José Luis Morais



Uma viagem através do tempo

Quem tiver a oportunidade de conhecer Fortaleza não deve deixar de conhecer o Museu da Escrita. Criado pelo economista José Luis Morais com o modesto objetivo de reunir seus objetos colecionados ao longo de décadas, que ele mesmo descreve como “cacarecos”, hoje é muito mais que isso. Além de receber a visita de centenas de alunos e turistas mensalmente, proporciona uma volta ao passado, com a exposição de objetos que constroem a história e evolução da escrita.

Desde a juventude, José Luis, era interessado em tudo que pudesse ser colecionado e servisse para ilustrar no presente os tempos e as condições de outras épocas, independentemente da natureza dos objetos, dentre eles: selos, figurinhas, álbuns e moedas.

Posteriormente, despertou seu interesse por artigos relacionados à escrita. Assim, máquinas de escrever e tinteiros deram sequência à sua caminhada rumo ao colecionismo, seguida de visita a museus em várias cidades do Brasil e do mundo.

Ao longo dos últimos anos e de uma busca junto às casas de leilões, antiquários e feiras de antiguidades, foram adquiridas uma grande quantidade de peças da evolução humana dos meios de se preservar a história, os fatos, e as informações através da escrita.

“Na volta de uma das minhas viagens, fora do Brasil, me surgiu a ideia de fazer uma mostra desses materiais que algumas pessoas, em especial as das gerações mais recentes, talvez nem conhecessem”, conta José Luis.

Desta forma, após anos coletando materiais, o idealizador tornou acessível a qualquer público interessado, a sua paixão pelos meios de registro e transmissão do conhecimento. Buscando, assim, promover a valorização da memória da escrita.

No Museu é possível ver uma coleção de objetos, alguns réplicas, outros originais, dos quais destaca-se o acervo da coleção das máquinas de datilografia – que abrange máquinas do final do século XIX até as mais atuais que já são elétricas ou eletrônicas – além da coleção de bíblias em vários idiomas, tinteiros, penas de molhar, canetas, e diversos outros itens que fazem parte da história.

Ao chegar no Museu o visitante pode apreciar uma família pré-histórica em torno da qual as paredes da caverna estão repletas de desenhos rupestres. Já a sala seguinte mostra uma série de estantes dentro das quais estão documentos como papiros do antigo Egito. E assim, passando pelas 16 salas existentes, é possível voltar ao passado e se encantar com as peças expostas.

Mas o item preferido de José Luís é um peso de papel em forma de pata de leão, sem valor comercial. Ele diz que, ainda menino, começou a trabalhar em um banco em Sobral, sua cidade de origem. Ao deixar o emprego, com 17 anos, pediu e ganhou a peça do gerente do estabelecimento. “Está comigo há 46 anos, é o meu mascote”.

Comente aqui