alfabetização

Sarandi investe em formação

Desde o início do ano letivo professores e equipes pedagógicas da rede municipal de Sarandi estão participando de uma série de formações com mestres e doutores da área da educação. “Quando iniciei minhas atividades no município, em setembro de 2013, observei que os profissionais não tinham uma rotina de formação continuada, enquanto secretária institui um cronograma mensal de capacitação”, destaca Adriana Palmieri.

Foto AbreNas últimas semanas, professores dos quartos e quintos anos participaram do curso “Contextualizando a matemática por meio do jornal: Tratamento da informação. Que bicho é esse?” ministrado pela professora mestre em educação matemática, Solange D’ Antonio. “Após a formação os profissionais irão conseguir fazer com que os alunos entendam a importância do tratamento da informação para a sua vida, compreendam como se elabora um gráfico e uma tabela, quais os passos que devemos seguir até sua constituição, o que significa fazer uma pesquisa e como a realizamos, qual a melhor maneira de representá-la matematicamente, além de fazerem com que os estudantes realizem interpretações matemáticas de situações que envolvem não somente a leitura das imagens, mas o pensamento da comparação entre dados, as operações matemáticas, o valor posicional dos números, as diferentes sequências numéricas que podem ser constituídas e comparem medidas em situações significativas e prazerosas”, aponta Solange.

“A matemática em si é uma disciplina que causam certo medo nos alunos por acharem que ela é complicada e difícil de aprender, mas quando se trabalha com fatos reais do nosso dia a dia, quando usamos recursos diversificados e materiais de apoio que despertam o interesse pelas propostas, tem se um desempenho melhor e mais eficiente no processo de ensino e aprendizagem. Quando a atividade deixar de ser só lousa, giz e caderno, os resultados são outros e geralmente vão além do esperado”, ressalta a professora do quinto ano, Jucelene Marques de Freitas.

A secretária municipal da educação, Adriana enfatiza que o jornal é um instrumento didático que traz de maneira multidisciplinar vários suportes para o trabalho em sala de aula. “O tratamento da informação é um dos descritores da Prova Brasil, por meio da capacitação na matemática utilizando o impresso como suporte encontramos a maneira ideal para auxiliar os professores no trabalho em sala de aula. Temos certeza que será mais uma possibilidade de avanço na rede, estamos sempre na busca incessante de melhorar o ensino e a aprendizagem.”

“Pensamos que o jornal é uma ferramenta importante para o trabalho com a matemática, pois este material vem auxiliar a prática docente na preparação das atividades. Além de fornecer subsídios como gráficos, porcentagem, coleta de dados e informações que contribuem para a elaboração das aulas e a formação global de nossos alunos”, comentam as coordenadoras pedagógicas da educação de Sarandi, Fátima da Costa, Sulei Mesquita, Lucilene Amarante e Nelcy Polito.

A professora, Marilene Vieira Cardoso diz que os conteúdos abordados na formação são fundamentais na base do ensino, pois se trata de algo ligado diretamente à realidade e vivência dos estudantes. “A geometria muitas vezes é levada superficialmente, porém vimos que a abordagem dos conteúdos com os termos corretos e o aprofundamento são necessários para a consolidação da aprendizagem das crianças. Essa percepção influí diretamente em como o professor aborda os assuntos na sala de aula.”

“É importante formar alunos mais eficientes na interpretação de problemas e dados matemáticos,  capazes de avaliar o que respondem,  elaborarem melhor seu pensamento, saber como descrevê-lo com palavras, que sejam também observadores de pesquisas e leitores de informações matemáticas apresentadas em textos jornalísticos, bem como crianças e adolescentes capazes de fazer previsões por meio da leitura dessas informações se tornando agentes críticos no mundo e na realidade em que vivemos”, conclui a ministrante, Solange.

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Greve é tema de produção textual

Na Escola Municipal Rocha Pombo, em Ourizona, o trabalho com o jornal tem rendido bons frutos. “Desde que a secretária da educação, Isabel Pessutti comunicou sobre a nossa participação no Diário na Escola ficamos muito felizes. O impresso é um ótimo instrumento pedagógico”, destaca a professora Cícera Aparecida Tassoli.

Todas as quartas-feiras os exemplares chegam à escola para que os alunos possam ler e realizar atividades. Em uma das edições, a manchete “Educação é setor mais afetado com a greve” chamou a atenção das crianças.

Foto AbreCom a euforia da turma, Cícera optou por explanar o assunto. A partir da leitura da notícia, constataram que as informações eram sobre a greve dos servidores municipais que atingiu diversos setores públicos, mas em especial as escolas, pois os pais que trabalham foram se depararam com algumas instituições fechadas e não tinham onde deixar os filhos durante o tempo em que estariam no expediente.

“Os funcionários da prefeitura de Maringá fizeram protestos na cidade em busca do aumento salarial. O que me comoveu foi ler o relato de mães desesperadas com as escolas sem funcionamento”, conta o aluno Otavio Manoel Munhoz Marques.

Otavio ressalta que os professores fizeram a paralisação em busca de uma melhor remuneração. Lembrando que são eles que formam as pessoas que farão parte do futuro do nosso país.

“A aula sobre a notícia da greve foi muito boa, me envolvi em uma leitura prazerosa, onde adquiri novos conhecimentos sobre a vida em sociedade”, relata a aluna Sara Zanineli.

Além de comentar a notícia com as crianças, após todas as opiniões que os pequenos expuseram, a professora solicitou que cada aluno fizesse uma produção textual a respeito da matéria lida. “Os resultados foram fantásticos!”, diz Cícera.

“O Diário contribui bastante para despertar o interesse pela leitura. Atualmente, os estudantes são muito conectados e querem saber de tudo o que acontece na nossa região. Com o acesso às reportagens, o debate em sala de aula tem enriquecido”, enfatiza a coordenadora pedagógica da escola, Fátima da Rocha Martins.

RESULTADOS

Confira o texto produzido pela aluna Sara Maria Moscardi Zanineli sobre as notícias lida no Diário:

 

“A humilhação dos servidores públicos”

Professores e alunos estão sendo afetados pela greve. Vários estudantes da educação infantil foram afetados pela dispensa das atividades. Cerca de sete escolas municipais foram fechadas por conta da greve.

Durante todo o ano o aumento do salário dos professores é de apenas 5,54%. Servidores públicos reclamam pelo pouco pagamento que recebem. Atualmente cerca de 25% dos professores fizeram greve. Várias crianças ainda estão sem estudo.

A crise vai continuar se a prefeitura de Maringá não der o direito que o servidor público quer e precisa para trabalhar. Servidores aposentados e os que ainda trabalham fizeram passeata nas ruas da cidade.

Os professores terão um ajuste salarial de 11,08% que serão divididos em cinco vezes até dezembro deste ano.

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Capa do jornal, um convite à leitura

A professora Orlani de Carvalho Veronez leciona na Escola Municipal Monsenhor Celso, em Astorga, e preparou uma proposta didática para que seus alunos pudessem explorar os conteúdos do Diário. “Meu objetivo foi fazer com que as crianças conhecessem o jornal e a partir da capa pudessem encontrar, ler e discutir as notícias dos cadernos”, conta.

Para realizar a atividade Orlani usou como base textos do livro didático da turma em que se explanavam todos os itens que compõe a estrutura de um impresso. Desta forma, mais do que conhecer as definições apresentadas no livro, os alunos poderiam também identificar cada parte dentro do suporte original, as páginas do Diário.

Foto Abre“Ficou muito mais fácil aprender com o jornal em sala se aula, pois quando pego um exemplar na mão já consigo identificar o que me interessa entre os conteúdos e escolho as páginas que vou ler”, aponta a aluna, Ana Júlia Cheron Zanin.

A diretora da escola, Roseli Baizin Malaquias destaca que o impresso além de ser um importante meio de comunicação, é também um excelente instrumento pedagógico. “Os temas trabalhados envolvem fatos reais, provocando nos estudantes um olhar mais crítico da realidade e, assim, possibilita uma reflexão diante das atitudes que devem tomar enquanto cidadãos.”

Orlani aproveitou os exemplares do Diário para ensinar sobre o gênero textual notícia e a estrutura do “lide” – termo que resume a função do primeiro parágrafo que é introduzir o leitor no texto e prender sua atenção – a partir das perguntas: o quê, quem, quando, como, onde, por quê.

“Depois dessa proposta didática os alunos mostraram maior interesse pelo jornal, visto que muitos não têm contato com esse tipo de mídia. Percebi que as crianças sentiram facilidade em manusear o material e encontrar o que gostam de ler, fator que me ajuda na realização de um bom trabalho pedagógico possibilitando o ensino de diferentes áreas do conhecimento, interdisciplinaridade e aprimoramento da leitura e da escrita”, enfatiza a professora.

A coordenadora pedagógica da escola, Lucilene Galhardo Molinari ressalta que a participação da instituição no Diário na Escola proporciona o contato com um material que oferece subsídio e vem ao encontro da filosofia que diz que deve ser ofertado ao estudante em seu ambiente alfabetizador, a aquisição de um pensamento crítico e de ampla visão de mundo.

 

 

PRODUÇÃO

 Os alunos do 5º ano “D” com o auxilio da professora Orlani escreveram uma poesia sobre o trabalho com o Diário em sala de aula. Olha que bacana!

 

 

O jornal na escola

 

Hoje na escola

Os alunos aprenderam a ler jornal

A professora orientou-os

Começando pela página inicial

 

O nome dele é:

“O Diário do Norte do Paraná”

Sua edição é publicada

Na cidade de Maringá

 

A turma estudou o que é

Manchete, fotografia, lide e chamada

Onde o leitor poderá

Primeiramente dar uma olhada

 

E assim que abrir os cadernos

A notícia vai encontrar

É só ler os acontecimentos

Com desejo de se informar

 

Toda semana, na sala de aula,

Para a nossa alegria

O Diário na Escola estará

E será uma boa companhia.

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Notícias para ler, ensinar e aprender

Há 15 anos formando o cidadão, o Diário na Escola retoma suas atividades letivas dentro dos espaços escolares. Os alunos participantes do Programa receberão exemplares do jornal semanalmente para leitura, conhecimento de notícias factuais e propostas didáticas a serem realizadas em sala de aula.

Foto AbreEm tempos de interatividade e uso excessivo de telefone celular e internet, fazer com que as crianças se interessem pela leitura do impresso é fundamental para formar leitores habituais e cidadãos bem-informados. Trazendo textos com características distintas, fotografias e recursos gráficos, os jornais são fonte para pesquisa e obtenção de informação sobre o mundo atual.

A secretária municipal da educação de Atalaia, Angela Maria Candioto Nunes destaca que, “o trabalho do Diário na Escola é de grande valia, pois incentiva a leitura, a criticidade e a discussão sobre a realidade social vivenciada por todos. O Programa possibilita a formação de cidadãos mais críticos e conscientes.”

“O Diário na Escola vem ao encontro do meu desejo de propiciar uma educação de qualidade, visando oportunizar aos alunos e professores o contato e a interação com textos práticos, desenvolvendo assim o gosto pela leitura numa complexidade maior”, comenta o prefeito de Floraí, Fausto Eduardo Herradon.

Os estudantes, Maria Eduarda Romualdo e Gabriel Henrique de Oliveira contam que estão ansiosos pela oportunidade de aprender a partir das notícias. Os dois, que estudam na rede municipal de ensino de Sarandi, nunca tiveram contato com o veículo de comunicação antes e já fazem planos sobre o que vão buscar no impresso, quando este chegar à sala de aula. “Eu vou procurar o caderno de Esportes. Ah, eu quero ler sobre as novelas e artistas!”, comentam.

IMG_0308A proposta de utilizar o jornal como um instrumento pedagógico e levá-lo para dentro dos espaços escolares, o transforma em uma ferramenta prática para a motivação do ensino. Professores que já trabalham com o estudo do impresso a partir de um contexto pedagógico, contam que a tarefa tem sido bem mais sucedida do que o simples uso do livro didático, pois forma um conjunto de cidadãos mais informados e participantes.

“O Diário é utilizado há anos aqui na escola devido aos bons resultados que temos nos níveis de aprendizado. Os professores têm um papel fundamental nessa tarefa, são os mediadores do ensino e, com isso, tem conseguido trabalhar a interdisciplinaridade dos conteúdos curriculares com as notícias. À exemplo das atividades que vão além da leitura prazerosa ou estudo da Língua Portuguesa e envolvem a Matemática”, destaca a pedagoga, Juliana Leni Del Bianco.

Os alunos Gabriel Pierini dos Santos e Daniele de Almeida já tiveram a experiência de ler um jornal, fora da escola, e dizem que o aprendizado vai ser mais interessante com as notícias. “É bacana ter um material diferente em sala, isso deixa a aula mais divertida, vamos poder conversar sobre assuntos que muitas vezes nossos pais falam em casa. Acreditamos que com o Diário, será mais fácil fazer as tarefas solicitadas pela professora.”

A pedagoga Juliana conclui destacando que “o costume da leitura de jornais na escola enriquece a capacidade de entendimento dos alunos, principalmente ao acréscimo e ampliação do vocabulário e compreensão de textos, melhorando a qualidade dos debates e oferecendo ao educando informações sobre o mundo e também sobre a comunidade onde vive.”

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Sinais que ensinam a todos

Foto AbreNo último dia 26 foi comemorado o Dia Nacional dos Surdos, e para celebrar essa data vamos apresentar uma instituição de ensino que tem sido exemplo ao incluir pessoas com deficiência auditiva na sociedade. Na Escola Municipal Elias Abrahão, em Lobato, o conteúdo de Libras faz parte das disciplinas obrigatórias para estudo. A ideia que teve início com o intuito de promover a comunicação do aluno surdo Cauã Vitor Santos, se expandiu. A princípio, apenas os colegas de classe dele tinham acesso às aulas, hoje, equipe pedagógica e estudantes de todas as outras turmas dos quintos anos têm acesso ao aprendizado da linguagem de sinais.

“As aulas têm sido importantes porque tenho conseguido me comunicar com as pessoas surdas, a exemplo do Cauã. Antes das Libras tínhamos de interagir com ele usando os gestos, mas agora não, já conseguimos estreitar uma boa conversa, é bem mais fácil”, destaca a estudante Maria Eduarda de Faria Ferrarezi.

A aluna Maria Vitória Ribeiro Borim comenta que desde o ano passado já estuda a linguagem de sinais, pois é da mesma turma do Cauã. E isso tem acrescentado muito na vida dela. “Há algumas semanas um surdo foi na minha casa e eu consegui interagir com ele, e até me contou que mora em Maringá.”

A tradutora intérprete de libras (TILS), Lidiane Rodrigues dos Santos é professora na Escola Elias Abrahão e conta que as aulas da linguagem de sinais são uma das mais esperadas pelas crianças. “Os estudantes são desprendidos de preconceitos, demonstram muito interesse não só em aprender a disciplina, como também de conhecer pessoas surdas. Como os alunos ainda têm as mãos pequenas, essas são bem flexíveis, o que facilita a realização dos sinais. A parte difícil é convencê-los de que a aula de Libras é apenas uma vez por semana”, brinca.

Em homenagem ao Dia do Surdo, a equipe da escola preparou uma tarde de apresentações de teatro, músicas e piadas, todas traduzidas em Libras. “Nosso filho voltou para casa radiante depois do evento. O bacana é que a família toda se divertiu e aprendeu sobre a linguagem de sinais através dos relatos dele. Um trabalho como esse consegue sensibilizar desde cedo sobre a importância do respeito ao próximo, assim como os deveres e diretos que moldam os cidadãos. Uma educação de qualidade e diferenciada como a oferecida pelo município certamente fará diferença no futuro”, enfatizam os pais do aluno Davi, Gisele e Sidnei Costa.

Elisangela Borim, mãe da estudante Maria Vitória também comemora o ensino escolar que a filha tem recebido. “Tudo o que ela aprende nas aulas, quando chega em casa ensina para o irmão mais velho. E ela já está ansiosa para saber se no ano que vem, quando for para a rede estadual, vai continuar com a disciplina de Libras na grade curricular.”

A professora Lidiane acrescenta que outro fator importante na dedicação dos alunos em aprender os sinais é observando o interesse dos adultos, pois as crianças aprendem muito mais pelo exemplo. E quando observam que toda uma equipe pedagógica, direção e secretaria de educação apoiam e dão valor ao ensino da Libras na escola, retribuem essa oportunidade. “O apoio da equipe gestora da Escola Municipal Elias Abrahão, tem contribuído muito para o desenvolvimento dos alunos, pois se sabe que aprender um novo idioma abre nossa mente para o que é novo e diferente, tornando a pessoa mais acessível para ver o mundo de um outro ponto de vista, não apenas aquele que fomos moldados por nossa cultura”, ressalta.

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O jornal na educação especial

A Apae Maringá faz parte do Diário na Escola desde o segundo semestre de 2014, a partir do subsídio oferecido pela concessionária de rodovias, Viapar que oportuniza o envio de mais de 700 exemplares  de jornal, por semana, para diferentes instituições de ensino.

Neste ano, a parceria com a Apae beneficia diretamente 40 estudantes e indiretamente toda a comunidade escolar por meio das atividades que são realizadas pelos alunos e expostas nos murais da instituição.

DSC09267“Os resultados positivos do trabalho com o jornal já podem ser observados por meio da participação dos estudantes na produção dos trabalhos. A busca por informações de maneira individual, ou apoiada pelo professor, tornou-se uma realidade para todos que agora chegam à sala querendo saber as notícias do dia”, conta a coordenadora, Augusta Cossich.

De acordo com relatos dos professores envolvidos no Programa, as propostas didáticas com o Diário despertou o interesse dos alunos por ser um recurso diferente do convencional, e ainda proporciona a compreensão dos diferentes tipos de texto. Fator que favorece a participação dos educandos que já dominam a leitura ou mesmo dos que estão em processo de alfabetização.

De acordo com a coordenadora da Apae, a visualização e interpretação das imagens permitem estimular o desenvolvimento da oralidade, aumentando e enriquecendo o vocabulário dos alunos. “A socialização fica evidente no momento da leitura ou descrição de cada reportagem, relacionando as mesmas com as notícias que assistiram na televisão”, diz.

Outro aspecto muito relevante do uso do jornal em sala de aula, tem sido a contribuição quanto à espontaneidade para a leitura. Crianças e jovens que se sentiam inseguros e retraídos ou se recusavam a ler, após o início do Programa estão participando das atividades de leitura de maneira mais espontânea. “O trabalho com o Diário tem contribuído de maneira significativa para o desenvolvimento acadêmico e social dos nossos alunos”, comemora Augusta.

Educando por amor

O Movimento Apaeano surgiu em nosso país através da iniciativa de pais de pessoas com deficiência que não encontravam locais que pudessem atender seus filhos. Esses pais, com alguns amigos e parceiros da comunidade, iniciaram em 1954 o que hoje é considerado o maior movimento social do Brasil e do mundo, na área de atendimento aos portadores de deficiência intelectual ou múltipla.

Em Maringá não foi muito diferente, pais e amigos se uniram e em dezembro de 1963 surge a primeira APAE da cidade. “Muita luta, vitórias e conquistas estão registradas durante esses mais de 50 anos de existência. No inicio éramos 13 alunos, hoje somos mais de 1.000”, destaca, Augusta.

Atualmente, a APAE de Maringá mantém duas instituições, a Escola de Educação Básica Diogo Zuliani e a Escola Reynaldo Rehder Ferreira, oferecendo aos alunos o atendimento na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional, visando à habilitação para encaminhamento ao mercado de trabalho.

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Pais que ensinam com o exemplo

Um fator muito importante e comprovado pelas estatísticas diz que a cada nova geração o nível de escolarização dos brasileiros tem aumentado. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) do IBGE mostram que a taxa de escolarização da população com idade entre sete e 22 anos aumentou de 62,4% em 1992 para 75,2% em 2009.

Isso significa que os filhos estão indo mais longe e tendo melhores chances de estudo que seus pais. Diante dessa realidade, fica a pergunta: como apoiar as crianças nos estudos quando se tem dificuldades em relação ao conteúdo que está sendo ensinado? Ou, em alguns casos, como dar a eles o exemplo de que é importante e vale a pena estudar quando não se teve oportunidade de frequentar por muito tempo a escola?

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

O auxiliar de metalúrgica, Luiz Carlos de Souza é um exemplo de resposta para os questionamentos acima. Aos 47 anos ele voltou para a sala de aula em busca de conhecimento e apoio ao filho que havia parado de estudar ainda no ensino fundamental.

“Não há dúvidas de que os pais são um modelo de vida para os filhos. E há muitas maneiras de eles incentivarem as crianças nos estudos, mesmo que sua experiência de vida tenha sido diferente”, afirma a pedagoga, Liliane do Rego Silva. Um dos caminhos pode ser voltar a estudar. Afinal, várias pesquisas mostram que quanto mais escolarizados forem os pais, mais serão os filhos. “Já ouvi casos até de avós que voltaram a estudar na terceira idade para estimular filhos e netos que já não estavam motivados a ir à escola. Creio que esse é um grande incentivo, especialmente quando se trata de jovens na fase da adolescência”, diz.

Após mais de 20 anos fora da escola, Luiz retornou à sala de aula, primeiramente, com o objetivo de terminar o segundo grau e poder ser efetivado no trabalho. “Na mesma época, meu filho adolescente tinha abandonado os estudos. Eu vim primeiro para a Educação para Jovens e Adultos (EJA), ao ver meu interesse e a minha busca por um futuro melhor, ele decidiu me acompanhar”, conta.

Gabriel Felipe de Souza, 16 anos, destaca o orgulho que sente do pai. “No passado ele não teve oportunidade de estudar e hoje, mesmo com a corrida rotina de trabalho, ele está à frente de mim nos estudos”. O adolescente que havia desistido da educação por conta de más influências de colegas, atualmente é companheiro de Luiz no caminho para a escola e nas atividades da grade curricular.

“É maravilho ensinar e aprender com meu filho, todo o esforço passou a ter mais valor depois que ele se dedicou a vir para a escola”, fala Luiz. O pai de família relata que de início a trajetória foi difícil. Por muitas vezes não acompanhou o ritmo das aulas, mas nenhum obstáculo o fez desistir, pois aos poucos ele foi constatando melhoras em sua vida. À exemplo da comunicação com outras pessoas, o desenvolvimento da argumentação e o poder de decisão.

“Depois que voltei a estudar minha memória e meu raciocínio se tornaram mais ativos. Incentivo a todos a seguirem a minha iniciativa, superarem seus medos e, assim, adquirirem o conhecimento. Algo que ninguém, nunca, vai tirar de você!”, enfatiza.

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Educação sem barreiras

O sistema educacional brasileiro passou por grandes mudanças nos últimos anos e tem conseguido cada vez mais respeitar a diversidade e, assim, garantir a convivência e a aprendizagem dos estudantes. Incluindo aqueles do ensino regular e também os que necessitam de atendimento educacional especializado. “Estamos sempre atentos ao desenvolvimento dos nossos alunos e avaliando o progresso deles nas atividades escolares, desta forma constatamos quais fatores têm feito com que algumas crianças não evoluam na aprendizagem. Existem casos em que mais do que a indisciplina, o aluno pode ser portador de alguma síndrome”, destaca a coordenadora do Ensino Especial da rede municipal de Sarandi, Olga Marcenichen Lobato.

O desafio de constatar a necessidade de uma classe especial para o estudante é dos psicólogos. “Meu trabalho é realizado a partir de diversas avaliações com a criança que apresenta alguma defasagem de aprendizado. Em parceria, conto com o auxílio de neurologistas e fonoaudiólogos antes de fazer o laudo”, conta a psicóloga Ana Paula Marchinichen. A coordenadora Olga completa que, nestes casos, é fundamental a conscientização e o apoio da família ao trabalho diferenciado que será realizado com a criança.

Professora da educação especial há 18 anos, Ednéia Correia da Silva transborda amor pela profissão. “Qualquer avanço deste aluno portador de uma necessidade especial, seja ela psicológica ou motora, é recompensador. Hoje, tenho alunos surdos que já estão na faculdade. Este crescimento só é possível quando os pais e a comunidade escolar se unem em busca do desenvolvimento do estudante.”

As mudanças necessárias são maiores do que a instalação de rampas, elevadores e banheiros adaptados. “Muitos dos conteúdos são relacionados à linguagem oral e escrita e, nessa fase, aprender a redigir o próprio nome e reconhecer o dos colegas é fundamental”, conta Olga.

A psicóloga Ana Paula enfatiza que em muitos casos a limitação apresentada pelo aluno é transitória. “A criança constatada com déficit de atenção, por exemplo, após tratamento poderá acompanhar o ensino regular normalmente.”

Foto AbreAmor e cuidado por Thierry

“Aos três anos de idade Thierry foi para creche. Após uma semana de aula a professora estranhou o comportamento dele. Chegava e pegava sempre o mesmo brinquedo, não queria interagir com outras crianças, se incomodava com o barulho e ficava escondido atrás da cortina rodando e fazendo movimentos repetitivos. Atitudes estas que ele já tinha em casa, e eu não identificava como algo fora do comum. Mas a professora reconheceu que havia algo diferente e tendo conhecimento sobre o assunto, me alertou: ‘Mãe, seu filho tem sintomas de autismo!’”, conta Daiany Ribeiro.

Ela que após o susto do primeiro diagnóstico confirmando a síndrome de Asperger – primeiro grau do autismo – não se deixou abater e buscou ajuda médica e escolar, imediatamente. “Foram muitos exames, conversas com psicólogas e diretoras de escolas. Depois de passar por três instituições de ensino, desde escolas especializadas no tratamento, até as do ensino regular da rede privada, a evolução de Thierry e o aprendizado só aconteceram na rede municipal de Maringá”, diz.

Este ano ele termina o primeiro ciclo do fundamental e além das aulas em sala especial, no contra turno, no período da tarde ele estuda com mais outras 20 crianças no ensino regular com o acompanhamento de uma professora só para ele. “Esse tratamento individual foi essencial para o avanço do Thierry e, ao mesmo tempo, a oportunidade de socializar com os colegas de classe fazem dele um novo menino”, conta a mãe.

Daiany deixa um recado para as famílias que têm filhos com necessidades especiais. “Não é uma tarefa fácil, mas me sinto privilegiada em ter o Thierry. Mais do que educar diariamente, eu aprendo muito com ele. Uma criança extremamente divertida, inocente, sempre com um sorriso no rosto e cantando para me animar. Pais, não desistam! Busquem informação e ajuda médica, acompanhem o desenvolvimento escolar, mas nunca deixem de lutar”, aconselha.

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Os desafios da escrita

Foto Abre 01Motivar os estudantes a escreverem pode ser um verdadeiro desafio, mas tendo em vista a necessidade da escrita na vida cotidiana é fundamental encontrar maneiras que tornem a atividade mais simples e divertida. A escritora e colunista, Lu Oliveira esteve em um bate-papo com mais de 200 profissionais da educação participantes do Diário na Escola, realizado a partir do tema “Prô, tô sem inspiração para escrever! – E agora José?”.

“Um dos principais motivos que fazem crianças e adolescentes fugirem do encontro com o papel e o lápis é a falta de inspiração. Por isso, o nome da palestra. Por muitas vezes ouvi os alunos me dizendo que não podiam escrever, pois não estavam inspirados. Realmente existem dias em que não estamos extremamente dispostos, mas nestes casos é preciso treinar formas para externar o que pensamos”, destaca Lu.

A palestrante que trabalha com a disciplina de Redação há mais de 15 anos, compartilhou com os colegas algumas de suas experiências. “Enfrento em sala de aula a difícil tarefa de fazer os estudantes escreverem – missão comum para aqueles que lecionam Língua Portuguesa – uma missão diária, por isso é preciso muita dedicação”, diz.

Foto Abre 02Lu enfatiza que educar é um desafio sim, mas todos aqueles que estão à frente do tablado optaram por permanecer neste caminho. Diariamente professores se veem na situação de lidar com a falta de vontade do aluno, neste momento, é preciso motivá-los, não se pode simplesmente desistir daquele desinteressado. “A inspiração é uma inquietação, quem não se incomoda, se acomoda”, ressalta.

Durante a conversa a ministrante ofereceu algumas sugestões para tornar o trabalho mais fácil, pois a escrita exige leitura, troca de informações, pesquisas e correções textuais. Uma das dicas é provocar a inspiração no aluno, e isso é possível a partir da conversa sobre temas do cotidiano dele ou mesmo experiências, reflexões e sensações já vividas.

Apontamentos sobre “transpiração” também foram destacados. Lu conta que, na medida do possível, é preciso estimular os alunos a escreverem por provocação, com a intenção de fazer com que eles despertem emoções, reações e, assim, “transpirem” a escrita. No caso de pessoas apaixonadas pelos textos, como a própria palestrante, a tarefa costuma ser mais agradável. “Para mim, a própria vida já me serve de conteúdo, tudo me inspira e o tempo todo.”

Músicas, poemas, imagens e filmes são grandes aliados no trabalho do professor. Com o estimulo visual e sensorial, as palavras e ideias fluem com muito mais facilidade e a temida falta de inspiração, na maioria dos casos, vai embora. “A escrita exige treino, técnica e habilidade, mas, ao mesmo tempo, é um instrumento de libertação. A educação tem o poder de transformar, por isso precisamos ser educadores ousados. Educar é uma determinação diária”, diz Lu.

A secretaria da educação de Itambé, Maria Eliza Spineli conta que a palestra foi bastante gratificante. “O conteúdo abordado de uma maneira muito leve, com palavras claras, seguidas de gestos e sorrisos suaves, coincidiu com os meus valores e com a maneira como eu administro a vida. Senti uma sinergia muito positiva entre a palestrante e a plateia”, enfatiza.

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Estudantes criam publicidade educativa

A vivência diária permite que convivamos com diferentes situações comunicativas. Isso acontece porque estamos inseridos em uma sociedade e, desta forma, compartilhamos ideias e opiniões com as pessoas que estão ao nosso redor. A todo instante nos deparamos com uma infinidade de propagandas, seja em jornais, outdoors, panfletos espalhados pelas ruas ou através da mídia televisiva. A finalidade deste tipo de texto é de persuadir, ou seja, o anunciante tem o objetivo de convencer o telespectador  – ou receptor – sobre a boa qualidade de um determinado produto para o convencer a adquiri-lo.

Preocupada com a quantidade de anúncios que as crianças visualizam todos os dias, a professora Iara Maria Pretti Elpidio relacionou a mídia à educação, em suas aulas. Com o objetivo de conscientizar os alunos da Escola Municipal São Jorge, Iara desenvolveu atividades nas quais as crianças utilizaram o poder do veículo de comunicação em prol da motivação ao aprendizado.

“Comecei o trabalho debatendo com os estudantes a diferença entre anúncio publicitário e propaganda. Enfatizando para que servem, onde podem ser encontradas e de que forma se apresentam”, destaca a professora.

Aproveitando o espaço de informática da escola, Iara instigou os alunos a pesquisarem o significado do gênero textual em estudo e alguns dos exemplos que podem ser encontrados na mídia.

Em contato com exemplares do Diário semanalmente, as crianças já têm embasamento do conteúdo em discussão, assim, exploraram o jornal identificando textos, imagens e frases de efeito que compõem as publicidades.

“Os estudantes pesquisaram, recortaram e colaram tudo o que encontraram no impresso, como também em outros veículos de comunicação. Os desafiei a revelarem se os recortes encontrados se referiam a anúncios ou propagandas e qual o objetivo de cada um deles”, conta Iara.

Com isso, os alunos se aperfeiçoaram quanto à interpretação dos conteúdos persuasivos e se tornaram mais críticos. “É um trabalho importante que desperta a nossa criatividade e ainda nos conscientiza dos riscos da mídia”, ressalta a estudante Eloah Guerino Matias.

A professora relata que as crianças se mostraram muito interessadas na proposta, por isso solicitou que todo o aprendizado fosse colocado em prática. “O trabalho final ficou por conta da produção de propagandas com o tema ‘escola e educação’ para exposição em um mural da escola. Cada criação ainda apresentou de gravuras, desenhos, frases e palavras em destaque para chamar a atenção da comunidade escolar”, diz.

“Gostei muito de criar uma propaganda, foi uma aula divertida em que usei minhas habilidades de desenho e escrita, assim como os publicitários fazem”, enfatiza a aluna Michelle Crubelati.

Com a atividade, a professora constatou que realmente as crianças aprenderem sobre o conteúdo em estudo e ainda conseguiram expor suas ideias de forma clara e objetiva. “Além do resultado dentro de sala de aula, ainda conseguimos despertar a atenção de toda a comunidade escolar sobre a importância do tema. Por várias vezes, vimos pessoas lendo e comentando sobre a atividade em exposição”, enfatiza.

“Uma proposta que teve início há meses, a partir do resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a professora conseguiu que os alunos percebessem a importância da escola e da educação na vida deles. Foram momentos de reflexão e conscientização que, com certeza, serviram de exemplo para todos que tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho realizado”, conclui a coordenadora pedagógica da escola, Rozilene Cassanho Zago.

CRIAÇÃO

Confira uma das propagandas desenvolvidas pelos alunos da Escola Municipal São Jorge, após o estudo e conhecimento do gênero nas páginas do jornal.

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