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Executiva de TI produz trilogia com enredo eletrizante

Quem poderia imaginar que uma executiva de tecnologia da informação (TI), depois da rotina diária de trabalho, ainda chegaria em casa com inspiração para transformar uma paixão da infância em trabalho? Assim é a vida da escritora Ana Eduarda Chiarato Nicolozzi, que em horário comercial atua no setor de serviços em tecnologia, de uma multinacional paulista, mas fora do escritório mergulha em um universo fictício. E é através da escrita que propõe aos seus leitores uma viagem intelectual.

Desde criança Ana Eduarda já mostrava encanto pela literatura e contos clássicos. Através do contato com os livros teve a iniciativa de participar de seminários que aumentaram seu conhecimento e domínio quando o assunto é redação.

Ao passar dos anos, a autora começou a produzir conteúdos de cunho educacional, no formato de histórias em quadrinhos. Esses materiais foram direcionados ao público infantil, e abordavam temas relacionados ao esporte, à alimentação e à sustentabilidade.

Decidida a buscar voos mais altos e traçar uma carreira de sucesso na ficção, em 2011 Ana Eduarda lançou a trilogia “Enigma das Fronteiras”, material produzido em três volumes – “Céu, Terra e Inferno” – com um enredo eletrizante que provoca reflexões e emoções sobre criaturas que estão no imaginário popular. As obras também falam de batalhas entre seres do bem e do mal, e o amor entre um anjo e um ser humano. O que promete mexer com a crença e o imaginário dos leitores.

ANA EDUARDA

 

Convidada a uma entrevista para a coluna do Diário na Escola, Ana Eduarda nos contou sobre a paixão pela literatura, as formas de motivar as crianças a gostarem de ler e os desafios de quem se arrisca a publicar ideias e sentimentos, no papel.

 

O DIÁRIO NA ESCOLA: Executiva em tecnologia, de onde surgiu a interesse pela área literária?

ANA EDUARDA Livros sempre foram parte de minha vida. Desde pequena, amo ler. Minha lembrança mais remota – e deliciosa – foi quando ganhei uma coleção de livros infantis do meu pai, contos em geral, e depois de cansar de ler eu os colocava em formato de amarelinha, e pulava em cima deles. Por volta dos 16 anos, comecei a escrever as primeiras coisas, que eram as continuações de livros que eu adorava. Como não queria que as histórias acabassem, escrevia algumas continuações da forma que as imaginava.

A vida profissional na área de Tecnologia da Informação sempre caminhou junto com o mundo literário e essa minha paixão e sonho de escrever, uma servindo de apoio à outra. Aliás, a habilidade da comunicação escrita sempre me ajudou muito, também,  na minha ocupação atual. Por isso é que as considero complementares, partes de mim.

Qual a principal dificuldade que enfrentou ao escrever suas obras?

Inicialmente, é difícil escrever a primeira palavra, a primeira frase de um livro. É necessário relaxar e deixar as ideias fluírem, do jeito que aparecerem. Tem que se libertar das convenções, e deixar acontecer. Depois, é muito difícil saber a hora de parar de escrever, ou seja, terminar a história. É como deixar um filho livre e solto no mundo, vivendo por sua própria vontade. No livro, dá o desejo de continuar e continuar, revisar milhões de vezes e nunca mais largá-lo. Eu escrevi três finais para a trilogia. Somente no terceiro, fiquei um pouco mais satisfeita, mas mesmo assim, foi difícil colocar o “ponto final” final!

No Brasil, é possível sobreviver atuando unicamente como escritora?

As condições de incentivo e o próprio mercado de leitores são maiores nos países de economia mais madura, o que facilita bastante o lançamento de livros e ideias novas. Certamente, as pessoas estão mais prontas e mais ávidas para a leitura, fazendo girar melhor essa parte do negócio. De qualquer forma, estou apostando muito no futuro do Brasil, quero ajudar a fazer um país melhor, que incentive a cultura de uma forma geral. Os meus livros têm o objetivo de entreter as pessoas e, com isso, despertar a curiosidade para um mundo novo que se abre com as páginas. Novos leitores, mais cultura, mais educação. Um círculo virtuoso.

Você considera que em nosso país a profissão é desvalorizada?

Acho que poderíamos valorizar mais a arte e cultura em geral, sim. Já dancei ballet por muitos anos, e sei também como é difícil a vida de atores e dançarinos, é difícil encontrar um lugar ao sol. Precisamos de mais programas, de mais financiamento e mais espaço para a divulgação de todo tipo de obras.

Suas obras têm relação com suas experiências de vida?

Não, minhas obras são apenas ficção. Têm um pouco de mim, um pouco de alguns lugares que conheço, pois livros são parte de nós, mas tudo que está lá é parte da minha imaginação e inspiração.

Além de escritora você é mãe. Que iniciativas toma para motivar sua filha a gostar da leitura?

Não há nada melhor do que o nosso exemplo silencioso. Não adianta falar, conversar ou passar sermão. Filhos aprendem pela observação dos pais, da família e do ambiente, pelo que sentem, pelo que captam. Se queremos motivar nossos filhos à leitura, precisamos ler para eles, ler com eles, ler perto deles e mais ainda, nos divertir com a leitura. Lembro-me bem quanto estava lendo o livro “Marley e eu”. Dava tanta risada sozinha das coisas que lia, que minha filha ainda com cinco ou seis anos vinha se sentar ao meu lado para também poder “ler” a parte engraçada.

Mesmo para quem não tem condições de adquirir livros a toda hora, o hábito pode ser adquirido através de revistas e jornais, ao passear numa livraria ou biblioteca, manusear coisas emprestadas de clubes de leitura, e outras opções em que não precisamos gastar um centavo.

Como escritora, qual sua visão sobre a educação atual?

Ainda temos um abismo que separa a educação pública da privada, e isso não é bom. Embora tenhamos excelentes escolas públicas, estas ainda são consideradas uma exceção no País e precisamos melhorar muito os nossos programas e a abrangência da educação. Precisamos incentivar mais nossos professores, desde a remuneração até o seu próprio desenvolvimento, precisamos de mais laboratórios, mais salas, mais infraestrutura, mais tudo.  Não quero parecer pessimista, mas sim, quero ver mais, desejo mais para o Brasil, pois sabemos que é possível fazer melhor do que o que temos hoje. Existem crianças ainda sem uniforme e material escolar, e nós já estamos no final de abril. Fico triste ao saber que o número de leitores brasileiros diminui ano a ano, segundo as estatísticas, fico mais triste ainda ao ler que grande parte de nossa população é analfabeta funcional – aqueles que sabem algumas letras, mas não interpretam um texto. E pior ainda, temos uma boa parcela como analfabetos absolutos.

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