ENEM



Nota de redação gera polêmica

O estudante Carlos Guilherme Custódio Ferreira, de 19 anos, resolveu descrever como preparar um miojo no meio da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012, que tinha como tema “O movimento imigratório para o Brasil no século 21”. O mais surpreendente é que ele recebeu 560 pontos, em uma produção na qual a nota máxima é de 1.000.

O candidato escreveu dois parágrafos sobre o tema proposto e depois dedicou um parágrafo inteiro ao preparo do macarrão instantâneo; “Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva”.

Em entrevista ao site G1, Carlos conta que escreveu a receita para testar o novo método de avaliação dos corretores, já que falaram que em 2012 seria diferente e a prova passaria por três correções. Ele explica que se inscreveu no Enem quando estava sem estudar, mas no meio do ano entrou no curso de engenharia civil do Centro Universitário Lavras (Unilavras) e resolveu fazer o exame do Ministério da Educação (MEC) sem muito compromisso.

Carlos Guilherme recebeu 120 pontos – de um total de 200 – na competência dois da correção, que avalia a compreensão da proposta da redação e a aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento do tema. Já na competência três, que avalia a coerência dos argumentos, o candidato recebeu metade dos pontos possíveis, 100 de 200.

Em nota enviada ao jornal “O Globo”, o MEC afirmou que “o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas”.

Enquanto muitas pessoas reclamam da nota da Redação do Enem, notícias como essa acabam indignando ainda mais os candidatos. Pessoas que tiveram suas notas prejudicadas, vendo a chance de conseguir uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) ou uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), indo “por água abaixo”.

O jovem declarou em sua rede social que com a repercussão da inusitada redação que produziu, espera que os critérios para o próximo Enem sejam mais rigorosos. “Acho que vendo essa redação, esse ano a correção vai ser ainda mais rigorosa e isso é bom né?”.

Para a estudante Lissiê Galetti Scandelai, de 17 anos, esse tipo de situação envolvendo o Enem é um desrespeito ao candidato. “Os temas já são difíceis, a redação é o que me toma mais tempo durante a realização da prova. Eu esperava ao menos uma boa correção, mas infelizmente isso não tem acontecido”.

Foi constatado que redações que receberam nota máxima na avaliação do Enem, em 2012, tinham erros de ortografia como “rasoavel”, “enchergar” e trousse”. As redações com melhores notas no exame têm erros de ortografia, concordância verbal, acentuação e pontuação. Lissiê conta ainda que fez um bom texto, sem erros de ortografia e sua nota foi de 600 pontos. “Considero mais uma vez a correção injusta em relação às provas dos candidatos que obtiveram 1.000 pontos e apresentaram erros na produção”, reclama.

Raquel Lipe de Oliveira Marchioli é assessora pedagógica de língua portuguesa, na secretaria de educação de Maringá, ela cita que para o aluno ter um bom desenvolvimento na redação do Enem, ele precisa ter o domínio dos diversos gêneros textuais. “As crianças que estão nas escolas municipais, aqui em Maringá, são preparadas desde o primeiro ano do ensino fundamental para que no ensino médio tenham bons resultados em redações de vestibulares, ou mesmo no Enem”.

Os professores da rede municipal de Maringá desenvolvem a rotina textual, um método de aprendizado baseado no passo a passo, em etapas, até que o aluno chegue ao domínio de conteúdos necessários para a produção textual.

Raquel acredita que o fundamental é proporcionar ao estudante primeiramente o embasamento, para só depois ele desenvolver o texto. “Os nossos alunos do ensino fundamental começam a ser preparados para a dissertação quando estudam o artigo de opinião, ainda no quinto ano, e assim, terão mais chances de apresentarem bons resultados lá na frente”, destaca.

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Repórter vira fiscal do ENEM

As críticas  – os escândalos – ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) continuam. A reportagem abaixo foi extraída do site do Programa Jornal e Educação (PJE), da Associação Nacional de Jornais (ANJ). É o símbolo da pura bárbarie. Confiram:

 

Apesar de o Ministério da Educação afirmar que o Enem tem uma equipe de fiscais cadastrados e previamente treinados, a realização do primeiro dia do exame contou com “voluntários” escolhidos sem critério, na porta do local do exame.

Pelo menos foi assim na manhã deste sábado na Unip da Água Funda, zona oeste de São Paulo, onde cerca de 30 pessoas foram selecionadas em uma repescagem em que o único critério foi apresentar o documento original de identificação.Eu fui um dos que, com RG na mão, entrei na fila e garanti uma vaga para a fiscalização. No local, havia 8 mil candidatos inscritos.

Por volta de 8 horas as portas da universidade já estavam cheias. Muitos estavam lá a pedido de amigos, primos, tias e conhecidos que trabalhariam ou trabalharam na organização da prova. Elas receberam e-mail com recomendações sobre horários e tipo de vestuário: camisa branca e, caso estivesse frio, agasalho branco ou preto – o que pouca gente respeitou.

Primeiro entrou quem já tinha nome para a fiscalização. Quase meia hora depois, os organizadores da unidade voltaram para a portaria e recrutaram os não cadastrados e desconhecidos.

Um segurança anotou nomes e documentos. Alguns diziam que haviam tentado se cadastrar sem obter sucesso. Para mim, só perguntaram se eu tinha o nome na lista. Disse que não e fui prontamente contratado. Por cada dia de trabalho, os fiscais recebem R$ 65, além de alimentação com suco, mini goiabada e um salgado de presunto e queijo – muito criticado ontem na Unip.

Fomos levados às pressas para o anfiteatro, onde o treinamento já havia começado. Faltavam menos de duas horas para a abertura dos portões e centenas de fiscais deveriam dominar como aplicar a prova.

No palco, uma coordenadora detalhou como se portar em caso de cola, o que é ou não é permitido na sala, na mesa, embaixo da cadeira, a cor da caneta.

Depois da palestra, respondeu a dúvidas e mostrou um filme com orientações sobre os procedimentos de entrega das provas, com informações como onde assinar os cadernos, o que orientar ao inscrito, como distribuir as provas. Apesar da qualidade do vídeo, via ao meu lado rostos de dúvidas tão agudas quanto as minhas. Era de fato muita informação.

Embriagados
Antes de indicar quem seriam os responsáveis por cada sala, a palestrante fez uma advertência importante. “Pessoal, já chegaram cinco fiscais embriagados. Se tiver alguém que foi para balada, que não está bem, por favor avise.”

Muitos dos chamados não apareceram e assim que todos os pré-selecionados presentes tomaram seus postos, a coordenadora apontou uma pessoa da primeira fileira. Perguntou se ela tinha experiência em aplicação de concursos ou vestibulares. A mulher disse que não e, questionado, eu também confirmei minha inexperiência. A coordenadora fez mais duas tentativas, voltou a me apontar e disse “vai você. Sala 563, bloco B”. Parti.

A 563B tinha 76 inscritos, por isso eram três fiscais – apenas 49 fizeram o exame. Ali, apenas um dos três havia atuado em edições anteriores. Eu e outra fiscal nunca havíamos atuado em provas.

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“Avanço na educação é lento”, dizem especialistas

Muita comoção em torno dos números do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) divulgados ontem. No entanto, trouxemos um outro olhar sobre os “avanços”:

 

Apesar de indicar avanço na educação pública do país, o resultados do ENEM mostra que o avanço ainda é lento do que o possível e necessário. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Munhoz Alavarse, afirmou à Agência Brasil que “Esses ganhos ainda não são tão elevados quanto poderiam ser, e os patamares ainda são preocupantes”.

Para Alvarse, o aumento da nota média é reflexo da melhora da rede pública de ensino que ocorreu a partir do ano 2001. Os alunos que estavam nas séries iniciais chegam agora ao ensino médio beneficiados por uma escola mais equipada e professores com melhores remunerações. O que o professor considera uma conquista importante, uma vez que o sistema público trabalha “com 90% dos alunos em condições precárias e, mesmo assim, está melhorando a aprendizagem”.

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