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A mídia como instrumento formador

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Escola e mídia. Duas instituições que estão cada vez mais próximas e, ao mesmo tempo, distantes. Embora não faltem teorias, estudos e cursos que defendam o trabalho conjunto entre elas, a conexão não é das melhores. Muitas escolas têm dificuldades de lidar com os meios de comunicação cada vez mais presentes, influentes e ao alcance de crianças desde a Educação Infantil. Para falar sobre esse assunto, convidados a jornalista e educadora, Fernanda Amorim.

 

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: De que forma o professor pode trabalhar as mídias realizando atividades e propostas pedagógicas que fujam do senso comum?

FERNANDA: Para trabalhar a mídia em sala de aula é preciso, antes de tudo, conhecê-la, investigar seu surgimento e delinear sua posição ideológica, entendendo o que ela defende, evidencia, colore. A mensagem midiática não é mero entretenimento, é, sobretudo, recorte da realidade que diz muito sobre seus produtores.

 

  1. Qual a importância dos professores estarem em contato com uma leitura mais crítica?

A educação não é papel exclusivo da escola, as redes sociais, as telenovelas, os programas policiais propõem formas de pensar e agir que são, aos poucos, internalizados pelos professores e alunos. Ler criticamente a mídia é compreender quais dinâmicas ideológicas estão em ação para fazermos, enquanto docentes, enfrentamentos aos preconceitos e estigmas que marginalizam alguns grupos culturais e supervalorizam outros.

 

  1. Após a sua pesquisa de mestrado, quais as maiores dificuldades que os professores têm encontrado para trabalhar o impresso? De que forma isso pode ser melhorado?

Percebi que as professoras se sentem inseguras ao trabalhar o jornal na sala de aula. Isso ocorre porque não têm a chance de analisar/estudar as notícias com antecedência, uma vez que usam o jornal do dia. O indicado é que elas tivessem tempo para estudar as notícias, as editorias, os artigos e as fotografias para, depois, levá-las aos alunos.

 

  1. O acesso à comunicação e a influência das mídias, estão ‘bombardeando’ os alunos diariamente. Como o professor poderá trabalhar com essa criança ou adolescente que já vem cheio de informações para a sala de aula?

Na verdade, não tem como o professor ignorar esse cenário, pois, ele, inclusive, pertence a esse contexto. O professor também vai à sala de aula repleto de informação e estímulo midiático. É preciso pensar que a escola não é uma ilha, ela pertence à sociedade, do mesmo modo que os professores e alunos dividem os mesmos contextos, não são estranhos um para o outro. Se o professor, a direção, a coordenação pedagógica, o currículo escolar não levam a mídia à sala de aula, o aluno leva, por meio de exemplos verbalizados durante a aula, conversas paralelas, estampas de caderno…O que o professor pode fazer é falar a mesma língua do aluno.

 

  1. No descritivo da oficina que irá ministrar no ano que vem aos professores do Diário na Escola você cita “problematizar as mensagens midiáticas”. O que será abordado?

Na oficina, discutirei os modos como as mensagens veiculadas pelas mídias interpelam os sujeitos, servindo de referência para a construção de suas identidades e modos de ver e estar no mundo.

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A tecnologia a favor do ensino

A internet já faz parte da nossa rotina de vida, seja no trabalho ou nos contatos pessoais. Devido a esse contexto, mais do que saber usar o computador em sala de aula, o professor precisa estar capacitado para auxiliar e orientar os alunos. O desafio é saber como usar os novos recursos tecnológicos a favor do ensino. Lutar contra a presença deles não é mais visto como uma opção. Para falar sobre esse assunto, convidamos a jornalista e especialista em tecnologias na aprendizagem, Talita Moretto. Em nosso bate-papo ela fala como o uso da mídia online pode ser proveitoso no estudo interativo de conteúdos, tornando-os atraentes e fazendo com que o estudante adote uma postura mais participativa.

1. O DIÁRIO NA ESCOLA: A partir da sua experiência profissional, quais as maiores dificuldades você tem observado que os professores encontram quando o assunto é o uso da tecnologia em sala de aula?

Talita MorettoTALITA: Algumas dificuldades são diferentes dependendo da rede de ensino, da instituição (equipe gestora) e da abertura do professor. Se conversarmos com professores da rede pública, a falta de estrutura, de equipamentos e, principalmente, conexão à internet são dificuldades apontadas pela maioria. Estas dificuldades, embora existam, são menores na rede particular.

No entanto, o problema maior é que mesmo quando a escola está equipada, não existe preparo dos professores. O que falta, na minha visão, não é apenas estrutura ou formação é, principalmente, apoio da equipe pedagógica da escola, suportada pelos gestores da educação, para “tranquilizar” os professores a respeito do uso de tecnologia. E esse apoio deve começar no planejamento pedagógico e chegar até a reconfiguração da sala de aula. É necessário um esforço conjunto para estruturar salas de aula e formar professores que estejam preparados para as inovações proporcionadas pela tecnologia.

Daí você me pergunta: todos os alunos irão utilizar adequadamente se a tecnologia fizer parte do planejamento? É claro que não. Mas me diga se existe uma turma perfeita, onde todos os alunos fazem o que o professor pede, respeitam a aula e o espaço? Estamos falando de pessoas, de jovens em formação, com perfis diferentes. A perfeição nunca existirá, com ou sem tecnologia.

2. De que forma o educador pode incluir a internet no planejamento pedagógico? Seja na preparação da aula ou mesmo em uma atividade prática com os estudantes no ambiente educacional informatizado.

Existem inúmeras formas. Hoje, devido à facilidade de conexão à internet e acesso barato aos dispositivos eletrônicos, inevitavelmente, o aluno irá utilizar a internet nos trabalhos escolares. É isso que o professor precisa compreender: que a sociedade proporciona essa situação e o aluno não está fora dela.

O professor pode usar internet o tempo todo na preparação de suas aulas. A web é uma fonte de pesquisa riquíssima, onde estão disponíveis inúmeros recursos educativos digitais, ferramentas, aplicativos, e-books que deixam a aula mais atrativa. Por que não aproveitar este material que, em sua maioria, é gratuito?

Quando usar a internet na escola (ou sugerir seu uso em tarefas de casa), o professor deve atuar como orientador. Primeiro, deve mapear os sites que os alunos devem consultar para encontrar as informações desejadas, e também deixar que os próprios alunos façam suas contribuições indicando outros sites que eles conheçam. E, claro, checar se a fonte é confiável, junto com os alunos. Só então levá-los ao laboratório de informática, colocá-los em duplas ou trios (isto é muito importante, pois pedir que os alunos façam a atividade sozinho é como bloquear a construção de conhecimento) e conduzir o desenvolvimento da pesquisa/atividade. Pode até mesmo utilizar atividades online, criar uma webquest ou propor um game. Existem muitos sites educativos especializados em cada disciplina escolar, que podem ser bem aproveitados na educação. Mas é preciso navegar na web para conhecer todo o potencial que ela oferece.

 3. Após a inclusão da web em sua rotina de trabalho, que resultados o professor poderá constatar no desenvolvimento escolar dos alunos?

Isso depende. Não existe uma receita que, se seguida, resultará em um único resultado. O que podemos garantir é que o professor, fazendo o uso da internet junto com os alunos, terá condições de conhecer como o aluno utiliza a internet com propósito pessoal e, a partir disso, ter mais ferramentas para organizar suas aulas de modo que todos fiquem interessados pelo conteúdo e pela disciplina, poderá orientar melhor as pesquisas online, estará apto para indicar sites seguros e com informações confiáveis, conseguirá abordar com mais facilidade temas como, segurança online e direitos autorais, etc. Trata-se de adequar-se ao perfil do aluno, da mesma forma que uma loja de roupas adequa seu “produto” aos gostos do cliente e de acordo com a moda atual. É falar a mesma “língua”, ou melhor, deixar o diálogo fluir com mais naturalidade.

oficina Talita4. Em muitos casos os estudantes têm maior habilidade do que o educador em acessar os programas do computador ou mesmo páginas da internet. Como esse fator pode ser utilizado para contribuir com as atividades em sala?

Deve ser aproveitado em sua totalidade. O aluno torna-se parceiro do professor. Não há motivos para ficar receoso porque o aluno sabe mais sobre determinado recurso do que você. O papel do professor continua imprescindível em sala de aula, e se ele estiver preparado para aceitar o apoio dos alunos, todos tendem a crescer. Isso evita ter que passar um conteúdo que o aluno já sabe, ou perder horas tentando entender uma ferramenta que o aluno domina e que ele mesmo pode ensinar aos colegas a utilizar. Envolvendo o aluno, dessa maneira, nas atividades, não haverá dispersão; é dar a ele autonomia e sentimento de pertencimento ao ambiente escolar. O aluno terá compromisso consigo mesmo, com os colegas, com o professor e com o aprendizado. Isso funciona!

5. Como o professor pode orientar crianças e adolescentes para fazer o “bom” uso da web? Pois, na maioria das vezes, a tecnologia é usada por eles somente para o acesso às redes sociais ou aplicativos de bate-papo.

Os alunos usam o que conhecem, o que aprenderam a usar, o que veem outros (adultos) usando, o que veem na televisão. Se ninguém mostrar a eles outras formas, como saberão que existem? Então, não adianta criticar esse uso, criticar que aluno só sabe usar redes sociais e etc. sem conversar com ele a respeito. O jovem ainda está em formação, é preciso mostrar como utilizar para o ensino, para os estudos. A maioria dos familiares não fará isso porque nem eles sabem, e se o professor se negar a fazer, não adianta criticar a conduta do jovem.

6. Parte dos educadores que atuam nos espaços escolares não foram preparados na graduação para usar a tecnologia que temos no mercado hoje, em suas aulas. Que dicas repassaria para esse tipo de profissional que precisa se adequar a uma nova realidade?

Se analisarmos um professor que está há mais de oito anos em sala de aula, com certeza, não foi preparado. Até mesmo hoje eu conheço poucos cursos que inovam, de forma significativa, a ementa e inserem essa parte no currículo. O único caminho para os professores é a formação continuada, fazer cursos de aperfeiçoamento e, principalmente, ter interesse e vontade de se aprimorar. Essa formação nem sempre virá dos órgãos públicos. Então, como qualquer outro profissional (médico, contador, farmacêutico, cozinheiro) é necessário buscar seu aperfeiçoamento, e pode começar em casa mesmo, tendo interesse em explorar os recursos tecnológicos, conhecê-los. Não existe outra forma. O que falta, para muitas pessoas, é aceitar que a inovação é constante, não há como prever e nem culpar alguém por isso. A internet não é ruim, a tecnologia não é ruim, o que pode torná-la ruim é o uso inadequado. Então, é melhor aprender como usar e tirar benefício disso.

 

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Histórias do tablado

Foto AbreApós se aposentar, a professora Edna Mendonça sentiu a necessidade de contar as muitas histórias ocorridas em sala de aula. Momentos engraçados, tristes, de superação, uma verdadeira lição de amor ao magistério. “O livro parecia que foi se escrevendo sozinho e surgiram vinte e seis dicas de como o professor pode se relacionar melhor com seus alunos”, conta. A obra ainda aborda assuntos como viagens com os alunos, alfabetização, inclusão, aluno especial, bullying, professor doente, disciplina, como passar em concursos e muito mais.

No magistério quando um professor se aposenta a escritora diz ser tradição passar sua herança profissional aos professores que ficam. Edna optou por compartilhar através do livro “Histórias e Dicas da Professora Edna”, dividindo não só momentos como também preciosas dicas de como aprendeu, na prática, a se relacionar com estudantes e organizar o dia a dia na sala de aula. Surgiu assim o livro narrado de forma leve e informal. Os pais também se identificarão com as situações escolares de seus filhos e como ajudá-los.

 

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: Esta é a sua primeira obra. Antes da aposentadoria, se imaginava uma escritora?

EDNA: Nunca pensei em ser escritora. Sempre tive facilidade em fazer redações na escola e na faculdade, mas escrever um livro não estava nos meus planos. Estou realizando um sonho o qual não sonhei. Primeiramente quando me aposentei me deu uma urgência de não perder as minhas histórias. E se o tempo passasse e eu esquecesse ou não conseguisse mais dar valor ao que vivi? Parecia-me que minha história tinha sido tão linda! Eu tinha vivido tantas coisas legais junto com meus alunos e se tudo isto se perdesse? Pensei, vou escrever! Assim surgiu o livro.

 

  1. Durante o processo de escrita do livro, quais foram os maiores desafios?

Foi até engraçado, nos primeiros dias de aposentada comecei a escrever, mas não contei para ninguém. E se eu não conseguisse escrever o livro até o fim? Como ele é biográfico parecia que jorrava de mim. As ideias iam surgindo tão rapidamente que minhas mãos pareciam não acompanhar no teclado do computador. Comigo o processo de escrita foi bem tranquilo. Todo dia cedinho escrevia durante umas duas horas e depois ia fazer as atividades normais do meu dia a dia. Em dois meses o livro estava pronto. Quando passei da metade e vi que era capaz de ser uma escritora comecei a contar para a família e amigos. Quem escreve um livro, escreve dois. Logo em seguida fiz outro, infanto-juvenil, que está guardado em meu computador. Também publico crônicas, poesias e textos em minha rede social. Se juntar tudo, tenho material para mais um livro.

 

  1. Como você avalia sua relação com os alunos durante sua carreira profissional nas escolas? Acredita que eles serão parte do público leitor da sua obra?

Nunca tive problemas com meus alunos, sempre os considerei meus amigos. A base de tudo é o amor. Primeiro eu amava ir à escola dar aulas. Quando você está ali satisfeita os estudantes sentem isto. Eles sabiam que eram importantes para mim, que eu me interessava se eles estavam aprendendo e se estavam bem. Hoje encontro alguns já adultos que me reconhecem e me tratam com o maior carinho. Os adolescentes das minhas últimas turmas são meus amigos nas redes sociais, estão festejando meu livro e nossas histórias. É gratificante encontrar um aluno e ele vir te dar um abraço e dizer que sente saudades de você.

 

  1. Aos pais, de que forma suas histórias irão contribuir na relação educacional com os filhos?

Os pais foram alunos ontem e hoje acompanham seus filhos nas mesmas situações escolares. Muitas dicas que dou para um bom relacionamento dos professores com os estudantes servem também para relacionamento de pais e filhos. Eu tenho uma filha na escola e me coloco no livro como mãe também. Abordo temas atuais como alfabetização, inclusão, bullying, disciplina, sinceridade, gosto pela leitura, adoção e muito mais. Todos esses assuntos são abordados através de histórias de fatos vividos na escola. Os pais saberão como a educação está funcionando hoje e, assim, poderão ajudar seus filhos.

 

  1. Que mensagem deixaria aos professores que atuam dentro dos espaços escolares e que, por vezes, se sentem desanimados com os desafios da educação?

Fui uma professora que amou e ainda ama a profissão que escolheu. Eu não sou conhecida como muita gente famosa ou heróis. Sou apenas uma professora, mas que do meu jeito fiz muitos feitos históricos. Cada dia era uma batalha do bem e eu partia rumo à escola com uma missão importantíssima, ensinar tanta gente que me esperava. Nossa profissão é linda e tão importante. Nós devemos ser os primeiros a valorizá-la através de uma aula bem dada e ensinar aos nossos alunos o tanto que ela é fundamental. Afinal, eles serão o nosso futuro.

 

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Palestra aborda aprendizado e tecnologia

A convite do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Noroeste do Estado do Paraná (Sinepe/NoPr), Isabel Parolin esteve em Maringá durante evento de educação para ministrar aos professores o tema “A aprendizagem e o ensino em tempos hipermodernos”.Foto Abre

Como promover o aprendizado diante de tantas inovações tecnológicas? Essa é uma questão que aflige muitos profissionais da área da educação. Isabel conta que os valores atribuídos ao mundo do consumo, da rapidez e do descartável modificaram alguns encaminhamentos educacionais no seio da família, fato que repercute no dia a dia da escola. Em alguns casos, inclusive, a simbologia de pais, chefe e idoso, foi perdida.

Em sua fala, a palestrante aponta que é na escola que a criança tem seus encontros sociais, por isso, aquilo que é ensinado dentro da sala de aula precisa ser potencializado na sociedade. O que tem acontecido é que as pessoas recebem muita informação diariamente, mas estão tendo pouca evolução no que se diz respeito ao conhecimento.

“Grande número de pessoas utilizam a tecnologia para mediar suas relações sociais e, mesmo os mais resistentes, acabam cedendo às suas facilidades e rapidez. Os aplicativos de bate-papo, hoje, têm o mesmo efeito agregador que tinham as praças dos tempos antigos – um lugar de encontro. Contudo, todo o arsenal que a web oferece só se configurará como um instrumento no desenvolvimento pessoal e comunitário se as pessoas conseguirem estabelecer relações educativas através dessas mediações”, ressalta Isabel.

Roseli Messias é mãe de um menino de oito anos e reclama que seu filho só tem conseguido dormir muito tarde, quando vai brincar com outra criança é sempre utilizando o tablet e, algumas vezes, deixa o dever de casa sem fazer por passar boa parte do tempo nos jogos virtuais. “Com isso, ele tem sido um aluno desatento, sonolento e sem rendimento escolar. Eu e o pai dele estamos proibindo o uso da tecnologia para que ele melhore o desempenho em sala de aula”, conta.

A ministrante enfatiza que o desafio da escola de hoje é provocar as aprendizagens que humanizam e promovem inserção social, entendendo os limites e as conquistas dessa geração que é conectada, mas impaciente, hiperativa, mas com atenção limitada a pequenos intervalos de tempo, que não pensa em linearidade, mas em descontinuidade, que tende as multitarefas, que vive no senso de urgência, aliada ao fato de usarem as novas tecnologias com melhor desenvoltura que seus educadores, mas que precisa de ajuda para focar no aprender.

“A escola detém uma qualidade de valor inestimável a essa geração – a possibilidade do encontro e das trocas presenciais – face a face, algo que tem sido deixado de lado devido aos contatos apenas virtuais”, ressalta Isabel.

A psicopedagoga finaliza afirmando que apesar da forma de se relacionar ter mudado, as crianças e jovens precisam estabelecer relações com qualidade, que garantam um modo de viver e conviver de acordo com os valores que sustentaram, historicamente, as organizações sociais até os dias de hoje. “Para exemplificar, não é por que uma criança tem desenvoltura surpreendente diante de um iPad que ela poderá deixar de almoçar ou fazer suas tarefas”, conclui.

A professora Márcia Cristina Bueno diz que após ouvir a fala da ministrante percebeu que o educador tem que sair de casa não pensando que vai dar aulas, mas que irá formar cidadãos. “O conhecimento é o grande libertador da sociedade. A família merece atenção, deve ser instruída. O professor tem um papel educativo essencial.”

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Jornal Escolar – Eu fiz!

capa - jornal escolar“As diversas atividades que envolvem a construção do jornal escolar são extremamente importantes, pois colocam os educandos diretamente em contato com os processos de oralidade, leitura e escrita, evidenciam de forma muito clara a utilização de recursos tecnológicos no processo de produção e divulgação do conhecimento e, por consequência, enaltecem ainda mais a importância da disciplina de informática educacional nas escolas”, destaca o professor da Ambiente Educacional Informatizado (AEI), Jair José Gregório Junior.

Jair leciona na Escola Municipal Dr. Luiz Gabriel Guimarães Sampaio, em Maringá, e foi um dos educadores da rede desafiados a produzir um jornal escolar com as crianças. Ele conta que, assim como proposto pela secretaria de educação do município, o impresso foi organizado pelos alunos dos quartos e quintos anos. Nesta proposta, os professores regentes dos primeiros, segundos e terceiros anos, junto com os das disciplinas de inglês, arte e educação física realizaram pesquisas e atividades com os estudantes a fim de publicá-las no jornalzinho. Mas quem fez todo o trabalho de seleção e edição do conteúdo, foram as turmas responsáveis pelo projeto.

“É importante salientar que o processo de confecção do jornal escolar não ficou restrito apenas a mera reprodução de atividades já produzidas por outras turmas. Isso foi apenas uma parte do trabalho. Cabia também aos alunos organizadores, dos quartos e quintos anos, a produção de textos relatando fatos acontecidos na escola como, por exemplo, apresentações artístico-culturais, reuniões, aulas de campo, entre outros. Essas produções foram realizadas muitas vezes de forma coletiva e com a mediação dos professores”, explica Jair.

Após a conclusão do trabalho no ambiente informatizado foram impressas várias cópias do jornal a serem entregues para a comunidade escolar. Para que um maior número de pessoas tivesse acesso ao trabalho realizado, alguns exemplares ficaram expostos nos murais de atividades produzidas na escola. O professor responsável pelo projeto disse que a satisfação dos resultados foi bastante grande, além dos elogios recebidos por parte equipe da secretaria municipal de educação, que propôs a ele o desafio.

 

ENQUETE

Os alunos dos quarto ano realizaram uma enquete com os do primeiro para saber qual a cantiga de roda preferida da turma. Após a apuração dos dados, os estudantes produziram um gráfico no ambiente informatizado que ilustrou o resultado e foi publicado no jornal escolar.

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A dificuldade em aprender

Foto AbreEm toda sala de aula há estudantes que aprendem com mais facilidade e outros que têm dificuldade para acompanhar as lições. Ninguém está a salvo de tirar notas baixas vez ou outra. Mas o que fazer quando os problemas são persistentes? O bate-papo de hoje na coluna do Diário da Escola é com a neuropsicóloga, Dra. Cristiana Bolfer que é especialista em Neuropsicologia pelo Instituto Central da Faculdade de Medicina de São Paulo (ICFMUSP), mestre e doutora em Neurologia pela Faculdade de Medicina de São Paulo (FMUSP). Na entrevista ela fala sobre como os pais e a equipe escolar podem auxiliar no desenvolvimento do aluno que apresenta defasagem no aprendizado.

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: Casos de transtornos de aprendizado, infelizmente, são cada vez mais comuns. De que forma se constata que mais do que um mau comportamento ou desinteresse, o estudante sofre de algum distúrbio?

Dra. Cristiana: Os pais começam a perceber as dificuldades de seus filhos, inicialmente, na leitura e na escrita. Essas dificuldades, muitas vezes, são relatadas pela escola quando se inicia o processo propriamente dito da leitura e escrita, ou seja, no 1o ano do Ensino Fundamental.  Não havendo nenhum tipo de intervenção a criança pode mostrar desinteresse já que não consegue alcançar os objetivos propostos naquele momento. Algumas crianças calam-se diante de suas dificuldades enquanto outras apresentam comportamentos inadequados. Nos dois casos podem significar que estão “gritando” por socorro.

  1. Quais os principais fatores que fazem essa criança ou adolescente apresentar a defasagem no aprendizado?

Primeiro vamos entender, resumidamente o que são dificuldades do aprendizado e transtornos do aprendizado. As dificuldades abrangem um grupo de problemas que podem alterar a capacidade da criança aprender – independentemente de suas condições neurológicas – que podem ser: fatores emocionais (depressão, ansiedade, bullying); escolares (metodologias inadequadas para série e idade do aluno, espaço físico inadequado para uma boa relação com a aprendizagem, professores sem preparo para atender seus “clientes”); transtornos orgânicos (dificuldades visuais e auditivas, distúrbios do sono, distúrbios motores) ou fatores socioambientais (ausência de estímulo, muita cobrança em casa ou na escola pelo desempenho acadêmico da criança ou adolescente que não está conseguindo suprir as demandas propostas). O segundo são as chamados DIS: Dislexia (prejuízo na leitura), Disortografia (prejuízo no entendimento do som da letra relacionado a sua grafia), Disgrafia (escrita ilegível) e Discalculia (prejuízo na matemática). Diante disso podemos acreditar que a criança ou o adolescente que apresentar tanto dificuldades como transtornos do aprendizado necessitarão de auxílio, com profissional especializado, para uma vida acadêmica e social adequadas.

  1. Entre os casos de distúrbios que já acompanhou, ao fazer uma avaliação, quais deles são mais comuns?

O primeiro transtorno sem dúvida é a falta de atenção que desencadeia outros transtornos de aprendizado. Nem toda a criança que apresenta desatenção pode ser diagnosticada com o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Ressalto mais uma vez a importância do diagnóstico com profissionais especializados.

  1. Um estudante com dificuldade em aprender, pode ser considerado com inteligência abaixo do normal?

Considerando a deficiência intelectual como transtorno do desenvolvimento com grandes restrições sociais, acadêmicas e profissionais (podendo gerar perigos aos cuidadores) e com alto risco psiquiátrico e delinquência aí sim o indivíduo não terá muitas oportunidades para o aprendizado. Mas o indivíduo (criança, adolescente e adulto) pode apresentar dificuldades ou transtornos em algumas áreas do aprendizado o que não significa inteligência abaixo do normal. Muito pelo contrário. Existem crianças que vão muito bem oralmente mas não conseguem se expressar na escrita e apresentam  inteligência acima da média o que é confirmado em vários estudos nacionais e internacionais.

  1. Qual a melhor forma para o professor ajudar o aluno com distúrbio de aprendizado?

A escola de forma geral pode e deve atuar em colaboração com a família e com os profissionais especializados permitindo algumas modificações que possam determinar uma maior motivação e aprendizado do portador das dificuldades e dos transtornos da aprendizagem. O professor deverá ter conhecimento básico sobre o desenvolvimento infantil entendo o que é esperado para a idade e série que está lecionando como também o conhecimento básico dos transtornos do aprendizado e, é nesse momento que entraria na escola, um profissional especializado para auxiliar os professores dentro da neurociência, a chamada “Neurociência em sala de aula”.

  1. E os pais? De que maneira podem contribuir com a evolução no caso desse filho com defasagem?

Na maioria dos casos, diante de um portador do distúrbio do aprendizado, as intervenções apenas na escola são insuficientes, muito embora frequentemente, os professores e coordenadores da escola sugiram, inicialmente, reforço e algumas modificações unicamente no próprio ambiente. Os familiares devem ser orientados a respeito dos conhecimentos mais atuais do distúrbio, com o objetivo de que compreendam as dificuldades apresentadas, diminuindo o sentimento de culpa em relação aos insucessos e que ajudem para que o tratamento seja o mais eficaz possível.

  1. Que mensagem deixaria para os pais e para a equipe escolar que acompanha crianças e adolescentes com casos de distúrbios de aprendizado?

É fundamental que os pais compreendam que devem atuar de modo ativo e colaborativo em relação à escola, estando atentos às queixas trazidas pelos professores e devem entender que os professores e coordenadores pedagógicos são aliados aos cuidados com seu filho. A relação da família com a escola e a educação do seu filho é um fator indispensável para o sucesso da criança. Os pais devem ser encorajados a intensificar a comunicação com a escola e vice-versa, procurando atuarem como facilitadores no desenvolvimento tanto escolar como pessoal da criança.

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Resultado: Estudantes produzem jornal mural

Na Escola Municipal Tancredo Neves, em Doutor Camargo, os exemplares do Diário além de serem um material informativo, fazem parte do processo de aprendizagem dos alunos. Semanalmente a professora, Rosângela da Silva Oliveira realiza atividades que proporcionam às crianças o estudo do conteúdo didático aliado aos textos de circulação social.

“O jornal em sala de aula proporciona subsídios para que os estudantes possam praticar a leitura e compreender os diferentes gêneros textuais, com isso entendem assuntos do cotidiano, de uma forma mais simples. Percebo que ao ler o Diário o aluno interage com a realidade e faz reflexão sobre as notícias”, enfatiza a Rosângela.

Após meses de trabalho com o impresso, as crianças já identificam os elementos que compõem a capa e os cadernos de conteúdo. Em uma das manhãs de atividade com o material, a professora solicitou que, como de costume, cada aluno realizasse a leitura das matérias publicadas.

“Eu adoro o momento de produção com o Diário, porque sempre descubro coisas interessantes e volto para casa bem informada”, conta a estudante, Alexia Vitória Lima Neves.

Ao constatar que as crianças estavam preparadas para um desafio maior, Rosângela as dividiu em grupos e repassou a proposta da aula, a produção de um jornal mural. “A partir deste momento a classe toda se empolgou pela oportunidade em criar textos da cidade em que vivem”, relata a professora.

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Para isso, cada grupo ficou responsável por uma parte do impresso. Com o nome “Jornal da Tarde” os alunos escreveram notícias para os diferentes cadernos, entrevista pingue-pongue, gráficos, previsão do tempo, anúncios publicitários e classificados.

A estudante Juliana Bezerra fala sobre a diversão em criar os conteúdos. “A sala toda interagiu e discutimos sobre os temas a serem publicados”, e a colega Camili Silva de Oliveira completa, “com a leitura do Diário eu aprendi a escrever palavras novas e melhorei a minha pronúncia”.

Depois de todos os textos prontos, as crianças fizeram a diagramação do material com desenhos e imagens ilustrativas, não esquecendo do destaque para o cabeçalho e para as manchetes. “Foi um trabalho maravilhoso, ver o resultado me deixou cheia de orgulho”, ressalta a professora Rosângela.

Para que toda a equipe da escola tivesse a oportunidade de se manter informada sobre as notícias e os anunciantes de Doutor Camargo, o “Jornal da Tarde” ficou em exposição para leitura.

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Reescrevendo o jornal

Os professores participantes do Diário na Escola buscam aliar os conteúdos do currículo escolar às atividades com o jornal. Exemplo disso pode ser visto na produção desenvolvida pela professora, Valéria Nunes que leciona na Escola Municipal Alfredo Sofientini, de Astorga. “O livro didático trouxe a proposta de trabalhar a reescrita. Para deixar a dinâmica mais interativa decidi propor aos alunos que reescrevessem textos e legendas de fotos publicadas no Diário”, conta Valéria.

2014-07-23 16.52.40“Este tipo de proposta oferece à criança reflexão sobre a escrita, dando ênfase para uma interpretação clara e objetiva do assunto em questão, algo que auxilia a compreender o texto original”, comenta a coordenadora pedagógica, Nelcy Roque Cornicelli.

Valéria ressalta nessa atividade os alunos passaram a conhecer de forma mais detalhada a estrutura do impresso e se sentiram motivados com o trabalho associado ao livro didático. “Eles conseguiram desenvolver, na prática, a proposta do currículo escolar, com isso houve maior interesse por parte da turma, pois eles não só imaginaram um exemplar do Diário – como era o costume antes do acesso ao material – mas também puderam manusear.”

“Esta aula me esclareceu o que é legenda e o que é texto chamada, por serem frases curtas eu não percebia a diferença entre eles”, comenta o aluno Alisson Mateus Pereira do Santos.

Foto SubmancheteA estudante, Maria Eduarda da Silva Viana fala sobre a experiência da reescrita. “Foi divertido, porque antes eu me atentava somente à leitura do Diário, mas desta vez tive o desafio de criar uma nova legenda e sentir como é o trabalho de quem faz isso todos os dias.”

A professora destaca que as crianças já estão bem familiarizadas com o jornal, mas que a cada nova proposta didática com o material ela é surpreendida com bons resultados. A aluna, Nathália Ribeiro Marqueta enfatiza que toda semana já espera o dia em que vai poder trabalhar com o Diário, “adoro estar por dentro das novidades.”

“O uso do impresso na escola favorece a interação do aluno com a realidade social, a vivência e reflexão da atualidade, o tornando um ser ativo e participativo. O material se constituí ainda como um excelente meio de promover o saber-fazer, de valorizar o trabalho em equipe, e sobretudo, de  praticar a Língua Portuguesa em  situações reais de comunicação. O Diário na Escola tem sido de grande valia em sala de aula, como uma ferramenta pedagógica a mais na prática do professor”, conclui a secretária de educação de Astorga, Neuza Maria Julião Fortunato.

 

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O jornal impresso como recurso pedagógico

SAM_2759Alunos do quinto ano da Escola Municipal Messias Ferreira Barbosa, de Floresta, tiveram uma manhã diferente. Além da aula da professora Adriana Xavier também receberam a equipe do Diário na Escola para desenvolver atividades com o jornal impresso. “Nosso objetivo é compartilhar experiências e conhecer o público que atendemos. Estar perto de estudantes e professores integra as propostas do Programa. A cada visita, percebemos o quanto o jornal pode contribuir no trabalho pedagógico”, destaca a coordenadora do Diário na Escola, Loiva Lopes.

Entre os desafios das propostas aplicadas, os alunos vivenciaram na prática um pouco da rotina de um repórter. As crianças receberam um questionário com as perguntas que deveriam ser feitas ao entrevistado e, em seguida, buscaram um colega para realizar a dinâmica. “Gostei da experiência. Nunca tinha pensado em seguir carreira nesta área, mas percebi que é uma profissão que combina comigo. Agora estou ansiosa para chegar em casa e entrevistar meus pais”, conta a aluna Tayná Cristina Tavares.

Os estudantes foram informados sobre quais são as perguntas-chave para a produção da notícia: O quê? Quando? Onde? Como? Quem? Por quê? Conhecidas também como lide. A partir disso realizaram a leitura do Diário e identificaram dentro das matérias em qual parte do texto estavam as respostas para as questões acima.

“Esta foi a tarefa mais difícil. Percebi que preciso ler com mais atenção, porque depois que consegui encontrar o lide ficou mais simples entender a notícia”, comenta o aluno Bryan Furlan Franklin Trentini.

A professora ressalta que desde o início dos trabalhos com o jornal houve grande interesse por parte dos estudantes. “A oportunidade de conhecer algo novo os encantou, entre a turma toda apenas uma aluna recebe o jornal em casa. Com isso percebo vontade em desenvolver as propostas didáticas, e uma melhora nos resultados em sala devido à intimidade que estão criando com o material.”

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Executiva de TI produz trilogia com enredo eletrizante

Quem poderia imaginar que uma executiva de tecnologia da informação (TI), depois da rotina diária de trabalho, ainda chegaria em casa com inspiração para transformar uma paixão da infância em trabalho? Assim é a vida da escritora Ana Eduarda Chiarato Nicolozzi, que em horário comercial atua no setor de serviços em tecnologia, de uma multinacional paulista, mas fora do escritório mergulha em um universo fictício. E é através da escrita que propõe aos seus leitores uma viagem intelectual.

Desde criança Ana Eduarda já mostrava encanto pela literatura e contos clássicos. Através do contato com os livros teve a iniciativa de participar de seminários que aumentaram seu conhecimento e domínio quando o assunto é redação.

Ao passar dos anos, a autora começou a produzir conteúdos de cunho educacional, no formato de histórias em quadrinhos. Esses materiais foram direcionados ao público infantil, e abordavam temas relacionados ao esporte, à alimentação e à sustentabilidade.

Decidida a buscar voos mais altos e traçar uma carreira de sucesso na ficção, em 2011 Ana Eduarda lançou a trilogia “Enigma das Fronteiras”, material produzido em três volumes – “Céu, Terra e Inferno” – com um enredo eletrizante que provoca reflexões e emoções sobre criaturas que estão no imaginário popular. As obras também falam de batalhas entre seres do bem e do mal, e o amor entre um anjo e um ser humano. O que promete mexer com a crença e o imaginário dos leitores.

ANA EDUARDA

 

Convidada a uma entrevista para a coluna do Diário na Escola, Ana Eduarda nos contou sobre a paixão pela literatura, as formas de motivar as crianças a gostarem de ler e os desafios de quem se arrisca a publicar ideias e sentimentos, no papel.

 

O DIÁRIO NA ESCOLA: Executiva em tecnologia, de onde surgiu a interesse pela área literária?

ANA EDUARDA Livros sempre foram parte de minha vida. Desde pequena, amo ler. Minha lembrança mais remota – e deliciosa – foi quando ganhei uma coleção de livros infantis do meu pai, contos em geral, e depois de cansar de ler eu os colocava em formato de amarelinha, e pulava em cima deles. Por volta dos 16 anos, comecei a escrever as primeiras coisas, que eram as continuações de livros que eu adorava. Como não queria que as histórias acabassem, escrevia algumas continuações da forma que as imaginava.

A vida profissional na área de Tecnologia da Informação sempre caminhou junto com o mundo literário e essa minha paixão e sonho de escrever, uma servindo de apoio à outra. Aliás, a habilidade da comunicação escrita sempre me ajudou muito, também,  na minha ocupação atual. Por isso é que as considero complementares, partes de mim.

Qual a principal dificuldade que enfrentou ao escrever suas obras?

Inicialmente, é difícil escrever a primeira palavra, a primeira frase de um livro. É necessário relaxar e deixar as ideias fluírem, do jeito que aparecerem. Tem que se libertar das convenções, e deixar acontecer. Depois, é muito difícil saber a hora de parar de escrever, ou seja, terminar a história. É como deixar um filho livre e solto no mundo, vivendo por sua própria vontade. No livro, dá o desejo de continuar e continuar, revisar milhões de vezes e nunca mais largá-lo. Eu escrevi três finais para a trilogia. Somente no terceiro, fiquei um pouco mais satisfeita, mas mesmo assim, foi difícil colocar o “ponto final” final!

No Brasil, é possível sobreviver atuando unicamente como escritora?

As condições de incentivo e o próprio mercado de leitores são maiores nos países de economia mais madura, o que facilita bastante o lançamento de livros e ideias novas. Certamente, as pessoas estão mais prontas e mais ávidas para a leitura, fazendo girar melhor essa parte do negócio. De qualquer forma, estou apostando muito no futuro do Brasil, quero ajudar a fazer um país melhor, que incentive a cultura de uma forma geral. Os meus livros têm o objetivo de entreter as pessoas e, com isso, despertar a curiosidade para um mundo novo que se abre com as páginas. Novos leitores, mais cultura, mais educação. Um círculo virtuoso.

Você considera que em nosso país a profissão é desvalorizada?

Acho que poderíamos valorizar mais a arte e cultura em geral, sim. Já dancei ballet por muitos anos, e sei também como é difícil a vida de atores e dançarinos, é difícil encontrar um lugar ao sol. Precisamos de mais programas, de mais financiamento e mais espaço para a divulgação de todo tipo de obras.

Suas obras têm relação com suas experiências de vida?

Não, minhas obras são apenas ficção. Têm um pouco de mim, um pouco de alguns lugares que conheço, pois livros são parte de nós, mas tudo que está lá é parte da minha imaginação e inspiração.

Além de escritora você é mãe. Que iniciativas toma para motivar sua filha a gostar da leitura?

Não há nada melhor do que o nosso exemplo silencioso. Não adianta falar, conversar ou passar sermão. Filhos aprendem pela observação dos pais, da família e do ambiente, pelo que sentem, pelo que captam. Se queremos motivar nossos filhos à leitura, precisamos ler para eles, ler com eles, ler perto deles e mais ainda, nos divertir com a leitura. Lembro-me bem quanto estava lendo o livro “Marley e eu”. Dava tanta risada sozinha das coisas que lia, que minha filha ainda com cinco ou seis anos vinha se sentar ao meu lado para também poder “ler” a parte engraçada.

Mesmo para quem não tem condições de adquirir livros a toda hora, o hábito pode ser adquirido através de revistas e jornais, ao passear numa livraria ou biblioteca, manusear coisas emprestadas de clubes de leitura, e outras opções em que não precisamos gastar um centavo.

Como escritora, qual sua visão sobre a educação atual?

Ainda temos um abismo que separa a educação pública da privada, e isso não é bom. Embora tenhamos excelentes escolas públicas, estas ainda são consideradas uma exceção no País e precisamos melhorar muito os nossos programas e a abrangência da educação. Precisamos incentivar mais nossos professores, desde a remuneração até o seu próprio desenvolvimento, precisamos de mais laboratórios, mais salas, mais infraestrutura, mais tudo.  Não quero parecer pessimista, mas sim, quero ver mais, desejo mais para o Brasil, pois sabemos que é possível fazer melhor do que o que temos hoje. Existem crianças ainda sem uniforme e material escolar, e nós já estamos no final de abril. Fico triste ao saber que o número de leitores brasileiros diminui ano a ano, segundo as estatísticas, fico mais triste ainda ao ler que grande parte de nossa população é analfabeta funcional – aqueles que sabem algumas letras, mas não interpretam um texto. E pior ainda, temos uma boa parcela como analfabetos absolutos.

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