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‘Educar é amar’, diz Nezo

foto-abreNa última semana cerca de 300 profissionais da educação de Maringá, e de mais dezesseis municípios da região norte do estado, participaram do encontro de encerramento anual do Programa Educacional O Diário na Escola. A partir do tema “O professor diante da carreira: o olhar sobre si, sobre a educação e sobre os alunos” o educador e jornalista, especialista em Psicopedagogia, mestre em Letras e doutorando em Educação, Ronaldo Nezo falou sobre os desafios da carreira.

Antes de debater sobre qualquer tema, o palestrante enfatiza que a primeira coisa que precisamos conseguir responder é: Quem sou eu? Ele diz que quando a gente se conhece, tudo na vida fica mais fácil de lidar. “Quando olhamos para nós, problematizamos algumas questões. Na vida docente, a principal indagação deve ser: Por que escolhi ser professor? Educar é algo nobre, abrimos caminhos para além daquilo que um dia as pessoas poderiam ir”, fala.

Outro apontamento de Ronaldo aos participantes é: Por que ensino? Alguns conteúdos realmente são apenas para que o aluno consiga passar no vestibular, mas, em boa parte dos outros, se contribui com a formação cidadã do sujeito. O professor precisa relacionar o assunto em estudo com algo que tenha importância na vida do estudante.

E você, professor, como se vê? O palestrante ressalta que é preciso se analisar. Será que você tem segurança em sala de aula? Se considera competente? Essa autoafirmação te deixa com melhor postura e domínio perante os educandos.

“Saber como a sua família, amigos e alunos te veem como professor é bastante importante. Infelizmente a sociedade não valoriza essa profissão tão nobre e por isso, devemos avaliar se somos vistos como alguém dedicado ou competente, e caso não seja, tire proveito disso para ser melhor, é preciso aprender a ouvir as críticas, se corrigir e mudar atitudes”, ressalta Ronaldo.

A preparação das aulas também foi discutida na palestra. O professor precisar saber sobre o que está falando e acreditar no que ensina, pois confiar no que você transmite é fundamental para fazer a diferença na vida do aluno. O preparo dos conteúdos a serem lecionados exige tempo, planejamento e dá trabalho, mas o resultado final do aprendizado é satisfatório.

“Trabalhamos com metas, com sonhos, sempre para alcançar nossos objetivos. Sem essa motivação a rotina diária perde o sentido e a empolgação com a profissão acaba. Nós, educadores, temos o papel de contribuir com a sociedade. Precisamos cuidar além do corpo, do físico, mas investir no nosso intelecto, em conhecimento”, comenta o palestrante.

Os alunos

Ronaldo conta que o professor que entra em sala de aula descrente na capacidade do estudante, consequentemente não irá fazer uma boa explicação. O mesmo acontece com a receptividade, se o mestre entra com educação, será bem recebido.

“Conhecer a realidade de vida do aluno ou os desafios que ele enfrenta é preciso para que se consiga somar a ele. Nosso papel é de contribuir, de ajudar. Vivemos em uma sociedade em que cada um é por si, na escola não pode ser assim. O estudante de hoje, é o profissional do amanhã. Eles serão nossos futuros médicos, arquitetos ou mesmo professores”, explana o palestrante.

Algo a ser lembrado é que a criança não chega à escola como uma lousa branca a ser escrita. Ela trás consigo uma história, uma formação, uma lição já rascunhada na vida dela. É preciso aprender a lidar com as particularidades de cada um.

Para pensar

Em toda a sua fala, Ronaldo fez os professores refletirem sobre a profissão que exercem. Afinal, ensinar exige ética, os estudantes aprendem pelo exemplo, por aquilo que se fala em sala de aula, inclusive sobre o que se fala dos colegas de trabalho.

“O educador deve ser ousado, teimoso (sem desrespeito), aceitar o novo, o diferente e ser contra qualquer forma de discriminação para que não se forme alunos com preconceitos. Já dizia Paulo Freire que ser professor é aceitar que as coisas podem piorar, mas também podemos intervir para melhorar. Não perder a esperança! Educar é amar”, conclui otimista o palestrante.’

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Jornal também para o 3º ano

Foto AbreNa Escola Municipal Poetisa Cecília Meireles, além dos quartos e quintos anos, os exemplares do Diário do Norte do Paraná são objeto de estudo para as crianças do terceiro ano. Uma iniciativa que tem gerado bons resultados na alfabetização e desenvolvimento escolar dos pequenos.

A professora Deusa Dias busca conciliar semanalmente os conteúdos curriculares com as notícias do impresso. “Essa forma de trabalho tem sido muito boa, percebo o desenvolvimento dos alunos no que se refere à leitura, uma melhor escrita, assim como boas discussões sobre temas do cotidiano”, ressalta.

Em uma das aulas em que Deusa levou o jornal para a sala de aula, os estudantes se interessaram pela notícia publicada na página do Diário na Escola a qual relatava um projeto sobre dengue realizado pela educadora Arealba Garbelini de Souza, da Escola Municipal Padre José de Anchieta, também de Sarandi. “Como o conteúdo era algo próximo da realidade deles, ficaram eufóricos, se sentiram pertencentes ao texto. Essa reação foi muito boa, pois além do estudo didático ampliamos a conversa sobre os riscos da proliferação do Aedes aegypti”, conta a professora.

As crianças leram a matéria e produziram um resumo da publicação em seus cadernos. Para tornar a atividade mais interessante Deusa promoveu um debate em que os alunos expuseram todo o conhecimento prévio sobre a dengue, formas de transmissão, conhecidos que já foram vítimas, entre outros aspectos. E, na sequência, lançou o desafio. A partir de tudo o que aprenderam naquela aula, os estudantes deveriam produzir tirinhas sobre como evitar o crescimento do número de casos em Sarandi.

“Eu adorei a proposta de trabalho, pois sou um leitor assíduo dos gibis. Foi muito bom escrever e desenhar sobre um tema tão importante”, conta o aluno Thomas Moreira Carvalho. A colega de sala, Luana Cantarute aponta que a mãe e o irmão dela já sofreram com a doença, “não quero que ninguém mais seja vítima, é muito doloroso. Por isso inspirei as falas da minha tirinha em conselhos e dicas de como eliminar com o Aedes.”

Deusa conta que se surpreendeu com os bons trabalhos recebidos ao fim da atividade. “As crianças são muito dedicadas nas atividades com o jornal, elas gostam de ter um material diferente em sala de aula. O trabalho das tirinhas foi algo novo, pois unimos diversos conteúdos didáticos que viemos trabalhando desde o início do ano. Era um desafio para alunos tão novos, mas eles deram conta do recado e mostraram que são capazes”, comemora.

 

RESULTADO

Tirinha produzida pela aluna Luana Cantarute do 3º ano “A”, da Escola Municipal Poetisa Cecília Meireles, em Sarandi.

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Quando escrever é um prazer

Foto AbreUm projeto da disciplina de geografia, orientado pela professora Ermelinda Jordão não terminou após a nota final. Ela, que hoje participa do Programa de Desenvolvimento Educacional, lecionava para os alunos do Colégio Estadual Tomaz Edison de Andrade Vieira, de Maringá. Em um dos desafios da disciplina, os estudantes estavam aprendendo sobre industrialização e precisavam criar um projeto de algum produto. Um dos grupos de alunos optou por criar um blog, para isso, pesquisaram como hospedar esse portal na internet, qual a legislação para as publicações e tudo o que envolve a criação.

Depois da atividade realizada e do trabalho apresentado, o blog ficaria sem postagens, pois, a princípio, a ideia da tarefa era apenas para uma atividade curricular. Mas, Ermelinda gostou tanto do resultado, que decidiu abrir o “Mais Escola Tomaz” para toda a comunidade escolar. E foi assim, que um trabalho de sala, ultrapassou os muros escolares.

“Em nove meses de blog no ar, já são quase 40 mil acessos. Toda a equipe comemora esse número, pois foi um projeto que começou sem pretensão e que hoje alunos, grupo pedagógico, pais e amigos seguem diariamente”, conta a professora.

A estudante Sheliza Onohine relata que não se imaginava fazendo parte da equipe que escreve as postagens. “Sempre fui muito tímida, a maior parte do tempo ficava no fundo da classe, no meu canto. Com a possibilidade de me expressar no blog, me desenvolvi, passei a me relacionar melhor com os colegas e dizem que sou até mais sociável.”

As publicações não têm um tema específico, são livres, mas todas são aprovadas pela professora antes de caírem na rede. “Mesmo não lecionando no colégio, tenho contato com os alunos 24 horas por dia via aplicativos de bate-papo e rede sociais. Em nossas conversas aproveito para orientar sobre o que podem escrever e também cobrar novas postagens, assim como os chefes de redação”, brinca Ermelinda.

O projeto deu tão certo, que hoje são cerca de 30 alunos preocupados em manter o blog atualizado e com conteúdos de relevância, mesmo tendo que fazer os textos no contra turno e sem valer nota. “Escrever não é mais uma tarefa, é prazeroso! Encontrei pessoas que pensam como eu, que me entendem, isso é motivador, pois você se reencontra em cada comentário positivo recebido”, comemora a aluna, Liz Nemophila.

A estudante Carolina Milão explica que se desafia em cada produção, a adequar os diversos temas em uma linguagem acessível para que todos os leitores que passarem por lá consigam interpretar o assunto. “Para isso, uso a exemplificação e aprendi a buscar e apurar as informações para sustentar meus argumentos e não falar coisa errada. Quando se escreve um blog, você tem o poder da comunicação nas mãos, é preciso muito cuidado, existem pais, inclusive, que acompanham o blog para saber o que está acontecendo dentro da escola e na vizinhança do bairro.”

Ermelinda é só elogio aos estudantes, ela que faz esse trabalho de acompanhamento de forma voluntária, ainda sonha com mais avanços. Mesmo contente com o crescimento do blog, a professora está com o projeto de gravar em áudio todos os textos publicados e também filmar alguém interpretando as postagens na linguagem de sinais (Libras) para conseguir a inclusão de mais leitores.

“A educação é apaixonante. Com essa proposta descobri muitos talentos que estavam escondidos. O professor tem um papel fundamental na formação da criança e do adolescente, não podemos desistir de motivá-los, eles têm muita coisa a nos ensinar”, argumenta.

Saiba +

Acesse o blog: www.maisescolatomaz.com e curtam a Fanpage: Mais Escola Tomaz.

 

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Entrevista: professora escreve livro sobre a síndrome de Burnout

  1. SoraiaO DIÁRIO NA ESCOLA: De onde surgiu o interesse pela pesquisa sobre o mal-estar docente?

Soraia Nunes Marques: Grande parte deste trabalho teve origem na disciplina de Prática de Ensino, do curso de Pedagogia, durante a fase de estágio nas escolas. Durante as minhas observações um fato me chamou a atenção. Percebi em alguns professores certa apatia em relação ao fazer pedagógico. Entravam na sala de aula, aplicavam a atividade e se afastavam apressados, como se quisessem fugir dali. Este tipo de atitude me incomodou e me fez perguntar se a vida profissional que eu aspirava, seria “aquilo” que eu estava presenciando.

  1. A sua pesquisa resultou na produção de um livro. Quais os principais aspectos abordados na obra?

R: Na primeira seção é possível ver uma retomada histórica sobre o conceito de felicidade, desde a antiguidade até os dias atuais. No capítulo seguinte há uma discussão sobre o dia-a-dia do professor focalizando a síndrome de Burnout como expressão do mal-estar docente. Em seguida, comento sobre a relação entre a saúde do educador e suas emoções. Por último, procuro definir conceitos e propor ao docente a posse do conhecimento para que possa ter uma visão crítica e reflexiva de si mesmo e do mundo em que vive. Destacando que a alegria no trabalho não é dádiva dos céus, esta exige esforço, coragem e dedicação.

  1. Nas palestras que realizou sobre o tema de seu livro, como foi a participação dos professores?

R: Costumo questioná-los se são felizes, neste momento eles respondem que como pessoas, o são, mas como professores não têm condições de o serem. É como se fossem duas vidas e uma não tivesse conexão com a outra. Pessoas fragmentadas, numa sociedade dividida, profissionais que durante a formação aprenderam conteúdos incomunicáveis apresentados por professores especialistas. Estes fatores me inspiram a continuar meu trabalho, na esperança de que com educadores mais satisfeitos, menos frustrados e mais respeitados, sintam-se felizes.

  1. O que mais tem afligido os profissionais da educação atualmente?

R: Os métodos de ensino têm passado por sucessivas mudanças, tanto técnicas como estruturais. Muitos são os “pacotes” recebidos de cima, mas maiores ainda são as dúvidas dos docentes frente às chamadas “inovações”. Na cobrança para a utilização da nova proposta urgente, o que resta é ensinar do jeito que se entendeu, do jeito que der. O professor se depara também com a necessidade de desempenhar vários papéis, muitas vezes contraditórios, pois ao mesmo tempo em que se exige dele a estimulação da autonomia do aluno, pede-se que se acomode às regras do grupo e da instituição. Há pressões de todos os lados que podem suscitar efeitos colaterais, não anunciados nos contratos de trabalho.

  1. A indisciplina dos alunos pode ser responsável pelos vários casos de professores constatados com a síndrome de Burnout?

R: Com certeza. A falta de comportamento do estudante em sala de aula resulta em um educador sobrecarregado, exausto, estressado que acaba dando aulas cansativas e antiquadas, gerando alunos desmotivados, desinteressados e por consequência, ainda mais indisciplinados. A união desses fatores tem diminuído a capacidade de tolerância e o autocontrole do docente, e assim, surgem conflitos na relação professor-aluno. Com a falta de ordem cada vez mais presente na vida escolar, e os educadores não sabendo lidar com ela, assim como também não sabem lidar com o Burnout, o que resta é um problema universal.

  1. Como os educadores percebem que estão sofrendo de Burnout?

R: O diagnóstico da síndrome é muito difícil, pois ainda não se tem instrumentos válidos e postos à disposição da comunidade médica. Muitas vezes a pessoa pode ser acometida da doença e não apresentar os sintomas do Burnout. Parte dos professores são afastados do trabalho e os fatores geralmente alegados são o estresse e a depressão. Psiquiatras afirmam que hoje a doença já atinge de 30 a 40% da categoria. Muitos são os profissionais que estão adoecendo e ainda estamos longe de saber exatamente como lidar com isso.

  1. Ao seu ver, como deveria ser o “ensinar” dentro das escolas?

R: Ensinar é um ato criador, um ato crítico e não mecânico. A curiosidade do professor e dos alunos, em ação, se encontra na base do ensinar-aprender. Esta proposta requer incentivo por parte do educador, pois o convida a sair da visão limitada. Requer disposição para ser agente transformador de uma sociedade. Requer, também, que o professor realize este ensinar satisfatoriamente e não apenas reproduza o ensino por meio de conteúdos incomunicáveis.

  1. Qual a sua esperança para o futuro da educação no Brasil?

R: Somos sempre movidos pela esperança. Prefiro acreditar que a atual situação de desânimo e mal-estar docente não é o fim. Pelo contrário, é um recomeço, uma possibilidade de olhar por outro ângulo e enxergar saídas. Pensar em transformar uma realidade que avalio como injusta e perversa, e fazer com que esse pensamento ilumine a prática. Infelizmente, nos últimos tempos, a cultura parece algo abstrato e distante demais. Prova disso são os intermináveis cursos de capacitação, nos quais muitos professores vão apenas para assinar a lista de presença e cochilar nas cadeiras. Esta realidade precisa ser mudada, urgente.

 

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Uma nova descoberta

IMG_2700Ansiosos, parte dos alunos do 5º ano da Escola Municipal Nilo Peçanha de Marialva, desfrutaram do primeiro contato com jornal. Algo que para muitos é uma experiência comum e diária, para aquelas crianças foi o momento de se encantarem com a quantidade de textos e imagens, além do instigante desafio de manusear as folhas do impresso sem se perder pelos cadernos de notícias.

“Um pouco maior do que os outros materiais que costumo usar em sala, o jornal ocupou todo o espaço da minha mesa. Confesso que não sabia por onde começar a leitura estava com uma mistura de sentimentos dentro de mim, mas logo a curiosidade me venceu e comecei a folhear e descobrir um monte de coisas novas”, conta a aluna Emilly Geovana Rodrigues Moraes.

Há mais de dez anos trabalhando com o Diário em sala de aula, a professora Sônia Rodrigues destaca que ao início de cada ano letivo as crianças já começam a cobrança pelas produções de atividades com o uso do impresso.

“Como no ano anterior eles viam que os alunos do 5º ano realizavam trabalhos com o Diário, este ano, desde os primeiros dias de aula eles já perguntavam quando voltariam as ações do Diário na Escola, porque agora é a vez deles participarem do Programa!”, ressalta Sônia.

Neste primeiro contato, os estudantes puderam bagunçar o jornal na busca daquilo que mais despertasse interesse e também conhecer cada página deste material que vai acompanha-los todas as semanas.

De imediato os meninos fizeram sua primeira parada no caderno de Esportes, já as meninas, correram para encontrar os resumos das novelas, e as previsões do horóscopo. Dentre a diversidade de conteúdos presentes no impresso, as crianças também descobriram que é possível se divertir. “Achei o máximo as palavras cruzadas, não sabia que no Diário também tinha, é um oportunidade que eu vou ter para me distrair e aprender ao mesmo tempo”, disse a aluna Nicole Silva Martins.

“Perceber esta motivação dos estudantes é gratificante para mim. Ter a oportunidade de trabalhar com um material diferente auxilia e facilita minhas funções como educadora. Além de proporcionar bons momentos com o jornal em sala, quero disponibilizar o impresso para levarem para casa, e quem sabe assim, terem momentos de leitura em família”, ressalva a professora.

Na etapa de leitura livre, a crônica da Lu Oliveira, na coluna Francamente, chamou a atenção da aluna Daiane da Silva Teixeira. “A escritora conta sobre a desagradável experiência de ter sido picada pelo mosquito transmissor da Dengue, algo que parece tão distante da gente, mas parando para pensar, pode acontecer com qualquer um de nós, por isso a prevenção é tão importante”, fala.

Com o comentário de Daiane, a turma toda passou a discutir sobre o assunto. Atenta, a professora aproveitou a oportunidade para conscientizá-los sobre a doença. A aula ficou ainda mais dinâmica com a visita da gerente de endemias do município, Maria Tereza Severino que falou sobre como prevenir a proliferação do Aedes Aegypti.

“A partir desta notícia do jornal, e também com o enfoque que a mídia tem feito no assunto, a minha próxima atividade com as crianças será leva-las a campo. Vamos sair pelas ruas em volta da escola, com luvas e sacos plásticos para recolher todo o lixo que estiver espalhado nas valetas, calçadas e terrenos baldios”, comenta Sônia.

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Volta às aulas sem crise

As férias chegaram ao fim e com o início do novo período letivo, horários e responsabilidades voltam a fazer parte do dia a dia das crianças e dos adolescentes. Para que o retorno às aulas seja tranquilo é preciso se organizar e se ajustar à nova realidade.

Buscando uma melhor adaptação aos horários, estes devem ser regulados duas semanas antes do primeiro dia de aula. Afinal, se o aluno voltar à escola sem o sono adequado, seu desempenho poderá ser prejudicado.

Especialistas recomendam que os pais deixem o filho participar do processo de preparação para a volta às aulas.

A psicopedagoga, Denise Mattos, em entrevista para o site IG destaca que a criança esteja presente na compra dos materiais novos. Além de ser importante ela gostar dos itens de papelaria que usará e se familiarizar com os novos livros, esta é uma ótima chance para conversar sobre dinheiro. “Se o que a criança escolher estiver fora das possibilidades da família ou for supérfluo, a mãe deve explicar isso com naturalidade e ajudá-la a encontrar alternativas”, afirma Denise.

Já de volta às aulas, uma questão importante é sobre o aluno que vai mudar de escola. É natural que ele se sinta inseguro. Nesse caso, pais e instituição devem trabalhar juntos para deixá-lo à vontade. Uma boa sugestão é os colégios organizarem um encontro para professores, alunos novos e seus pais antes do início letivo.

Adriana Stelmacki de Gasperin é mãe do Gabriel, de seis anos, e este é o primeiro ano dele numa escola nova. “Nos primeiros dias é muita novidade, o ambiente, espaço físico, atividades, professores, alunos, tudo isso acabou atraindo ele, mas quando chega em casa ainda lembra e fala da escola anterior, pela ligação que tinha com os amigos”, relata.

Os pais de primeira viagem parecem sofrer mais com a separação. Para amenizar as aflições, vários preparativos são necessários, desde reorganizar a rotina diária até acolher as expectativas e anseios das crianças frente à nova etapa que irão vivenciar.

Juliane Mantovani Cardoso é um das mães de primeira viagem que ainda sofre com a separação ao deixar o pequeno Benjamim, de 1 ano e 5 meses, na escola. “Tenho um mix de sentimentos, pois é triste deixá-lo e vê-lo chorando, mas é muito bom na hora de ir buscá-lo e ver o rostinho dele de alegria ao me ver. Acredito que meu coração vai se acostumar logo, assim espero”, desabafa.

Na fase da educação infantil é comum que as escolas organizem um cronograma gradual e flexível para o ingresso das crianças, condizente com as necessidades da primeira infância.

É fundamental que os pais sigam adequadamente os combinados feitos com a escola, para que a criança possa ter credibilidade de que aquela é uma maneira segura dela fazer parte daquele novo ambiente. Avisar o pequeno alguns dias antes do início das aulas, dando uma noção geral do que irá acontecer na escola, também facilita a construção de confiança.

Nos primeiros dias de aula costuma-se solicitar a presença de um adulto responsável, para que a transição aos novos cuidadores – professores e funcionários da escola – seja feita de maneira não abrupta. É importante que esse adulto esteja apto a lidar com a separação da criança, pois os sentimentos e comportamentos infantis podem ser influenciados pela angústia excessiva de quem a acompanha.

Benjamim, que foi mencionado acima, está se adaptando bem ao primeiro contato com a escola. A mãe dele, Juliane, conta que apesar da pouca idade ele é muito comunicativo, e adora estar perto e interagindo com outras crianças. “A adaptação na cabecinha dele talvez esteja sendo mais lenta, porque desde que nasceu ele passava o dia todo só comigo”.

Caso a criança demonstre maior dificuldade em aderir à rotina prevista, os pais devem conversar e procurar soluções juntamente à diretoria. O mais importante é encontrar meios de não interromper a adaptação escolar, ainda que o pequeno expresse uma recusa em frequentar a instituição.

Aos adultos atarefados, muito cuidado! Muitas vezes eles não se dão conta de que as crianças, principalmente as menores, possam ter medo de serem esquecidas na escola. Por isso, o responsável por buscá-las deve ter cuidado redobrado nos primeiros dias de aula e estar na porta assim que elas saírem. Sabendo que não serão deixados para trás, os pequenos se sentem seguros para enfrentar o ano letivo.

A partir do sexto ano do ensino fundamental – antiga quinta série – tem início uma grande mudança na organização escolar. Em geral, a quantidade de disciplinas curriculares e de professores aumenta, e assim, os alunos deverão desenvolver cada vez mais autonomia e compromisso com os estudos.
Também é comum que os espaços escolares sejam compartilhados entre os alunos adolescentes, o que introduz grandes transformações na socialização da criança.
De fato, é importante que os pais reconheçam a necessidade de um maior distanciamento da rotina dos filhos, respeitando que eles escolham a melhor maneira de cumprir com seus compromissos escolares, sem que isso signifique deixá-los completamente desacompanhados.
Ao longo do ensino médio a preocupação com os vestibulares pode tornar os alunos e os pais excessivamente ansiosos. Uma disciplina diária de estudos mais prolongada deve ser incentivada desde a volta às aulas, mas sem promover uma pressão exaustiva.

No caso de aluno repetente, essa situação chata deve ser enfrentada com atitude positiva. No início das aulas é bom transmitir a ele confiança, acreditar que agora ele será capaz. Nada de frases como “Neste ano a responsabilidade é maior”. Reforço negativo é a última coisa que ele precisa.

Não importa a idade ou a fase, vale sempre aos pais lembrarem que a vida escolar se constrói nos acontecimentos cotidianos, rotineiros ou inesperados, alegres ou tristes, com ou sem conflitos. Cabe aos pais valorizar a presença integral dos filhos em tudo aquilo que a escola proporciona, desde o primeiro dia de aula, em cada etapa desse percurso da construção de si mesmos.

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Opinião

O termo “aula de religião” foi historicamente ensinado nos parâmetros do cristianismo católico e já foi legalmente superado na Constituição Federal de 1988, artigo 210, e na Lei 9475/97. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que: “o ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação do cidadão, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”. A equipe do Diário na Escola conversou com o arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, para saber o posicionamento dele sobre esta temática.

 O DIÁRIO NA ESCOLA: Considerando que o nosso país tem uma grande diversidade religiosa, qual a importância da disciplina de ensino religioso nas escolas? E como devem ser repassados estes ensinamentos aos alunos?

DOM ANUAR BATTISTI: Podemos tomar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional como ponto de partida para uma reflexão sobre o tema.

1 – É afirmado que o ensino religioso é “parte integrante da formação do cidadão”. A própria noção de educação exige uma relação ensino-aprendizagem que contribua para a formação da pessoa toda, com todas as suas dimensões: física, intelectual, moral e também espiritual. Uma educação que se limite a um ou apenas alguns aspectos do “humano”, é redutiva, não pode ser chamada de educação para um humanismo integral. O ensino religioso, portanto, é parte da formação do cidadão e é um dever da escola oferecê-la, com qualidade, nos parâmetros estabelecidos pela lei.

2 – Facultativa é a matrícula na disciplina. Dever da escola, direito do estudante. Mas cabe ao estudante, se for de maior idade, ou a seus pais ou responsáveis, se for de menor. Essa escolha a família fará levando em conta suas convicções religiosas e o que efetivamente é oferecido pela escola.

3 – No ensino, dois critérios gerais são indicados: o respeito à pluralidade – diversidade religiosa e cultural – e a proibição do proselitismo (esforço de fazer uma pessoa aderir a um determinado credo). A diversidade religiosa e cultural é o critério positivo. A cultural é mais ampla e contempla a possibilidade de incluir a unidade religiosa. Por exemplo: há europeus católicos, africanos católicos, sul-americanos católicos… A diversidade religiosa é que precisa ser melhor compreendida do ponto de vista da disciplina do ensino religioso. Se a escola oferece apenas uma modalidade de ensino religioso, ele precisaria ficar nos elementos comuns a todas as religiões das quais os alunos daquela, ou sua família, são membros. Neste caso, as aulas deveriam tratar da religião em seu sentido antropológico.

4 – O acordo Brasil – Santa Sé, no artigo 11 reitera a importância do ensino religioso para a formação da pessoa e expressa assim a questão: “ §1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação”. A diferença principal é a expressão: “católico ou de outras confissões religiosas”. É normal essa explicitação, pois se trata de um acordo com a Santa Sé. Mas não é só essa a novidade: aí se inclui a previsão de um ensino religioso não a-confessional. Essa proposta prevê a oferta de ensino religioso plural na escola, para que os estudantes, ou seus pais, possam fazer uma opção entre mais de uma possibilidade. Aqui a discussão é grande, não podemos apresentar todas as tendências.

Nós sustentamos, portanto, o direito universal ao ensino religioso, de matrícula facultativa. Mas postulamos a confessionalidade desse ensino.

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A tecnologia mais próxima da sala de aula, será?

Os estudantes de hoje, em especial os adolescentes, buscam mais agilidade. Encontrar o conteúdo de todos os livros em poucos cliques, acesso a um conteúdo mais instigante com animações que ilustrem algum conceito da física ou mapas interativos em três dimensões que já mostram o relevo de determinada região, por exemplo, e principalmente, mais comodidade, sem a necessidade de levar muito peso em uma mochila.

A questão é: se as escolas adotassem os tablets no ano letivo, a tecnologia realmente seria útil para os estudos em sala de aula? Apesar dos inúmeros aspectos positivos da sua utilização nas escolas, precisamos considerar também diversos desafios que, infelizmente, ainda precisam ser vencidos para levar os livros didáticos para equipamentos rápidos, como esperam os estudantes dessa nova geração que já nasceu conectada.

Num colégio particular de Maringá, alguns alunos do ensino médio têm acesso as apostilas pelo tablet, o que facilita o estudo em casa, contra-turnos ou viagens, mas o equipamento é de uso proibido durante as aulas. “O tablet traz muitas opções de diversão, o que acaba tirando o foco do aluno para a pesquisa. Não adianta apenas ter o recurso, é preciso conscientização na hora de usar e preparação do corpo docente”, destaca o diretor da instituição de ensino e professor, Arnaldo Piloto.

“Sou a favor do uso de tablets na escola, mas não sem destacar que eles precisam ser utilizados de maneira inteligente. Não se trata apenas de usar uma nova tecnologia. O trabalho da escola deve ser envolvê-la em seu projeto pedagógico e determinar objetivos claros para a ferramenta”, acrescenta a professora do ensino fundamental, Edna Aparecida Barbosa.

Já o estudante de 15 anos, Lucas Cartacho, acredita que nos dias de hoje o tablet não vem para somar com a educação, “os alunos não estão preparados para ficar com esse tipo de equipamento na sala de aula. Assim como já acontece com os celulares, os tablets seriam utilizados para jogar ou navegar na internet, e não para o acesso ao conteúdo didático.”

De acordo com a professora universitária e doutora em Comunicação, Luzia Yamashita Deliberador, as crianças têm muita facilidade com a tecnologia, mas isso não quer dizer que elas vão utilizar esse instrumento a favor do aprendizado. “Sou da geração dos livros, onde folheamos a página e paramos para refletir sobre o conteúdo. A leitura online é mais rápida, o que às vezes a torna superficial. Para a inserção do tablet na educação, antes de tudo é preciso preparar a escola, o professor e o aluno, para receber esta novidade. É uma mudança que me preocupa muito.”

 Conteúdo

A grande maioria das editoras ainda está apenas planejando lançar livros didáticos para tablets, o que por enquanto torna inviável uma substituição do material didático impresso por conteúdo digital em grande escala.

Porém, a adoção imediata pelas escolas incentivaria as editoras a acelerar lançamentos de livros didáticos para esses equipamentos, e assim não perder mercado para as concorrentes que se anteciparem na digitalização de conteúdos.

 Professores

Com a implementação antecipada dos tablets, as escolas serão obrigadas a investir rapidamente na formação do corpo docente para que os professores aprendam a aplicar as novas tecnologias em sala de aula, melhorem a qualidade do ensino e consigam envolver e motivar os alunos, incrementando o aprendizado na medida em que conquistem seu interesse para um conteúdo mais interativo, dinâmico e atraente.

Uma pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) revelou que 75% dos professores da rede pública dependem principalmente de contatos informais para buscar aprimoramento sobre tecnologia aplicada à educação. Em outras palavras, não há orientação formal. O docente depende principalmente de sua motivação pessoal e da ajuda de colegas para aprender algo sobre o uso do computador e da web.

Reaproveitamento

Todos os anos as editoras enviam livros impressos para que os professores os avaliem e  escolham com quais querem trabalhar no próximo ano letivo. Os livros são sempre atualizados para novas edições e não podem ser reutilizados, sendo destinados, apenas e eventualmente, para reciclagem.

Na medida em que lançarem livros para tablets, as editoras serão forçadas a cobrar apenas pelas atualizações e não mais pelos relançamentos das edições que trazem conteúdos muito semelhantes aos das edições anteriores. Os conteúdos baixados nos tablets serão 100% reaproveitáveis e terão que ser cada vez mais inovadores, interativos e divertidos para entreter os estudantes. Por mais este motivo, quanto mais rápido o mercado editorial começar a desenvolver materiais em formato digital, melhor será. Se as escolas incentivarem o uso dos tablets, as editoras serão obrigadas a embarcar na digitalização.

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Dia da Criança Especial

A criança portadora de necessidades especiais, além do direito, tem a necessidade de cursar uma escola normal. A instituição de ensino, na nossa cultura, é uma representante da sociedade. Portanto, alguém que frequenta a escola se sente mais reconhecido socialmente do que aquele que não frequenta.

Sabemos que infelizmente ainda existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado.  Felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão. Alguma evolução se percebe a partir da compreensão do que é a “deficiência”. Substituir “deficiente” por “especial” modifica um pouco a situação da criança, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais. Pensando assim, a criança portadora de necessidades especiais em uma sala de aula normal tem a chance de se sentir reconhecida. Um reconhecimento que humaniza.

Toda família com uma criança especial desenvolve uma dinâmica particular. Em geral, eles são receosos, preocupados e ansiosos, pois temem a discriminação. Quando a família se sente apoiada pela escola, esse sentimento se reflete também sobre a criança. Os pais precisam se sentir tão incluídos quanto seus filhos.

O importante é evidenciar que na escolarização de uma criança com necessidades especiais estão envolvidos, além da própria criança, seus pais, os terapeutas, os médicos e os educadores. Cabe à escola acolher essa criança, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que se beneficie do contexto escolar.

No domingo, dia 09, é celebrado o Dia da Criança Especial. Vamos aproveitar esta data para acabar com o preconceito e incluir os pequenos cada vez mais na sociedade!

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