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Brincando de matemática

O Colégio Estadual Cyro Pereira, de Iguaraçu, recebeu a visita do Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para a realização de um dia voltado ao conhecimento da matemática, cujo objetivo foi o de suscitar a curiosidade e o interesse pelo ensino da disciplina a partir de atividades diferenciadas presentes no dia a dia dos alunos, bem como promover o envolvimento entre a comunidade escolar e a Universidade.

Foto AbreO trabalho foi realizado por meio das seguintes oficinas: Jogos e Desafios Matemáticos, cujo objetivo era explorar conteúdos já trabalhados no contexto escolar por meio de jogos e desafios que levassem os alunos a analisar as situações, se posicionar diante delas e resolvê-las com agilidade. Gincana Matemática, que tinha por finalidade promover a reflexão dos conteúdos por meio de dinâmicas que exigiam o pensamento rápido e o trabalho em equipe. Matemágicas, que apresentava como intenção demostrar como a matemática está presente em truques de mágica e fazer com que os alunos percebam a aplicação de alguns conceitos que parecem não ter significado, porém estão presentes nas mais diversas atividades do contexto social. Pipas Tetraédricas de Graham Bell, que buscou proporcionar aos alunos uma discussão histórica, filosófica e conceitual da matemática na construção de um brinquedo tão popular entre crianças e jovens em nosso país e, por fim, a Exposição Matemática, que tinha como principal objetivo levar os alunos a conhecerem jogos, tabuleiros e diversos materiais que envolvem muitos conceitos matemáticos para existirem e serem manipulados.

A pedagoga Solange Cristina D’ Antonio foi quem solicitou à Universidade a realização do Projeto no colégio de Iguaraçu e relata que foi um dia muito interessante, dia em que alunos e professores quebraram alguns tabus a respeito da disciplina e perceberam que metodologias diferentes e a contextualização são chave de um trabalho significativo no ambiente escolar.

“Os estudantes forma divididos em grupos e horários que possibilitaram sua participação em várias das oficinas e ficaram encantados em perceber que existe outra maneira de aprender a matemática e encontrá-la na organização de coisas tão simples, mas que só acontecem com um planejamento bem elaborado e com muitos cálculos e conceitos dessa disciplina. Os professores das diversas áreas também se encantaram com o trabalho e decidiram elaborar no colégio um laboratório com jogos, pois perceberam que os alunos mais dispersos estavam completamente encantados com as atividades”, conta Solange.

A aluna, Ana Catarina da Silva Cilião enfatiza que o trabalho realizado foi muito legal, uma vez que ela teve contato com os professores e alunos da UEM, e eles se dedicaram a atender ela em todas as dificuldades, “a gente se divertiu muito com as provas da gincana, os jogos, quebra cabeças e todas as atividades que fizemos”, diz.

O estudante, Guilherme Henrique Fonseca relata que gostou muito do trabalho, porque foi diferente de tudo o que faz no dia a dia do colégio. “As oficinas me chamaram muito atenção pelos desafios que proporcionaram e os conteúdos ali trabalhados.”

A professora do colégio, Ana Carolina Ulian disse que as oficinas foram muito bacanas e que os alunos ficaram muito interessados e se divertiram bastante. A colega de trabalho, professora Maria Ângela Garcia de Almeida comenta que ainda não tinha presenciado os estudantes tão concentrados para resolver os desafios que eram propostos. “Senti que os desafios elencados cativaram a participação e a vontade dos alunos, sem nenhum tipo de competitividade, e sim, prazer em aprender.”

A professora Sandra Regina D’ Antonio, que leciona na Universidade e é uma das coordenadoras do projeto, diz ter ficado muito contente em perceber que o objetivo central da ação foi alcançado entre a comunidade escolar e a UEM. “Mais importante do que essa abertura é perceber que a extensão entre a pesquisa e o trabalho de campo é de suma importância para os alunos da graduação, professores do departamento, educadores, funcionários e estudantes do colégio. Esse trabalho demonstra que a união entre Universidade e Escola contribui para uma melhor qualidade de ensino em nosso país.”

 

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Um lar chamado Comunidade

Um lugar onde os bebês têm os primeiros contatos com os livros. Onde mães semi-analfabetas se

Há 26 anos, através das oficinas da Comunidade, os jovens depositam um outro olhar sob a realidade

reúnem para ler ‘Mil e uma noites’, a fim de dar bons exemplos aos filhos. É lá que aconteceu o projeto de fotografia, é onde ocorre a aula de pintura, o reforço escolar, o treino de karatê e os tratamentos com psicóloga e dentista, sem custo algum para a comunidade. É nesse lugar que a direção oferece ‘tudo do bom e do melhor’, como se estivesse lidando com seus próprios filhos. É o ambiente em que as atividades são realizadas com amor e dedicação.

Esta descrição que mais parece da escola ideal, sonho de pais e professores é a Comunidade Social Cristã Beneficente, fundada há 26 anos pelo médico Osvaldo Alves, cujo trabalho visa a educação que incendeia, problematiza e transforma. Localizada em Mandaguari, há 36 km de Maringá, a Comunidade conta com uma equipe de 20 colaboradores, sendo três voluntários. A diretora Tânia Gomes, Doutora em História, contou que tudo começou com a doação de remédios fitoterápicos, produzidos pelo fundador, Dr. Osvaldo, para a população carente. Em seguida, passaram a oferecer, uma vez por mês, oficinas de leitura e cinema. “Era uma dificuldade enorme reunir gente humilde para ler e assistir filme”, relembra Tânia. Difícil, mas não impossível.

Foi então que a diretora desenvolveu algumas estratégias para despertar o hábito da leitura nos frequentadores da Comunidade. Durante as aulas de pintura, por exemplo, os participantes se deparavam com uma linda estante, repleta de livros, todos novos e limpos. Aos poucos, se aproximavam da prateleira e manuseavam curiosamente as literaturas. Ler um livro inteiro foi apenas uma questão de tempo. As atividades em contraturno ocupam o tempo vago das crianças e dos adolescentes e fazem prosperar a consciência crítica e as habilidades.

“Temos em mente que a leitura, o karatê e a pintura não vão salvar os jovens das drogas, mas caso eles se aproximem delas irão mais fortes e conscientes”, diz Tânia se referindo a um dos problemas sociais, o uso de entorpecentes.O soldador Carlos Celso Bobatto é pai de Carlos Cezar, de 11 anos, que participa das oficinas de literatura, reforço e karatê. Segundo ele, “as companhias da Comunidade são as melhores, meu filho é orientado a ter uma profissão”. Bobatto diz que se Carlos Cezar ficasse a tarde em casa,  a Tv seria sua principal ocupação. “Já faz cinco meses que meu filho frequenta a Comunidade. As notas melhoraram e ele passou a ser mais carinhoso”, afirma o pai orgulhoso.

A equipe pedagógica da Comunidade se reúne para estudar e afinar o trabalho de acordo com as diretrizes do educador Paulo Freire. Respeitar os saberes prévios do aluno é um dos conceitos levados em consideração na entidade. Um exemplo disso é Luana Aparecida Casonotti, de 14 anos. Extrovertida, fã, incondicional, de Michael Jackson, membro de diversas oficinas na Comunidade e munida de vontade de aprender, foi escolhida, pelas suas características, para fazer um curso em Londrina de Contação de História, para depois ser contratada e oportunizar conhecimento aos colegas. A Comunidade foi o espaço escolhido por centenas de jovens como segundo lar, um ambiente de inclusão e amor.

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