico em estudantes

IMG_2776Durante a visita da equipe do Programa à Escola Municipal Rocha Pombo, no município de Ourizona, o relato de uma aluna chamou a atenção. “Esta semana minha mãe estava me contando que o apresentador de TV, Pinga Fogo sofreu um problema de saúde e está internado. Ela achou que seria uma novidade, mas eu disse que já sabia, pois tinha lido sobre o assunto no Diário. Minha mãe ficou surpresa!”, relata Maria Clara Costa Calvo.

Para que momentos como este aconteçam mais vezes nas conversas em família, a equipe do Diário na Escola esteve com os estudantes de Ourizona apresentando todos os elementos que compõem o impresso, entre eles: manchete, texto chamada, foto, legendas, cadernos e lide.

Depois do bate-papo sobre a estrutura do jornal, os estudantes aplicaram a teoria na prática. Divididos em grupos receberam o desafio de encontrar a manchete principal do Diário, realizar a leitura da reportagem e ainda identificar: título, subtítulo, o que a foto representa, legenda e o lide da notícia.

A partir da manchete “Jardineiro entrega filho adolescente suspeito de matar vizinho de 83 anos” os estudantes desenvolveram as atividades acima e produziram um texto opinativo destacando se concordavam ou não com a atitude do pai do acusado, e qual pena o garoto de 16 anos deveria sofrer por ter matado um homem.

“A manchete é assustadora e atrativa ao mesmo tempo, isso desperta o interesse das crianças em ler a notícia completa. O diferente é que nestes casos eles não reclamam nem do tamanho do texto, pois estão curiosos em conhecer mais sobre o fato”, conta a professora Cícera Aparecida Tassoli.

Há cinco anos Cícera utiliza o jornal O Diário como suporte de ensino aos estudantes do 5º ano. Ela destaca que o impresso contribui muito em suas aulas, “além de aprofundar os conteúdos das disciplinas obrigatórias, melhora o rendimento dos estudantes e diversifica a minha rotina de trabalho”, conta.

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Projetos escolares: Motivação para o aprendizado

A equipe pedagógica da Escola Municipal Jardim Primavera, de Santa Fé, desenvolveu diversas propostas durante o ano com o objetivo de capacitar os alunos de uma forma dinâmica e ainda envolver os familiares nas ações realizadas.

DSC05758A iniciativa “Viajando na Sacola Mágica da Leitura” possibilita aos estudantes levarem para casa livros de histórias infantis de acordo com sua faixa etária para ser lido com seus pais. Após o retorno à sala de aula o aluno compartilha a experiência contando sobre o que mais gostou na leitura com os colegas e professora.

“Nosso objetivo é que o estudante goste de ler e consiga transmitir ao outro o conhecimento. Assim, o livro se torna dimensão de prazer e alegria fazendo o aluno perceber que a leitura é uma viagem maravilhosa, e não apenas mais uma das atividades escolares”, destaca a supervisora, Cássia Gasparetto Zancan.

A estudante do 4º ano, Maria Bianca Moreira Rosa lembra que todos devem ter responsabilidade em devolver a Sacola no prazo estipulado para que ninguém perca a oportunidade de ler as obras.

“O projeto de leitura tem sido excelente! Os meus alunos ficam ansiosos para chegar o dia de levar as obras para casa, pois quando a criança retorna para a escola após a leitura em família e realizamos um bate-papo sobre os livros preferidos aumenta a curiosidade dos outros estudantes”, enfatiza a professora Genilza Favato Ita.

Sandra de Oliveira é mãe da aluna Ana Isabelli, do 5º ano, e aprova a iniciativa da leitura familiar. “Ajuda as crianças no incentivo ao aprendizado e também aproxima os pais das atividades escolares”.

DSC05112Outro projeto que tem movimentado a Jardim Primavera é o “Pais Presentes, Filhos Contentes” no qual os responsáveis pelos alunos são convidados a participarem de atividades culturais, pedagógicas e de conscientização aproximando família e instituição de ensino. Desta forma, é criado um elo de confiança que reflete no desenvolvimento intelectual e emocional do estudante.

“Nós, pais da aluna Gabriela do 3º ano gostamos muito desta ação. Nossa filha está motivada em realizar as propostas escolares e isso refletiu em crescimento no rendimento em sala de aula”, comemoram Cirlene Eugênio da Silva e Giovani Chicarolli Gandolfo.

Neste ano os temas trabalhados no projeto foram condizentes com cada ano escolar. 1° ano: Brinquedos e Brincadeiras; 2° ano: Folclore Brasileiro; 3° ano: Monteiro Lobato e o Dia do Livro; 4° ano: Meio Ambiente e 5° ano: A água como fonte de vida.

“Durante o desenvolvimento do “Pais Presentes Filhos Contentes” foi possível atrelar ao ensino atividades lúdicas e prazerosas nas quais nossos alunos puderam demonstrar seus talentos em danças, poesias e músicas”, ressaltam as professoras Darci Ogera , Maria da Glória Gomes e Andréia Cruz.

A diretoria da escola Jardim Primavera comemora a participação dos pais. “Em todas as apresentações os responsáveis estiveram presentes e ficaram entusiasmados com as produções de seus filhos”.

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Jornada discute alfabetização

A coordenação do curso de pedagogia e a reitoria da Unicesumar realizaram, entre os dias seis e oito deste mês, uma jornada com o objetivo de proporcionar visão atualizada sobre a prática docente. O evento foi direcionado para estudantes e profissionais da área e buscou ampliar as possibilidades do planejamento do professor.

A temática “Alfabetização nos anos iniciais” foi uma preocupação que surgiu em reuniões com os educadores do curso de graduação. “Os resultados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foram baixos. Em uma estatística de zero a 10, o Brasil tem média quatro. É um dado alarmante e que precisa ser mudado”, destaca a coordenadora do curso de pedagogia e organizadora da jornada, Prof Doutora Rachel de Maya Brotherhood.

Na programação, palestras e oficinas foram oferecidas com o propósito de auxiliar os profissionais da educação a desenvolverem novas propostas didáticas. Entre os assuntos mais discutidos estavam: letramento, estratégias de leitura, desafios do curso de pedagogia e analfabetismo funcional.

ODIARIO_ESCOLA_CESUMAR_JPS (3)A pós-doutora Renata Junqueira de Souza – pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e professora da UNESP/ Presidente Prudente – ministrou a oficina Estratégias de Compreensão Leitora. “As crianças conseguem ler, mas não compreendem o que está escrito. Na oficina os participantes conhecem o passo a passo para despertar motivação e entendimento nos alunos”, conta.

A ministrante sugeriu atividades a serem realizadas com as crianças antes, durante e após a leitura. “Antes de ler devemos aguçar a curiosidade do aluno para que ele possa ativar o conhecimento, durante a contação da história chamar a atenção e permitir respostas pessoais é uma dica importante. E para finalizar, o ideal é que desenvolvam propostas em que possam refletir, analisar e sintetizar o que foi lido”, ressalta Renata.

Antonio Eduardo Gabriel é professor da Unicesumar e esteve presente todos os dias. “O evento é bastante interessante, pois apresenta novas técnicas e sugestões de propostas para serem aplicadas em sala. Tudo o que é repassado acrescenta a formação. A boa qualificação dos palestrantes e os conteúdos com diferentes tipos de abordagem me animaram”.

A estudante de pedagogia, Éli Cristina Mira de Souza está prestes a enfrentar o mercado de trabalho e conta que os conteúdos repassados são excelentes para dar segurança na hora de ir a pratica em sala. “Com tantas informações e atividades agora é o momento de buscar meu espaço dentro das escolas”.

Rachel de Maya comemora a realização do evento. “É sempre muito bom oferecer novos aprendizados. Espero que os profissionais da educação tenham saído com a consciência de que eles podem mudar a situação escolar desenvolvendo consciência crítica no aluno, e assim o educador passe a ser mais valorizado”.

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Quando a vida começa na terceira idade

A novela da rede Globo “Amor à vida” apresenta a história do casal Lutero e Bernarda que experimentam o amor na velhice. E assim como na ficção, na vida real é possível encontrar muitos casos de pessoas acima dos 60 anos que estão redescobrindo o prazer em viver. Não só nas questões relacionadas aos sentimentos, mas também no que se refere ao aprendizado e conhecimento.

IMG_0798As turmas de ensino fundamental e médio não são mais compostas apenas por crianças e adolescentes. Atualmente um novo cenário é criado devido à Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma modalidade destinada as pessoas que não tiveram acesso ou não puderam concluir seus estudos na idade escolar.

Somente em Maringá a EJA atende 33 salas de aulas, entre escolas e instituições públicas localizadas por toda a cidade. Funcionando nos períodos da manhã, tarde e noite com aproximadamente 800 alunos.

A professora Andréia Moreira Quirino lecionou durante 18 anos para crianças e sente-se realizada no desafio de alfabetizar turmas da terceira idade. “Estou há quatro anos com o mesmo grupo de senhoras, desde minhas primeiras semanas de aula me apaixonei pelo ambiente de trabalho. Alunas que chegaram aqui sem ao menos conseguir segurar o lápis, no final deste ano irão participar da formatura referente ao 5º ano”, comemora.

As pessoas que buscam o aprendizado após os 60 chegam, em sua grande maioria, sem nunca terem frequentado uma escola. Cada realidade uma história.

“Meu interesse pelos estudos surgiu depois que sofri um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com o ocorrido perdi os movimentos da mão direita, justamente a que escrevo. Para não atrofiar era necessário exercitar o punho e os dedos, e foi escrevendo que eu consegui me recuperar”, conta Adelícia Lima dos Santos, 67 anos. Ela que utiliza dois ônibus do transporte público para chegar à escola, se orgulha ao falar que não precisa mais perguntar o que está escrito no letreiro do veículo, Adelícia já lê sozinha.

Nazaré Suriana Favaro, 63 anos, nunca foi à escola por proibição do pai que acreditava que a filha aprendendo a escrever seria apenas para enviar bilhetes a namorados. “Tive uma infância muito sofrida, me casei e não tive coragem de contar ao meu marido que não era alfabetizada. Quando ele descobriu foi embora de casa e me deixou com quatro filhos pequenos para criar, mas eu venci e terei o maior orgulho de convidá-lo para minha formatura”. Mesmo com todas as dificuldades, Nazaré sempre motivou seus filhos a estudarem, hoje são todos graduados no ensino superior e estão felizes pela conquista de sua mãe.

A aluna Luiza Boer Ribeiro, 71 anos, é conhecida como a bagunceira da classe por ser uma senhora cheia de energia. “A escola é a minha casa, minhas companheiras de sala são também minhas amigas, sempre viajamos juntas, vamos para bailes e com todo o aprendizado que tenho aqui me sinto uma pessoa muito mais viva”. Luiza se forma este ano e tentou convencer a professora a reprová-la só para continuar estudando.

“Lecionar para alunas tão dedicadas é um presente. Diariamente não sou apenas eu quem ensino os processos de aprendizagem para elas, mas também recebo lições de vida e superação com a persistência dessas senhoras”, enfatiza a professora.

Andréia destaca que as famílias devem incentivar as pessoas da terceira idade a buscarem o ensino. “Não é porque não vão mais para o mercado de trabalho que os idosos não precisam do conhecimento. Além do ler e escrever, ao frequentar a sala de aula eles participam de atividades extra classe, se socializam, deixam as preocupações de lado, e o mais importante, mantém o cérebro ativo e rejuvenescendo a cada dia”.

PERSEVERANÇA. Alunas da EJA com a professora Andréia, mulheres dispostas a aprender sempre mais

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A mídia na educação

“O Programa Diário na Escola inovou as metodologias do professor, destacando que, o trabalho educativo do qual depende não só a aprendizagem escolar do aluno, mas também, em grande medida, sua formação como pessoa”. – Elci Aparecida Tomaz Caparroz, secretária de educação de Cruzeiro do Sul.

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Escola desenvolve projeto que incentiva leitura familiar

A ideia de sentar ao lado de uma criança e ler com ela um livro infantil ou mesmo jornal, gibi ou revista pode significar uma mudança em seu futuro, abrindo portas para ela se tornar uma pessoa culta e apaixonada pela leitura. Os especialistas em educação chamam esse processo de “letramento”. Trata-se de um ato simples, mas que no cotidiano da família fica esquecido por conta da rotina de trabalho dos pais.

Com o intuito de motivar ações como esta, na qual a leitura familiar se torna uma prática diária, direção e equipe pedagógica da Escola Municipal Maestro Aniceto Matti, em Maringá, criaram o projeto “Viajando no Mundo da Leitura”.

Na última quinta-feira (12) a diretoria da escola apresentou o projeto para alunos, pais e comunidade de uma forma bem inusitada. O pátio da instituição foi todo decorado com itens que compõem uma floresta, como a dos contos infantis. Algumas crianças se caracterizaram de Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Lobo Mau e tinha até os Três Porquinhos. Também não faltou príncipe e princesa, a orientadora Suely e a supervisora Roseneia se caracterizaram, entraram no clima e animaram a garotada.

Cada professor da Aniceto Matti recebeu sua “Maleta da Leitura”, contendo literatura infantil, gibis, revistas e exemplares do jornal O Diário. A dinâmica será a seguinte: o aluno vai levar a maleta para casa e ficar com ela por dois dias para a realização da leitura em família, no terceiro dia ele devolve a pasta para a professora e conta como foi a experiência, inclusive, sobre a participação dos pais. Neste mesmo dia uma outra criança vai levar a maleta para casa e assim segue o projeto, até todos os estudantes terem a oportunidade de participar.

“Queremos resgatar o valor da leitura. Nossos alunos têm apresentado dificuldade de aprendizado e acreditamos que a literatura vai despertar o interesse pelo ato de ler, o que consequentemente, resulta na melhora da escrita da criança”, destaca a supervisora da escola, Roseneia dos Reis Francisco.

A secretária de educação de Maringá, professora Solange Lopes, esteve presente no lançamento do projeto na escola e parabenizou toda a instituição pela excelente iniciativa. “Pesquisas informam que as pessoas estão parando de ler, por isso ações como esta são muito importantes”. Solange também aconselhou os alunos “quando a gente lê, a gente sonha, a imaginação nos leva a lugares que talvez nunca poderíamos ir. Peça para seus pais realizarem a leitura com vocês e os ajudem a viajar pelo mundo imaginário!”.

Suely Martins Gomes de Oliveira é orientadora educacional da Aniceto Matti e enfatiza que o maior propósito do projeto é mobilizar escola e comunidade. “Acredito que os pais são exemplo para os filhos, é importante que eles leiam em casa e que levem as crianças para visitar as bibliotecas municipais, por exemplo, desta forma vão despertar nos alunos não só o interesse, mas o gosto pela leitura”, afirma.

“Quem lê aprende mais, conhece novas histórias e se diverte. Estou ansiosa para levar a “Maleta da Leitura” para casa, ainda mais porque sei que dentro dela tem gibi e eu sou apaixonada por histórias em quadrinhos”, comemora a aluna do 4º ano, Débora Wilhans Zavatine.

A diretora, Darly Maria da Silva Moreira, está esperançosa pelos resultados do projeto. “Espero, realmente, que alunos e pais se apaixonem pela leitura. Temos alguns estudantes na escola que lêem um livro por semana, a intenção é disseminar isso entre as crianças, e quem sabe, motivar outras instituições de ensino a desenvolverem projetos de leitura também”.

No projeto “Viajando no Mundo da Leitura” além das maletas que vão para casa dos alunos, a equipe da escola criou o “Cantinho da Leitura” em cada sala de aula – uma prateleira com várias obras infantis que será utilizada para momentos de descontração entre as crianças ou quando algum aluno terminar a atividade antes de outros. A biblioteca da escola também foi modificada, agora ela é chamada de “Toca da Leitura” – um grande tapete, almofadas e poltrona substituíram parte das mesas e cadeiras, o que deixou o ambiente mais convidativo e confortável.

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Inclusão: o uso do jornal na educação especial

A busca por alternativas pedagógicas que favoreçam o aprendizado, particularmente da leitura e escrita, ultrapassa épocas e educadores. O trabalho com jornal em sala de aula faz parte deste contexto de pesquisas por opções atrativas e também prazerosas de exercitar a leitura e possibilitar, assim, uma escrita de melhor qualidade.

Fatores como estes são essenciais tanto na educação regular, quanto na educação especial. Foi pensando nisso que a diretora, Leila de Souza Peres, da Escola de Educação Especial “Mauro Nakamura” – APAE de Itambé, procurou parceria com o Diário na Escola desde o ano passado, para que os alunos da instituição tivessem a oportunidade de conhecer o impresso.

“Desde o início eu acreditei que o uso do jornal em sala de aula seria um suporte de grande valia, são os professores que dão vida a este trabalho, principalmente por meio de projetos que enriqueceram o processo de ensino aprendizagem”, conta Leila.

A professora Lairce Pereira Higino Egea, entende que o jornal é um subsídio que, se utilizado pedagogicamente, pode contribuir para o processo educacional de alunos com deficiência intelectual e múltipla. “Trata-se de uma atividade significativa pela participação e motivação do educando. Realizamos várias produções com o jornal: leitura, manuseio para desenvolvimento da coordenação motora, recorte de notícias, produção de texto oral por meio de gravuras, recorte de números, letras, palavras e os reutilizamos para confecção de artesanato”, enfatiza.

“O trabalho arte em jornal tem a preocupação com a preservação do meio ambiente, como também, o fortalecimento da identidade cultural dos alunos. O resultado é satisfatório, pois proporciona momentos de integração, reflexão e consciência ambiental, além de contribuir para a coordenação motora, autoestima no que se refere a oportunidade de superar limites e alcançar novos objetivos”, destaca a professora de artesanato da escola, Valéria da Silva Coneglian.

Em uma das semanas em que o jornal chegou até a escola, a educadora Lairce desenvolveu com os alunos uma atividade de alfabetização. Foram confeccionados cartazes com o tema “Letras, figuras e números”. A aula foi desenvolvida a partir da identificação, no Diário, dos itens da temática do cartaz, em seguida recorte e colagem em sulfite. “O desenvolvimento foi excelente, os educandos participaram de todas as etapas: recortando, colando, selecionando e expondo o que estavam fazendo, sempre demonstrando muito interesse pela produção realizada”, avalia a professora.

Valéria, que leciona na modalidade de artesanato, propôs aos alunos o desafio de produzirem cestas e porta-panelas com os jornais que já tinham sido utilizados para leitura. “A reutilização de materiais contribui para a preservação ambiental, desenvolvimento sustentável, economia e identidade cultural. Com as atividades de artes, nos preocupamos, inclusive, em preparar o educando para o mercado de trabalho. Sem contar que todos que vêem os objetos confeccionados percebem que o lixo pode ainda ser útil”.

O impresso auxilia também no trabalho sensorial do estudante, “eles gostam de ouvir a leitura dos textos publicados no Diário. As letras, imagens, cores e números, chamam a atenção, o que os motiva a criar coisas novas. Os alunos gostam também de manusear o jornal, perceber o barulho e o cheiro que o mesmo produz ao ser folheado”, conta Lairce.

Leila, diretora da escola, avalia de forma positiva o trabalho com o impresso dentro da instituição. “O material é um suporte pedagógico não só para o aluno, como também para o professor”.

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Matéria do Diário na Escola motiva projeto no município de Flórida

Desde os tempos de Célestin Freinet, precursor da utilização do jornal impresso em sala de aula, sabe-se que este é um material rico, que possibilita trabalhos com assuntos que exploram a interdisciplinaridade dentro do espaço escolar. Atualmente muitas instituições de ensino têm incluído este recurso nas atividades desenvolvidas com os alunos.

A notícia divulgada na coluna do Diário na Escola com a manchete, “Concurso promove cultura folclórica dentro da escola”, chamou a atenção dos professores da Escola Municipal Duque de Caxias, de Flórida/ PR. Após a leitura da matéria, professores e coordenadores da escola gostaram da ideia e desenvolveram um projeto com a mesma temática.

A diretora, Vera Lúcia Gusmão, e as coordenadoras, Adélia Graciana e Rosilene Del’Bianco, comentaram que é de fundamental importância ler, estudar e conhecer o folclore para contribuir no planejamento de aulas mais interessantes e diversificadas, despertando no educando o entusiasmo pelo estudo. “Assim conseguimos estimular a criatividade e a imaginação do aluno, incentivando o gosto pela leitura, escrita, música, e dessa forma ampliar o seu universo para que ele possa valorizar e difundir a cultura brasileira”, destacam.

Durante o mês de agosto – período de comemorações do dia do folclore – foram trabalhados diferentes conceitos, sobre o tema sugerido, com todos os alunos da escola municipal de Flórida. As professoras, Soeli Vieira Sousa, Valéria Valeska Gondolfo, Maria Alícia Dias, Daniela Mateus e Sônia Aparecida Masson desenvolveram diversas atividades culturais, sempre visando o estímulo à leitura, e também murais que foram expostos nos corredores da instituição.

A coordenadora do Programa O Diário na Escola, Loiva Lopes, declara: “Mais uma vez o jornal, aliado a professores motivados, se mostra uma ferramenta que contribui para diversificar a prática pedagógica”.

A página do Diário na Escola que serviu de apoio para a realização do projeto apresentou um relato sobre o que é o folclore e seus principais personagens, com isso os alunos tiveram a oportunidade de conhecer sobre a temática e, assim, desenvolver com mais segurança as atividades solicitadas.

“Foi proposto aos alunos do 5º ano uma dança folclórica, com a ajuda da professora Patrícia de Paiva Grilo. Realizamos diversos ensaios, mesmo com as dificuldades iniciais, o esforço e a dedicação de todos fez da apresentação um sucesso, ajudando no desenvolvimento das crianças”, conta a professora de educação física Daniela Mateus.

As educadoras, Maria Alícia Dias e Sonia Masson, enfatizam que as atividades desenvolvidas na escola serviram como retomada sobre a importância do folclore, destacando que o Brasil possui uma das culturas mais diversificadas do mundo, com danças, comidas, suas lendas e costumes, além de brincadeiras e festividades. “Os alunos participaram ativamente de tudo que foi proposto, o folclore é dinâmico, esses elementos reunidos tornaram o trabalho muito mais interessante para as crianças”, ressaltam.

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Discussão sobre a programação infantil da TV

Os jornalistas, Nut Pereira de Miranda e Samaisa dos Anjos, presentes no Encontro de Jornal e Educação, em Fortaleza, falaram sobre o trabalho de pesquisa que desenvolveram e que, em seguida, virou o livro “Qualidade na programação infantil da TV Brasil”, lançado pela editora Insular em parceria com as autoras: Inês Sílvia Vitorino Sampaio e Andréa Pinheiro Paiva Cavalcante.

Para a realização do trabalho Nut e Samaisa assistiram 221 episódios de programas infantis exibidos na TV brasileira, em especial os do canal TV Brasil. Foi mais de um ano em frente à televisão, o que gerou dezenas de discussões. Desta forma, eles concluíram que as crianças brasileiras são as que mais ficam em frente à TV, em média quatro horas por dia.

Durante a pesquisa, crianças de cinco anos foram selecionadas para assistirem aos programas com os jornalistas, e assim, tentar definir qual o olhar dos pequenos sobre o que estavam vendo. “Consideramos importante que as crianças sejam ouvidas para identificar o que elas gostariam de ver na televisão”, destacou Nut Pereira.

Samaisa enfatizou que a criança tem um potencial de comunicação muito grande. “É necessário que seja concedido um espaço na TV para as crianças, não este que estamos vendo na TV comercial, mas que permita a transparência de quem ela é, que possibilite erros e espontaneidade, elementos que mostrem a sua essência e que valorizem as diferenças sociais”.

Equipe do Diário na Escola, com os jornalistas Saimaisa e Nut, produtores da pesquisa que resultou na publicação do livro em parceria com mais duas autoras

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Mural de Trabalhos

A Escola Municipal São Francisco de Assis, de Sarandi, recebe o jornal toda semana para desenvolver trabalhos em sala de aula. Em uma das propostas, a professora Lourdes Cabral, solicitou aos alunos a leitura do impresso, a escolha de uma matéria e em seguida uma produção textual expressando a opinião sobre a notícia lida. A aluna do 5º ano B, Louise Shetfany Pardim, escreveu sobre a matéria que tinha como manchete “O gigante não pára de crescer”. Confira:

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Concurso promove cultura folclórica dentro da escola

Com o objetivo de aumentar a compreensão histórica, e aproveitando para celebrar o “Dia do Folclore” no próximo dia 22, as bibliotecárias Priscilla Kelly Bressan e Denise Garcia dos Reis, do Colégio Estadual Alberto Jackson Byington Júnior – de Maringá, criaram o Concurso Cultural “Desmistificando mitos e lendas do folclore brasileiro”, no qual os alunos vão produzir Quadrinhas – estrofes de quatro versos – sobre algum personagem do nosso folclore.

De origem inglesa, é uma palavra originada pela junção das palavras folk, que significa povo; e lore, que é sabedoria. Pode se denominar folclore todo o conjunto de tradições, crenças e lendas de um país.

Na literatura, há no mínimo três autores importantes que se utilizaram de elementos da cultura popular nas suas produções. Mário de Andrade, grande estudioso do folclore, escreveu, “Macunaíma”, reunindo com ironia e criticidade inúmeras narrativas do folclore brasileiro. João Guimarães Rosa, autor de “Grande Sertão: Veredas” tematiza a vida do sertanejo e trabalha tanto elementos característicos de narrativas folclóricas, quanto a própria forma sertaneja do uso da língua portuguesa. Da mesma maneira, Ariano Suassuna compôs uma ampla obra teatral baseada na tradição folclórica nordestina. Como exemplo, pode-se citar “O Auto da Compadecida”.

Uma forte característica do folclore é a lenda e o mito. As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia, com o objetivo de dar explicação as coisas misteriosas ou sobrenaturais.

Os mitos são narrativas que possuem maior simbologia. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos. Estes também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos, defeitos ou qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido à vida e ao mundo.

O Folclore Brasileiro é um dos maiores do mundo em relação à quantidade de lendas e crenças. É um dia muito comemorado, principalmente no norte do país, de onde a maioria das historias foram criadas.

Pensando nisso, as bibliotecárias se uniram aos professores das disciplinas de história, língua portuguesa e artes, para promover o Concurso. A biblioteca do colégio já está toda enfeitada com cartazes e imagens que criam um universo cultural e estimulam os alunos a produzirem as Quadrinhas.

A aluna do 9°ano, Waleska Moriggi Ribeiro, conta que adorou a temática sobre o folclore brasileiro, “é muito importante a escola valorizar nossa cultura e nossas raízes, tem histórias e lendas do folclore que meus avós contavam para mim e que agora estão expostas no colégio, tornando mais interessante o concurso. Agora é estudar, participar e quem sabe, ganhar!”

Os estudantes do Colégio Byington Júnior devem retirar o formulário de inscrição na biblioteca e mãos à obra! Serão premiadas as três melhores Quadrinhas sobre qualquer um dos personagens do folclore.

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Apaixonada por educação e cultura

Imagine uma pessoa que passou toda a sua infância na fazenda, estudou em escolas do campo e na adolescência mudou-se para uma pequena cidadezinha do norte paranaense, Itambé, onde vive até hoje. E que neste fim de semana, voou para o Rio de Janeiro para dar uma entrevista ao Canal Futura, sobre o filme dirigido e produzido por ela “A Galinha ou Eu”. Esta é Denizia Moresqui atual chefe de divisão municipal de cultura de Itambé, formada em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional, começou a lecionar em 1995 atuando como professora por 12 anos até assumir o cargo em que está hoje. Denizia ficou conhecida pelos grandes trabalhos em prol da disseminação da cultura e educação.

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: Sua bagagem cultural é bastante ampla, desenvolve ao mesmo tempo projetos que envolvem teatro, cinema e música. De onde surge a criatividade para suas produções?

DENIZIA: Nunca me mudei de Itambé, estudei em escolas públicas que sempre motivaram os alunos a participarem de eventos artísticos, como: apresentações musicais, teatros, gincanas, entre outros. Minha infância foi muito rica, na fazenda, junto com muitas crianças podíamos brincar o dia todo e em qualquer lugar. Como não havia brinquedos prontos, nós mesmos os confeccionávamos, o que ajudou a estimular minha criatividade. Além disso, quando cursei Letras, os professores me ensinaram a entender e a amar a arte, inicialmente a literária. Comecei a desenhar e pintar por entender a arte como expressão máxima da linguagem. Depois, interessei-me pela música e fui estudar violino. O interesse pela fotografia veio em 2009, quando utilizei pela primeira vez uma máquina fotográfica digital, e pelo cinema surgiu através da televisão. Mas a vontade de fazer cinema só surgiu, em 2010, com o concurso Revelando os Brasis, antes dele, eu jamais havia pensado em produzir um filme.

  1. A vocação para trabalhar com educação apareceu em que momento da sua vida? E a paixão pela área da cultura, teve alguém que te inspirou?

O interesse pela educação surgiu quando eu tinha 14 anos e estava na 8ª série. Minha prima cursava o Magistério e foi fazer estágio no intervalo do Colégio Olavo Bilac. Eu fui com ela e fiquei brincando com as crianças. Quando tocou o sino, nos despedimos dos alunos e uma menina me chamou de “senhora”. Eu fiquei tão feliz com o respeito com que fui tratada que decidi: seria professora! Foi uma grande escolha. A maior inspiradora para que eu me tornasse artista foi a professora da UEM, Leid Luiza Carvenalli. Após eu apresentar um dos trabalhos da disciplina que ela lecionava, a professora me disse: “Você é uma artista. Eu achei que você era uma menina avoada que caiu de paraquedas neste curso. Nunca me enganei com alguém, mas com você sim”. Eu não acreditei, é claro. Mas ela falou a mesma coisa para mim durante dois anos em todas as aulas de literatura, levava livros e gravuras de grandes pintores para que eu os conhecesse e explicasse as obras. E assim, ela me convenceu.

  1. Há pouco tempo você desenvolveu o projeto “Tem Teatro” no qual alunos de 11 à 14 anos apresentaram fábulas de Monteiro Lobato. Com a era digital em que vivemos e os adolescentes sempre rodeados pelas tecnologias, como você consegue cativá-los para apresentações teatrais?

Em 2009, o Governo do Estado instituiu o Programa Viva Escola, de incentivo a atividades artísticas, esportivas e outras, em contraturno. Então montei o Projeto Tem Teatro, que visa ensinar alunos do 6º ao 9º ano a arte de representar e produzir textos teatrais. O projeto foi aplicado o ano todo. Em 2011, o novo governo também incentivou as atividades extraclasse e, novamente montei o projeto teatral, que está ativo até hoje. Gosto de encenar peças infanto-juvenis, pois vejo a necessidade de fazer as crianças serem crianças por mais tempo. Apesar de toda a tecnologia que os alunos têm acesso hoje, o teatro é milenar e vai continuar encantando a humanidade sempre. Pois tudo acontece ao vivo e, por mais simples que sejam os recursos utilizados, as histórias são irresistíveis. As próximas peças que encenaremos serão “A Comédia do Cheiro” e a “Formiguinha e a Neve”.

  1. O filme produzido por você “A galinha ou Eu” é uma divertida história de uma galinha que caiu na privada. Como surgiu a inspiração para esta produção?

A história aconteceu de verdade. Eu a mantive em segredo por trinta anos. Um dia, resolvi escrevê-la para trabalhar com meus alunos sobre lembranças da infância. Nunca pensei que iria virar filme. Quando soube do Concurso Revelando os Brasis, acreditei que a história teria chances de ser escolhida e enviei ao Instituto Marlim Azul, que promove o concurso. Quando eu fui ao Rio de Janeiro fazer o curso de cinema, percebi que as outras histórias escolhidas eram bem culturais e a minha, uma travessura de criança. Fiquei até meio envergonhada, mas quando a narrei para todos os outros Revelandos, a gargalhada foi tão grande que a vergonha passou.

  1. Como foi sua participação no concurso “Revelando os Brasis” promovido pela Petrobrás? No sábado, inclusive, você deu uma entrevista para o canal Futura sobre o filme que produziu. Em algum momento da sua vida imaginou que seus trabalhos teriam destaque nacional?

Eu sempre amei o meu trabalho, mesmo sabendo que era simples. Mas era o melhor que eu poderia fazer. Mesmo assim, me surpreendo com o destaque que alcançou. Durante o curso que fiz na Rio Filme, a Petrobrás escolheu apenas uma história das quarenta para acompanhar o trabalho de filmagens e edição, e fazer um documentário intitulado Raio X Petrobrás, para assim poder divulgar o projeto Revelando os Brasis em todo o país. Como meu filme envolvia galinhas e crianças, foi o escolhido. O que foi uma grande honra para mim. O filme “A Galinha ou Eu” já foi apresentado em vários festivais de cinema pelo Brasil, divulgando nossa cultura e nossas paisagens. Minha intenção é destacar todo o norte do Paraná, porque esta terra é maravilhosa, tem uma história fantástica e merece ser reconhecida e admirada por todos.

  1. O livro “História de Itambé” foi escrito por você, após três anos de muita pesquisa. Como foi a produção desta obra?

Foi um trabalho exaustivo, porque envolveu a digitalização de todo o material pesquisado. Contei com a ajuda de muitas pessoas que vivem e que viveram em Itambé. Estamos nos programando para o lançamento da obra, e também, um reencontro nas festividades do aniversário da cidade, no último final de semana de julho, para o lançamento da “História de Itambé”. Virão pessoas até de outro país.

  1. Depois de tantos anos trabalhando com educação e cultura, em especial direcionado a crianças e adolescentes, você acredita que tem auxiliado no processo de formação cultural do cidadão?

As palmas ao final de cada peça teatral, quando um aluno fala do meu filme, ou de algum quadro que pintei, quando se emocionam com meus textos, ou ainda com a música que toco ao violino, quando vejo que eles estão se interessando pela arte, pela cultura, pela nossa história, pela fotografia, quando eles dizem que também querem ser artistas… Sinto que tudo valeu a pena! Eu me entreguei à arte como quem se entrega à uma grande paixão, sem medo, sem reservas, sem grandes pretensões. E o que recebi de volta foi muito mais do que dei. A alegria que sinto de fazer com que crianças, adolescentes, adultos e idosos apreciem o que de mais belo um ser humano pode fazer, que é a arte, não tem preço. Nunca pretendi ficar rica com a arte, mas a riqueza que ela me deu é maior do que ouro ou prata: é a felicidade da realização profissional. A vida é curta demais para ficarmos o tempo todo correndo atrás de dinheiro.

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