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Criticidade na Copa

D­esde que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol, e com a proximidade do megaevento, tudo o que envolve o tema tem gerado divergência de opiniões. A realização do torneio exigiu investimento pesado em várias áreas, como transporte, infraestrutura e, principalmente, a construção de novas arenas esportivas nas 12 cidades-sede. Diante desse cenário as professoras Edilaine Varize Poletine, Juliana Alcantara André e Zuleide Ghizzo que lecionam aos quintos anos da Escola Municipal Padre Mateus Elias, de Doutor Camargo, realizam atividades que enfocam mais do que o amor pela seleção verde e amarela. Nas semanas que antecedem o campeonato, elas desenvolveram propostas de reflexão sobre os impactos da Copa, em diferentes áreas.

“Gosto muito de trabalhar temas polêmicos a partir das reportagens do jornal. Acredito que enriquece o conhecimento e o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos”, comenta Zuleide.

A professora Juliana conta que o impresso amplia o universo do estudante, e o forma leitor capaz de pensar e expressar opiniões. “Este trabalho, em específico, gerou um grande debate sobre assuntos referentes aos problemas do Brasil”, acrescenta.

As produções realizadas envolvem não só a cultura dos países participantes e os títulos ganhos pela seleção brasileira, mas também a reflexão das revoltas de algumas categorias trabalhistas contra a realização do mundial de futebol em nosso país, os gastos exorbitantes, e a falta de qualidade na saúde, educação, moradia, entre outros fatores que são considerados precários em nosso país.

“Aproveitei a estimativa publicada no Diário sobre os possíveis países para as quartas de final e pedi que as crianças entrevistassem algumas pessoas para saber quais seleções eles acreditam que podem chegar às semifinais. Após essa atividade, questionei os alunos a falarem a respeito do que gostariam que acontecesse nos dias dos jogos”, enfatiza a professora Edilaine.

O estudante João Vitor Scarpin comenta que o mais importante é o que vamos mostrar aos estrangeiros, e isso inclui a boa educação. A aluna Nayra Jeniffer completa, “os manifestos são importantes sim, mas não da forma com que estão acontecendo. Quebrar lojas e ônibus não vai resolver a situação, afinal, todos sabem que com violência não se consegue nada”.

“Em um país no qual a saúde e a educação ainda são deficitárias, é natural que surjam muitas opiniões contrárias à realização do evento. Em contra partida, nosso papel é torcer pela seleção brasileira”, enfatiza a coordenadora Maria de Fátima Bortolucci de Mello.

Edilaine finaliza expondo que o trabalho com o jornal sempre é bem vindo à sala de aula, pois enriquece na leitura e no desejo de estar bem informado sobre tudo aquilo que acontece na comunidade. “Algo que transforma a criança num ser crítico, consciente e conhecedor de seus direitos e deveres.”

ENTREVISTA. Alunas questionam a coordenadora Maria de Fátima, sobre quem ela acredita que chegará as semifinais da Copa do Mundo.

ENTREVISTA. Alunas questionam a coordenadora Maria de Fátima, sobre quem ela acredita que chegará as semifinais da Copa do Mundo.

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Alunos de Itambé já estão em ritmo de Copa

A menos de um mês do início do campeonato mundial, não se fala em outra coisa. E dentro da sala de aula não é diferente. Desde o início do ano letivo a professora Suelena Giraldelli Jaqueta, que leciona para os quintos anos da Escola Municipal Prof. Domingos Laudenir Vitorino, de Itambé, tem preparado atividades relacionadas à Copa do Mundo, afinal para a maioria das crianças esta é a primeira oportunidade de ver o Brasil, quem sabe, se consagrar campeão. Pois no ano em que o país conquistou o penta, elas ainda não tinham nascido.

“O trabalho sobre um evento tão grande, e ainda novo para alguns estudantes, desperta interesse, curiosidade e patriotismo nas crianças. Conciliado a isso tenho dois alunos que estão indo morar em Curitiba para jogar futebol profissional em um time infantil de lá. Os colegas de classe estão eufóricos com a notícia, então para evitar a conversa paralela percebi que o ideal seria incluir o assunto em minhas aulas”, destaca Suelena.

Dentre as propostas didáticas a professora tem aliado o futebol e os campeonatos com a interdisciplinaridade, desta forma consegue incluir algo novo em sala, sem deixar de cumprir o currículo escolar, “e o resultado têm sido ótimo”, afirma.

Na geografia, os alunos pesquisaram quais são os continentes dos países participantes da Copa de 2014 e o nome daqueles que foram sede dos jogos onde o Brasil ganhou cada um dos cinco títulos de campeão mundial.

Na matemática as crianças foram desafiadas a calcular quantos anos o nosso país ficou sem título entre uma vitória e outra, por exemplo, desde que se tornou pentacampeão em 2002 o Brasil está há 12 anos sem ganhar uma Copa.

Para que os alunos tivessem interesse pela história mundial, Suelena sugeriu que começassem a buscar informações sobre a evolução do futebol ao longo dos anos, comidas típicas dos países participantes, costumes dos povos e a origem das bandeiras.

Os substantivos também foram trabalhados, mas a partir dos nomes próprios dos continentes, países, times e jogadores. Os hinos e músicas temas de cada campeonato foram opções de atividades relacionadas à disciplina de língua portuguesa, além das propostas de interpretação textual.

A sala de informática da escola foi utilizada para o trabalho de pesquisa, “muitas crianças não tem acesso à internet em casa, então aproveitei os horários no laboratório para adiantar o que seria tarefa e assim, a partir da busca por informações, eles também aprendem como manusear os equipamentos”, conta Suelena.

A diretoria forneceu um caderno para que cada aluno produzisse o seu “livro” sobre as Copas do Mundo. A professora ressalta que todas as atividades estão sendo escritas neste caderno especial para que isso seja um arquivo que eles possam guardar por muitos anos, “e quem sabe, futuramente, completar com dados e novidades dos jogos de 2018.”

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

PATRIOTAS. De camiseta e Cap – este último produzido pelos próprios alunos – a turma está pronta para a torcida.

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