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Pais que ensinam com o exemplo

Um fator muito importante e comprovado pelas estatísticas diz que a cada nova geração o nível de escolarização dos brasileiros tem aumentado. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) do IBGE mostram que a taxa de escolarização da população com idade entre sete e 22 anos aumentou de 62,4% em 1992 para 75,2% em 2009.

Isso significa que os filhos estão indo mais longe e tendo melhores chances de estudo que seus pais. Diante dessa realidade, fica a pergunta: como apoiar as crianças nos estudos quando se tem dificuldades em relação ao conteúdo que está sendo ensinado? Ou, em alguns casos, como dar a eles o exemplo de que é importante e vale a pena estudar quando não se teve oportunidade de frequentar por muito tempo a escola?

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

O auxiliar de metalúrgica, Luiz Carlos de Souza é um exemplo de resposta para os questionamentos acima. Aos 47 anos ele voltou para a sala de aula em busca de conhecimento e apoio ao filho que havia parado de estudar ainda no ensino fundamental.

“Não há dúvidas de que os pais são um modelo de vida para os filhos. E há muitas maneiras de eles incentivarem as crianças nos estudos, mesmo que sua experiência de vida tenha sido diferente”, afirma a pedagoga, Liliane do Rego Silva. Um dos caminhos pode ser voltar a estudar. Afinal, várias pesquisas mostram que quanto mais escolarizados forem os pais, mais serão os filhos. “Já ouvi casos até de avós que voltaram a estudar na terceira idade para estimular filhos e netos que já não estavam motivados a ir à escola. Creio que esse é um grande incentivo, especialmente quando se trata de jovens na fase da adolescência”, diz.

Após mais de 20 anos fora da escola, Luiz retornou à sala de aula, primeiramente, com o objetivo de terminar o segundo grau e poder ser efetivado no trabalho. “Na mesma época, meu filho adolescente tinha abandonado os estudos. Eu vim primeiro para a Educação para Jovens e Adultos (EJA), ao ver meu interesse e a minha busca por um futuro melhor, ele decidiu me acompanhar”, conta.

Gabriel Felipe de Souza, 16 anos, destaca o orgulho que sente do pai. “No passado ele não teve oportunidade de estudar e hoje, mesmo com a corrida rotina de trabalho, ele está à frente de mim nos estudos”. O adolescente que havia desistido da educação por conta de más influências de colegas, atualmente é companheiro de Luiz no caminho para a escola e nas atividades da grade curricular.

“É maravilho ensinar e aprender com meu filho, todo o esforço passou a ter mais valor depois que ele se dedicou a vir para a escola”, fala Luiz. O pai de família relata que de início a trajetória foi difícil. Por muitas vezes não acompanhou o ritmo das aulas, mas nenhum obstáculo o fez desistir, pois aos poucos ele foi constatando melhoras em sua vida. À exemplo da comunicação com outras pessoas, o desenvolvimento da argumentação e o poder de decisão.

“Depois que voltei a estudar minha memória e meu raciocínio se tornaram mais ativos. Incentivo a todos a seguirem a minha iniciativa, superarem seus medos e, assim, adquirirem o conhecimento. Algo que ninguém, nunca, vai tirar de você!”, enfatiza.

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Ociosidade e drogas é tema de aula em Marialva

De acordo com o levantamento do Serviço de Abordagem, da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Sasc), a ociosidade e as drogas são os motivos que mais levam crianças e adolescentes à viverem em situações de rua em Maringá. Os dados também revelam que a maioria dos menores que são encontrados vendendo doces nas ruas, ou mesmo em situação de mendicância, pertence a cidades vizinhas.

Este assunto despertou a atenção da professora Amélia Watanabe Horita, que leciona para os alunos da Escola Municipal Dr. Milton Tavares Paes, em Marialva. “A notícia destaca que a Sasc de Maringá encaminhou 171 crianças e adolescentes para o abrigo provisório do município somente em 2013. Esta é uma realidade que poderia ser a de algum dos meus alunos, por isso decidi discutir o tema.”

Com o objetivo de trabalhar o texto jornalístico e fazer com que as crianças expressassem suas opiniões, Amélia entregou exemplares do Diário para a leitura da matéria, em seguida discutiu sobre o assunto e os estudantes desenvolveram produções textuais argumentando possíveis soluções para o caso de menores que vivem na ociosidade.

“Quando fiz a correção dos textos me surpreendi com os resultados. Por ser um material diferente os alunos adoram o jornal, e isso os motiva a ler e a escrever. Outro fator importante é que a notícia apresenta pessoas com idade similar a deles, o que desperta identificação e interesse pela atividade proposta”, conta Amélia.

A estudante Gabriely Bressa destaca que a oportunidade de ler sobre o que está acontecendo atualmente, a faz ter consciência do que é certo ou não. Assim, aproveita os exemplos para não cometer os mesmos erros.

“Na matéria eu li que têm muitas crianças que passam os dias nas ruas pegando latinha, papelão e lixo. E na verdade, elas estão trabalhando para os pais delas, para os adultos, e isso é muito feio. Lugar de criança é na escola”, enfatiza o aluno Renê Rossatti.

A estudante Ana Paula Nunes comenta que algumas meninas acabam ficando nas ruas e ao crescer nessa situação perdem seus valores. “Muitas vezes elas deixam de lado o amor próprio e para ganhar dinheiro se prostituem. Isso é ruim porque ainda correm o risco de pegar doenças.”

A aluna Larissa de Jesus Souza diz que esses adolescentes que trabalham, ao invés de estudar, acabam se envolvendo com as drogas. “Entrando nesse mundo você se afunda cada vez mais e só terá derrotas. Não vale a pena, pois isso vai te levar ou para a cadeia ou à morte.”

A coordenadora pedagógica Elisa Mara Perez ressalta que o livro didático apresenta a história do nosso passado, e este, aliado ao jornal faz o estudante perceber a mudança que ocorreu na sociedade. “O Diário é uma das poucas fontes de informação que nossos alunos têm, por isso é um material tão valorizado em sala de aula. Além de os manterem atualizados, o impresso ainda desperta a curiosidade das crianças quando trabalhado na interdisciplinaridade”, conta.

OPORTUNIDADE. Jornal O Diário diversifica a metodologia de trabalho em sala de aula e apresenta diversidade de textos

OPORTUNIDADE. Jornal O Diário diversifica a metodologia de trabalho em sala de aula e apresenta diversidade de textos

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História de Rafael vence concurso

No mês em que se comemora o Dia da Criança, o Diário na Escola em parceria com a Livrarias Curitiba, lançou a promoção cultural “Livro também é diversão!”. Para concorrer a seis livros infanto juvenis os participantes contaram como estimulam a leitura nos pequenos, seja filho, neto, sobrinho ou aluno.

DSC00246A vencedora do concurso é Léia Rachel Teixeira de Souza que diariamente lê para o filho de apenas dois anos, Rafael Silvério de Souza. Mas o estímulo à leitura na vida de Rafael começou antes mesmo dele nascer.

Quando Rachel descobriu que estava grávida pesquisou formas de auxiliar o desenvolvimento da criança ainda na barriga. Uma das dicas que encontrou foi justamente a de ler para o bebê.

Guias de gravidez apontam que ainda no ventre a criança pode ouvir histórias contadas pela mãe. Nessa fase o pequeno é considerado um leitor ouvinte, o objetivo não é que ele entenda o enredo, mas que passe a reconhecer a voz da mãe e fortalecer o elo entre eles.

“Depois que Rafael nasceu os presentes eram livros musicais, com ilustrações e até aqueles que pudessem ser manuseados dentro da banheira. Assim ele foi percebendo como as obras eram interessantes e que também poderiam diverti-lo”, conta a mãe.

Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Rachel sempre foi apaixonada por leitura. “Minha mãe trabalhava fora e não tínhamos o hábito de ler juntas, mas sozinha eu fui sentindo a necessidade de procurar os livros, frequentar bibliotecas e sempre levava minha irmã comigo”.

Ela destaca que a leitura é um crescimento pessoal, você passa a ter mais argumentos na hora de escrever e consegue se expressar de forma melhor durante uma conversa. “Os livros além das histórias fictícias, também trazem informações e conhecimentos que vou levar para o resto da vida”.

Rafael vai para a escola desde os seis meses do nascimento. A professora comenta que ele é uma criança bem desenvolvida, comunicativa, que já reconhece personagens e gesticula durante as aulas. “Em casa ele mostra algumas letras, números e cores. Fico encantada!”, diz Rachel.

As leituras para Rafael são feitas todas as noites antes de dormir. Quando a mãe não está lendo para ele, é o pequeno quem pega o livro sozinho e começa a folhear e ler tudo o que está escrito, antes mesmo de estar alfabetizado.

Por muitas vezes Rachel leu as histórias: “Chapeuzinho Vermelho” e “Os Três Porquinhos”, hoje Rafael conta o enredo nas narrativas e até imita o rugido do Lobo Mau.

“Com tantas opções tecnológicas as crianças estão se afastando do contato com os livros. Quero que na vida do meu filho isso seja diferente. Percebo que o hábito da leitura é algo prazeroso para ele, e espero que continue assim”, enfatiza a mãe.

Rachel destaca que além da motivação familiar, a escola tem papel fundamental no estimulo à leitura. “O Rafael tem muito contato com os livros em sala de aula e a professora separa horários na semana para a contação de histórias. Acredito que tendo o exemplo dentro e fora de casa ele será um leitor assíduo, e no futuro tenha o hábito de ler para seus filhos”.

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Professora já começa a preparar alunos para Concurso do Gibi

Na última sexta-feira, dia 20, teve início o prazo de envio das produções para o Concurso do Gibi. Em sua 8ª edição, o desafio é fazer com que a partir da leitura de uma notícia do jornal O Diário, o aluno crie uma história em quadrinhos.

Não querendo perder tempo para o envio das produções de seus alunos, a professora Maria Aparecida Pereira, que leciona para o 5º ano, na Escola Municipal Yoshio Hayashi, em Sarandi já está pondo a “mão na massa”. Ela quer aproveitar todo o conhecimento que adquiriu no Encontro de Capacitação Pedagógico, “Histórias em Quadrinhos: linguagens e ludicidade nas produções textuais”, promovido pelo Diário na Escola. “O encontro me orientou o passo a passo da produção de uma HQ e isso está tornando mais fácil o trabalho com as crianças.”

Motivada pela proposta ela conta como está desenvolvendo as etapas de produção com os alunos. “Solicitei que primeiro escrevessem o enredo da história no caderno e só depois fossem para a parte dos desenhos, o que gerou bons resultados”, conta Maria Aparecida.

Para a realização da atividade a turma escolheu uma matéria publicada em O Diário sobre o tema família. A professora relata que em boa parte das histórias criadas percebeu a ausência dos pais em casa, em alguns casos, o aluno é o filho mais velho, e tem assumido o papel de cuidar dos mais novos.

Maria Aparecida destaca que a leitura semanal do jornal tem sido importante no momento da escrita, “percebo que eles têm mais argumentos, estão mais criativos”.

Agora a turma vai começar a pensar no material que será enviado ao Concurso. O regulamento e folhas oficiais de produção já chegaram as escolas de Sarandi. A partir de agora é mãos à obra! Lembrando que as histórias em quadrinhos podem ser enviadas, via correio, ao Diário na Escola até dia 20 de outubro.

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Escola desenvolve projeto que incentiva leitura familiar

A ideia de sentar ao lado de uma criança e ler com ela um livro infantil ou mesmo jornal, gibi ou revista pode significar uma mudança em seu futuro, abrindo portas para ela se tornar uma pessoa culta e apaixonada pela leitura. Os especialistas em educação chamam esse processo de “letramento”. Trata-se de um ato simples, mas que no cotidiano da família fica esquecido por conta da rotina de trabalho dos pais.

Com o intuito de motivar ações como esta, na qual a leitura familiar se torna uma prática diária, direção e equipe pedagógica da Escola Municipal Maestro Aniceto Matti, em Maringá, criaram o projeto “Viajando no Mundo da Leitura”.

Na última quinta-feira (12) a diretoria da escola apresentou o projeto para alunos, pais e comunidade de uma forma bem inusitada. O pátio da instituição foi todo decorado com itens que compõem uma floresta, como a dos contos infantis. Algumas crianças se caracterizaram de Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Lobo Mau e tinha até os Três Porquinhos. Também não faltou príncipe e princesa, a orientadora Suely e a supervisora Roseneia se caracterizaram, entraram no clima e animaram a garotada.

Cada professor da Aniceto Matti recebeu sua “Maleta da Leitura”, contendo literatura infantil, gibis, revistas e exemplares do jornal O Diário. A dinâmica será a seguinte: o aluno vai levar a maleta para casa e ficar com ela por dois dias para a realização da leitura em família, no terceiro dia ele devolve a pasta para a professora e conta como foi a experiência, inclusive, sobre a participação dos pais. Neste mesmo dia uma outra criança vai levar a maleta para casa e assim segue o projeto, até todos os estudantes terem a oportunidade de participar.

“Queremos resgatar o valor da leitura. Nossos alunos têm apresentado dificuldade de aprendizado e acreditamos que a literatura vai despertar o interesse pelo ato de ler, o que consequentemente, resulta na melhora da escrita da criança”, destaca a supervisora da escola, Roseneia dos Reis Francisco.

A secretária de educação de Maringá, professora Solange Lopes, esteve presente no lançamento do projeto na escola e parabenizou toda a instituição pela excelente iniciativa. “Pesquisas informam que as pessoas estão parando de ler, por isso ações como esta são muito importantes”. Solange também aconselhou os alunos “quando a gente lê, a gente sonha, a imaginação nos leva a lugares que talvez nunca poderíamos ir. Peça para seus pais realizarem a leitura com vocês e os ajudem a viajar pelo mundo imaginário!”.

Suely Martins Gomes de Oliveira é orientadora educacional da Aniceto Matti e enfatiza que o maior propósito do projeto é mobilizar escola e comunidade. “Acredito que os pais são exemplo para os filhos, é importante que eles leiam em casa e que levem as crianças para visitar as bibliotecas municipais, por exemplo, desta forma vão despertar nos alunos não só o interesse, mas o gosto pela leitura”, afirma.

“Quem lê aprende mais, conhece novas histórias e se diverte. Estou ansiosa para levar a “Maleta da Leitura” para casa, ainda mais porque sei que dentro dela tem gibi e eu sou apaixonada por histórias em quadrinhos”, comemora a aluna do 4º ano, Débora Wilhans Zavatine.

A diretora, Darly Maria da Silva Moreira, está esperançosa pelos resultados do projeto. “Espero, realmente, que alunos e pais se apaixonem pela leitura. Temos alguns estudantes na escola que lêem um livro por semana, a intenção é disseminar isso entre as crianças, e quem sabe, motivar outras instituições de ensino a desenvolverem projetos de leitura também”.

No projeto “Viajando no Mundo da Leitura” além das maletas que vão para casa dos alunos, a equipe da escola criou o “Cantinho da Leitura” em cada sala de aula – uma prateleira com várias obras infantis que será utilizada para momentos de descontração entre as crianças ou quando algum aluno terminar a atividade antes de outros. A biblioteca da escola também foi modificada, agora ela é chamada de “Toca da Leitura” – um grande tapete, almofadas e poltrona substituíram parte das mesas e cadeiras, o que deixou o ambiente mais convidativo e confortável.

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A família: tempos difíceis

O Diário na Escola entrevista esta semana a psicóloga que está sendo considerada uma sumidade quando o assunto é comportamento e relacionamento familiar, e o currículo não é pequeno. Conhecida do público por participar do Divã do Faustão (quadro do Programa O Domingão do Faustão), em que faz uma análise de acontecimentos de grande repercussão social, Elizabeth Monteiro é autora das obras; “Criando filhos em tempos difíceis – Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz” (livro esgotado a ser relançado em abril), “Criando adolescentes em tempos difíceis” e da mais recente obra: “A culpa é da mãe – Reflexões e confissões acerca da maternidade” (que já está em sua terceira edição).

Para Betty, como gosta de ser chamada; escrever é uma forma de falar com o outro além das paredes de seu consultório. “Não nasci somente para saborear a vida, mas para deixar uma parcela de contribuição daquilo que sei, àqueles que necessitam”, desabafa.

Pedagoga especializou-se em Psicopedagogia, tendo em seguida se formado psicóloga. Assim como a rotina de muitas mulheres hoje, ao mesmo tempo em que estudava e trabalhava, ela cuidava da família. Casada há quarenta anos com seu primeiro namorado, tem quatro filhos e, até agora, quatro netos.

Atriz e modelo nas horas vagas, Betty trabalha em seu consultório particular, na cidade de São Paulo, atendendo crianças, adolescentes e adultos.

Estuda a História Antiga, viaja em busca de novos conhecimentos – especialmente sobre o homem e outras culturas – fala três idiomas e dá palestras e cursos por todo o País.

Em nosso bate-papo ela falou sobre as relações familiares, as dificuldades enfrentadas por pais e filhos, e as possíveis soluções para esses problemas que afetam a grande maioria das famílias.

1 – Antigamente os três pilares da formação do indivíduo eram a família, a escola e a religião. Hoje, as crianças têm acesso à internet e passam horas expostas em frente à TV recebendo diversas informações. Podemos considerar que a mídia passou a fazer parte desse pilar também?

Elizabeth: Penso que era muito mais fácil educar quando a educação era sustentada pelos três pilares: família, escola e religião. A família buscava a escola e a religião que tinham a sua mesma filosofia de vida, os mesmos valores e crenças, para dar continuidade à educação que desejavam passar aos filhos. Havia coerência. Hoje, a mídia invade os lares e muitas vezes os pais não têm o mínimo conhecimento daquilo que está sendo passado aos seus filhos, jovens e crianças em formação e altamente vulneráveis a qualquer tipo de informação. A mídia é um instrumento que leva ao conhecimento, mas não à sabedoria. Os pais precisam saber quais são os sites acessados pelos filhos, os programas que assistem e assistir TV com os seus filhos, para elaborar com eles as cenas de violência, sexo e morte.  Devem elaborar também o noticiário e proibir certas programações. Em lares onde não existe a vigilância, o diálogo, a presença participativa dos pais, e o desenvolvimento do espírito crítico, a mídia acaba educando. Isso é muito nocivo e perigoso. O pior é que é muito cômodo largar as crianças em frente à TV, expostas a qualquer tipo de cena e de informação. Criança submetida a cenas que estão acima de seu nível de desenvolvimento, são crianças abusadas. O abuso não é somente aquele que a criança sofre sexualmente, mas toda a forma de exposição violenta, em que a criança está sujeita. Também não basta proibir a TV. Os pais precisam oferecer uma outra opção. Ex: Filho, desligue a TV e vamos montar uma casinha com estas caixas de papelão.

2 – Ainda comparando tempos passados com atualidade, percebemos uma mudança no processo educacional familiar. Há cerca de 40 anos a comunicação entre pais e filhos era mais restrita, o pai falava e o filho obedecia. Hoje, isso tem mudado, pais e filhos têm maior interação, e as crianças e adolescentes questionam bastante as ordens que recebem. Qual a sua opinião sobre essa questão?

A diferença entre as duas épocas está no fato de que há anos atrás, os pais tinham papeis bem definidos: ao pai cabia trabalhar e prover a casa, à mãe cuidar da casa e dos filhos. A família era nuclear e patriarcal: pai mãe e filhos.  E o pai era a autoridade. Hoje, as famílias passaram e ainda passam por várias mudanças e diferentes formações. O poder não é patriarcal, a mãe trabalha fora e os pais não sabem exatamente quais são os seus papeis. Hoje o filhiarcado impera e os pais terceirizam os seus filhos, porque não têm muito tempo para eles.

3 – Estamos nos aproximando da volta às aulas. Alguns adolescentes vão cursar o terceiro ano do ensino médio e se preparar para o vestibular. Qual o papel dos pais nessa fase da vida do filho em que este vai escolher a profissão que vai seguir?

A escolha da profissão é algo muito difícil de se fazer, para a maioria dos jovens. Eles mal sabem quem são!!! O papel dos pais, nesta fase, está em proporcionar o maior número de vivências e de informações possíveis ao jovem, o tranquilizando caso ele tema fazer a escolha errada. É bom lembrar que sempre é tempo de ser aquilo que não fomos. Os pais devem apoiar os filhos em suas escolhas e nunca, mas nunca, traçar um destino para eles, ou desejar que eles sejam aquilo que eles mesmos não conseguiram ser.

4 – A tragédia que ocorreu no último dia 27, em Santa Maria/ RS, chocou e mobilizou toda a sociedade. Sabemos que proibir os filhos de sair de casa não é o aconselhável. Que atitudes os pais podem tomar para prevenir seus filhos desse tipo de perigo como o incêndio ocorrido na boate Kiss?

Não dá para ficar tranquilo quando os filhos saem de casa. É fato! Uma simples e rotineira ida à escola pode se transformar em uma tragédia. Também não dá para viver repetindo as regras e os sermões e muito menos fazer vigilância por 24 horas. Prisão domiciliar? Nem falar!… Os pais devem conhecer os amigos dos filhos, os lugares que eles frequentam, os seus hábitos. Marcar horários para a chegada em casa, pedir que os filhos façam contato e, o mais importante: levá-los e buscá-los nas suas saídas. Há muito a fazer para preservar os nossos jovens: cobrar do governo políticas antidrogas, anticriminalidade, acesso à boa educação, saúde e possibilidades de trabalho para o povo. Os pais precisam investir também no conceito de cidadania familiar: pais presentes, cuidadosos, que sejam bons modelos, respeitem os seus filhos, se interessem por eles, os escutem, os eduquem, promovam encontros familiares e nunca os abandonem.

5 – Os pais estão mais tempo fora de casa, e com isso, muitos optam que a criança desenvolva várias atividades no dia; natação, escolinha de futebol, aulas de ballet e inglês. Você acha que essa é a saída para que os filhos tenham uma boa formação?

Hoje em dia é muito comum ver os pais encherem os filhos de atividades, para que ocupem o tempo que os mesmos estão sós, ou então para mostrar aos outros que o filho é o “bacana”. Mostrar aos outros que sabem educar e que o seu filho é o melhor de todos, nesta coisa competitiva pela busca do melhor status. Na verdade não estão preocupados com o filho, mas em desfilar o seu ego inflado. Atendo crianças já estressadas aos 6 anos, devido ao número de atividades. Aulas de inglês, natação, informática, ballet ou judô (só a natação não basta), psicóloga, dentista, e pasmem… aula de brincar… Os filhos não têm tempo livre para brincar sozinhos, para não fazer nada, ou para fazer com calma a lição de casa. Resultado: infância curta, sem brincadeiras e patologias sérias. É bom saber que o número de suicídio infantil aumentou muito nos últimos 5 anos.

6 – Críticas ouvidas durante a infância podem prejudicar o crescimento? Como um pai deve agir para que seu filho cresça sem baixa autoestima?

As críticas na infância podem prejudicar muito o ser que está em desenvolvimento. A criança e o adolescente não sabem quem são. É o adulto quem lhes diz quem são. Os rótulos são venenosos. Quando um adulto diz à criança ou ao jovem que ele é burro, insuportável, preguiçoso, ou malandro, está dando um papel para este ser. O filho tratado como um idiota, será um idiota na vida. Sua autoestima ficará tão baixa, que certamente será um alvo certeiro para ser influenciado pelos outros, andar com maus elementos usar drogas. Uma pessoa com a autoestima baixa, dificilmente será bem sucedida na vida. Existem pais que são incapazes de fazer críticas construtivas.

7 – Como os pais podem conseguir receber os amigos dos filhos em casa, sem serem invasivos, mas mantendo o controle?

É muito bom receber os amigos do filho em sua casa. Você sabe com quem ele anda e fica mais tranquilo. Porém, existem pais que não têm “simancol” e fazem o filho “pagar mico”. Por favor, não faça isso! É claro que você não deve sair de casa, mas deixe-os à vontade! Só aparece de vez em quando, para oferecer algo ou pegar alguma coisa. (Na verdade uma desculpa para você ver o que fazem). Afinal é bom manter “um olho no fogão e outro no gato!”

8 – Os pais lutam para não cometer com os filhos os mesmos erros de seus pais. Você acha que essa fórmula de educar funciona? Pais que receberam uma educação muito severa procuram ser mais liberais com seus filhos, e vice-versa?

Por mais que tentem, geralmente os pais não conseguem deixar de cometer os mesmos erros que os seus pais cometiam. Os pais exercem uma influência (positiva ou negativa) muito grande na vida e na formação dos filhos.  É muito bom ter consciência daquilo que não deve ser feito, mas errar é humano!

9 – Ainda existem pais que gritam e perdem a compostura para conseguir a atenção ou até mesmo a obediência do filho. Que conselhos você daria para eles terem firmeza na educação?

Educar com firmeza e com delicadeza: não discuta problemas se estiver nervoso; explique sempre os motivos das discussões; nunca diga ao seu filho que não gosta dele, mostre-lhe o comportamento que não gosta; mostre sempre o comportamento adequado, dando o seu exemplo: mentir faz mentir, enganar faz enganar, tripudiar faz tripudiar… jamais recorra a tapas, insultos ou palavrões. A gente colhe aquilo que planta. Considere sempre as opiniões e ideias de seu filho, mesmo que não concorde com elas. Nunca negue o que o seu filho sente. Mostre que você é capaz de compreendê-lo, embora pense e sinta de forma diferente. Crie momentos de intimidade com a família, para que ninguém se veja condenado a ter de teclar mensagens, para se comunicar. Se você tem pouco tempo para estar com a família, procure transformar estes momentos nos melhores momentos de suas vidas. Se sentir que errou, peça desculpas! Os filhos aprendem mais com os nossos exemplos do que com os nossos sermões.

10 – Depois do nascimento dos filhos, a maioria dos casais deixa de ter tempo livre para programas a dois. Isso pode interferir na relação e boa convivência de toda a família?

É claro que a chegada de um filho distancia o casal. Porém o casal deve se impor um tempo para o namoro, as viagens, as conversas, as saídas, os amigos e a intimidade. Muitas mães acabam virando mães de seus companheiros também, ou os deixam de lado. O casal precisa estar atento para não se acomodar e deixar o casamento em último plano.

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Diversão com segurança

As férias chegaram, e com ela a agitação das crianças nesses meses livres das aulas. Infelizmente, os responsáveis não podem acompanhar todo o tempo livre dos pequenos, que se vêem forçados a passar mais tempo dentro de casa. Os pais devem dobrar a segurança dos objetos que cercam os filhos para evitar acidentes.

 Em casa

A cozinha é o palco do maior número de acidentes com crianças. Para minimizar os riscos, recolha os fios dos eletrodomésticos, deixe os materiais de limpeza e inflamáveis fora do alcance dos pequenos, assim como os objetos cortantes.

O segundo lugar com maior recorrência de incidentes é o banheiro. Tapetes antiderrapantes são essenciais, tente deixar o chão sempre seco. Desplugue os aparelhos elétricos das tomadas logo após o uso e os coloque em armários trancados, junto a cosméticos e medicamentos. Feche sempre a tampa do vaso sanitário e evite o acesso das crianças a banheiras.

Na sala e nos quartos, prefira móveis de cantos arredondados. Peça para seus filhos guardarem todos os brinquedos quanto terminarem de brincar. Jamais deixe os móveis perto das janelas, para que as crianças não escalem e caiam. Coloque protetores em todas as tomadas e evite ligar dois ou mais eletrodomésticos na mesma saída de energia. Nas escadas, use pisos antiderrapantes, sem tapetes ou outros objetos para atrapalhar a circulação.

Além desses cuidados, vale destacar que quando falamos de crianças, segurança nunca é demais. Tenha sempre alguém as vigiando, em casa, na piscina, no parquinho ou no shopping. E lembre-se de que segurança não é proibir a criança de fazer algo, é ensinar e explicar as melhores atitudes para que ela não se machuque e consiga aproveitar o tempo de férias para brincar ainda mais.

Na viagem

Para começar, todas as crianças devem viajar na cadeirinha, conforme a idade e o peso.  Durante o trajeto, faça paradas frequentes, fazendo com que a criança saia do carro, use o banheiro e caminhe. Jamais deixe as crianças sozinhas no automóvel.

Verifique os possíveis riscos do local visitado – cidade, praia ou campo – e oriente os pequenos. Os maiores são um desafio à parte para os pais durante as férias, mais independentes, podem se envolver em atividades arriscadas, como nadar em locais perigosos ou fazer passeios na mata, por exemplo. Por isso, um adulto deve supervisionar eles sempre.
Na bagagem, além das roupas de acordo com a estação, mas lembrando de levar opções caso o tempo mude, é fundamental um kit de primeiros socorros, com analgésico e antitérmico, para afastar dores e febre, termômetro para verificar a temperatura da criança, kit de curativos e remédio contra enjôo, que ajuda bastante para trajetos com muitas curvas. Lembre-se de que a dosagem e o medicamento devem ser fornecidos por um médico. Vale verificar, ainda, a cobertura do plano de saúde da sua família para a região em que irá visitar.

 Brincadeiras

Durante a viagem, para passar o tempo, escolha brinquedos silenciosos para não atrapalhar as outras pessoas nem estressar a família. Livros, jogos e bonecos são boas opções.
Se a viagem for de carro ou ônibus, leve guloseimas, água e opte pelos sucos de caixinha, para evitar que as crianças derrubem.
Leve fones de ouvido – que também podem ser usados na hora de ver algum filme – para que as crianças escutem as suas músicas prediletas. Se estiver no seu carro, você pode ligar o som e fazer um coro com elas. O tipo de música pode ser desde canções infantis até aquelas preferidas pelos adultos – não importa, criança adora cantar junto.
Livros com ilustrações podem agradar bastante também, principalmente os menores. Se você preferir, conte histórias cheias de emoções para atrair a atenção dos seus filhos. E que tal pedir a ajuda deles para construir o enredo? É assim: comece e conte uma parte da história, aí a pessoa seguinte continua de onde você parou e assim por diante.
Revistas com atividades, canetas e lápis de cor conseguem distrair as crianças por um bom tempo.
As brincadeiras são sempre um sucesso, além do tradicional “adivinhar o formato das nuvens”, você pode propor que eles contem os carros, por exemplo. Diga algo como “agora é hora de ver quantos carros verdes tem na estrada” ou “vamos contar quantos fuscas aparecem”. Com certeza eles ficarão com o rostinho no vidro por horas a fio. Se estiverem no avião ou no ônibus, brinque com seu filho de trava-línguas, joguinhos que utilizam as mãos ou aqueles de adivinhação, em que você vai aos poucos dando dicas sobre o objeto ou animal que pensou.

Com todas essas dicas sua viagem vai ficar mais agradável e segura!

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Cresce número de crianças obesas no Brasil

É só olhar ao redor para observar a quantidade de crianças acima do peso. Uma realidade preocupante, retratada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.
Dados divulgados dia 25 informam que o sobrepeso atinge 34,8% dos meninos e 32% das meninas entre cinco e nove anos. Já a obesidade foi observada entre 16,6% dos garotos e 11,8% das garotas.

Entre cinco e nove anos: 34,8% dos meninos e 32% das meninas estão com sobrepeso

Entre as crianças a partir de 10 anos e jovens de até 19 anos, o excesso de peso atinge 21,7% dos meninos e a obesidade, 5,9%. Entre as meninas, 15,4% têm sobrepeso, e 4,2% obesidade. A declaração de Rosana Radominski, do Departamento de Obesidade da SBEM, alerta que “começou-se a aumentar a renda das famílias, mas não a educação familiar para que a alimentação fosse corrigida”.

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Desafios e imaginação: hoje é dia da infância*

Todo adulto costuma olhar para trás e relembrar ensinamentos vivenciados na infância. Seja um tombo no piso molhado ou uma bronca do professor de matemática, a infância é uma fase inesquecível e o modo como ela é vivida influencia – e muito – no adulto que está em formação. Hoje é Dia da Infância, menos comemorado que o Dia da Criança, em 12 de outubro, esta data não serve para ganhar presente, pois tem sido época de reflexão sobre como estão os pequenos e como serão os seus futuros. Observando isso tudo, é possível enxergar a sociedade de amanhã.

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Criança arteira ou hiperativa?*

“Meu filho não pára um minuto sequer, desde pequeno ele é assim. Não adianta brigar com ele, mandar ele parar de fazer uma coisa, porque dá dois minutos ele está lá de novo. Eu não sei o que fazer”. Se alguma mãe se identificou e viu na descrição acima, o próprio filho, é possível que o pequeno tenha hiperatividade e transtorno de déficit de atenção.

Calma mãe, isso não é algo que se pegue ou erro de criação. O neurologista infantil Ademar César de Moraes, explica que esse transtorno é um problema orgânico e que tem causas genéticas. “É muito frequente entre 6% a 8% das crianças”, diz.

Segundo Moraes, a criança já dentro da barriga da mãe mostra sinais de inquietação, se mexe demais. Quando bebês não param de se mexer, movimentam sem parar braços e pernas. “São normalmente crianças muito elétricas, que não param em lugar algum”. A diferença entre a criança hiperativa e a criança arteira é que a hiperativa é vítima do próprio comportamento. Muitas vezes continua a fazer a mesma coisa, apesar de já ter apanhado. A criança hiperativa não consegue controlar os impulsos, ela já nasce assim”, relata. Já a criança arteira, de acordo com o neurologista, faz arte porque gosta, tem atitudes comportamentais. Quando são corrigidas não voltam a fazer tão cedo.  Há três tipos de casos de transtorno. Há as crianças que são somente hiperativas. Essas, apesar de não parar quietas, vão bem na escola. Esse tipo representa entre 10% a 15% dos casos e é mais comum em meninos, apesar de ocorrer em meninas também.

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