comportamento

Histórias do tablado

Foto AbreApós se aposentar, a professora Edna Mendonça sentiu a necessidade de contar as muitas histórias ocorridas em sala de aula. Momentos engraçados, tristes, de superação, uma verdadeira lição de amor ao magistério. “O livro parecia que foi se escrevendo sozinho e surgiram vinte e seis dicas de como o professor pode se relacionar melhor com seus alunos”, conta. A obra ainda aborda assuntos como viagens com os alunos, alfabetização, inclusão, aluno especial, bullying, professor doente, disciplina, como passar em concursos e muito mais.

No magistério quando um professor se aposenta a escritora diz ser tradição passar sua herança profissional aos professores que ficam. Edna optou por compartilhar através do livro “Histórias e Dicas da Professora Edna”, dividindo não só momentos como também preciosas dicas de como aprendeu, na prática, a se relacionar com estudantes e organizar o dia a dia na sala de aula. Surgiu assim o livro narrado de forma leve e informal. Os pais também se identificarão com as situações escolares de seus filhos e como ajudá-los.

 

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: Esta é a sua primeira obra. Antes da aposentadoria, se imaginava uma escritora?

EDNA: Nunca pensei em ser escritora. Sempre tive facilidade em fazer redações na escola e na faculdade, mas escrever um livro não estava nos meus planos. Estou realizando um sonho o qual não sonhei. Primeiramente quando me aposentei me deu uma urgência de não perder as minhas histórias. E se o tempo passasse e eu esquecesse ou não conseguisse mais dar valor ao que vivi? Parecia-me que minha história tinha sido tão linda! Eu tinha vivido tantas coisas legais junto com meus alunos e se tudo isto se perdesse? Pensei, vou escrever! Assim surgiu o livro.

 

  1. Durante o processo de escrita do livro, quais foram os maiores desafios?

Foi até engraçado, nos primeiros dias de aposentada comecei a escrever, mas não contei para ninguém. E se eu não conseguisse escrever o livro até o fim? Como ele é biográfico parecia que jorrava de mim. As ideias iam surgindo tão rapidamente que minhas mãos pareciam não acompanhar no teclado do computador. Comigo o processo de escrita foi bem tranquilo. Todo dia cedinho escrevia durante umas duas horas e depois ia fazer as atividades normais do meu dia a dia. Em dois meses o livro estava pronto. Quando passei da metade e vi que era capaz de ser uma escritora comecei a contar para a família e amigos. Quem escreve um livro, escreve dois. Logo em seguida fiz outro, infanto-juvenil, que está guardado em meu computador. Também publico crônicas, poesias e textos em minha rede social. Se juntar tudo, tenho material para mais um livro.

 

  1. Como você avalia sua relação com os alunos durante sua carreira profissional nas escolas? Acredita que eles serão parte do público leitor da sua obra?

Nunca tive problemas com meus alunos, sempre os considerei meus amigos. A base de tudo é o amor. Primeiro eu amava ir à escola dar aulas. Quando você está ali satisfeita os estudantes sentem isto. Eles sabiam que eram importantes para mim, que eu me interessava se eles estavam aprendendo e se estavam bem. Hoje encontro alguns já adultos que me reconhecem e me tratam com o maior carinho. Os adolescentes das minhas últimas turmas são meus amigos nas redes sociais, estão festejando meu livro e nossas histórias. É gratificante encontrar um aluno e ele vir te dar um abraço e dizer que sente saudades de você.

 

  1. Aos pais, de que forma suas histórias irão contribuir na relação educacional com os filhos?

Os pais foram alunos ontem e hoje acompanham seus filhos nas mesmas situações escolares. Muitas dicas que dou para um bom relacionamento dos professores com os estudantes servem também para relacionamento de pais e filhos. Eu tenho uma filha na escola e me coloco no livro como mãe também. Abordo temas atuais como alfabetização, inclusão, bullying, disciplina, sinceridade, gosto pela leitura, adoção e muito mais. Todos esses assuntos são abordados através de histórias de fatos vividos na escola. Os pais saberão como a educação está funcionando hoje e, assim, poderão ajudar seus filhos.

 

  1. Que mensagem deixaria aos professores que atuam dentro dos espaços escolares e que, por vezes, se sentem desanimados com os desafios da educação?

Fui uma professora que amou e ainda ama a profissão que escolheu. Eu não sou conhecida como muita gente famosa ou heróis. Sou apenas uma professora, mas que do meu jeito fiz muitos feitos históricos. Cada dia era uma batalha do bem e eu partia rumo à escola com uma missão importantíssima, ensinar tanta gente que me esperava. Nossa profissão é linda e tão importante. Nós devemos ser os primeiros a valorizá-la através de uma aula bem dada e ensinar aos nossos alunos o tanto que ela é fundamental. Afinal, eles serão o nosso futuro.

 

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Palestra aborda aprendizado e tecnologia

A convite do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Noroeste do Estado do Paraná (Sinepe/NoPr), Isabel Parolin esteve em Maringá durante evento de educação para ministrar aos professores o tema “A aprendizagem e o ensino em tempos hipermodernos”.Foto Abre

Como promover o aprendizado diante de tantas inovações tecnológicas? Essa é uma questão que aflige muitos profissionais da área da educação. Isabel conta que os valores atribuídos ao mundo do consumo, da rapidez e do descartável modificaram alguns encaminhamentos educacionais no seio da família, fato que repercute no dia a dia da escola. Em alguns casos, inclusive, a simbologia de pais, chefe e idoso, foi perdida.

Em sua fala, a palestrante aponta que é na escola que a criança tem seus encontros sociais, por isso, aquilo que é ensinado dentro da sala de aula precisa ser potencializado na sociedade. O que tem acontecido é que as pessoas recebem muita informação diariamente, mas estão tendo pouca evolução no que se diz respeito ao conhecimento.

“Grande número de pessoas utilizam a tecnologia para mediar suas relações sociais e, mesmo os mais resistentes, acabam cedendo às suas facilidades e rapidez. Os aplicativos de bate-papo, hoje, têm o mesmo efeito agregador que tinham as praças dos tempos antigos – um lugar de encontro. Contudo, todo o arsenal que a web oferece só se configurará como um instrumento no desenvolvimento pessoal e comunitário se as pessoas conseguirem estabelecer relações educativas através dessas mediações”, ressalta Isabel.

Roseli Messias é mãe de um menino de oito anos e reclama que seu filho só tem conseguido dormir muito tarde, quando vai brincar com outra criança é sempre utilizando o tablet e, algumas vezes, deixa o dever de casa sem fazer por passar boa parte do tempo nos jogos virtuais. “Com isso, ele tem sido um aluno desatento, sonolento e sem rendimento escolar. Eu e o pai dele estamos proibindo o uso da tecnologia para que ele melhore o desempenho em sala de aula”, conta.

A ministrante enfatiza que o desafio da escola de hoje é provocar as aprendizagens que humanizam e promovem inserção social, entendendo os limites e as conquistas dessa geração que é conectada, mas impaciente, hiperativa, mas com atenção limitada a pequenos intervalos de tempo, que não pensa em linearidade, mas em descontinuidade, que tende as multitarefas, que vive no senso de urgência, aliada ao fato de usarem as novas tecnologias com melhor desenvoltura que seus educadores, mas que precisa de ajuda para focar no aprender.

“A escola detém uma qualidade de valor inestimável a essa geração – a possibilidade do encontro e das trocas presenciais – face a face, algo que tem sido deixado de lado devido aos contatos apenas virtuais”, ressalta Isabel.

A psicopedagoga finaliza afirmando que apesar da forma de se relacionar ter mudado, as crianças e jovens precisam estabelecer relações com qualidade, que garantam um modo de viver e conviver de acordo com os valores que sustentaram, historicamente, as organizações sociais até os dias de hoje. “Para exemplificar, não é por que uma criança tem desenvoltura surpreendente diante de um iPad que ela poderá deixar de almoçar ou fazer suas tarefas”, conclui.

A professora Márcia Cristina Bueno diz que após ouvir a fala da ministrante percebeu que o educador tem que sair de casa não pensando que vai dar aulas, mas que irá formar cidadãos. “O conhecimento é o grande libertador da sociedade. A família merece atenção, deve ser instruída. O professor tem um papel educativo essencial.”

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Trânsito consciente em pauta

Para um aprendizado efetivo, nada melhor do que vivenciar na prática toda a teoria adquirida em sala de aula, não é mesmo? E foi exatamente assim, que a professora Rosângela da Silva Oliveira que leciona na Escola Municipal São Jorge desenvolveu um projeto sobre a conscientização no trânsito, com seus alunos. Desta forma além de repassar orientações que eles poderão seguir diariamente, já aproveitou para trabalhar o assunto que é tema da Promoção Cultural da Semana Nacional de Trânsito.

Para dar início ao trabalho, Rosângela sugeriu às crianças a leitura da notícia “Maringá é o 2º do Paraná em feridos no trânsito”, que foi publicada em O Diário do Norte do Paraná. “Na interpretação textual elas observaram o aumento de acidentes numa cidade tão próxima à nossa, para isso analisamos o gráfico da matéria e debatemos o tema em sala”, conta.

Foto AbreNeste momento os alunos relataram que não é preciso ir tão longe, em frente à escola acontecem infrações diariamente. A exemplo dos motoristas de caminhões que não respeitam a faixa de pedestre que há em frente ao portão da instituição.

Com o intuito de aumentar o conhecimento dos estudantes e conscientizar os moradores de São Jorge, a professora levou os alunos para um passeio nas ruas da cidade. Sempre os orientando da importância em se andar na calçada, respeitar os limites de velocidade e as placas de sinalização.

“Agora toda vez que vou atravessar a avenida, procuro a faixa mais próxima. Quando percebo que estou tendo alguma atitude errada, muitas vezes para cortar caminho, paro e me cobro do certo, pois alguns motoristas dirigem distraídos, então tenho que zelar pela minha vida e pela do próximo”, destaca a estudante, Karollainy Vitória Simão Ortiz.

Rosângela afirma que foi um projeto de muito resultado. “É um assunto do cotidiano, meus alunos são futuros motoristas e precisam ser conscientizados. Foi uma aula dinâmica que os apresentou dicas de comportamento nas ruas, como também argumentos para a produção das frases que enviaremos para o concurso. Estamos preparados e ansiosos pela premiação”, conclui esperançosa.

 

 

CONSCIENTIZAÇÃO

Ao fim do trabalho os alunos produziram poemas para alertar a população sobre os cuidados que se deve tomar nas ruas, seja você pedestre, ciclista ou motorista. Confira a produção da estudante Helena Tavares Modesto.

 

Se esse trânsito fosse meu   

Se esse trânsito fosse meu

Eu mandava parar

Para quem estiver atravessando

Mais seguro ficar.

 

Se esse trânsito fosse meu

Eu mandava arrumar

Com faixa e sinaleiro

Para as pessoas protegidas ficar.

 

Se esse trânsito fosse meu

Eu pedia para se conscientizar

Quando os pedestres estiverem passando

Carro, moto… parar.

 

Se esse trânsito fosse meu

Eu mandava a menos de 80 andar

Para ninguém se atropelar.

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Economia na ponta do lápis

Os estudantes da Escola Municipal José Polo, de Sarandi, têm utilizado o jornal O Diário do Norte do Paraná, semanalmente, como fonte de informação. Nos últimos meses, as crianças passaram a se atentar a uma editoria do impresso que antes passava despercebida, a ‘Economia’. Um assunto que tem sido destaque nas mídias e também nas conversas familiares. Por isso, a professora do quinto ano Aparecida Scuizato Telles resolveu levar o tema para ser debatido em sala de aula.

“Devido a crise que o Brasil está enfrentando, a internet, televisão, jornais e também a própria população tem falado nisso constantemente. Fato que é presenciado e tem afetado diretamente os alunos, por isso é interessante que ele reflita sobre o assunto para que se conscientize quanto a redução dos gastos”, conta a coordenadora pedagógica, Ivanilda Aparecida de Lima Souza.

Foto Abre“Começamos fazendo uma análise e reflexão sobre o momento econômico que o nosso país está passando. As crianças leram as notícias do Diário e a partir disso fizeram comentários, expuseram opiniões e posicionamentos a respeito do que a mudança na economia tem alterado a rotina deles”, destaca Aparecida.

A professora aproveitou o momento de troca de conhecimento em que os alunos demonstraram insatisfação, para ajudá-los a compreender que tem se enfrentado um período de crise econômica e de ajuste financeiro no país. “Percebi que os estudantes enquanto cidadãos podem ajudar suas famílias a superarem esta fase de cortes. Analisando os textos jornalísticos enfatizei o aumento na conta de energia elétrica como um reflexo dessa etapa de recessão”, conta.

Algumas crianças manifestaram que os pais estão abrindo mão, inclusive, de produtos essenciais do dia-a-dia para cumprirem com o compromisso de pagar em dia as contas de casa, evitando assim, a cobrança de juros. “Não aguento mais ver minha família pagar faturas cada vez mais altas, onde isso vai parar?”, pergunta indignada, a aluna Maria Rita Pires Silva.

Aproveitando o interesse pelo conteúdo, Aparecida preparou uma aula interdisciplinar na qual foram analisadas contas de energia elétrica. “Apresentei às crianças o que é cada uma das informações contidas no talão e calculamos juntos qual foi o valor do reajuste naquela fatura.”

Nesta proposta os estudantes desenvolveram a habilidade da leitura e interpretação dos textos jornalísticos e utilizaram do conhecimento matemático para fazer o comparativo do aumento da energia. O resultado foi uma aula com muito aprendizado, pois um assunto de interesse em comum desperta motivação pela atividade.

“Além de aprenderem com facilidade o cálculo de porcentagem, conteúdo proposto ao bimestre, os resultados foram observados em casa, pelos pais. As crianças têm orientado os irmãos para que desliguem as lâmpadas quando não estão sendo usadas, não demorar no banho, e até mesmo as mães são aconselhadas para que deixem juntar uma quantidade maior de roupas para serem lavadas e passadas, juntas. Os professores notaram alunos mais críticos, que se preocupam com quem é que paga a fatura de energia da escola, refletindo sobre uso consciente dos aparelhos da instituição e desligando os computadores, ventiladores e lâmpadas quando não estão sendo usadas. Dessa forma percebemos que ao trabalhar a problemática do alto preço da energia elétrica, a Escola Municipal José Polo está formando cidadãos”, comemora Ivanilda.

A professora conta que a próxima etapa do trabalho agora é analisar a conta de energia elétrica da casa de cada aluno. “Com essa proposta, vamos ajudar as famílias a encontrarem soluções para evitar gastos tão altos e conseguirem viver da renda que eles têm, sem sofrer tanto os efeitos da crise.”

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Mais do que pessoas, cidadãos

Foto AbreA oficina “Identidade. Quem eu sou?” foi realizada com os atendidos da Legião da Boa Vontade (LBV) Maringá e teve por objetivo possibilitar a construção da formação cidadã da criança, a partir das relações sociais e culturais. “Os pequenos têm seu jeito próprio de compreender o mundo e é partindo de observações e estabelecendo relações com a realidade e com o meio que eles aprendem ,e assim, seguem na construção de sua personalidade”, destaca a responsável pela oficina, a educadora Andréa Siqueira Gonçalves.

O trabalho desenvolvido integrou as crianças e oportunizou a apropriação da escrita e valorização do nome próprio, bem como o resgate da cidadania, através do fortalecimento da cultura e do restabelecimento da autoestima.

Em um primeiro momento meninas e meninos atendidos pela LBV foram fotografados e com suas fotos em mãos puderam ver seus retratos e se reconhecerem em cada traço. “Nunca tinha prestado muita atenção em uma foto minha, olhei cada detalhe do meu rosto e os traços que lembram alguém da minha família”, conta a pequena, Isabely Santos Braga.

Na sequência eles tiveram contato com suas certidões de nascimento. “Nessa etapa percebi que muitos não conheciam o documento e muito menos sabiam da importância dela para sua vida, e que, além de ser um registro de identificação é a primeira garantia de cidadania e direito a todos os brasileiros”, comenta Andréa. O atendido Victor Hugo Reis Moreira, completa “os pais devem registrar seu filho logo quando nasce, assim a criança tem seus direitos garantidos.”

Muitas crianças ainda não tem a carteira de identidade (RG), por isso a educadora preparou uma proposta, com uma arte que simula um RG de verdade, na qual cada atendido preencheu os dados com seu nome e de familiares, e desenhou seu rosto para ficar semelhantes às fotos. “Foi muito legal, aprendi coisas importantes como por exemplo, o que é a palavra ‘filiação’ no documento”, ressalta a atendida, Gabrielly Flores Silva.

Para estarem atentos aos seus direitos e deveres, Andréa debateu com a turma os termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “A construção de identidade não se evidencia do que digo sobre mim. Ela está presente nas minhas atitudes, ações, escolhas e no meu comportamento em geral. Os atendidos aprenderam muito com essa dinâmica”, comemora a educadora.

A proposta foi finalizada com uma exposição, nos corredores da instituição, das várias etapas desenvolvidas. Assim, todas as crianças e adolescentes que fazem parte da LBV tiveram conhecimento de um assunto que é de interesse em comum e prestigiaram o trabalho dos colegas.

“Após essa atividade foi despertado nos atendidos a vontade em conhecer melhor os documentos, como a carteira de identidade e a certidão de nascimento, e proporcionou uma reflexão sobre como cada um se vê. Eles perceberam que são seres únicos, especiais e diferentes. Assim, compreenderam que têm uma personalidade, um nome próprio e uma história de vida. Entendendo que a construção do seu ‘eu’ se dá de forma gradativa e através das interações sociais”, conclui a assessora de comunicação da LBV, Vilma da Silva Araújo.

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Esporte inclusivo é tema de atividade

Foto AbreMeninas e meninos atendidos pela Legião da Boa Vontade (LBV), de Maringá, participaram de atividades esportivas inclusivas, com a proposta de promover a conscientização quanto ao respeito às pessoas com algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida. A proposta teve início após a leitura das notícias do Diário com as seguintes manchetes: “Vereadores sentem na pele a falta de acessibilidade” e “Soldados sem acessibilidade”.

O tema abordado nas matérias chamou a atenção do educador social, Willian Aparecido Dias Silva que decidiu levar o assunto para ser discutido de maneira prática dentro da instituição. A partir disso, cerca de 150 crianças e adolescentes vivenciaram as dificuldades ao praticarem caminhada com obstáculos, futebol com olhos vendados e simulação de locomoção em cadeira de rodas.  “Devemos estar preparados para receber e conviver com portadores de deficiência, toda e qualquer pessoa merece ser acolhida”, destaca o atendido, Eber Felipe da Silva Reis.

Para mostrar a importância de se colocar no lugar do outro, os atendidos realizaram várias atividades, a exemplo da proposta: Qual é a fruta? E qual é o objeto?, possibilitando o estímulo do paladar e do tato. “O objetivo é contribuir para a formação do cidadão na sociedade, desenvolvendo união, amizade, cooperação, bem como o respeito ao próximo. As crianças e adolescentes têm dificuldade de compreender o que significa ser deficiente. Por isso, essas experiências permitem que elas percebam melhor a rotina de quem tem a mobilidade reduzida”, enfatiza Willian.

As atividades lúdicas foram realizadas para estimular os sentidos – visão, tato, olfato e paladar. Lembrando que na ausência de um sentido, a pessoa busca outras formas de interação. No caso dos portadores da deficiência visual, por exemplo, a falta da visão faz com que outros sentidos sejam aguçados. “Este momento foi muito importante, pois aprendi sobre o universo das pessoas com deficiência. Com meus olhos vendados, experimentei diversas situações com o auxílio de um colega. Percebi como é importante o apoio do outro na nossa vida,” conta a atendida, Laodicéia Vitória Marcelino Morais.

Na proposta de viver a realidade de uma criança com deficiência visual, os atendidos foram vendados e participaram de uma simulação de uma caminhada com obstáculos. “O retorno foi impressionante. Pude observar como eles chegaram e como saíram diferentes e sensibilizados depois das atividades”, afirma o educador.

O atendido, Wellington Leonardo Tavares Lesse experimentou a deficiência visual por alguns minutos e relata como se sentiu, “não tinha noção como a pessoa que não enxerga se sentia na rua. É muito difícil andar sem visualizar nada.”

Após vivenciarem essa realidade diferente da que estão habituados, meninos e meninas aprenderam sobre a importância do trabalho em grupo, desenvolvendo ainda a disciplina e atitudes necessárias para a integração social e formação do cidadão. “Somos todos diferentes, por isso não deve existir preconceito”, ressalta a atendida, Maria Júlia Gonçalves Ribeiro.

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Notícia estimula campanha escolar

Uma atividade que teve início com o objetivo de ensinar aos estudantes sobre o gênero notícia, foi muito além. A professora da Escola Municipal São Jorge, Rosângela da Silva Oliveira levou exemplares do Diário para a sala de aula para que as crianças identificassem o gênero.

Durante o momento de leitura, uma das matérias publicadas despertou a atenção dos alunos. O fato noticiado falava da morte de um maringaense após ter sido picado pelo mosquito transmissor da dengue. “Eles ficaram comovidos com a situação e destacaram o número de casos que já haviam sido encontrados nos moradores de São Jorge”, conta Rosângela.

Foto AbreAo perceber tamanho interesse pelo assunto, a professora ampliou a atividade inicial. Além do reconhecimento do gênero textual, as crianças fizeram uma campanha de conscientização nas ruas da cidade, eliminaram possíveis focos do mosquito retirando lixo e recipientes com água parada e, por fim, questionaram a população sobre quem já havia sofrido com a doença.

Na volta à classe, os alunos estavam cheios de informações. Para entender os números da pesquisa feita com os moradores, Rosângela propôs que eles montassem um gráfico. Identificando que, entre os entrevistados, 38% dos moradores de São Jorge já tiveram dengue. “Esta etapa foi de grande valia, pois os estudantes perceberam o quanto o mosquito transmissor é perigoso”, disse a professora.

Em seguida, as crianças elaboraram cartazes informativos e espalharam por toda a escola. A atividade final contemplou o objetivo inicial da aula, os alunos foram desafiados a produzirem uma matéria sobre a situação da dengue no município em que vivem.

“Os resultado foi ótimo, todos tiveram interesse nas propostas e se dedicaram em cada etapa. Além das informações sobre a doença, os alunos conseguiram entender o que é uma notícia e a finalidade deste gênero textual”, enfatiza Rosângela.

 

RESULTADO

Confira a notícia que a aluna, Vitória Camila dos Santos produziu ao término da campanha contra a proliferação do mosquito transmissor da dengue.

Casos de Dengue

Os alunos do quinto ano “C” da Escola São Jorge desenvolveram atividades diversas devido aos casos de dengue na cidade e não região. A professora Rosângela da Silva Oliveira e os estudantes deram início há um projeto.

A partir da leitura da notícia publicada no Diário no dia 29 de abril, sobre a morte de um homem por causa da dengue, em Maringá, teve início o projeto. Os alunos saíram nas ruas de São Jorge e encontraram muito lixo espalhado. Quando voltaram para a classe elaboraram um gráfico a partir do número de moradores que já sofreram com a doença, no total 38% afirmaram já terem sido picados pelo mosquito e 62% ainda não.

“Quando eu tive dengue senti dores fortes no corpo como se fossem sintomas de gripe. Em seguida vieram as febres, então eu procurei um médico e ele falou que poderia ser dengue. Após os exames veio a confirmação. Foi onde eu senti dores de cabeça, atrás dos olhos, boca amarga, falta de apetite e coceiras no corpo. Fiquei doente por 30 dias, lembro dos sintomas até hoje”, conta a moradora, Luciana Severino dos Santos.

Após as entrevistas, os alunos realizaram um debate em sala no qual perceberam que é necessário se cuidar. Para isso, fizeram cartazes de conscientização e colaram pela escola.

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Oficina promove respeito e conscientização

Foto AbreA equipe do Diário na Escola esteve na Escola Municipal Afrânio Peixoto, em Ivatuba, e desenvolveu uma oficina pedagógica com os estudantes dos quartos e quintos anos. Além das atividades de produção textual e oralidade, as crianças receberam orientações para evitar casos de agressão, sejam eles na escola, na rua ou dentro da própria casa.

“A violência pode acontecer no trânsito, em família, e até em abusos aos menores de idade. Precisamos estar alerta, pois em ambientes virtuais, como no computador e no vídeo game, somos estimulados a ter atitudes agressivas”, destaca a aluna, Cícera Gabriela Ribeiro da Silva.

Nas últimas semanas, manchetes sobre confronto entre policiais e professores, adolescentes que atearam fogo em um andarilho e mortes no trânsito estamparam as manchetes das mídias impressas e televisivas. “As crianças recebem muitas informações diariamente, não podemos deixar que elas se acostumem com a violência e achem casos como estes comuns. O trabalho de conscientização precisa ser recorrente dentro dos espaços escolares. Enfatizando, sempre, situações do dia-a-dia e do cotidiano em que vive estes alunos”, afirma a coordenadora do Programa, Loiva Lopes.

Durante a oficina as crianças assistiram a vídeos e leram notícias do jornal sobre o tema em estudo. “Aliar o áudio visual com o impresso oportuniza a descontração e o aprendizado. Desta forma, o estudante sai da rotina habitual de trabalhos e se dedica mais ao que foi proposto”, diz a professora Odete Pereira de Melo Calvi.

A estudante, Letícia Camily Ruzik aponta que uma opção para diminuir a violência é reduzindo a maioridade penal. “Quem tem 16 anos já pode votar, já faz escolhas, então deve ser preso se cometer atos errados.”

A oficina teve ótimos resultados. A professora Rosana Lazzaretti conta que os alunos gostam de opinar e se demonstram a cada dia maior criticidade. “Debates sobre assuntos do cotidiano enriquece as aulas e motiva os alunos a participarem, até o mais tímidos se expressam nestes momentos.”

“Na aula de hoje aprendi que a situação violenta do nosso país só vai mudar, se cada um de nós fizer diferente. Precisamos nos conscientizar de que ninguém é perfeito, mas podemos sempre ser melhores”, conclui a estudante, Maria Eduarda Paiva Dallago.

 

PRODUÇÃO

Confira o texto opinativo da aluna Eduarda Kurudz a respeito da realidade violenta em que vivemos.

 

O nosso mundo hoje

Atualmente há muita violência por causa das pessoas que querem ganhar dinheiro sem trabalhar. Elas não se conscientizam que tudo que vem fácil na vida, acaba mais fácil ainda. Há cidadãos que lutam para ter seus bens materiais, enquanto outros vêm e roubam tudo.

Se pararmos para pensar, todos nós praticamos violência, porque não é só a física que machuca, a verbal também. E fazemos isso muitas vezes, sem perceber. Algumas pessoas só querem saber de poder e riqueza, são muito ambiciosas.

Nós podemos começar um mundo melhor, agora! Praticando a harmonia, a paciência e o amor ao próximo. A mudança tem que começar por nós mesmos.

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A dificuldade em aprender

Foto AbreEm toda sala de aula há estudantes que aprendem com mais facilidade e outros que têm dificuldade para acompanhar as lições. Ninguém está a salvo de tirar notas baixas vez ou outra. Mas o que fazer quando os problemas são persistentes? O bate-papo de hoje na coluna do Diário da Escola é com a neuropsicóloga, Dra. Cristiana Bolfer que é especialista em Neuropsicologia pelo Instituto Central da Faculdade de Medicina de São Paulo (ICFMUSP), mestre e doutora em Neurologia pela Faculdade de Medicina de São Paulo (FMUSP). Na entrevista ela fala sobre como os pais e a equipe escolar podem auxiliar no desenvolvimento do aluno que apresenta defasagem no aprendizado.

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: Casos de transtornos de aprendizado, infelizmente, são cada vez mais comuns. De que forma se constata que mais do que um mau comportamento ou desinteresse, o estudante sofre de algum distúrbio?

Dra. Cristiana: Os pais começam a perceber as dificuldades de seus filhos, inicialmente, na leitura e na escrita. Essas dificuldades, muitas vezes, são relatadas pela escola quando se inicia o processo propriamente dito da leitura e escrita, ou seja, no 1o ano do Ensino Fundamental.  Não havendo nenhum tipo de intervenção a criança pode mostrar desinteresse já que não consegue alcançar os objetivos propostos naquele momento. Algumas crianças calam-se diante de suas dificuldades enquanto outras apresentam comportamentos inadequados. Nos dois casos podem significar que estão “gritando” por socorro.

  1. Quais os principais fatores que fazem essa criança ou adolescente apresentar a defasagem no aprendizado?

Primeiro vamos entender, resumidamente o que são dificuldades do aprendizado e transtornos do aprendizado. As dificuldades abrangem um grupo de problemas que podem alterar a capacidade da criança aprender – independentemente de suas condições neurológicas – que podem ser: fatores emocionais (depressão, ansiedade, bullying); escolares (metodologias inadequadas para série e idade do aluno, espaço físico inadequado para uma boa relação com a aprendizagem, professores sem preparo para atender seus “clientes”); transtornos orgânicos (dificuldades visuais e auditivas, distúrbios do sono, distúrbios motores) ou fatores socioambientais (ausência de estímulo, muita cobrança em casa ou na escola pelo desempenho acadêmico da criança ou adolescente que não está conseguindo suprir as demandas propostas). O segundo são as chamados DIS: Dislexia (prejuízo na leitura), Disortografia (prejuízo no entendimento do som da letra relacionado a sua grafia), Disgrafia (escrita ilegível) e Discalculia (prejuízo na matemática). Diante disso podemos acreditar que a criança ou o adolescente que apresentar tanto dificuldades como transtornos do aprendizado necessitarão de auxílio, com profissional especializado, para uma vida acadêmica e social adequadas.

  1. Entre os casos de distúrbios que já acompanhou, ao fazer uma avaliação, quais deles são mais comuns?

O primeiro transtorno sem dúvida é a falta de atenção que desencadeia outros transtornos de aprendizado. Nem toda a criança que apresenta desatenção pode ser diagnosticada com o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Ressalto mais uma vez a importância do diagnóstico com profissionais especializados.

  1. Um estudante com dificuldade em aprender, pode ser considerado com inteligência abaixo do normal?

Considerando a deficiência intelectual como transtorno do desenvolvimento com grandes restrições sociais, acadêmicas e profissionais (podendo gerar perigos aos cuidadores) e com alto risco psiquiátrico e delinquência aí sim o indivíduo não terá muitas oportunidades para o aprendizado. Mas o indivíduo (criança, adolescente e adulto) pode apresentar dificuldades ou transtornos em algumas áreas do aprendizado o que não significa inteligência abaixo do normal. Muito pelo contrário. Existem crianças que vão muito bem oralmente mas não conseguem se expressar na escrita e apresentam  inteligência acima da média o que é confirmado em vários estudos nacionais e internacionais.

  1. Qual a melhor forma para o professor ajudar o aluno com distúrbio de aprendizado?

A escola de forma geral pode e deve atuar em colaboração com a família e com os profissionais especializados permitindo algumas modificações que possam determinar uma maior motivação e aprendizado do portador das dificuldades e dos transtornos da aprendizagem. O professor deverá ter conhecimento básico sobre o desenvolvimento infantil entendo o que é esperado para a idade e série que está lecionando como também o conhecimento básico dos transtornos do aprendizado e, é nesse momento que entraria na escola, um profissional especializado para auxiliar os professores dentro da neurociência, a chamada “Neurociência em sala de aula”.

  1. E os pais? De que maneira podem contribuir com a evolução no caso desse filho com defasagem?

Na maioria dos casos, diante de um portador do distúrbio do aprendizado, as intervenções apenas na escola são insuficientes, muito embora frequentemente, os professores e coordenadores da escola sugiram, inicialmente, reforço e algumas modificações unicamente no próprio ambiente. Os familiares devem ser orientados a respeito dos conhecimentos mais atuais do distúrbio, com o objetivo de que compreendam as dificuldades apresentadas, diminuindo o sentimento de culpa em relação aos insucessos e que ajudem para que o tratamento seja o mais eficaz possível.

  1. Que mensagem deixaria para os pais e para a equipe escolar que acompanha crianças e adolescentes com casos de distúrbios de aprendizado?

É fundamental que os pais compreendam que devem atuar de modo ativo e colaborativo em relação à escola, estando atentos às queixas trazidas pelos professores e devem entender que os professores e coordenadores pedagógicos são aliados aos cuidados com seu filho. A relação da família com a escola e a educação do seu filho é um fator indispensável para o sucesso da criança. Os pais devem ser encorajados a intensificar a comunicação com a escola e vice-versa, procurando atuarem como facilitadores no desenvolvimento tanto escolar como pessoal da criança.

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